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Nada como um dia após o outro

36 Comentários🗣️🔥 A nova pesquisa Genial/Quaest de maio mostra uma recuperação moderada, mas politicamente significativa, do governo Lula. O dado de maior impacto psicológico, naturalmente, é que o presidente voltou a aparecer à frente no segundo turno e ampliou sua vantagem no primeiro. No cenário simulado de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula faz 42% […]

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12.05.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a solenidade de posse do Ministro Nunes Marques e do Ministro André Mendonça nos cargos de Presidente e Vice-Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, no Plenário do TSE, Brasília - DF. Foto: SEAUD/PR

A nova pesquisa Genial/Quaest de maio mostra uma recuperação moderada, mas politicamente significativa, do governo Lula. O dado de maior impacto psicológico, naturalmente, é que o presidente voltou a aparecer à frente no segundo turno e ampliou sua vantagem no primeiro.

No cenário simulado de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula faz 42% contra 41%. No primeiro turno, Lula sobe de 37% em abril para 39% em maio, enquanto Flávio passa de 32% para 33%.

A distância entre os dois no primeiro turno subiu de cinco para seis pontos. Não é nada, não é nada, mas é bom!

Tecnicamente, no segundo turno, o quadro segue dentro da margem de erro. Politicamente, porém, o impacto é relevante.

Para a opinião pública, para o mercado e para as militâncias de direita e de esquerda, aparecer matematicamente à frente tem peso simbólico. Pode ser meio ponto, um ponto, dois pontos.

Em eleição que todos esperam apertada, liderar por pouco vale muito mais do que parece. Esse efeito se explica pela expectativa geral em torno de 2026.

A maioria dos analistas espera uma disputa dura, talvez decidida no fio da navalha, como em 2022. Nesse ambiente, qualquer movimento muda o humor dos atores políticos.

Modéstia à parte, eu já vinha alertando para isso na semana passada, no meio de toda aquela neurastenia em torno da rejeição do Messias. Bastava Lula crescer dois pontos em uma pesquisa relevante para todos aqueles exageros pseudoanalíticos, segundo os quais o governo “acabou”, serem jogados num passado subitamente remoto.

Pesquisa eleitoral exige sangue frio.

O analista político não pode se deixar sequestrar pela ansiedade do dia, pela neurastenia das redes ou pelo desespero de militâncias que oscilam entre euforia e luto a cada rodada. É preciso olhar a imprensa, observar as redes, ouvir a direita, ouvir a esquerda, acompanhar os independentes e, sobretudo, usar bom senso.

Hoje é mais fácil sentir o pulso da opinião pública do que no tempo em que meia dúzia de editoriais dos grandes jornais fingia falar em nome do país. As redes têm distorções, bolhas e manipulações, claro.

Mas também têm gente real, falando de problemas reais, com raiva real, medo real e esperança real.

O movimento foi mais nítido entre os independentes, o eleitorado que costuma decidir eleição apertada. Em abril, Flávio liderava esse segmento por sete pontos; em maio, a vantagem caiu para dois.

Onde está a vantagem de Lula

Olhando os dados desagregados, a vantagem de seis pontos de Lula no primeiro turno se concentra em dois lugares: entre as mulheres e entre os eleitores mais velhos. Os números ajudam a entender por que isso pesa tanto.

Entre as mulheres, Lula faz 42% contra 28% de Flávio, vantagem de 14 pontos. Entre os homens, há empate: 38% para cada um.

Pelo TSE, o Brasil tem hoje 158 milhões de eleitores aptos a votar. As mulheres são 83 milhões, ou 52,5% do total, e os homens somam 75 milhões, ou 47,5%.

Em números absolutos, isso significa cerca de 35 milhões de eleitoras inclinadas a votar em Lula, contra 23 milhões em Flávio. Entre os homens, os dois empatam em torno de 29 milhões.

A vantagem nacional de Lula, hoje, nasce sobretudo entre as eleitoras. E não é detalhe: as mulheres brasileiras vivem em média sete anos a mais que os homens, segundo o IBGE, e historicamente comparecem mais às urnas.

Esse peso tende a crescer a cada eleição.

Por faixa etária, o padrão se repete e se intensifica. Entre 16 e 34 anos, Lula tem 34% e Flávio 33%, um empate técnico.

Entre 35 e 59 anos, Lula sobe para 40%, enquanto Flávio fica em 33%. Entre quem tem 60 anos ou mais, Lula chega a 47%, contra 33% de Flávio.

