A CIA vem conduzindo operações letais em território mexicano, com ataques diretos contra integrantes de cartéis do narcotráfico executados sem qualquer autorização formal do governo mexicano. A revelação foi feita pela CNN e repercutida pela RT, que detalhou a atuação de uma unidade de elite da agência em solo mexicano.
O caso mais emblemático é a morte de Francisco Beltrán, conhecido pelo apelido ‘El Payín’, apontado como operador do Cartel de Sinaloa. Em março de 2026, Beltrán e seu motorista trafegavam pelo município de Tecámac, no Estado do México, quando o veículo em que estavam foi explodido.
A operação foi executada pela Ground Branch — a Rama Terrestre da CIA, unidade responsável por missões encobertas de alto risco. ‘A letalidade de suas operações aumentou seriamente’, afirmou uma das pessoas familiarizadas com as ações ao canal americano.
‘É uma expansão significativa do tipo de coisas que a CIA esteve disposta a fazer dentro do México’, completou a fonte, sem se identificar. As revelações emergem num contexto já tenso entre Washington e Cidade do México.
Pouco antes, dois agentes da CIA haviam participado de forma irregular em uma operação antinarcóticos em solo mexicano e morreram em um acidente no estado de Chihuahua. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, deixou claro que a saída do fiscal-geral de Chihuahua, César Jáuregui, não paralisa as apurações sobre o que os dois agentes faziam no país.
A resposta do governo mexicano às novas revelações foi direta e sem concessões. O secretário de Segurança e Proteção Cidadã, Omar García Harfuch, rejeitou ‘categoricamente qualquer versão que pretenda normalizar, justificar ou sugerir a existência de operações letais, encobertas ou unilaterais de agências estrangeiras em território nacional’.
Em nota publicada no X, García Harfuch reafirmou que a cooperação com os Estados Unidos existe e tem gerado resultados, mas deve obedecer a princípios inegociáveis. São eles: respeito à soberania, responsabilidade compartilhada, confiança mútua e cooperação sem subordinação.
O secretário foi categórico ao afirmar que ‘as ações operativas correspondem exclusivamente às autoridades mexicanas competentes’. A participação estrangeira se limita a ‘intercâmbio de informações, coordenação institucional e mecanismos formais estabelecidos pelo governo do México’.
Sheinbaum já havia fixado sua posição ao comentar os documentos enviados aos EUA sobre os dois agentes mortos. ‘A México se le respeta’, disse a mandatária, numa frase que resume a linha vermelha que seu governo se recusa a cruzar diante da pressão americana.
O que as revelações da CNN expõem vai além de um incidente diplomático pontual. Elas apontam para uma escalada sistemática e unilateral da presença operacional da CIA no México — um país soberano — sem qualquer consentimento do Estado receptor, numa prática que configura violação flagrante do direito internacional e da soberania mexicana.
A investigação sobre a morte dos dois agentes em Chihuahua e o assassinato de Beltrán em Tecámac seguem abertas. O governo mexicano sinalizou que não pretende arquivar nenhum dos casos.
Com informações de ACTUALIDAD.
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Marta
12/05/2026
Meus queridos, está aqui a professora Marta para uma aula de história que essa manchete exige. O que a CIA está a fazer no México não é novidade nenhuma para quem prestou atenção às aulas sobre a Doutrina Monroe e o “destino manifesto” que os Estados Unidos se atribuíram desde o século XIX. Aquela ideia perversa de que a América é quintal deles, que podem entrar e sair quando quiserem, explodir carros, matar gente e ainda achar que estão a prestar um favor. Essa meninada que defende ações unilaterais como se fossem solução pragmática talvez nunca tenha lido uma linha sobre as intervenções na Guatemala em 1954, na República Dominicana, em Granada ou no Panamá. A história mostra que cada vez que os americanos decidiram “resolver” problemas no quintal alheio, deixaram atrás de si um rastro de sangue, ditaduras e mais instabilidade. Isso não é trabalho de limpeza, é imperialismo puro e simples, e chamar isso de eficiência é ignorância histórica atroz.
O comentário da Maria Antonia me obriga a puxar uma cadeira e dar uma aula extra. Dizer que o “mercado livre” resolveria o problema do narcotráfico é repetir um mantra neoliberal que já foi desmascarado pela realidade dezenas de vezes. O mercado livre, meninos, não elimina o crime organizado – ele o transforma, o legitima e muitas vezes o potencializa, como se viu com a privatização violenta no Chile de Pinochet e com a financeirização que lavou dinheiro do tráfico em paraísos fiscais do Norte global. O problema é estrutural, como bem lembrou a Fernanda, e tem raízes coloniais profundas: a economia de plantation escravista, a extração predatória de recursos, a imposição de monoculturas e agora o proibicionismo que criminaliza as drogas enquanto os bancos americanos e europeus lucram com a circulação do dinheiro sujo. Achar que basta liberar as drogas e tudo se resolve é simplismo de quem nunca pisou numa favela ou num bairro periférico, onde o tráfico é patrão porque o Estado burguês nunca chegou com escola, saúde e dignidade.
