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sexta-feira

17

fevereiro 2017

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Temer faz o que Dilma não fez em matéria de comunicação

Escrito por , Postado em Redação

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Em relação a essa matéria da Folha, sobre Temer pagar Youtubers para fazer propaganda do governo, me desculpem, tenho que, com muita dor no coração, parabenizar o governo.

É o que sempre sugerimos, gratuitamente, à Dilma fazer. Não exatamente esse tipo de jabá descarado, que me parece indecente e corrompe os youtubers.

Mas isso apenas porque Temer é um Midas às avessas, e falta-lhe o principal: legitimidade.

Tudo que ele toca vira lixo. Com Dilma, que foi eleita, que tinha programas muito legais voltados à educação e à juventude, seria muito diferente.

Ela poderia ter feito parceria com youtubers para explicar aos jovens o que era, por exemplo, o Ciência sem Fronteiras!

E assim Temer teria um pouco mais de constrangimento de fechar o programa assim que assumiu!

Poderia ter feito parceria com youtubers para explicar o Pronatec!

Não fez.

Apesar das milhares de advertências que lhe fazíamos, diariamente, nos blogs.

Dilma preferia pagar milhões a João Santana do que pagar alguns milhares a youtubers.

Com uma outra diferença importante: Santana faz a malas e vai embora no dia seguinte após a vitória.

Os milhares de jovens que tentam ganhar a vida fazendo youtube, caso fosse conquistados não apenas pelo dinheiro do governo, mas pela política, seriam eternos combatentes pela democracia.

Resultado: além do golpe de Estado, Sergio Moro limpou as contas de João Santana e esposa, cobrando-lhes, apenas para esperar o julgamento em liberdade, a maior fiança da história do mundo: mais de R$ 30 milhões.

Dinheiro de quem faz campanha petista não vale nada. No dia em que um juiz começar a fazer o mesmo com tesoureiros e marketeiros de campanhas tucanas, talvez haja algum protesto por parte da nossa “imprensa livre”.

Franklin Martins, que escreveu a parte realmente vitoriosa da campanha petista, a parte política, foi escanteado assim que a vitória foi anunciada.

O golpe não veio à tôa. O governo Dilma fugiu da TV, com medo dos panelaços nos bairros ricos, e depois fugiu também da internet (onde, aliás, nunca havia ido).

Dilma pôs fim também, um ano e pouco antes das eleições, ao único canal direto que tinha com a população, o Café com a Presidente, um programa de rádio distribuído gratuitamente para milhares de estações em todo país.

Os números das pesquisas mostram essa realidade: Temer não tem aprovação nenhuma, mas Lula tem, é líder disparado de intenção de votos para 2018 – e isso apesar da campanha esmagadora da mídia em favor do governo golpista e a mais sinistra perseguição midiático-judicial feita contra um político jamais vista na história das democracias, como é a perseguição contra Lula.

Ou seja, Dilma poderia ter evitado o golpe, caso tivesse feito a lição básica da política: comunicar-se, o que, nos dias de hoje, significa ir à internet. Não é tão complicado: usasse um celular!

E a culpa não é apenas da presidenta, é de todo espectro da esquerda, imperdoavelmente envelhecido, retrógrado e, sobretudo, preguiçoso, em matéria de comunicação.

Mesmo às vésperas do golpe, Dilma só pensava em publicar artigo na… Folha. E ainda por cima na seção fechada para assinantes da Folha. Ou seja, para meia dúzia.

Ou então dar entrevista ao Jô Soares, às três da manhã, na Globo…

O que não teria nada de mais, porque é importante se comunicar com todo tipo de público. Mas não podia ser só isso! Tinha que atingir o grande público que, definitivamente, não lê mais a Folha. Nem vê Jô Soares. Em especial, a juventude.

Só DEPOIS do golpe, Dilma resolveu dar entrevistas à imprensa internacional, aos blogs, e viajar o mundo explicando o que aconteceu.

Num congresso de meio ambiente da ONU, fez um discurso soporífero, quando tinha a oportunidade de denunciar o golpe de um grupo de políticos que, como vemos hoje, promoveria atentados sistemáticos contra o meio ambiente.

Quem não se comunica, se estrumbica, como dizia um grande pensador.

Então, mais uma vez, parabéns presidente Temer.  Você é um canalha, um golpista, um traidor. Em matéria de comunicação, porém, não é tão burro como eu pensava.

A sorte do povo brasileiro é que você é tão ruim, as suas propostas são tão medonhas e autoritárias (como essa aí do Ensino Médio), que mesmo contratando todos os youtubers do mundo, mesmo torrando verba pública em quantidades recordes na grande mídia, mesmo assim, sua aprovação continuará caindo.

O povo não te elegeu, não te respeita e não te quer aí. A única coisa que você deveria fazer, se lhe restasse um pingo de dignidade e espírito democrático, seria não mexer em nenhuma lei importante e apenas tocar o barco para as eleições de 2018.

Se a esquerda, por sua vez, ainda tem alguma veleidade de disputar o poder à vera, deverá pôr de lado seu fetiche brega pela Globo, por artigos no Valor e Folha, por entrevistas ao Jô Soares, e entender a importância de investir em redes sociais.

Lula, que está num bom momento das pesquisas, não pode repetir o erro de Dilma.

Lula deveria criar, urgentemente, um programa diário ou semanal de conversas e entrevistas, dirigido por um competente profissional da área, legendado para inglês, francês e espanhol. Um programa com cultura, política, economia e entretenimento, com participação constante de jovens, fazendo parceria com youtubers e blogueiros.

Deveria fazer isso e vender publicidade, para bancar o programa e não precisar consumir verba partidária.

Quem avisa, amigo é.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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