A vantagem de Lula cresce conforme a idade do eleitor sobe: empate entre jovens, sete pontos na faixa intermediária e 14 pontos entre os idosos.

Pelos dados do TSE, a faixa de 16 a 34 anos soma cerca de 51 milhões de eleitores, ou 32% do total. A de 35 a 59 anos tem 70 milhões, ou 44%, e a de 60 anos ou mais já chega a 38 milhões, cerca de 24%.

Em números absolutos, Lula tem hoje cerca de 17 milhões de eleitores entre os jovens, 28 milhões na faixa intermediária e 18 milhões entre os 60+.

O segmento idoso é o que mais cresce no eleitorado brasileiro. Levantamento da Nexus-Pesquisa, baseado em dados do TSE, mostra que o eleitorado com mais de 60 anos cresceu 74% entre 2010 e 2026, cinco vezes mais que o eleitorado total no mesmo período.

E não é só que são mais. Eles também estão votando mais.

A abstenção entre os eleitores acima de 60 anos caiu de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022. Entre os de 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo, a abstenção caiu de 63,6% para 58,9% no mesmo período.

A vantagem de Lula está justamente onde o eleitorado mais cresce e onde a abstenção mais vem caindo: entre mulheres e idosos.

A aprovação cresceu onde precisava

Outro número que confirma o bom momento do governo é a melhora na aprovação. Lula tem hoje 46% de aprovação contra 49% de desaprovação.

O crescimento veio acompanhado de queda na rejeição. No atual contexto político, isso representa uma vitória importante para o governo.

Uma das explicações é que a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil começou a chegar ao bolso da população. Medida econômica não vira opinião pública no mesmo dia em que é anunciada.

Ela precisa ser sentida na vida concreta, no orçamento doméstico, na conversa da família, no supermercado, no boleto e no fim do mês. É aí que a política começa a fermentar.

Não basta o governo dizer que melhorou a vida das pessoas. A pessoa precisa sentir alguma mudança e, depois disso, associar essa mudança ao governo.

A Quaest sugere que esse processo começou.

Entre famílias com renda de até 2 salários mínimos, a fatia que diz ter sentido a renda aumentar saltou de 17% em abril para 25% em maio.

Esse segmento, numericamente cada vez mais importante no eleitorado, constitui um ativo estratégico para partidos e candidatos. Era justamente esse contingente que a direita vinha, e ainda vem, disputando nos últimos anos.

Se Lula está conseguindo recuperar parte desse eleitorado por meio de políticas concretas, isso é muito promissor para sua campanha.

Nesse mesmo segmento, a aprovação do governo chega a 54% e a intenção de voto no primeiro turno, a 47%. Também é relevante notar que o governo parece ter parado de piorar entre setores médios.

Esse eleitorado é instável, mais sensível ao humor econômico e mais vulnerável ao discurso moralista da direita. Quando ele para de se afastar, já há um sinal político a ser observado.

Outra medida que sustenta o movimento é o Desenrola 2.0. Mesmo entre bolsonaristas, 30% consideram o programa uma boa ideia.

Entre lulistas, o apoio chega a 75%.

A política concreta continua tendo força. Ela não resolve tudo, mas abre fissuras em identidades políticas que pareciam completamente fechadas.

Um sinal amarelo: religião e política

A Quaest também acende um sinal amarelo sobre a divisão religiosa do país. O Brasil está se polarizando por uma linha confessional, e isso é ruim para a democracia.

Lula cresceu e consolidou liderança entre católicos, com 48% de intenção de voto no primeiro turno e 52% de aprovação. É possível que isso tenha relação com a forçação de barra de Flávio Bolsonaro em torno de uma estética evangélica mais agressiva, capaz de provocar desconforto em parte do eleitorado católico.

No outro lado, Flávio avança entre evangélicos. Lula tem apenas 25% de intenção de voto no primeiro turno nesse segmento e 30% de aprovação.

Eleitoralmente, consolidar a base evangélica é uma estratégia inteligente para Flávio. Republicana e democraticamente, porém, é péssimo para o Brasil transformar disputa política em guerra religiosa.

O país já convive com polarização ideológica, social, regional e informacional. Acrescentar uma clivagem religiosa a esse quadro é brincar com uma matéria inflamável.

A esquerda precisa entender esse terreno sem preconceito e sem ingenuidade. Não se trata de atacar a fé de ninguém.

O desafio é impedir que a religião seja instrumentalizada como máquina eleitoral da extrema direita.

