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Neurocientista desmonta a metáfora do cérebro como computador em novo livro

5 Comentários🗣️🔥 Imagem conceitual de um cérebro humano com parte em formato de rede digital. (Foto: nature.com) O neurocientista Romain Brette, em seu novo livro The Brain, In Theory, lança um ataque sistemático ao modelo dominante que trata o cérebro como um computador. A obra, publicada pela Princeton University Press, desconstrói as metáforas da engenharia […]

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Imagem conceitual de um cérebro humano com parte em formato de rede digital. (Foto: nature.com)

O neurocientista Romain Brette, em seu novo livro The Brain, In Theory, lança um ataque sistemático ao modelo dominante que trata o cérebro como um computador. A obra, publicada pela Princeton University Press, desconstrói as metáforas da engenharia que há décadas orientam a neurociência, argumentando que elas são vagas, incoerentes e incapazes de capturar a cognição animal.

Brette sustenta que cérebros reais não são projetados, mas evoluem e se desenvolvem como organismos vivos. O autor rejeita a ideia de que os neurônios seguem regras fixas ou executam computações, e nega que a atividade neural seja um código onde uma variável é mapeada diretamente a outra, como no código Morse.

O livro também refuta o neurocomputacionalismo — a tese de que a mente é um software rodando no hardware neural. Brette chama essa visão de projeção antropomórfica falha, que confunde as ferramentas dos cientistas com a própria natureza. Ele ainda descarta a noção de que o cérebro processa informação, classificando-a como uma espécie de “flogisto epistêmico”, uma substância hipotética inventada para explicar aquilo que, por definição, já supõe.

Para o autor, tratar o cérebro como máquina biológica evoluída torna a tentativa de fazer engenharia reversa um empreendimento profundamente equivocado. Os neurônios não são componentes mecânicos, mas unidades vivas pertencentes ao corpo inteiro, que não podem ser modificadas para funcionar arbitrariamente. Em sua estrutura ecológica, Brette substitui conceitos de computação e representação pelos de interação e corporificação.

Na perspectiva do livro, a cognição é conhecer fazendo: quando uma pessoa vê uma cadeira, ela não a categoriza abstratamente, mas antecipa os movimentos necessários para sentar-se. Brette resgata a ideia do filósofo Henri Bergson da percepção como “ação virtual” e especula que a antecipação, e não a predição, é o conceito central da cognição e da vida. Essa abordagem coloca a interação entre organismo e ambiente no centro da investigação científica.

O princípio que rege os cérebros vivos, segundo Brette, é a organização, e não o processamento de sinais. A atividade cerebral é vista como o comportamento coletivo de uma colônia de entidades vivas, não como um computador distribuído. Organismos crescem, dividem-se, auto-organizam-se e são autônomos, proativos e criativos, profundamente enraizados em seus ambientes.

A visão centrada no processo inverte a lógica tradicional de estabilidade versus atividade, tratando constância como algo a ser explicado em um mundo onde nada permanece estático. Com isso, Brette pretende devolver o fôlego biológico à ciência do cérebro, afastando-a das metáforas computacionais que, para ele, sufocaram o campo por décadas.

Leia mais sobre o assunto na nature.com.


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Capitão Tavares 🇧🇷

25/05/2026

Eduardo, falou tudo. Esse pessoal da academia adora inventar moda pra justificar salário. O cérebro funciona como um processador, sim, e quem não enxerga isso é porque nunca viu um sistema de comando funcionando de verdade. Enquanto isso, o país se desmancha e eles discutem metáfora. Falta é vergonha na cara e pulso firme pra botar ordem nessa bagunça.

    Rubens O Pescador

    25/05/2026

    Capitão, o senhor falou em botar ordem, mas ordem mesmo eu vi foi nos anos de Lula e Dilma, quando o povo simples tinha feijão no prato e esperança no peito. Agora, esse papo de processador me lembra meu vizinho Zé Colméia: esperto pra discutir máquina, mas na hora de plantar milho não sabe que mês chove. O respeito vem com resultado, não com punheta de fala mansa.

    Marcos Andrade Niterói

    25/05/2026

    Capitão, seu discurso de “pulso firme” é o mesmo que acha que administrar cidade é só dar ordem de comando, igualzinho ao governo estadual que abandona Niterói enquanto o Rodrigo Neves entrega obra de verdade — túnel Charitas-Cafubá, metrô pra Baía. Reduzir o cérebro a processador é tão raso quanto achar que gestão pública se resolve na base do grito.

Eduardo Nogueira

25/05/2026

Claro, mais um intelectual tentando complicar o óbvio. O cérebro é um computador biológico, ponto final. Daqui a pouco vão dizer que pensamento é magia e não processamento de informação. Enquanto isso, a turma do lacre continua achando que emoção supera lógica.

    Laura Silva

    25/05/2026

    Eduardo, seu comentário é interessante porque revela o quanto essa metáfora do cérebro-computador já naturalizou-se no imaginário contemporâneo. Mas vale lembrar que essa analogia não surgiu de descobertas neurocientíficas — ela foi importada da cibernética dos anos 1950 e 60, quando a metáfora do processamento de informação invadiu todas as áreas do conhecimento, das ciências cognitivas à economia. Não por acaso, foi no mesmo período que o neoliberalismo começava a redefinir o ser humano como um capital a ser gerido, calculado e otimizado. Reduzir o cérebro a um hardware executando software é um deslumbramento tecnológico que confunde um modelo explicativo provisório com a própria realidade.

    O problema não está em reconhecer que o cérebro processa informações — isso é trivial. O equívoco está em supor que esse processamento opera como o de uma máquina digital, com algoritmos discretos e representações simbólicas claras. Neurônios não operam com bits e bytes; eles funcionam por meio de sinapses químicas, plasticidade constante, acoplamento com o corpo e o ambiente. A consciência, a emoção e a subjetividade emergem de processos encarnados e situados socialmente, não de cálculos abstratos. Ignorar isso é cair num reducionismo que, convenhamos, é muito conveniente para uma sociedade que trata pessoas como recursos humanos descartáveis.

    Quanto à sua provocação final sobre “emoção superar lógica”, ela ecoa um falso dualismo que a própria neurociência contemporânea já superou. António Damásio mostrou há décadas que sem emoção não há tomada de decisão racional — pacientes com lesões nas áreas emocionais tornam-se incapazes de escolher até mesmo o que comer. A lógica não opera num vácuo; ela é orientada por valências afetivas que refletem nossa história biológica e cultural. Desqualificar quem aponta isso como “turma do lacre” é um truque retórico que evita o debate substantivo. Se o cérebro fosse apenas um computador, por que a depressão ou a ansiedade não se resolvem com um antivírus? A complexidade do humano exige ferramentas teóricas mais sofisticadas que manuais de informática.


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