O custo da operação militar dos Estados Unidos contra o Irã ultrapassou a marca dos 77 bilhões de dólares no septuagésimo primeiro dia de combates, segundo dados compilados pelo portal Iran War Cost Tracker. A plataforma contabiliza gastos com manutenção de pessoal, navios deslocados ao Oriente Médio e demais despesas operacionais vinculadas à campanha bélica.
A metodologia do monitoramento parte de um relatório do próprio Pentágono enviado ao Congresso, no qual o departamento admitiu ter gasto 11,3 bilhões de dólares apenas nos seis primeiros dias da ofensiva. A partir daí, a projeção oficial passou a estimar um custo diário de aproximadamente 1 bilhão de dólares, ritmo mantido ao longo das semanas seguintes de bombardeios e operações navais.
Os números oficiais, porém, podem estar subdimensionados em relação ao prejuízo real do Tesouro americano. Em audiência na Comissão de Forças Armadas da Câmara dos Representantes no final de abril, o subsecretário de Defesa para Assuntos Financeiros do Pentágono, Jules Hurst, declarou aos parlamentares que o conflito havia consumido cerca de 25 bilhões de dólares até aquele momento.
No dia seguinte ao depoimento de Hurst, veículos da imprensa americana ouviram fontes que contestaram a contabilidade oficial apresentada ao Legislativo. O valor declarado não incluía a reconstrução de instalações militares atingidas nem a reposição de equipamentos danificados, o que faria o custo real saltar para quase o dobro do anunciado publicamente.
A informação dialoga com declarações do chanceler do Irã, Abbas Araghchi, que já havia estimado, no início de maio, que a campanha militar de Washington contra Teerã caminhava para a casa dos 100 bilhões de dólares. As cifras ganham peso quando comparadas ao orçamento anual de programas sociais americanos que vêm sendo cortados sob a justificativa de austeridade fiscal pelo próprio governo dos Estados Unidos.
Conforme a apuração do portal Sputnik, a ofensiva americana contra o território iraniano teve início em 28 de fevereiro, quando começaram os ataques a alvos no Irã. Os bombardeios deixaram mais de 3 mil mortos até o momento, em uma das campanhas militares mais letais conduzidas pelos EUA no Oriente Médio nos últimos anos.
Em 8 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo inicial de duas semanas, abrindo espaço para negociações diplomáticas. As conversas posteriores, realizadas em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem desfecho conclusivo.
Apesar do impasse nas negociações, as hostilidades militares diretas não foram retomadas em larga escala. Em compensação, os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos, medida que restringe drasticamente o comércio exterior do país persa e configura uma forma de pressão econômica paralela à pausa formal nos combates.
O cessar-fogo acabou sendo prorrogado, mas a manutenção da presença militar americana na região continua pesando sobre o Tesouro de Washington. Cada dia adicional de operação no Golfo Pérsico, com porta-aviões, submarinos nucleares e milhares de militares mobilizados, adiciona mais cifras à conta bilionária que o contribuinte americano terá de pagar.
O episódio expõe novamente a contradição central da política externa dos Estados Unidos, que pregam contenção de gastos públicos internamente enquanto ampliam recursos em operações militares no exterior. Enquanto Washington corta verbas para saúde, educação e infraestrutura, a máquina militar segue operando com orçamento praticamente irrestrito contra adversários estrangeiros.
Do lado iraniano, autoridades afirmam que o país mantém intactas suas capacidades de defesa nacional, apesar do bloqueio naval e dos ataques sofridos nos últimos meses. O custo financeiro elevado da operação para os americanos sinaliza, segundo analistas militares ouvidos pela imprensa internacional, que a resistência iraniana vem afetando a sustentabilidade da campanha imperialista conduzida por Washington.
Leia também: Trump chama ofensiva dos EUA contra o Irã de ‘miniguerra’ e minimiza escala do conflito
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Francisco de Assis
13/05/2026
77 bilhão queimando em míssil e drone, mas a direita patriotária daqui acha que soberania é se ajoelhar pra Washington e pedir benção em inglês. O Brasil do Lula mostrou que política externa independente segura as pontas sem destruir país nenhum, mas essa gente alienada da cabeça só entende força bruta e submissão. Com essa grana dava pra eletrificar o Nordeste inteiro outra vez, mas preferem salvar banco e fabricante de arma.
Bia Carioca
13/05/2026
A gente briga aqui no Rio por tarifa zero e manutenção da Supervia enquanto o império torra 77 bilhões num deserto. Imagina essa grana aplicada em trem, metrô e ônibus elétrico nas periferias do mundo – mas socialista que aponta isso é chamado de utópico, enquanto bomba em hospital é “pragmatismo geopolítico”.
