A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra que o problema de Flávio Bolsonaro não se limita a Lula. Sem o presidente na disputa, o senador do PL também perderia para Fernando Haddad e Geraldo Alckmin em cenários de segundo turno.
O dado amplia a crise da direita porque enfraquece a ideia de que Flávio seria o nome natural e mais competitivo do bolsonarismo para 2026. Segundo o levantamento, Haddad venceria Flávio por 46,7% a 43%. A diferença é de 3,7 pontos percentuais. Outros 10,3% dos entrevistados disseram que votariam em branco, nulo ou ainda não sabem.
No cenário contra Geraldo Alckmin, o resultado também é desfavorável ao senador. O vice-presidente aparece com 46,4%, contra 42,3% de Flávio. A vantagem de Alckmin é de 4,1 pontos percentuais. Brancos, nulos e indecisos somam 11,3%.
A pesquisa foi realizada entre 13 e 18 de maio de 2026, com 5.032 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento é um dos primeiros a captar o impacto político mais amplo das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O resultado muda o debate da sucessão. Até aqui, parte da direita tratava Flávio como herdeiro inevitável do capital político de Jair Bolsonaro. A Atlas mostra outra realidade: mesmo em cenários sem Lula, o senador aparece vulnerável contra dois nomes do próprio governo.
Haddad carrega desgaste por ser ministro da Fazenda, área sempre exposta a críticas sobre impostos, juros, contas públicas e custo de vida. Ainda assim, aparece à frente de Flávio. Isso indica que o caso Vorcaro e a rejeição ao sobrenome Bolsonaro podem estar pesando mais do que a artilharia contra a política econômica.
Alckmin, por sua vez, representa um perfil mais moderado. Ex-governador de São Paulo, vice de Lula e figura com trânsito no empresariado, ele aparece vencendo Flávio com uma margem ligeiramente maior que a de Haddad. Esse dado sugere que uma candidatura de centro governista também teria força contra o bolsonarismo.
O cenário principal da Atlas já havia mostrado Lula em posição confortável. O presidente aparece com 47% no primeiro turno, contra 34,3% de Flávio. No segundo turno, Lula venceria por 48,9% a 41,8%. Em abril, antes da crise com Vorcaro ganhar força, Flávio aparecia numericamente à frente de Lula por 47,8% a 47,5%.
A virada ocorre após a divulgação de mensagens e áudios em que Flávio trata com Vorcaro do financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Segundo a Reuters, o valor negociado teria chegado a R$ 134 milhões, cerca de US$ 26,85 milhões. Flávio nega irregularidades, confirma que Vorcaro havia aceitado financiar a produção e afirma que se tratava de patrocínio privado, sem contrapartida política.
O problema político é que Vorcaro não é um financiador comum. Ele é o ex-controlador do Banco Master, instituição envolvida em investigação de grande repercussão. A Associated Press informou que Flávio pediu inicialmente R$ 61 milhões, cerca de US$ 12 milhões, para o filme, e que a Polícia Federal estima perdas de aproximadamente R$ 12 bilhões no caso Master.
A Atlas também mediu rejeição. Flávio lidera numericamente esse indicador: 52% dos entrevistados dizem que não votariam “de jeito nenhum” no senador. Lula aparece com 50,6% de rejeição, e Jair Bolsonaro registra 49,1%, todos em patamar elevado e dentro de uma eleição extremamente polarizada.
Esse número ajuda a explicar por que Haddad e Alckmin vencem Flávio. O senador mantém uma base bolsonarista fiel, mas encontra dificuldade para romper o teto eleitoral e atrair eleitores de centro, moderados ou menos ideológicos. Em segundo turno, esse teto pode ser fatal.
Para a direita, o levantamento é um alerta. Se Flávio perde para Lula, Haddad e Alckmin, sua candidatura deixa de ser solução e passa a ser risco. O bolsonarismo ainda tem voto, militância e presença digital, mas pode estar carregando um candidato vulnerável demais para uma disputa nacional.
Para o governo, a pesquisa abre uma leitura diferente. Lula continua sendo o nome mais forte, mas o campo governista não aparece dependente exclusivamente dele. Haddad e Alckmin, cada um com perfil próprio, também derrotariam o principal herdeiro eleitoral de Jair Bolsonaro.
O recado da Atlas é duro para Flávio: o caso Vorcaro não apenas reduziu sua vantagem contra Lula. Ele também mostrou que, sem Lula na urna, o bolsonarismo continuaria enfrentando dificuldades contra nomes centrais do governo. A crise deixou de ser apenas uma ameaça à candidatura do senador. Virou um problema estratégico para toda a direita em 2026.


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