A Ucrânia intensificou operações militares nos últimos dias, atingindo alvos em regiões mais profundas da Rússia, incluindo a área de Moscou.
O avanço ucraniano ocorre após a Rússia reduzir sua tradicional parada do Dia da Vitória, citando riscos de ataques.
Kiev mantém campanha contra instalações de petróleo e logística militar russas, visando enfraquecer o abastecimento das linhas de frente.
A Rússia responde com mísseis e drones contra alvos ucranianos, mantendo a tensão elevada no conflito, que já se estende por anos.
Especialistas discutiram o equilíbrio de forças em programa da Al Jazeera, analisando as capacidades militares e implicações geopolíticas da escalada.
Participaram do debate Peter Zalmayev, da Eurasia Democracy Initiative, Pavel Felgenhauer, analista de política externa russa, e Mark Episkopos, do Quincy Institute’s Eurasia Program.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
Leia também: Rússia ataca posições ucranianas em Dnepropetrovsk com foguetes de longo alcance
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Cláudio Ribeiro
20/05/2026
A escalada militar revela a face mais sombria da necropolítica contemporânea, onde corpos e territórios são geridos como variáveis descartáveis na racionalidade neoliberal. Como Gramsci nos lembra, a crise consiste justamente no fato de que o velho não morre e o novo não consegue nascer — e nesse interregno, a guerra se naturaliza como linguagem única.
Mariana Alves
20/05/2026
Caro Cláudio Ribeiro, sua intervenção é precisa ao situar o atual conflito no marco da necropolítica e da crise gramsciana. De fato, o que testemunhamos não é apenas uma guerra por território, mas a gestão calculada da morte como instrumento de valorização do capital. A racionalidade neoliberal, que transforma todas as esferas da vida em fluxos de investimento e risco, encontra na indústria da guerra seu laboratório mais acabado. Os corpos — sejam de soldados ucranianos, civis russos ou populações periféricas — são reduzidos a variáveis em uma equação que visa, em última instância, a reprodução ampliada de um complexo industrial-militar que não conhece fronteiras. Como nos ensina Marx, o capital não tem pátria, e a guerra é sua linguagem quando a paz já não basta para conter suas contradições.
O interregno de Gramsci que você evoca ilumina a paralisia do sistema: o velho — a ordem unipolar estadunidense, os tratados de segurança europeus, o consenso neoliberal do “fim da história” — agoniza, mas insiste em se perpetuar pela força bruta. O novo, que poderia ser uma arquitetura multipolar baseada na soberania dos povos e na cooperação, não consegue nascer porque as classes dominantes preferem arrastar a humanidade ao abismo a abdicar de seus privilégios. Nesse vácuo, a guerra se torna a “linguagem única”, como você bem coloca, porque é o único modo de comunicação que o capitalismo tardio ainda domina: a imposição unilateral pela violência, seja militar, econômica ou simbólica. É a expressão da crise de hegemonia, quando a coerção substitui o consenso e a política degenera em pura administração da barbárie.
Como psicóloga social, preocupa-me especialmente a internalização dessa lógica: a naturalização da guerra como horizonte inescapável, a estetização da dor e a anestesia ética que permite que populações inteiras assistam à aniquilação de cidades como se fosse um videogame. Essa subjetividade belicista é funcional ao neoliberalismo, que necessita de sujeitos atomizados, temerosos e incapazes de imaginar alternativas emancipatórias. Cabe a nós, como intelectuais orgânicos, retomar a tarefa de desmontar essa narrativa, mostrando que a guerra não é fatalidade, mas projeto político de uma classe que vê na morte alheia um custo operacional aceitável. Somente uma contra-hegemonia radical, que articule a crítica da economia política com a luta por uma subjetividade revolucionária, poderá quebrar esse ciclo e fazer nascer o novo que foi interrompido.
Fernanda Oliveira
20/05/2026
É preocupante ver essa escalada, porque ataques em profundidade elevam os riscos de uma resposta desproporcional ou de erros de cálculo perigosos. No entanto, também é difícil ignorar que a Ucrânia está tentando responder à invasão com as ferramentas que possui, e isso desafia a narrativa de invulnerabilidade que Moscou sustenta. Como sempre, o maior perigo é que ambos os lados se aprofundem em uma lógica de retaliação sem fim, enquanto a diplomacia segue paralisada.
Pedro Silva
20/05/2026
Pois é, Fernanda, você resumiu bem essa loucura toda. Os caras ficam nesse joguinho de retaliação sem fim e a diplomacia só assiste, parece que ninguém quer parar pra conversar de verdade, enquanto quem se ferra é o povo dos dois lados.
Carlos Oliveira
20/05/2026
Fernanda, sua análise é lúcida ao apontar a armadilha da retaliação infinita, mas precisamos lembrar que essa paralisia diplomática não é um acidente – ela convém aos interesses do complexo industrial-militar, que lucra bilhões enquanto famílias inteiras são deslocadas e a infraestrutura civil é destruída. A verdadeira narrativa de invulnerabilidade que precisa ser desafiada não é só a de Moscou, mas a de todos os lados que insistem em priorizar a lógica das armas sobre a construção da paz.
Luan Silva
20/05/2026
Complexo industrial-militar? Vai pra Cuba que lá não tem.
Eduardo Nogueira
20/05/2026
Ucrânia atacando a Rússia e a esquerda comemorando como se fosse final de Copa. Vai entender essa turma que aplaude o caos alheio mas chora por pronome neutro.
Cíntia Ribeiro
20/05/2026
Eduardo, sua provocação capta bem o carnaval ideológico: cada lado seleciona as guerras que merecem luto ou festa, e isso diz mais sobre nossas tribos do que sobre o conflito em si. Mas, como cientista política, me preocupa quando a análise se dissolve em torcida, porque sistemas democráticos frágeis exigem uma avaliação sóbria de consequências — inclusive as dos ataques em profundidade, que tensionam o equilíbrio estratégico e ampliam o sofrimento humano.
Lurdinha Deus Acima de Todos
20/05/2026
Cíntia, seu cientista político de araque, isso aí é tudo para fechar as igrejas e perseguir crente! 🙏🇧🇷😡
Ana Souza
20/05/2026
Seria importante verificar essas alegações com fontes independentes, já que ambos os lados em conflito têm histórico de manipulação informativa. Até agora, não vi corroboração de agências neutras ou registros de satélite que confirmem esses ataques em profundidade com a precisão alegada.
Clotilde Pátria
20/05/2026
Ana, fonte independente hoje em dia é só o que chega no meu WhatsApp, o resto é tudo controlado pela mídia globalista comunista que esconde a verdadeira guerra espiritual que está acontecendo. Deus tenha misericórdia de nós, porque os fatos estão aí, mas ninguém quer ver o óbvio!
José dos Santos
20/05/2026
Olha, Clotilde, o dia a dia no trânsito já é guerra suficiente pra mim, e o óbvio que eu vejo é a gasolina cara e o asfalto esburacado. Se a verdade tá só no WhatsApp, então o buraco na rua deve ser ilusão da mídia comunista também.