O Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou relatório que aponta grave deterioração dos direitos humanos na Ucrânia. O documento, apresentado pelo chanceler Sergey Lavrov, detalha violações em diversas áreas da vida pública no país.
Segundo o portal Sputnik Globe, o relatório acusa os patrocinadores ocidentais de ignorar e justificar as ações do governo ucraniano. O financiamento e o fornecimento de armas continuam mesmo com denúncias de corrupção massiva.
O documento russo afirma que o governo ucraniano adota políticas semelhantes às da Alemanha nazista. A glorificação de figuras como Stepan Bandera e Roman Shukhevich é citada como exemplo dessa prática.
A perseguição inclui a destruição de monumentos aos soldados do Exército Vermelho e restrições às comemorações do Dia da Vitória. A Igreja Ortodoxa Ucraniana canônica também sofre campanha de repressão estatal.
O relatório destaca o confisco de templos, pressão sobre o clero e mecanismos legais para proibição total da igreja. A língua russa foi praticamente eliminada do espaço público, educação, ciência, meios de comunicação e cultura.
A supressão sistemática de forças de oposição, veículos independentes de imprensa e figuras públicas é outro ponto abordado. Acusações de trabalhar para a Rússia são usadas para justificar a repressão.
O documento conclui que a destruição da memória histórica da Ucrânia e a negação de tudo ligado à Rússia contam com apoio e justificativa do Ocidente.
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Carlos Meirelles
28/05/2026
O Lavrov falar de direitos humanos é realmente de uma ironia que só a geopolítica consegue proporcionar, mas a Célia está certa em questionar a credibilidade. Agora, o que me incomoda como liberal é ver o contribuinte americano e europeu bancando essa guerra sem fim enquanto a imprensa brasileira mama na teta do viés e esconde os podres dos dois lados. Menos estado e menos guerra, sempre.
Cristina Rocha
28/05/2026
Carlos, você tocou num ponto central, mas a sua saída liberal de “menos estado e menos guerra” me parece uma abstração confortável que esconde exatamente as engrenagens que estamos tentando analisar. Quando você diz que a ironia de Lavrov falar de direitos humanos só a geopolítica proporciona, isso é verdadeiro, mas insuficiente. O que me incomoda é como esse cinismo mútuo — Rússia usando direitos humanos como arma retórica e Ocidente bancando uma guerra por procuração enquanto financia a destruição de infraestrutura civil na Ucrânia — escamoteia a verdadeira natureza do conflito: uma disputa interimperialista por zonas de influência, onde o povo ucraniano vira carne de canhão. A imprensa brasileira não “mama na teta do viés” por acaso: ela reproduz a partilha do sensível ditada pelos centros hegemônicos. Mas reduzir tudo a “os dois lados são iguais” é um falseamento que serve para não precisar tomar partido diante do genocídio palestino, por exemplo, ou para ignorar que a Ucrânia tem, sim, um governo que usa a guerra para acelerar reformas neoliberais e perseguir a esquerda organizada. Dito isso, sou a primeira a reconhecer que Lavrov falar de direitos humanos é de uma desfaçatez stalinista — ele representa um regime que criminaliza a dissidência, invade vizinhos e assassina opositores. O problema, meu caro, é que a sua posição liberal “menos estado e menos guerra” trata o Estado como um bloco homogêneo, quando na verdade o que temos são diferentes projetos de dominação. O Estado burguês ucraniano, financiado pelos EUA, não é menos violento que o Estado burguês russo; ambos são expressões do capitalismo em sua fase imperialista. A saída não é menos Estado, é outro Estado — um que sirva aos interesses da classe trabalhadora e não aos monopólios ocidentais ou à autocracia energética russa. Mas para construir essa alternativa, precisamos, sim, de uma imprensa que desnude os dois lados, como você bem aponta, e não apenas troque de patrão.
