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Amaury Ribeiro Jr. lança livro “A Privataria Tucana” no Rio

Por Miguel do Rosário

16 de janeiro de 2012 : 23h43


Do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro

O mais novo fenômeno literário brasileiro vem ao Rio. E, desta vez, não é para lazer. Depois de passar o réveillon na cidade, Amaury Ribeiro Jr., autor de A Privataria Tucana, lança seu livro na quarta-feira (18/01), no Sindicato dos Bancários (Presidente Vargas, 502/21º andar), a partir das 18h30. E antes, na terça-feira, o jornalista autografa na Livraria Travessa, no Leblon, às 19 horas.

A obra de Amaury, apesar de não ter recebido destaque na imprensa de grande circulação, foi difundida pela Internet. Segundo a publicação, o Brasil gastou R$ 87,6 bilhões com empresas que compraram estatais como a antiga Vale do Rio Doce. O jornalista revela ainda que o governo federal administrado pelo PSDB assumiu dívidas de empresas privadas.

“Colegas da Folha têm vergonha disso: escrever que o PSDB não tem nada a ver com esquema de privatização. É hipocrisia que não tem tamanho”, destacou Amaury Ribeiro Jr. em entrevista ao site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio (confira a íntegra da entrevista abaixo).

O lançamento do livro no Sindicato dos Bancários deve ser também um ato de apoio à criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Privatizações. O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), propositor da instalação da CPI, estará presente.

Entrevista com Amaury Ribeiro Jr.

Jornalista que denunciou a privataria fala ao Sindicato dos Jornalistas

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. curte a ainda ascendente venda de seu primeiro livro, A Privataria Tucana (Geração Editorial). Já foram mais de 124 mil exemplares comercializados desde o lançamento, em dezembro. Neste embalo, depois de passar o réveillon em terras cariocas observando festivais de fogos na orla, Amaury volta ao Rio ainda em janeiro, nos dias 17 e 18. Ele participa de eventos de divulgação do livro que colocou em cheque a cobertura política da imprensa no final do ano passado. Na entrevista a seguir, por telefone, ao site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio, Amaury Ribeiro Jr. fala de processos, do seu distanciamento das redes sociais e cutuca a grande imprensa: “Grampo contra eles é arapongagem. A favor deles é reportagem.”

O livro A Privataria Tucana fez sucesso na internet, foi divulgado espontaneamente em mídias sociais. Você participa destas redes, como Facebook e Twitter?
Eu não sou adepto a estas coisas. Como trabalho com jornalismo investigativo, acabei virando alvo. Eu gostaria de participar das redes sociais, mas para mim isso é arriscado. Admiro (estas ferramentas), mas não falo em Twitter, não participo de rede social. Eu sou vigiado. Por segurança, da minha família e minha mesmo, me mantenho longe. Fico sabendo o que é publicado nas redes sociais por meio de amigos que me contam tudo. Mas não tenho nada para esconder.

As 200 páginas de seu livro trazem acusações contra políticos de peso no cenário nacional. Como vem sendo a repercussão da obra no Rio de Janeiro?
No Leblon, durante o réveillon, muitos vieram me cumprimentar. No aeroporto (Galeão) também. São pessoas dos mais diversos tipos, funcionários públicos do Banco Central, gente da polícia, empresários. Vários comentavam o livro.

O fato de a revista Veja ter deixado inicialmente de listar a obra entre as mais vendidas incomodou você?
Não. Mas é estranho. A publicação é vendida inclusive nas livrarias que são redutos do PSDB, é a mais vendida na Cultura, por exemplo. O livro é o mais vendido entre todas as categorias na Saraiva e Fnac também. A editora teve que operar com quatro gráficas. E ainda não normalizou a distribuição, está faltando livros. Nos aeroportos do Rio, acabaram os exemplares. No dia 2, quando estava aí (no Rio) não tinha mais o livro.

Você projetava este volume de vendas?
Um amigo meu que trabalha na Record, o (Luiz Carlos) Azenha, falou que iria dar esta repercussão. Eu falei que ele estava louco. Projetei para março de 2012 60 mil exemplares vendidos. Porém, 15 dias após o lançamento, eram mais de 100 mil. Se chegarmos a mais de um milhão não é tanta surpresa. Eu nunca tinha lançado livro, para mim é tudo novidade, mas mesmo quem está acostumado com o mercado diz que é um fenômeno.

