Dilson Fonseca, em seu artigo ‘Lendas do Pantanal’, explora as histórias que pairam sobre o vasto bioma que abriga algumas das criaturas mais lendárias do Brasil. Essas narrativas são parte integrante da cultura local e refletem o mistério e a imaginação dos moradores.
O minhocão, conforme a lenda, é uma cobra de dimensões gigantescas que se esconde nas águas próximas de pontes ou casas de palafitas. Em noites de lua cheia, dizem que ela emerge para causar terror. Um relato detalhado foi dado por um velho italiano, morador de Corumbá, que, apesar de não ter visto o minhocão, relatou ter visto seu rastro, uma impressão na lama e no aguapé que indicava a presença de um animal de grande porte. O relato foi publicado na revista ‘Kosmos’ em 1908 por Alípio de Miranda Ribeiro.
Outra criatura mítica é o Pé de Garrafa, descrito como meio homem e meio animal, coberto de pelos e com uma única perna cujo pé termina em forma de fundo de garrafa, deixando marcas redondas por onde passa. Ele é conhecido como um guardião feroz da floresta.
O Pai do Mato, também chamado de Mãozão, é um ser misterioso que habita as matas densas e pode assumir a forma de uma anta ou de um homem peludo e barbudo. Diz a lenda que seu grito ecoa pela mata e quem responder pode enlouquecer.
A lenda do Barco Fantasma é igualmente intrigante. É uma embarcação assombrosa que navega pelas águas pantaneiras em noites de lua cheia. Os ocupantes dão risadas e conversam alto, assustando os pescadores desavisados e protegendo os peixes até desaparecer ao amanhecer.
O Tuiuiú, a ave símbolo do Pantanal, também tem sua lenda. Conta a história de um casal indígena que sempre alimentava a ave; após a morte deles, os tuiuiús ficaram sobre o monte de terra esperando migalhas, o que explicaria a sua postura cabisbaixa e triste.
Por fim, o Cabôclo d’Água é uma entidade fluvial que protege os rios e os peixes, frequentemente descrita como uma criatura que assusta quem comete abusos contra a natureza.
Essas lendas não apenas entrelaçam o medo com a cultura local, mas também servem como um reflexo das interações e respeitos que os moradores do Pantanal têm com a natureza que os cerca.


Adriana Silva
09/06/2026
Minhocão é invenção da esquerda pra desviar a atenção, faz o L e vai pra Cuba!
Ana Souza
09/06/2026
Adriana, a lenda do Minhocão é relatada por ribeirinhos desde o século XIX, muito antes de polarização política atual. Dá pra discordar sem transformar cobra gigante em militante partidário.
Alice T.
09/06/2026
Adoro essas lendas, mas aposto que os bilionários do agro tão nem aí pro minhocão — só pensam em desmatar mais um hectare pra pasto. Enquanto isso, o mito de que o Brasil é sustentável vai virando lenda também.
Beatriz Lima
09/06/2026
Alice T., você tocou num ponto que é quase um minhocão metafórico: a distância entre a narrativa ecológica que o Brasil vende e o que acontece no chão do Pantanal. Concordo que o mito do Brasil sustentável já virou lenda, dessas que a gente conta para turista em feira internacional enquanto os dados de desmatamento sobem. Mas vou fazer o papel de advogada do diabo aqui: você tem certeza de que todo bilionário do agro está igualmente cagando para o minhocão? Porque tem fazendeiro no Pantanal que mantém área de reserva maior que parque nacional europeu e, paradoxalmente, é o mesmo cara que usa agrotóxico liberado pela Anvisa enquanto reclama de fiscalização. O problema não é binário, é uma escala de cinza que vai do grileiro que toca fogo na vegetação até o produtor que certifica carne carbono neutro. O que me irrita é quando a crítica vira caricatura, porque aí a gente perde a capacidade de distinguir os verdadeiros predadores dos que ainda podem ser empurrados para práticas melhores.
