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Eleições, números e blá, blá, blás

Por Miguel do Rosário

28 de outubro de 2013 : 21h02

Eleição não é matéria simples. Aparente platitude antes que as campanhas comecem; é dura realidade quando o dia da votação se aproxima.

Por Wanderley Guilherme dos Santos

Ganhar eleição não é fácil para quem está no governo. E é muito difícil para quem deseja desalojá-los. Em suma: eleição não é matéria simples. Aparente platitude antes que as campanhas comecem; é dura realidade quando o dia da votação se aproxima.

Com toda fúria de que o vendaval Collor parecia dotado não ultrapassou os 53% do total de votos válidos no segundo turno, em 1989. Aboletado nas conquistas reais e também propagandísticas do Plano Real que o levaram à vitória no primeiro turno, ainda assim Fernando Henrique Cardoso não descolou, em 1994, mais do que 54% dos votos válidos. Com o dístico de que quem acabou com a inflação iria acabar com o desemprego, viria a se reeleger, em 1998, com os mesmos 54% dos votos válidos no primeiro turno.

É com Lula, em 2002, que a barreira dos 50 e poucos por cento é ultrapassada, destinando-se a ele 61,3% dos votos válidos no segundo turno. Em 2006, novo segundo turno, e outra vez a maioria dos votos válidos ao vencedor, Lula, alcança 60,9, ou seja, 61% dos votos válidos. Com Dilma, em 2010, não obstante a folgada vantagem que manteve nas pesquisas durante a campanha , a vitória final, no segundo turno, voltou à casa dos 56%.

Pesquisas são boas e todos gostam delas. Animam ou estimulam o redobrar de esforços dos candidatos. Outra coisa é o núcleo duro do conservadorismo, somado à reação que, na hora h, sempre volta a seu leito principal. Quem diria, meados de 2010, que a candidatura Serra iria tomar o rumo devastadoramente reacionário que perfilhou, e pior, que conquistaria seguidores ao contrário de assustá-los? Bom não esquecer que, para um conservador liberal costuma ser o caso, de nove em dez vezes, de optar por um reacionário ainda mais à sua direita do que arriscar vitória de um candidato de esquerda liberal. É esse movimento, que vale para o lado esquerdo do espectro ideológico, que alimenta a radicalização e afunilamento das campanhas em suas semanas finais. Nesses dias elétricos é que os eleitores flutuantes, que votam menos estrategicamente, atendendo a seus interesses imediatos, são ganhos ou perdidos e, com eles, vai-se às vezes uma vitória tida por conquistada.

Um eleitor ideologicamente morno considera o retrospecto dos candidatos e compara seus currículos. Ao escolher o que considera melhor não sabe que deverá compará-lo, proximamente, não a currículos de adversários, mas de acusações secundárias relativas a hábitos de vida, crenças em geral, opiniões aparentemente sem sentido prático mas que, dependendo do contexto, transformam-se em questões candentes e definitivas. Por exemplo: na eventualidade de que se descubram minérios relevantes no subsolo lunar devem ser considerados patrimônios da humanidade ou do país que os tenha descoberto.

Parece insensato mas muitas das críticas ambientalistas à exploração petrolífera em águas profundas tem a mesma lógica. O emblema da Petrobrás, sem dúvida, faz parte dos resignificados identitários amaldiçoados que freqüentam, nômades, alguns discursos contemporâneos.

Em linguagem menos pedante, o resignificado identitário significa simplesmente “virar a casaca”. Como muitos e muitas já viraram. É essa mudança de casaca, assim como a escolha da casaca errada por parte dos indecisos, que a competição eleitoral progressista deve evitar, sejam as mensagens das pesquisas as mais alvissareiras que forem. O que ganha eleição são votos. Ponto.

Artigo publicado originalmente no site Carta Maior.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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