O presidente russo Vladimir Putin telefonou ao presidente dos EUA, Donald Trump, e assegurou que qualquer novo uso de força contra a República Islâmica do Irã desencadearia impactos «inevitáveis e extremamente graves» não apenas no Oriente Médio, mas em toda a comunidade internacional.
O alerta foi relatado pelo conselheiro diplomático Iuri Ouchakov a jornalistas. Foi o ponto central de uma ligação de 90 minutos que marcou o primeiro contato direto entre os dois líderes em 51 dias.
O Kremlin tomou a iniciativa de acionar a linha direta poucos dias depois de Putin ter recebido em Moscou o vice-chanceler iraniano Abbas Araghchi. A movimentação sinaliza a intenção russa de retomar protagonismo nas negociações de segurança regional.
Na conversa, Putin classificou como «totalmente inaceitável e perigosa» a hipótese de uma operação terrestre conduzida por Estados Unidos ou Israel em território iraniano. A avaliação foi transmitida por Ouchakov à imprensa.
O assessor acrescentou que Putin formulou diversas propostas concretas para destravar o impasse em torno do programa nuclear iraniano. O líder russo se disse disposto a exercer mediação ativa, oferta que havia sido rechaçada publicamente por Trump durante o recente conflito entre Israel e o Irã.
Naquela ocasião, Trump afirmou ter aconselhado Putin a cuidar primeiro da sua guerra, em referência à crise ucraniana. O tom da nova ligação foi descrito pelo Kremlin como mais receptivo, embora a Casa Branca não tenha divulgado detalhes substanciais da chamada.
Analistas em Moscou enxergam a troca como parte de uma estratégia russa de reposicionamento. O diálogo com Teerã ajuda Moscou a equilibrar relações que vinham se inclinando em favor das monarquias do Golfo desde a retomada de laços com a Arábia Saudita no âmbito da OPEP+.
Segundo a síntese oficial, Putin avaliou que bombardeios adicionais ou o bloqueio de instalações estratégicas iranianas provocariam ondas de instabilidade. Os impactos atingiriam preços globais de energia, cadeias logísticas e fluxos migratórios.
Ouchakov frisou que Moscou «está firmemente resolvida a fornecer apoio diplomático internacional» a esforços pacíficos. A posição se choca com vozes em Washington favoráveis a sanções mais duras ou a ataques cirúrgicos caso Teerã avance no enriquecimento de urânio além dos limites fixados pelo acordo de 2015.
Em Teerã, a chancelaria elogiou a postura russa e reforçou que o Irã age em legítima defesa frente às ameaças constantes do eixo EUA-Israel. O governo iraniano reiterou que qualquer violação de sua soberania terá resposta proporcional.
A ligação acontece em meio a negociações emperradas sobre a retomada integral do Plano de Ação Conjunto e Abrangente. O acordo foi congelado desde que os EUA o abandonaram unilateralmente em 2018 e impuseram um amplo regime de sanções contra a economia iraniana.
Entre diplomatas europeus, há expectativa de que Putin utilize seu recente entendimento energético com a Arábia Saudita para persuadir Riad a apoiar um cessar-fogo retórico. O objetivo seria reduzir o risco de confronto direto na região.
Para a Rússia, um conflito aberto no Golfo Pérsico reduziria drasticamente a navegação pelo estreito de Ormuz e elevaria o barril de petróleo a patamares de volatilidade excessiva. Especialistas em energia alertam que um choque militar poderia retirar do mercado até 3 milhões de barris diários de petróleo iraniano.
Com a guerra na Ucrânia ainda em curso, o Kremlin tenta demonstrar capacidade de agir em múltiplos tabuleiros, oferecendo saídas políticas ante a escalada militar defendida por setores neoconservadores em Washington. Do lado americano, assessores de segurança defendem manter «todas as opções sobre a mesa», enquanto legisladores republicanos pressionam por nova leva de sanções.
Por ora, a advertência de Putin coloca sobre Trump o ônus político de avaliar os custos militares, econômicos e diplomáticos de qualquer ação contra Teerã. Moscou sinaliza que não pretende assistir passivamente a um eventual ataque na vizinhança de seus próprios interesses estratégicos. A reportagem é da RFI.
Leia também: Ligação telefônica entre Trump e Putin diminui esperanças de Kyiv
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Adriana Silva
02/05/2026
Faz o L, Putin é comunista e quer proteger o Irã pra espalhar o caos no mundo. Vai pra Cuba, Trump!
Lucas Andrade
02/05/2026
Adriana, reduzir Putin a “comunista” e o Irã a “caos” é repetir o mesmo maniqueísmo que a indústria cultural usa pra vender guerra como entretenimento. O que está em jogo não é esquerda ou direita, mas a lógica necropolítica que transforma corpos em estatísticas.
Francisco de Assis
02/05/2026
Adriana, pelo amor de Deus, “Faz o L” é o caramba! O Putin não é comunista coisa nenhuma, ele é um estadista que tá defendendo a soberania dos povos contra a sanha imperialista dos EUA. Enquanto isso, o Brasil do Lula tá construindo pontes com a Rússia e a China pra acabar com essa guerra maluca que só enriquece fabricante de arma.
Fernanda Oliveira
02/05/2026
Adriana, reduzir o Putin a comunista e acreditar que o Irã existe só pra espalhar caos é ignorar décadas de intervenção dos EUA no Oriente Médio. Vidas de pessoas reais estão em jogo, não é um jogo de torcida.
Maria Silva
02/05/2026
Parece que o Putin tá querendo dar uma de boiadeiro no pasto alheio, mas quem manda no gado americano é o Trump. Se o Trump resolver passar a faca no Irã, esse povo todo que fica de palanque vai ter que engolir o choro.
Maria Aparecida
02/05/2026
Maria, com todo respeito, essa lógica de “quem manda é o mais forte” esquece que o povo iraniano, assim como o povo americano, é feito de carne e osso e não de gado. Isaías 10:1-2 já denunciava os que escrevem decretos de opressão para roubar o direito dos pobres; guerra não é jogo de boiadeiro, é derramamento de sangue inocente que Deus vê.