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Pesquisadores descobrem papiro com trechos da Ilíada fixado ao abdômen de múmia de 1.600 anos no Egito

4 Comentários🗣️🔥 Rosto de múmia egípcia com faixas de tecido, encontrada em escavações arqueológicas. (Foto: olhardigital.com.br) Pesquisadores da Universidade de Barcelona identificaram um papiro com versos da Ilíada, de Homero, costurado ao abdômen de uma múmia com cerca de 1.600 anos, encontrada na antiga cidade de Oxirrinco, atual El-Bahnasa, a aproximadamente 160 quilômetros ao sul […]

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Rosto de múmia egípcia com faixas de tecido, encontrada em escavações arqueológicas. (Foto: olhardigital.com.br)

Pesquisadores da Universidade de Barcelona identificaram um papiro com versos da Ilíada, de Homero, costurado ao abdômen de uma múmia com cerca de 1.600 anos, encontrada na antiga cidade de Oxirrinco, atual El-Bahnasa, a aproximadamente 160 quilômetros ao sul do Cairo, conforme reportagem do Olhar Digital.

A descoberta marca um precedente inédito na arqueologia egípcia. É o primeiro registro de um texto puramente literário empregado em rituais funerários da região durante o período de dominação romana.

Até então, as escavações em tumbas daquele contexto histórico haviam revelado apenas papiros com fórmulas religiosas tradicionais ou instruções técnicas para o embalsamamento. O fragmento pertence ao Livro II da epopeia, na seção conhecida como o ‘Catálogo de Navios’.

Devido ao estado de extrema fragilidade do material, a equipe restringiu-se a análises visuais cuidadosas. A exclusão de tecnologias como raios-X nesta fase impede determinar com precisão a razão da inclusão do texto no ritual.

Os cientistas trabalham com duas hipóteses principais: a obra poderia funcionar como assinatura do embalsamador responsável, ou teria papel simbólico de proteção espiritual para o morto. As escavações em três tumbas de calcário no mesmo sítio revelaram outros elementos de riqueza ritual.

Entre os achados estão múmias adornadas com línguas confeccionadas em folhas de ouro ou cobre, jarros com restos cremados de adultos misturados a ossos de bebês e cabeças de felinos envoltas em tecido antigo. O conjunto sugere práticas sincréticas de grande complexidade simbólica.

O cemitério era frequentado por famílias de elevado poder aquisitivo, capazes de financiar rituais elaborados e dispendiosos. As investigações continuam com o objetivo de compreender como a cultura grega clássica e as tradições funerárias egípcias se entrelaçaram durante os séculos de presença romana no Egito.


Leia também: Arqueólogos descobrem trecho da Ilíada dentro do abdômen de múmia egípcia da era romana


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John Marshall

03/05/2026

Mariana, você capturou bem a dimensão de classe, mas acho que o fenômeno é ainda mais interessante se pensarmos em termos de hibridismo cultural. Oxirrinco era um cadinho greco-egípcio sob domínio romano; colar Homero no morto não era apenas exibição de status helênico, mas um gesto sincrético que fundia a paideia grega com as práticas funerárias egípcias. O papiro vira amuleto, a Ilíada vira texto mágico. Hobbes diria que o soberano molda até o além-túmulo; eu diria que o morto vira um Leviatã de versos.

Mariana Santos

03/05/2026

Lucas, você tocou num ponto crucial: a cultura material sempre reflete disputas de classe e poder. Enquanto a elite letrada do Egito romano colava Homero nos mortos como símbolo de status e helenização, a massa camponesa egípcia mal tinha acesso ao papiro. A arqueologia nunca é neutra — cada achado conta uma história de quem podia pagar pela eternidade com versos épicos.

Padre Antônio Rocha

03/05/2026

Mais uma prova de que o mundo antigo, mesmo pagão, tinha mais respeito pelo sagrado e pela morte do que essa geração moderna que banaliza tudo. Enquanto os arqueólogos se deslumbram com Homero, eu vejo um povo que enterrava seus mortos com dignidade, algo que o secularismo de hoje despreza. Cadê a arqueologia que estude a Bíblia com o mesmo afinco?

    Lucas Andrade

    03/05/2026

    Padre, a Bíblia já foi escavada até o osso por arqueólogos sionistas e evangélicos financiados por think tanks; o problema é que ela não rende papiros colados em múmias porque seu cânone foi limpo demais pela ortodoxia para sobrar algo tão poeticamente impuro quanto Homero.


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