O encontro com Trump e a confusão da esquerda

A pesquisa também ilumina um debate importante: a relação do Brasil com os Estados Unidos. O encontro de Lula com Donald Trump foi avaliado de forma positiva pela maioria do eleitorado, e isso não deve ser lido de maneira simplista.

O brasileiro quer que o Brasil tenha boas relações com os Estados Unidos. Isso não significa apoiar Trump, muito menos aceitar submissão automática à política externa americana.

A militância de esquerda precisa compreender essa diferença.

Ser aliado dos Estados Unidos não é dar aval ao presidente americano. É manter uma relação pragmática com uma sociedade complexa, dividida e também atravessada por contradições profundas.

Há milhões de americanos que rejeitam Trump, sua truculência, seu sadismo político e sua visão imperial do mundo. O povo americano não é Donald Trump, assim como o povo brasileiro não é Jair Bolsonaro.

A guerra ao Irã, além de uma insanidade geopolítica, tende a pressionar combustíveis, alimentos e cadeias globais. O impacto de aventuras militares quase sempre cai primeiro sobre os pobres, nos Estados Unidos e no sul global.

A esquerda brasileira precisa dizer isso com clareza.

O bolsonarismo, sim, é aliado de Trump. Quem defende a democracia no Brasil deve defender soberania, paz, estabilidade e relações internacionais pragmáticas.

Não há contradição entre anti-imperialismo e diplomacia inteligente. A contradição está em confundir o povo americano com o trumpismo, ou em entregar ao bolsonarismo o monopólio da conversa com os Estados Unidos.

Quanto custa medir o pulso do Brasil

Vale lembrar que a Quaest é uma das pesquisas mais profissionais do país. Seu custo declarado foi de R$ 433 mil, valor entre os mais altos do mercado, ao lado da Datafolha.

Dinheiro não é tudo, evidentemente. Pesquisa cara não é automaticamente pesquisa certa.

Mas pesquisa nacional séria exige estrutura, amostra, equipe, campo, controle, metodologia e transparência. Tudo isso custa dinheiro.

Olhei os dados abertos do TSE e separei apenas as pesquisas que custaram mais de R$ 50 mil. Abaixo disso, em levantamento nacional, é preciso redobrar a cautela antes de tirar grandes conclusões.

A AtlasIntel, por exemplo, é muito respeitada e opera com custo menor porque adota outro método, baseado em internet. Isso não significa menor qualidade.

Significa outra metodologia, com vantagens, limites e desafios próprios.

Esse debate é importante porque o público costuma tratar pesquisa como previsão de futuro, quando ela deveria ser lida como fotografia do presente. A professora Maíra Goulart, da UFRJ, costuma lembrar uma nuance essencial nas conversas que temos no Jornal da Fórum: o objetivo da pesquisa não é adivinhar o resultado da eleição, mas medir a opinião pública no momento em que ela é feita.

Parece simples, mas pouca gente entende.

Pesquisa não é bola de cristal. É termômetro.

E, neste momento, o termômetro da Quaest mostra que Lula voltou a respirar.

O lado obscuro de Flávio, que o brasileiro ainda não conhece

O resultado da Quaest aparece em um momento delicado para Flávio Bolsonaro. As denúncias envolvendo figuras de seu entorno político, incluindo Ciro Nogueira e seu marqueteiro, já começaram a produzir ruído na praça pública.

Esse é apenas o começo.

Flávio Bolsonaro ainda não foi realmente apresentado ao Brasil profundo. Lula tem a vida devassada há décadas.

Seu passado, sua família, seus irmãos, seus filhos, seus amigos, seus endereços, seus erros e suas virtudes foram examinados até o limite da obsessão nacional. Acabou de sair o segundo volume da biografia escrita por Fernando Morais.

Para parte do Rio de Janeiro, o passado político de Flávio é mais conhecido. Para o resto do país, porém, ele ainda é uma figura relativamente nebulosa.

As suspeitas e denúncias envolvendo seu entorno, suas relações políticas no submundo fluminense e os personagens que orbitam sua trajetória tendem a ganhar peso numa campanha nacional. Tenho a impressão de que o brasileiro médio não vai gostar do que vai ver.

O que vem agora

A Quaest não autoriza euforia. A eleição segue duríssima, e a disputa de 2026 tende a ser brutal.

Agora todas as atenções se voltam para o Datafolha. Se vier no mesmo tom, consolida uma onda positiva para Lula.

Se vier mais negativo, a Quaest já terá cumprido o papel de neutralizar parte do pessimismo. De toda forma, o cenário se desanuvia para a frente ampla democrática.