Jeferson da Silva
13/05/2026
77 bilhões de dólares queimados em guerra e eu quero ver alguém vir aqui defender austeridade fiscal pra cortar direito de peão. Na fábrica a gente sabe que essa grana nunca falta pra tanque e míssil, mas pra saúde do trabalhador e pra manter a convenção coletiva sempre tão liso. Quem paga a conta da aventura imperialista é o mesmo que acorda às 5 da manhã pra bater cartão.
Ana Paula Conserva
13/05/2026
Que Deus tenha misericórdia de um mundo que prefere queimar 77 bilhões em bombas enquanto as famílias se desestruturam e os valores cristãos são pisoteados. Esse dinheiro poderia estar reconstruindo lares, protegendo crianças e fortalecendo a fé, mas o homem insiste em brincar de Deus no Oriente Médio. No fim, quem paga o preço são sempre os mais vulneráveis.
Cecília Ramos
13/05/2026
Irmã Ana Paula, eu também clamo por misericórdia divina, mas entendo que a fé genuína exige que a gente cobre do Estado o pão na mesa e a paz, não só oração — Jesus não abençoou impérios bélicos, Ele mandou repartir o pão e cuidar dos feridos, independente de fronteiras. Enquanto a igreja se preocupa só com “valores cristãos” abstratos e esquece de denunciar a máquina de moer gente que o capitalismo militar sustenta, os vulneráveis seguem morrendo sem ver o Reino de justiça que Ele pregou.
Márcio Torres
13/05/2026
Ana Paula, seu lamento tem uma camada de humanidade que eu respeito — afinal, é difícil não se indignar com 77 bilhões de dólares queimados em aventuras militares enquanto há gente passando fome. O ponto cego, porém, está em achar que a solução seria “fortalecer a fé” ou reconstruir lares com algum verniz cristão. A história mostra com clareza brutal que as mesmas instituições religiosas que hoje você invoca como antídoto à guerra foram, durante séculos, abençoadoras oficiais de impérios, cruzadas e colonizações. Não é falta de fé que move o complexo industrial-militar americano — é cálculo racional de lucro e poder geopolítico, muitas vezes untado com retórica de “valores judaico-cristãos” para vender bombas como missão divina. Se o problema fosse ausência de Deus, os EUA, um dos países mais religiosos do Ocidente, não estariam perpetuamente em guerra.
Há algo incômodo na ideia de que “brincar de Deus no Oriente Médio” é um desvio do homem, como se a verdadeira vontade divina fosse outra. O que os registros mostram é que toda potência expansionista se acha portadora de uma sanção metafísica. O Estado americano não está “brincando de Deus” apesar da sua fé; ele está exercendo exatamente o tipo de poder absoluto que o conceito de divindade sempre autorizou — a prerrogativa de decidir quem vive, quem morre, quem merece ser bombardeado. Trocar o altar pelo Pentágono não muda a estrutura teológica do raciocínio: continua havendo um ente que se coloca acima do escrutínio humano e se sente moralmente inquestionável. A fé, quando acoplada ao poder estatal, raramente serviu para proteger crianças — serviu para ungir reis e presidentes.
Quanto aos “valores cristãos pisoteados”, pergunto com sinceridade: quais valores, exatamente? Os de repartir o pão, como lembrou a Cecília, ou os de pautar políticas públicas a partir de dogmas de pureza sexual e guerras culturais? Porque, no orçamento americano, os mesmos congressistas que votam esses 77 bilhões em bombas costumam ser os primeiros a brandir a Bíblia contra investimentos em saúde pública, creches universalizadas ou programas de transferência de renda — exatamente as políticas que reconstroem lares de verdade. O que me parece pisoteado não é a fé, mas a ética básica de cuidado com o vulnerável, que prescinde totalmente de qualquer crença sobrenatural. Dá perfeitamente para defender famílias e crianças sem precisar de um deus, e a evidência está nos países mais secularizados do planeta, que tendem a ter menos desigualdade e menos belicismo.
O preço recai sobre os mais vulneráveis, você tem toda razão. Mas livrá-los dessa conta não exige misericórdia divina — exige que paremos de transferir responsabilidade para entidades invisíveis e passemos a cobrar, com fúria secular, que o Estado pare de financiar a morte e comece a financiar a vida. O deus que falta aí não é o da fé, é o deus profano chamado accountability democrática.
Maria Silva
13/05/2026
Tá aí o resultado de querer bancar o xerife do mundo. Setenta e sete bilhões de dólares virando fumaça no deserto, dinheiro que podia estar irrigando lavoura e enchendo silo. Enquanto isso, o contribuinte americano sangra e o nosso aqui toma no lombo com reflexo em diesel e insumo.
Fernanda Oliveira
13/05/2026
Maria, esses 77 bilhões não são só fumaça no deserto — são a prova cabal de que o imperialismo e o capitalismo sempre escolhem alimentar máquinas de guerra em vez de gente. Enquanto morre criança de fome e falta água no mundo, o complexo industrial-militar engorda às custas do sangue do povo iraniano e do suor do trabalhador brasileiro, que paga mais caro pra sobreviver.