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O mensalão do PSOL-RJ

Por Miguel do Rosário

03 de setembro de 2013 : 13h30

O mensalão do PSOL do Rio de Janeiro tem o seu Roberto Jefferson: são os dois ex-assessores da deputada Janira Rocha, que contaram à polícia que a parlamentar pegava salário dos funcionários e verba do sindicato para, supostamente, usar em sua campanha eleitoral. Segundo os assessores, ela afirmou também que usaria o dinheiro em movimentos sociais, mas “isso nunca aconteceu”.

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) acaba de ajustar um guardanapo branco em sua cabeça.

Dossiê sobre deputada do Rio sugere anormalidade na prestação de contas

Gravações mostram que Janira Rocha cotizava salário de assessores

PSOL do Rio faz reunião nesta terça-feira (3) para investigar denúncias.
Do G1 Rio

O dossiê preparado por dois ex-assessores da deputada estadual e presidente do diretório do PSOL no Rio, Janira Rocha, aponta supostas irregularidades na prestação de contas na última eleição da deputada, como a cotização do salário dos funcionários, conforme mostrou o Bom Dia Rio. Os dois ex-assessores, Marcos Paulo Alves e Cristiano Valadão tentaram negociar o documento com a deputada Cidinha Campos (PDT), por R$ 1,5 milhão. Cidinha marcou um encontro em seu gabinete e chamou a polícia.

“Eles quiseram vender. O Marcos me procurou na semana passada pedindo R$ 1,5 milhão para vender o dossiê. Ele telefonou para o Valadão, que é o Cristiano, e perguntou se podia fechar por R$ 1 milhão”, contou Cidinha Campos.

A negociação foi interrompida com a entrada de policiais da Delegacia Fazendária. Na delegacia, Marcos Paulo confirmou que decidiu vender o dossiê porque teria descoberto irregularidades na prestação de contas na última eleição de Janira. E também porque era obrigado a participar de uma prática chamada cotização, o repasse de parte do salário dele para a parlamentar.

Segundo ele, do salário de R$ 7.200, R$ 4 mil eram devolvidos. “Porque fazia a cotização, dizia que era para os nossos projetos, para as nossas coisas e no final não tinha nada disso”, disse o ex-assessor Marcos Paulo.

“Ela fez um acordo político. A proposta de cotização foi para que a gente bancasse o nosso movimento popular. Isso nunca aconteceu. A deputada estadual é uma farsa. Ela prega o socialismo e é não socialista”, disse Cristiano Valadão.

No dossiê, além de documentos, Marcos Paulo e Cristiano juntaram fitas de áudio, gravadas durante conversas com a deputada. Em uma destas conversas, Janira Rocha admite que a cotização é uma prática comum no gabinete dela.

“Eu não faço nada dentro deste mandato que eu possa me envergonhar, pode até ser que tem algumas coisas que são feitas aqui, como a única, que é a cotização, que não é legal lá fora, entendeu? Mas isso não me envergonha, não me envergonha, eu não estou roubando dinheiro pra mim, entendeu? Eu não estou roubando dinheiro pra mim”, defendeu-se Janira numa gravação.

Em outra escuta, a deputada, que foi diretora do Sindicato dos Previdenciários do Rio, afirma que usou dinheiro do sindicato para a campanha eleitoral. E propõe a elaboração de um relatório para disfarçar o uso ilegal da verba.
“A gente pode botar no relatório que o dinheiro foi para atividades políticas, mobilizadoras, não pode dizer que foi pra construção de PSOL. Foi para disputa, para eleger deputado. Isso não pode, isso é crime, então é um crime tanto do sindicato quanto um crime nosso, né? Crime eleitoral”, diz a deputada numa gravação.

Por telefone, a deputada Janira Rocha disse à produção do Bom Dia Rio que conheceu os dois homens nos movimentos sociais e os convidou para trabalhar em seu gabinete. Segundo Janira, eles foram exonerados em junho deste ano por mau desempenho. A deputada disse que já tinha sido chantageada pelos ex-assessores e encaminhou a denúncia ao Ministério Público e à Presidência da Alerj.

Em nota, o PSOL declarou que já estava a par do caso e que havia agendado uma reunião nesta terça-feira (3) para discutir a expulsão dos ex-assessores e investigar as denúncias.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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Pedro

11 de junho de 2015 às 12h50

Sei que é artigo velho, mas…

Mesmo sabendo que explicar a piada estraga a graça eu queria entender!
Alguém pode me ajudar?

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