Essa frente vive, naturalmente, momentos de tensão diante da possibilidade de um retrocesso democrático profundo. A extrema direita liderada por Flávio Bolsonaro promete anistia completa aos golpistas e adesão total à Casa Branca de Donald Trump.

Essa adesão significa, na prática, apoiar uma política internacional marcada por genocídio, extermínio de civilizações, guerra permanente, divisão do mundo em blocos, fome, imperialismo, bloqueio ao avanço do multilateralismo, hostilidade ao livre comércio e desprezo pela soberania dos povos.

O Brasil já sabe o custo histórico desse caminho.

Depois de uma semana de neurastenia, a Quaest lembra que a democracia brasileira, embora sob risco, ainda demonstra vigor suficiente para resistir por mais um ciclo presidencial.

Para baixar a íntegra da pesquisa, clique aqui.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Comentários

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Lurdinha Deus Acima de Todos

20/05/2026

Lula na frente?? Isso é armação do globalismo pra fechar as igrejas!! Acorda Brasil!! 😭🙏✝️🇧🇷

    Carlos Oliveira

    20/05/2026

    Lurdinha, compreendo sua angústia, mas as pesquisas apenas captam a diversidade de opiniões do povo — não há complô global que resista à soberania do voto popular. A laicidade do Estado, prevista na Constituição que tanto defendemos, é o que protege sua igreja e todas as outras, garantindo que nenhum governo possa fechar templos ou impor uma fé. Sua religião está segura justamente porque a democracia assegura a liberdade de culto para todos.

Paulo Gestor RJ

19/05/2026

Pesquisa é retrato do momento, não projeto de país — e o que falta nesse debate é justamente a dimensão da gestão. Admiro a capacidade administrativa que o Rodrigo Neves demonstrou em Niterói, mas ideias como o metrô sob a Baía, por mais ousadas que sejam, precisam de análise fria de custo-benefício: a conta fecha? Antes de túneis faraônicos, o Rio carece de investimento sério na malha ferroviária de superfície, que entrega mais mobilidade por real investido.

Gabriel Teen

19/05/2026

Aham, pesquisa com margem de erro maior que meu futuro, confia…

Alice T.

19/05/2026

O Ricardo surtando com a máquina pública que “suga” o empreendedor é puro suco de bilionário liberal: enquanto chora imposto, o topo do 1% acumulou 51% de aumento patrimonial na pandemia, tudo subsidiado pelo Estado que ele critica. E os dados tão aí: renúncia fiscal pra grandes fortunas bateu meio trilhão em 2023, mas o motor do setor produtivo é o CLT pagando a conta kkkk

Ricardo Menezes

19/05/2026

Recuperação moderada, claro, às custas de engordar a máquina pública que suga o setor produtivo. Em São Paulo a gente já acorda devendo imposto antes mesmo de faturar, mas o importante é que a pesquisa tá bonita. Enquanto empresário for visto como inimigo e não como motor de emprego, pode trocar o nome no Planalto que o filme termina igual.

    João Carlos da Silva

    19/05/2026

    Ricardo, o “setor produtivo” que o senhor defende frequentemente embala a mesma máquina pública que denuncia — desde que os contratos, as desonerações e os juros da dívida remunerem o capital antes do trabalho. Como nos lembraria Gramsci, é justamente o senso comum hegemônico que transforma o empresário em vítima solitária do Estado, apagando seu lugar privilegiado na correlação de forças que decide quem, de fato, acorda devendo.

Evelyn Olavo

19/05/2026

Só quem enxerga além do véu entende que essa recuperação de Lula é puro efeito da conjunção de Marte com Plutão na casa 4 do mapa astral de Brasília, um ciclo de ilusão que se repete desde a Proclamação. Discutir percentual é perder tempo com a superfície, enquanto o Brasil segue orbitando a dívida pública como um satélite de plutocratas cósmicos que nem a esquerda nem a direita ousam nomear.

    Fernanda Oliveira

    19/05/2026

    Evelyn, enquanto você lê conjunção planetária, tem mãe solo na fila do osso lendo o preço do arroz. O que a esquerda e a direita não ousam nomear tem nome, endereço e CNPJ: é o andar de cima que lucra com fome e chora por isenção fiscal enquanto a gente briga por astro.

Ahmed El-Sayed

19/05/2026

Enquanto vocês se preocupam com gráficos e projeções de homens que trocam convicções por votos, o que realmente se corrói não é a popularidade deste ou daquele político secular. É o abandono dos valores que dão sentido a qualquer nação. Esquerda e direita no Brasil se revezam para aprofundar o vazio espiritual, e depois estranham o caos. Pesquisa nenhuma mede o peso da alma de um povo que escolheu ignorar seu Criador.

