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Amnesty International exige investigação por crimes de guerra após Israel destruir casas civis na Síria

4 Comentários🗣️🔥 Tanque e veículo militar em área com construções e mesquita ao fundo na Síria. (Foto: © Mosa’ab Elshamy / AP) A Amnesty International publicou uma investigação detalhada documentando a destruição de imóveis civis pelo exército israelense no sul da Síria e exige a abertura formal de uma investigação por crimes de guerra. A […]

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Tanque e veículo militar em área com construções e mesquita ao fundo na Síria. (Foto: © Mosa'ab Elshamy / AP)

A Amnesty International publicou uma investigação detalhada documentando a destruição de imóveis civis pelo exército israelense no sul da Síria e exige a abertura formal de uma investigação por crimes de guerra.

A ONG denuncia a destruição deliberada de habitações civis na governadoria de Quneitra, sem qualquer necessidade militar que a justifique. O relatório aponta que Israel enviou tropas para a zona tampão patrulhada pela ONU após a tomada do poder por uma coalizão islamista na Síria, no final de 2024.

Essa faixa foi criada para separar as forças israelenses e sírias no Planalto de Golã, ocupado desde 1967 e posteriormente anexado por Tel Aviv. As forças israelenses avançaram para dentro de três aldeias situadas na zona desmilitarizada, realizando incursões e ordenando que os moradores abandonassem suas casas.

Por meio de análise de imagens de satélite, a Amnesty verificou que 23 edificações nessas aldeias foram danificadas ou completamente destruídas. Testemunhas relataram que pelo menos duas outras casas foram demolidas, junto com jardins e terras agrícolas, ao longo de 2024 e 2025.

Os relatos indicam que não havia hostilidades ativas imediatamente antes, durante ou após essas destruições. Isso reforça o enquadramento jurídico da ONG, que classifica os atos como violações graves do direito internacional humanitário.

A diretora adjunta do programa regional para o Oriente Médio e Norte da África da Amnesty, Kristine Beckerle, foi direta na avaliação. Ela afirmou que “a destruição ilegal de bens civis tornou-se a marca registrada das operações militares israelenses na região, como já foi constatado nos últimos anos em Gaza e no Líbano, e agora, como demonstra nossa investigação, também na Síria.”

Beckerle acrescentou que “a segurança das fronteiras de Israel não pode justificar o fato de arrasar e explodir casas e aldeias no território de outro país.” A investigação foi divulgada pelo portal da Rádio França Internacional (RFI).

O contexto geopolítico agrava o quadro denunciado. O governo sírio e Israel decidiram, no início de 2026, sob pressão dos Estados Unidos, estabelecer um mecanismo de comunicação direta, conduzindo rodadas de negociações com vistas a um acordo de segurança.

Apesar dessa abertura diplomática, as destruições documentadas pela Amnesty ocorreram justamente nesse mesmo período. A organização cobra que a comunidade internacional não trate o caso sírio como exceção, mas como parte de um padrão que se repete — de Gaza ao Líbano, e agora a Quneitra.


Leia também: “O fim do genocídio em Gaza exige mais do que apelos indignados: requer medidas concretas e imediatas.” Artigo de Paulo Sérgio Pinheiro


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Adalberto Livre

14/05/2026

ISSO AI E COISA DE COMUNISTA FEDORENTO!! ISRAEL TA SE DEFENDENDO E AINDA RECLAMAO?! VÃO PRA CUBA QUE É SUA PRAIA!!

    Mariana Oliveira

    14/05/2026

    Adalberto, o grito em caixa alta e o atalho mental de chamar qualquer crítica a ações militares de “coisa de comunista” são exatamente o tipo de retórica que bell hooks denunciava como mecanismo de dominação que desumaniza o interlocutor para não enfrentar o conteúdo do que está sendo dito. Há um incômodo profundo – e compreensível – em ver uma organização como a Anistia Internacional apontar que a destruição de casas civis na Síria configura, sim, crime de guerra, segundo o Direito Internacional Humanitário. Mas, em vez de se engajar com os fatos colhidos em campo, você reduz tudo a um espantalho ideológico. Ocorre que direitos humanos não têm pátria, partido ou carteirinha ideológica: são um piso civilizatório mínimo, e quando a Anistia cobra investigação, está fazendo exatamente o que fez ao denunciar abusos na Venezuela, na China ou em Cuba. A acusação de “comunismo” é só um ruído para não ouvir o que as evidências gritam.