Dito isso, seu sarcasmo sobre o Brasil sustentável é cirúrgico. O país construiu uma imagem de paraíso verde que desaba quando você olha os satélites do Prodes. O agro business sempre vai priorizar balança comercial sobre biodiversidade — isso não é teoria da conspiração, é capitalismo em estado bruto. A questão é: o que faremos com essa constatação? Ficar só no “tá tudo errado” vira um niilismo confortável que não muda nada. O minhocão das lendas pantaneiras pelo menos servia para assustar as pessoas e fazê-las respeitar os limites do rio. Hoje, a lenda que devia nos assombrar é a do “agronegócio responsável” como solução mágica para a fome mundial enquanto rastreabilidade nenhuma sai do papel. Mas aí, quando a Alice aponta isso, o pessoal do agro vem com “você não entende de produção” e a galera ambientalista vem com “você é vendida”. E a gente fica nesse teatro enquanto o Pantanal queima.
Major Ricardo Silva
09/06/2026
Beatriz, você faz um discurso cheio de nuances que só serve para maquiar o óbvio: enquanto o agro produz e alimenta o país, a esquerda e seus ambientalistas de palco queimam o Pantanal com discurso e omissão. Esses cinzas que você defende são os mesmos que empurram agrotóxico liberado por pressão do PT e vendem certificado de ‘carbono neutro’ para europeu pagar menos. No final, o que separa o fazendeiro sério do grileiro é a lei e a bala, não conversa fiada de blog.
Ricardo Menezes
09/06/2026
Olha, mais um artigo sobre “lendas” pra desviar a atenção do que realmente importa. Enquanto o governo trata o Pantanal como parque temático, o produtor rural lá sofre com fiscalização abusiva e imposto extorsivo. Cobra gigante? Só se for a burocracia do IBAMA, essa sim um monstro de verdade.
Ricardo Almeida
09/06/2026
Ricardo, concordo que a burocracia do IBAMA é um monstro real, mas reduzir o debate a “lendas vs. impostos” também é uma forma de desviar a atenção da complexidade ecológica e cultural do Pantanal. O problema não é escolher entre mito e produtor rural — é enxergar que ambos são engolidos pelo mesmo modelo predatório.
Carlos A. Mendes
09/06/2026
Ricardo, concordo que a burocracia do IBAMA muitas vezes atrapalha mais do que ajuda, mas acho que dá pra criticar a fiscalização sem desmerecer um artigo sobre cultura pantaneira.
Augusto Silva
09/06/2026
Que maravilha de artigo, Dilson! Enquanto a turma do “mito” bolsonarista acredita que minhocão de 50 metros devora boi no Pantanal, a realidade é que o bioma, com 250 mil km², gera R$ 10 bilhões por ano em turismo e pecuária sustentável — dados do IBGE e do WWF, não de lenda de pescador. Defender a ciência e a preservação é o melhor remédio contra o negacionismo que quer transformar a maior planície alagável do mundo em pasto para fake news.
João Carvalho
09/06/2026
Ah, Augusto, o WWF e o IBGE agora são “ciência” e o resto é lenda de pescador? Esses dados aí não pagam o meu diesel nem botam comida na mesa do pecuarista. Defendo o Pantanal sim, mas sem essa patrulha de ONG que quer ditar regra pra quem vive lá.
João Carlos Silva
09/06/2026
Pois é, João, concordo que teoria de gabinete não põe diesel no tanque, mas a seca que tá braba por lá também não é invenção de ONG. O negócio é achar um meio-termo entre a ciência e o conhecimento de quem vive na lida.
Maria Clara Lopes
09/06/2026
Pois é, João, essa busca pelo equilíbrio é o caminho mais sensato. O saber do pantaneiro não invalida os dados científicos, e vice-versa – o problema começa quando um lado tenta anular o outro.