Padre Antônio Rocha

19/05/2026

Debatem números como se fosse fé, mas não passa de secularismo tentando tapar o sol com peneira. Enquanto a Marta e seus comparsas se preocupam com boletos, o Brasil apodrece no altar do aborto e da ideologia de gênero. A única pesquisa que realmente importa é a da decadência moral que ninguém quer publicar.

    Cecília Ramos

    19/05/2026

    Padre, decadência moral é ver criança passando fome enquanto a gente gasta saliva demonizando corpos e afetos que fogem da nossa régua. A Bíblia que carrego comigo fala muito mais de partilha do que de inquisição.

Eduardo Teixeira

19/05/2026

A Marta resumiu bem: pesquisa não paga boleto. Enquanto a classe política comemora oscilação percentual em tracking semanal, nós, empresários, seguramos juros extorsivos e um manicômio tributário que inviabiliza qualquer planejamento. O dia só vira de verdade quando a pauta sair do segundo turno e entrar na simplificação fiscal e no corte de gasto público.

    Cláudio Ribeiro

    19/05/2026

    Eduardo, seu apelo ao corte de gasto público é a mais pura expressão do fetichismo do orçamento: o Estado aparece como o perdulário, enquanto o verdadeiro dreno — a remuneração do capital financeiro que o senhor paradoxalmente defende — segue blindado. Não há simplificação fiscal que resista a uma estrutura de classes que transforma juros extorsivos em lucro certo para poucos e chama isso de austeridade.

Marta Souza

19/05/2026

Pesquisa é igual promessa de campanha: enche os olhos de quem vive de narrativa, mas não paga um boleto sequer. Enquanto se perde tempo comibições de segundo turno, o custo do crédito e a carga tributária seguem esmagando qualquer negócio que tente prosperar sem pedir benção a Brasília.

    Lucas Pinto

    19/05/2026

    Marta, eu até entendo a frustração com o espetáculo das pesquisas e promessas: elas realmente operam como tecnologias de governamentalidade, no sentido que Foucault dava ao termo — produzem subjetividades dóceis, administram desejos, criam a ilusão de participação enquanto a máquina estatal segue blindada contra qualquer soberania popular real. Mas reduzir o problema à “benção a Brasília” ou à “carga tributária” é cair numa armadilha liberal que ignora o essencial: o Estado não é um ente autônomo que paira sobre a sociedade decidindo livremente quem esmagar. Ele é, como Gramsci já dissecava, um amálgama de sociedade política e sociedade civil, um terreno de disputa hegemônica onde o grande capital financeiro já venceu de goleada há décadas. O custo do crédito que arrebenta o pequeno negócio não é um castigo divino de Brasília contra o empreendedor; é o Banco Central operando com autonomia para garantir rentabilidade dos rentistas, é o spread bancário entre os maiores do mundo sendo defendido pela mesma elite que financia campanhas e encomenda pesquisas. Então sim, pesquisa e promessa enchem os olhos de quem vive de narrativa — mas elas são parte orgânica da hegemonia burguesa, não um desvio dela.

    O que você chama de “pedir benção a Brasília” é, na prática, o mecanismo pelo qual o capital impõe sua ditadura por vias formalmente democráticas. Enquanto a gente debate se a CNT/MDA ou o Datafolha acertaram 1% no segundo turno, o sistema financeiro drena a riqueza social com juros extorsivos e o Estado rentista cobra tributo regressivo sobre consumo — pesado pro salário, ridículo pro grande patrimônio. A morte do pequeno negócio não é acidente; é projeto. O neoliberalismo não é “menos Estado”, é o Estado integral de Gramsci a serviço da oligarquia financeira. Então quando a carga tributária sufoca quem não tem lobby em Brasília, não é excesso de governo, é um tipo específico de governo: aquele que escolhe tributar o boteco e isentar fundo de investimento. Não é benção que falta; é luta de classes.

    A saída, Marta, não está em negar a política institucional como um todo — isso é o que o capital quer, porque aí o terreno fica livre pra ele ocupar sem contrapeso. O que precisamos é disputar radicalmente o significado desse Estado que nos oprime. Se o crédito é caro, não é porque existe regulação; é porque a regulação serve ao rentismo. Se a tributação mata, não é porque o Estado é grande; é porque ele é grande pro lado errado — inchado de incentivos fiscais pra grandes grupos e dedo pesado sobre o microempresário. Trocar a indignação difusa contra “Brasília” pela identificação concreta de quem lucra com essa arquitetura institucional é o primeiro passo pra sair da reatividade e começar a construir uma contra-hegemonia que efetivamente pague os boletos do trabalhador. Marx, 170 anos atrás, já lembrava que o Estado moderno é o comitê que administra os negócios comuns da burguesia. Não é sobre ser contra o Estado; é sobre ter um Estado que administre os nossos negócios, não os deles.