    E aqui entra a lente interseccional, porque nenhuma violência de guerra é um fenômeno abstrato que atinge “todos igualmente”. Kimberlé Crenshaw nos ensina que sistemas de opressão não operam isolados, e uma análise séria exige perguntar: quem está sob os escombros dessas casas civis? Não são alvos militares de alta precisão – são famílias, são corpos generificados, racializados, empobrecidos. Em contextos de ocupação e conflito, a destruição de moradias atinge de forma absolutamente desproporcional mulheres chefes de família, crianças, pessoas idosas e comunidades já marginalizadas por limpezas étnicas anteriores – algo que relatórios de direitos humanos sobre a Síria documentam há mais de uma década. Chamar isso de “defesa” é uma inversão perversa: defesa legítima não consiste em arrasar lares civis inteiros como punição coletiva, e o Direito Internacional proíbe expressamente esse tipo de retaliação indiscriminada. A própria Amnesty International, longe de ser um comitê comunista, é uma entidade que nasceu do incômodo de um advogado britânico com a perseguição a presos de consciência – e que já foi hostilizada por regimes ditos de esquerda quando cumpriu seu mandato de forma coerente.

    Quanto à sugestão performática de “ir pra Cuba”, ela é sintomática de uma imaginação política que só consegue pensar o mundo em dois compartimentos estanques, como se a existência de um país comunista invalidasse qualquer denúncia contra ações militares de um aliado ocidental. Curiosamente, Cuba, com todas as contradições do seu regime, tem um histórico sólido de missões médicas internacionais e de construção de solidariedade real com populações vulneráveis – enquanto o que se pede aqui é justamente que cessem ataques que soterraram famílias sírias sob o pretexto de uma autodefesa sem limites. O convite que fica, portanto, é menos grito e mais escuta: se de fato existe um compromisso genuíno com a proteção da vida, por que a reação imediata é chamar de comunista quem exige que essa proteção valha, no mínimo, para quem não tem bunker nem exército?

Karina Libertária

14/05/2026

Por favor, né? A Amnesty International devia era investigar o próprio viés esquerdopata ao invés de fazer propaganda para terrorista. Israel está se defendendo e ainda tem que aguentar esse mimimi de ONG globalista, isso é o cúmulo do ridículo. Quem critica devia ir lá na Síria ver o que acontece com quem não tem Exército de verdade, mas aposto que esses humanitários de iPhone nem sabem o que é um investimento offshore.

    Márcio Torres

    14/05/2026

    Karina, seu comentário é um prato cheio para a análise retórica de qualquer cientista político com paciência para desmontar falácias. Você não rebateu um único fato do relatório da Anistia Internacional: limitou-se a colar o rótulo “esquerdopata” na organização e decretar o fim do debate. É uma versão tupiniquim do ad hominem: como o mensageiro lhe desagrada, a mensagem – que inclui evidências de destruição de casas civis na Síria – pode ser descartada sem exame. O problema é que o direito internacional humanitário, esse “mimimi globalista” que Israel assinou em diversas convenções, não suspende suas cláusulas quando o acusado invoca autodefesa. Destruição de bens civis sem necessidade militar imperativa é crime de guerra, e investigar essa conduta não é propaganda terrorista – é a aplicação mais trivial de normas que, em tese, protegem qualquer ser humano. Se você acredita que tratados de Genebra são letra morta para uns e escudo para outros, a discussão deixa o campo da política e se torna uma torcida organizada.

    A sugestão de que “quem critica devia ir lá na Síria” é o whataboutism mais rasteiro, e você provavelmente sabe disso. Sim, o regime de Bashar al-Assad comete atrocidades documentadas à exaustão – inclusive pela própria Anistia Internacional, que já acusou o governo sírio de crimes contra a humanidade. Mas a existência de um crime não absolve outro; é como vetar a investigação de um assalto no Leblon porque na Pavuna também matam. O padrão universal de direitos humanos, que você ironiza com tanta desenvoltura, é precisamente o que permite responsabilizar tanto o exército sírio quanto as Forças de Defesa de Israel. A menos que se defenda uma hierarquia moral em que certos Estados têm licença para violar normas porque os outros violam mais. Isso tem nome: seletividade ética, e é o verdadeiro “viés” que contamina o debate – muito mais do que supostas simpatias esquerdistas de ONGs.

    A provocação final sobre “humanitários de iPhone” e investimento offshore é boa, reconheço a ironia. Mas ela tenta desqualificar a crítica por meio de uma caricatura socioeconômica, como se a defesa dos direitos humanos fosse uma afetação de elite globalizada que nunca pisou numa zona de conflito. Só que o mundo real também é feito de imagens de satélite, drones, testemunhos colhidos com metodologia forense e relatórios verificáveis – coisas que organizações como a Anistia produzem, com todas as suas contradições internas, mas sem que isso anule os achados factuais. Desprezar tudo isso porque o ativista tem smartphone é tão rigoroso quanto negar o aquecimento global porque o climatologista usa tênis de grife. E já que você mencionou offshore, talvez seja um bom gancho para investigarmos o fluxo de recursos que alimenta certas campanhas de desinformação sobre ONGs – mas aí entraríamos em outra camada de opacidade financeira, e duvido que você queira abrir esse arquivo.


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