A decisão de Pequim de aplicar tarifa zero às importações provenientes de 53 nações africanas entrou em vigor nesta sexta-feira.
A medida foi divulgada pela Comissão Tarifária do Conselho de Estado. Ela estende um programa que desde 2024 já beneficiava 33 países africanos classificados pela ONU como menos desenvolvidos.
Outros 20 parceiros diplomáticos da África juntam-se agora à lista, entre eles Argélia, Egito, Marrocos, Nigéria, África do Sul e Tunísia. Esses países ganham acesso preferencial ao imenso mercado consumidor chinês.
O benefício valerá até abril de 2028 e já começou a ser utilizado. A agência Xinhua informou que um carregamento de 24 toneladas de maçãs sul-africanas cruzou a alfândega de Xangai sem qualquer imposto na manhã do primeiro dia de vigência.
Ao zerar as alíquotas, Pequim afirma que busca impulsionar o investimento produtivo e acelerar a industrialização africana. O governo chinês ressalta que a iniciativa responde ao isolamento comercial imposto por políticas unilaterais e práticas protecionistas crescentes em outras potências.
Esta é a primeira vez que uma grande economia concede isenção tarifária a todas as nações africanas com as quais mantém relações diplomáticas. O precedente abre caminho para acordos semelhantes em outras regiões em desenvolvimento.
Desde 2009, a China figura como maior parceiro comercial do continente. As exportações africanas para o país somaram mais de US$ 110 bilhões no último ano, segundo dados do Ministério do Comércio chinês.
Com o corte de impostos, produtos agrícolas como cacau, chá, café e frutas devem ganhar competitividade imediata, beneficiando pequenos produtores locais. Analistas em Pequim observam que o prazo de quatro anos permite avaliar resultados e ajustar regras sanitárias, logísticas e financeiras antes de a política se tornar permanente.
Para a diplomacia chinesa, o gesto reforça a narrativa de uma ordem econômica multipolar baseada em ganhos recíprocos. Ao mesmo tempo, revela o espaço crescente ocupado pelo BRICS na remodelação do comércio internacional.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
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Rick Ancap
01/05/2026
China dando esmola com o dinheiro dos outros pra comprar influência, enquanto o contribuinte chinês paga a conta.
Mariana Ambiental
01/05/2026
Rick, essa narrativa de ‘esmola’ ignora que o comércio internacional é via de mão dupla: ao zerar tarifas, a China abre mercado para minério, petróleo e commodities africanas que alimentam sua indústria, enquanto fortalece laços Sul-Sul — bem diferente dos acordos predatórios que o FMI impõe há décadas.
João Silva
01/05/2026
Rick, você está aplicando a lógica do individualismo metodológico a uma relação entre Estados que opera em outra escala. Enquanto o contribuinte chinês financia a infraestrutura que extrai minério a preço baixo, o trabalhador africano vende sua força de trabalho por salários que não pagam o custo de reprodução social — isso não é esmola, é a velha divisão internacional do trabalho com verniz de cooperação Sul-Sul.
Cecília Silva
01/05/2026
Rick, você fala como se a África fosse um peso morto, mas esquece que o continente tem a maior reserva de cobalto e lítio do planeta — sem isso não existe carro elétrico nem celular. Enquanto isso, o contribuinte chinês financia estradas e portos que geram emprego lá, e o seu “contribuinte” americano paga bomba pra explodir criança no Oriente Médio. Quer comparar esmola?
Tiago Mendes
01/05/2026
Rick, você reduz tudo a uma troca mercantil fria, mas esquece que a Bíblia nos chama a perdoar dívidas e abrir mão do acúmulo para que haja justiça entre os povos — o que a China faz, mesmo com interesses próprios, ecoa o princípio do ano do jubileu, onde a terra e os recursos eram redistribuídos para corrigir desigualdades históricas.