Pedro Neto

19/05/2026

Faz o L, vai pra Cuba, sua marionete do centrão comunista.

    Marta

    19/05/2026

    Pedro Neto, querido, você não cansa de repetir bordões como se fossem argumento, não é? Vem cá, senta aqui na frente que a professora Marta vai te dar uma aulinha rápida de história — sem perder a paciência, porque eu sei que você é só mais um menino mal-educado que nunca foi ensinado a pensar. Esse “Faz o L” que você lança como insulto, na verdade, representou uma escolha democrática de um povo que experimentou a fome voltar à mesa e quis reconstruir um país com justiça social. Lula não é comunista, menino, é um líder trabalhista que governou com um dos conglomerados partidários mais amplos do mundo, exatamente o tal “centrão” que você menciona — e centrão comunista é uma contradição em termos que até meus alunos do ensino fundamental achariam engraçada. O tal do “centrão” é fisiologismo conservador, e Lula negociou com ele dentro das regras do jogo democrático, como fizeram FHC, Temer e Bolsonaro. Você xinga sem nem saber o que significa cada pedaço da sua própria frase.

    Agora, o “vai pra Cuba” revela um colonialismo mental que a história latino-americana conhece bem: a repetição do medo importado da Guerra Fria, quando qualquer projeto de soberania nacional era taxado de comunista para justificar golpes e ditaduras. Cuba, menino, é um país que resiste há mais de sessenta anos a um bloqueio criminoso imposto pelos Estados Unidos e, ainda assim, construiu um dos sistemas públicos de saúde mais admirados do planeta, com uma taxa de alfabetização que o Brasil demorou séculos para alcançar. Quando você cospe “vai pra Cuba” como ofensa, esquece que milhares de brasileiros foram atendidos por médicas cubanas no programa Mais Médicos, que o próprio Bolsonaro tentou sabotar. Esquece que a solidariedade internacional cubana salvou vidas na África e na América Latina. O que você vê como xingamento, eu vejo como um elogio à coragem de um povo. E não se preocupe: ninguém está transformando o Brasil em Cuba, porque as formações históricas são completamente diferentes e porque a institucionalidade brasileira, com esse Congresso que você mesmo elege, não deixa. Tenha dó.

    Por fim, deixa eu te ensinar uma coisinha sobre a função social do insulto vazio. Gritar “comunista” contra um adversário é a velha tática do pânico moral que no Brasil justificou o golpe de 1964, a cassação de mandatos e a tortura de estudantes como você deveria ser, só que mais estudiosos. Hoje, é muleta de quem não consegue debater proposta. Eu me aposentei ensinando que o amor ao povo não se confunde com ideologia totalitária: se confunde com escola pública, merenda de qualidade, salário digno. Coisa que o Lula defende e que os meninos do zap repetem feito papagaio sem entender. Então, da próxima vez, traga um fato histórico ou uma análise decente. A professora aqui está sempre pronta para corrigir o caderno, mas prefiro caneta azul a xingamento de internet. Beijo no coração, menino, e vá estudar.

Clotilde Pátria

19/05/2026

Meu Deus, essas pesquisas são todas encomendadas pelo centrão comunista, ninguém aguenta mais essa palhaçada! Daqui a pouco tão implantando o socialismo de vez e a gente vira uma Venezuela, só Jesus pra ter misericórdia dessa nação!

    Marcos Andrade Niterói

    19/05/2026

    Clotilde, esse pânico de “Venezuela” é o mesmo disco arranhado que a extrema-direita toca há anos pra boicotar qualquer avanço. Aqui em Niterói a gente mostra que gestão pública séria, com planejamento e obra estrutural, não tem nada de comunista — tem resultado que o povo sente no dia a dia.

Roberto Lima

19/05/2026

Pesquisa de instituto cheio de acadêmico que nunca pisou numa lavoura. No campo, a realidade é inflação corroendo margem e um governo que só atrapalha quem produz. Lula à frente nessas simulações é igual aquelas que davam Kamala ganhando — essas metodologias de gabinete não enganam mais ninguém.