E a repercussão política do conteúdo do livro foi além do que você imaginava?
Pois é, percebi isso pelo poder das redes sociais. Ficou caracterizado este poder na última eleição no Brasil, quando a imprensa não teve vergonha de esconder que escolheu candidato e jogou baixo com Dilma. Não tiveram nenhuma vergonha de esconder isso e as redes (sociais) reverteram. No caso do meu livro, enquanto a grande imprensa calava, as redes falavam. Fizeram matéria na Folha sobre o livro, que ninguém quis assinar, e que ficou vergonhosa. Colegas da Folha têm vergonha disso: escrever que o PSDB não tem nada a ver com esquema de privatização. Hipocrisia que não tem tamanho. Quando pegam uma denúncia contra (Antonio) Palocci, dizendo que ele enriqueceu, aí é bombástico e grandioso.

Jornais e revistas levantaram, inclusive durante a campanha de 2010, que você estaria envolvido em grampos. Inclusive isso é tratado no livro. Acusações do tipo ainda são feitas.
Tentaram se defender e se mostraram no cinismo. Tem fato novo que está rodando esta semana. A Veja, para tentar desqualificar o livro, veio com a história da lista de Furnas. A lista é verdadeira. Eles têm esta tática da contra-informação. Quando a denúncia vai contra eles, é dossiê. Publicar grampo contra eles é arapongagem. A favor deles é reportagem. Nem tablóide da Inglaterra baixa tanto o nível quanto estes jornais. (José) Serra teve reunião com jornais e tirou (das edições) a matéria (sobre o livro). Ele tem poder muito grande sobre a imprensa. Eu provo que ele contratou rede de araponga da pesada, mostro contrato, e eles (os jornais) não publicam. Quanto mais fazem, mais mostram o quanto medíocres são. Dizem que eu fui indiciado, mas eu explico isso no livro. É triste ver determinados jornalistas neste papel ridículo que estão fazendo.

A Internet ajudou a reverter isso a seu favor?
Isso, aí vieram as redes sociais. A Record e a Band também noticiaram. Até o Valor Econômico publicou artigo sobre a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito da Privataria, proposta no Congresso após a publicação do livro). Começou a se espalhar o fenômeno para veículos de comunicação. Tenho agenda marcada, se eu quiser, até o final do ano para falar para todo o país.

Você está disposto a depor na CPI da Privataria, caso a comissão seja instalada?
Vou depor na CPI, não tenho medo. Já depus na Polícia Federal, não me colocam em contradição. Espero que instalem a comissão. De acordão já chega a CPI do Banestado (abordada em A Privataria Tucana). Vou lançar a obra na Assembleia Legislativa de Minas, com o Protógenes (Queiroz, deputado federal pelo PCdoB de São Paulo, propositor da CPI). Não vai haver desmobilização.

A chuva de processos, que se imaginou a partir da repercussão e do conteúdo do livro, já chegou?
Não recebi notificação nenhuma de processo. Por enquanto é tudo ameaça. Sobre uma matéria que fiz em relação ao Banestado (na IstoÉ, em 2003), foram mais de 30 processos. Ganhei todos. Hoje não tenho processo nenhum. E, se tiver, vou levantar mais documentos. Já estou começando a levantar minhas testemunhas.

Quem são estas testemunhas?
São delegados, por exemplo. Minhas testemunhas são carga pesada. Antes de publicar o livro, passamos o conteúdo por avaliação de juristas. Eles disseram que iríamos ser processados, mas falaram que a gente iria ganhar todos processos. Isso (processo) não é problema, convivo com isso há mais de 25 anos, nunca fui condenado em nada.

A imprensa exalta o fato de ela mesma ter deixado sem cargo poderosas figuras que até então tinham gabinete garantido na Esplanada dos Ministérios. Você avalia que 2011 foi um ano positivo para os veículos brasileiros?
A queda dos ministros não é mérito da imprensa, é mérito do governo, da Dilma. Mas agora a faxina começou para outro lado. Está na hora de mudar a imprensa. O barco está afundando para todos os lados. Tem gente de dentro da Globo, com cargo de chefe, elogiando o livro. Quem entende um pouco de mercado financeiro sabe que o livro não busca atacar partido A ou B, mas acabar com esta lavagem de dinheiro no Brasil.

Já tentaram matá-lo por fazer matérias sobre tráfico de drogas próximo a Brasília. Você teme por sua vida em função do livro?
O bandido, o corrupto, é um cara medroso. A exceção é quando se trata do tráfico de drogas. Eles usam gente viciada, como aconteceu contra o Tim Lopes e comigo. Aí tenho muito medo. Mas, fora isso, o que tenho medo é de grampo: não falo em celular. O mundo do Serra é o da arapongagem, está mais que comprovado no livro. O PSDB usa a contra-informação.

Foto: Mauricio Morais/Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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