Essa soberba imperial que vemos hoje no México é a mesma que tentaram impor ao Brasil ao longo da nossa história, e sempre tivemos de lutar para preservar nossa autonomia. Lembro-me bem dos tempos do Lula, quando o Brasil ousou ter uma política externa independente, olhando para o Sul global, e foi imediatamente tratado como ameaça pelos mesmos setores que hoje aplaudem atentados da CIA em território alheio. O que está em jogo no México não é a guerra às drogas – essa guerra é uma farsa que já matou centenas de milhares e só serviu para encher os cofres da indústria armamentista americana. O que está em jogo é o direito dos povos de decidirem seus destinos sem a tutela de um império decadente que se arroga o papel de xerife do mundo. Explodir carros sem autorização do governo mexicano não é operação de segurança, é ato de guerra unilateral, e deveria estar sendo denunciado em todos os fóruns internacionais como violação flagrante da Carta da ONU.
Termino com um conselho de professora aposentada que já viu muito menino arruinado por uma educação cívica fajuta: estudem a história da América Latina antes de sair por aí repetindo bobagens sobre intervenção salvadora. A Cecília foi certeira quando lembrou que soberania não se negocia com bomba – e eu acrescento que a lição mais importante que podemos tirar do México é que a solidariedade entre os povos latino-americanos é a única trincheira contra essa sanha imperial que nunca dorme. E mais amor ao povo, meus queridos, porque sem povo forte e informado, não há soberania que resista.
Julia Andrade
12/05/2026
O que me impressiona nessa notícia é a naturalidade com que alguns comentaristas recebem a ideia de uma agência estrangeira explodir carros em território alheio como se fosse solução. O Adalberto ali em cima trata a CIA como se fosse um serviço de limpeza terceirizado, ignorando que cada uma dessas operações unilaterais aprofunda a desorganização social e política do México. Não se trata de defender cartel — longe disso —, mas de perceber que o problema não é de “falta de vontade política mexicana”, e sim de uma guerra articulada por décadas de proibicionismo americano, que sempre tratou a América Latina como quintal onde se pode jogar bomba sem pedir licença. Isso não é eficiência, é repetição do velho padrão colonial com armas mais caras.
E a discussão que a Fernanda levantou é crucial: falar em “mercado livre” como alternativa à violência dos cartéis é trocar um problema real por uma fantasia neoliberal. O tráfico de drogas existe porque há demanda, proibição e uma estrutura racializada de exclusão que empurra corpos pobres e racializados para a economia ilegal. Uma política de descriminalização, sim, teria que vir acompanhada de reparação, investimento em saúde pública e fim da militarização das polícias — não de simplesmente legalizar e deixar o mercado decidir quem lucra. Enquanto o debate ficar entre “intervenção americana é boa” vs. “intervenção é ruim, legaliza tudo”, perdemos de vista quem realmente morre nessas explosões: comunidades mexicanas inteiras, mulheres e crianças, que viram dano colateral de uma guerra que não foi feita para acabar com o crime, mas para manter hierarquias globais de poder e raça.
O mais perturbador é o silêncio sobre a dimensão de gênero dessa violência. Operações militares como essa não são neutras: elas recaem desproporcionalmente sobre mulheres que viram viúvas, mães que perdem filhos ou corpo feminino usado como território de disputa entre cartéis e Estado. A soberania violada do México não é uma abstração diplomática — ela se materializa em corpos que a máquina imperial considera descartáveis. Enquanto tratarmos isso como “guerra contra o tráfico” em vez de “guerra contra os pobres”, a América Latina continuará pagando o preço de uma política que os EUA nunca aceitaram aplicar dentro de casa.
Maria Antonia
12/05/2026
Apoio a crítica à ineficiência do governo mexicano, mas operação unilateral sem autorização é tiro no pé: fere soberania e cria mais instabilidade. O verdadeiro culpado é o proibicionismo que alimenta esses cartéis – mercado livre acabava com a festa sem precisar de bomba nem bolsa-família.
Fernanda Oliveira
12/05/2026
Maria Antonia, concordo que a operação unilateral é um absurdo e fere a soberania, mas achar que “mercado livre” resolve é cair na ilusão neoliberal que só troca a faca do tráfico pela mão invisível que também mata. O problema é estrutural, colonial e racista — não vai ser legalizar tudo nas mãos de corporações que vai trazer justiça pra quem morre na guerra do proibicionismo.
Vanessa Silva
12/05/2026
Já pensaram no impacto disso para o planejamento urbano e a segurança pública das cidades mexicanas? Explodir carros em território alheio sem coordenação com as autoridades locais só joga gasolina no fogo e desorganiza qualquer estratégia séria de combate ao crime. Quem acha que isso é “eficiência” nunca teve que lidar com as consequências reais em uma vizinhança.
Adalberto Livre
12/05/2026
CIA FAZ O TRABALHO Q O GOVERNO CORRUPTA DO MEXICO NAO FAZ E AINDA RECLAMAM BANDO DE COMUNISTAS INCOMPETENTES
Cecília Ramos
12/05/2026
Adalberto, “trabalho” que explode inocentes junto com traficantes não é trabalho, é carnificina. Seu deus não é Cristo, é o império. E soberania alheia não se negocia com bomba.
Karina Libertária
12/05/2026
Pois é, aqui de Miami a gente vê a difference: CIA faz o job sem frescura, enquanto o México fica com essa burocracia. No Brasil o povo reclama, mas prefere receber bolsa família do que trabalhar. Sad, mas é a real.
Maura Santos
12/05/2026
Amiga, de Miami é fácil achar lindo a CIA explodir carro em território alheio, né? Aqui no Brasil a gente prefere um programa que põe comida na mesa e tem CPF de quem recebe, do que operação secreta sem prestação de contas que só gera mais caixão. Se Bolsa Família é frescura, espera até ver a conta que a CIA deixa pra gente pagar.