Tikomiko Tiramissu de Al-Merda, o grande Tro-lo-ló!

16/05/2026

Tudo o que importa é que o Alessandro Grando Moreira, a bicha aloprada do Sepam, que o Jackson Silva (Maguila ou Magayla?) arrombava, agora tá mortinha. Será que o Marcus Thome, o doutorzinho esteticista, ainda quer dar a bunda pro Michael Jordan? E o Paulo William Garbuio gaybuio, já voltou de sua jornada de pintos e bundas?

Tiago Silva

14/05/2026

Aliás, está ficando cada vez mais explícito que estava ocorrendo uma burla ilegal ao financiamento público de campanhas políticas… pois o financiamento de empresas a campanhas eleitorais foi proibido, assim como utilizar emendas parlamentares para ONG que vão fazer campanhas eleitorais ou produzirem filmes para serem utilizados como propaganda em período eleitoral.

E esse filme sobre o Bozo é uma campanha eleitoral explícita (data de estreia marcada para um mês antes das eleições) e que busca burlar as regras de financiamento de campanhas eleitorais.

Natailia

14/05/2026

Parecem com as pesquisas dos Estados Unidos que davam empate ou Kamala vencedora.

Pedro Almeida

14/05/2026

A volatilidade das pesquisas lembra o velho Heráclito – ninguém se banha duas vezes no mesmo eleitorado, e o rio da opinião pública correu um milímetro para a esquerda. Essa margem de 1% contra um Bolsonaro é menos um trunfo e mais um chamado gramsciano à guerra de posição, onde a hegemonia se constrói no cotidiano, sulco a sulco. Que sirva como antídoto contra a paralisia e a soberba, pois a justiça social não se faz com pesquisas, mas com a organização paciente dos de baixo.

    Ana Paula Conserva

    14/05/2026

    Pedro, essa guerra de posição gramsciana que você exalta é a mesma que avança contra a família e a moral cristã. A verdadeira transformação não vem da luta de classes, mas de corações convertidos a Deus, que cultivam a ordem no cotidiano.

      João Batista Alves

      14/05/2026

      Ana Paula, você tocou no cerne: essa guerra cultural só avança porque abandonamos o básico — a fé vivida em casa, o terço em família, o trabalho honesto. Gramsci morre de inveja diante de um lar onde o pai reza com os filhos, porque isso ele não consegue corroer com dialética nenhuma.

Rubens O Pescador

14/05/2026

Aqui no interior a gente sente na pele: governo do PT era carne no prato e feira cheia todo sábado, não essas promessa vazia de zap. Agora falam em pesquisa, mas o povo lembra bem da geladeira colorida e do cheiro de café torrado no terreiro, coisa que nunca mais se viu.

    João Batista

    14/05/2026

    Rubens, essa fartura que você lembra foi comprada com corrupção e endividamento que deixaram o país de joelhos, e trocaram o pão por migalhas eleitorais. Não adianta geladeira cheia se a alma está vazia e longe de Deus, porque nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca do Senhor.

    Carlos Henrique Silva

    14/05/2026

    Rubens O Pescador, sua fala carrega a concretude de quem sentiu na pele, na feira cheia e no aroma do café terreiro, um tempo em que a máquina pública parecia se lembrar de que existiam pessoas com fome, geladeira vazia e pouca razão para acreditar em promessas. E há verdade nessa memória: durante os governos do PT, políticas como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo e os incentivos à agricultura familiar mexeram de fato nas condições materiais imediatas de milhões de brasileiros. A carne no prato e o pão na mesa não são apenas metáforas; para quem trabalhava na roça ou dependia de biscate, representavam uma ruptura tangível na naturalização da miséria. Do ponto de vista gramsciano, o que você descreve é a formação de um senso comum de dignidade que, naquele momento, disputou hegemonia com o discurso liberal do “empreendedorismo de si” e do mérito individual. Não se trata de romantismo vazio: houve uma experiência real de Estado presente, que a população do interior traduziu em cores de geladeira e cheiro de torrefação.