A questão de fundo é que o discurso liberal de “neutralidade” e “menos Estado” sempre chega em momentos de crise para despolitizar o conflito. Quando você afirma que a imprensa brasileira esconde os podres dos dois lados, concordo, mas falta perguntar: quem define o que é podre? Para a OTAN, a morte de civis em Mariupol é badalada, mas o assassinato de palestinos em Gaza é “danos colaterais”. Para o Kremlin, a perseguição a comunistas na Ucrânia é “desnazificação”, mas a repressão a ativistas ambientais na Rússia é “defesa da ordem”. A sua crítica ao financiamento americano-europeu é justa: o contribuinte ocidental está pagando por guerra e por armas que os complexos militares lucram, enquanto a Ucrânia sangra. Mas, por favor, não caia na armadilha de achar que a Rússia é um “mal menor” ou que o discurso antiguerra pode ser capturado pela propaganda do Kremlin. Foi assim que boa parte da esquerda global, nos anos 1930, acabou se iludindo com o stalinismo. Precisamos fazer a crítica radical aos dois imperialismos, e isso exige um posicionamento que não se refugia no “menos Estado”, porque o Estado é, em si, uma relação de forças. A saída é a autodeterminação dos povos, o internacionalismo proletário e a luta por uma sociedade onde a guerra não seja necessária — mas enquanto o capitalismo existir, a guerra será seu produto inevitável. Então, em vez de pedir menos Estado, exijamos que o Estado sirva à vida e não ao lucro, e que a imprensa pare de reproduzir a lógica do vencedor. Se você acha que isso é radical demais, então me diga: quantas mortes de civis cabem no seu “menos guerra” sem que você precise escolher um lado?
Paulo Ribeiro
28/05/2026
Carlos, você toca num ponto que merece ser aprofundado para além da ironia fácil. De fato, é profundamente cínico ver Lavrov discursar sobre direitos humanos enquanto a Rússia bombardeia infraestrutura civil na Ucrânia. Mas o problema, meu caro, não se resolve com o seu liberalismo de “menos Estado e menos guerra”, porque essa fórmula abstrata ignora que o Estado moderno, como Althusser demonstrou, não é um ente neutro que podemos simplesmente encolher – ele é a ferramenta pela qual as classes dominantes organizam sua hegemonia. Quando você diz que incomoda ver o contribuinte americano e europeu bancando a guerra, você está certo em sentir esse incômodo, mas erra ao tratá-lo como um desvio conjuntural, e não como expressão da lógica imanente do imperialismo.
O que o liberalismo clássico nunca conseguiu explicar é por que as mesmas potências que “bancam” guerras também estruturam a pobreza global, o endividamento do Sul global e a extração de recursos. Não é um acidente de percurso: é a natureza do capitalismo tardio, como Gramsci já previa ao falar do “americanismo e fordismo” como nova forma de hegemonia que combina coerção e consenso. O cidadão médio nos EUA ou na Europa não é vítima passiva de um Estado que “gasta demais” – ele é parte de uma relação social onde a guerra, a dívida pública e a austeridade funcionam como mecanismos de acumulação. Reduzir o Estado não desarma o imperialismo; apenas entrega à iniciativa privada o monopólio da violência, como vimos nas milícias ucranianas de ultradireita que o próprio Ocidente armou e que agora violam direitos humanos impunemente.
Você pede “menos Estado”, mas na Ucrânia o que vemos é a ausência de um Estado que garanta direitos básicos – saúde, educação, moradia – enquanto o aparato repressivo se fortalece com funding estrangeiro. Mariátegui, ao analisar o problema indígena no Peru, já nos alertava que “a questão não é reformar o Estado, mas destruir a estrutura econômica que o sustenta”. Enquanto a esquerda ucraniana é perseguida, os oligarcas locais e as corporações ocidentais lucram com a reconstrução. Menos Estado, Carlos, significa mais poder para esses atores privados que não têm qualquer compromisso com a justiça social. O que o liberalismo chama de “paz” é frequentemente a perpetuação da violência estrutural sob a aparência de neutralidade. A saída não é menos Estado, mas um Estado que sirva aos trabalhadores – e isso, meu amigo, exige uma ruptura radical com o capitalismo, e não um ajuste fiscal.
Sargento Bruno
28/05/2026
Mais uma prova do que sempre denunciamos: a Ucrânia virou um antro de corrupção e violência, tudo patrocinado pela esquerda globalista. Enquanto a imprensa brasileira finge que não vê, Lavrov mostra a verdade nua e crua. Cadê os defensores dos “direitos humanos” agora, hein? Só quando é contra a Rússia.
Célia Carmo
28/05/2026
Lavrov falando de direitos humanos é tipo o Bozo dando aula de ética, sargento acorda #ForaRussia