    Agora, permita-me uma provocação saudável, pois é meu ofício como intelectual crítico e esquerdista cutucar o que parece consenso. Essa mesma memória que aquece o coração pode se tornar uma espécie de armadilha ideológica se não a submetermos a uma análise mais profunda. Quando Marx critica a cidadania burguesa, ele nos lembra que a emancipação política — o direito de consumir, de ser incluído como comprador no mercado — não é a emancipação humana. O que vivemos naqueles anos foi, em larga medida, uma inclusão pelo consumo, uma integração subalternizada a um capitalismo que seguia intocado em suas estruturas de classe: os grandes proprietários de terra não perderam poder, o agronegócio continuou avançando, e as decisões sobre o que produzir e como distribuir permaneceram nas mãos de poucos. A geladeira colorida, para usar sua imagem potente, foi um alívio imenso, mas não alterou o fato de que a energia que a alimentava ainda era controlada por conglomerados que drenam a riqueza do trabalho. Em termos gramscinianos, a hegemonia petista construiu uma “revolução passiva”: transformou superficialmente para conservar o essencial, concedeu o necessário para desmobilizar o potencialmente revolucionário.

    Sua fala me leva também a refletir sobre o papel da nostalgia na política contemporânea. A memória do cheiro de café torrado sendo apropriada como símbolo de um tempo melhor é poderosíssima, e não por acaso o bolsonarismo e outras direitas tentam sequestrar essa saudade, manipulando-a com a falsa narrativa de que “antes era melhor” porque havia autoridade, ordem ou uma moral tradicional. Ora, o que você me traz é a saudade de um projeto de justiça redistributiva, não de um passado autoritário. Contudo, corremos o risco de cair num saudosismo passivo se não articularmos essa memória a uma crítica radical do presente e a um projeto de futuro. A pergunta incômoda que deixo é: por que aquele ciclo de dignidade não se sustentou? Não foi apenas o golpe de 2016 — que, aliás, é a resposta da classe dominante quando as concessões começam a ameaçar seu lucro. Foi também a incapacidade de enraizar nas pessoas a consciência de classe, de fazer compreender que aquele café na mesa dependia de uma correlação de forças que poderia ser revertida a qualquer momento. E foi revertida com fúria.

    A luta, então, não pode ser apenas pela restauração de um passado onde o Estado aliviava as dores do capitalismo sem enfrentá-lo — isso seria repetir o ciclo que nos trouxe até aqui, com a esquerda administrando a miséria para logo ser substituída pela direita que a aprofunda. O desafio, caro Rubens, é outro: transformar a saudade em energia política para uma verdadeira democracia substantiva, onde o trabalhador do campo não seja apenas um consumidor auxiliado, mas um sujeito que decide sobre a terra, as sementes e os circuitos de distribuição. Que o cheiro do café não seja apenas memória de um consumo sazonal, mas anúncio de uma economia organizada a partir das necessidades do povo, não dos acionistas. Enquanto nos contentarmos com um Estado que ampara o desvalido sem tocar na raiz da desigualdade, a “vazia promessa de zap” sempre encontrará terreno fértil, porque o desespero se agarra a qualquer migalha. É preciso politizar a saudade e radicalizar a democracia — aí, sim, o terreiro voltará a ter café, mas com o camponês sabendo que é dono do seu destino.

    Luizinho 16

    14/05/2026

    Tá com saudade da cenoura na frente do burro e esquece que a carroça do capitalismo continua passando por cima de geral.

Rick Ancap

14/05/2026

Faz o L.

    Samara Oliveira

    14/05/2026

    Faço o L de libertação, a mesma que Jesus proclamou para os pobres e oprimidos. Cada novo dia é chance de escolher a justiça, e essa eu não terceirizo.

    Sgt Bruno 🇧🇷

    14/05/2026

    Faz o L? Tá achando que isso aqui é palco de circo, melancia? Vai fazer o L na lata de lixo da história, comunista. Selva!

      Cíntia Alves

      14/05/2026

      Sargento, relaxa que eu não sou melancia nem comunista, só alguém cansada de extremismo de todos os lados. Mas faz o L sim, de “levanta e respira fundo”.

Tiago Silva

14/05/2026

Desenrola 2.0 foi uma grande cartada, mas seria ainda melhor se baixasse o juros da Taxa Selic para civilizatórios 01 dígito!

E parece que o MBL/Missão/Novo está cada vez mais avançando sobre o eleitorado jovem, que anteriormente tendia para esquerda.

Além de que o eleitorado de quem ganha até 03 salários mínimos está sendo influenciado pelas Igrejas Neopetencostais, mas que o fim da escala 6×1 pode melhorar a percepção desse público que estiver menos ideologizado.

E esse caso de Flávio Bolsonaro querendo pedir R$ 134 milhões para Vorcaro financiar o filme do Papai Preso é algo que vai fazer estrago na campanha de Flávio, ainda mais se descobrirem que até dos “irmãos” ele quis fazer Rachadinhas (já que outros filmes recentes e premiados não custaram mais que R$ 50 milhões).


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