Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Folha, patética e chapa-branca, tenta dar “água” para Alckmin

Por Miguel do Rosário

07 de maio de 2014 : 18h51

FOLHA DÁ ÁGUA PARA ALCKMIN

Altamiro Borges, em seu blog.

7 DE MAIO DE 2014 ÀS 07:35

O jornal garante que não haverá racionamento de água em São Paulo e faz um baita esforço para isentar o governador Geraldo Alckmin de qualquer responsabilidade

O editorial da Folha da terça-feira (6) é patético. O jornal garante que não haverá racionamento de água em São Paulo e faz um baita esforço para isentar o governador Geraldo Alckmin (PSDB) de qualquer responsabilidade. Hoje ninguém mais tem dúvida de que o diário da famiglia Frias apoiou o golpe de 1964 e a ditadura – a própria Folha foi forçada a confessar o crime. Mas muita gente ainda acha que o jornal “não tem o rabo preso” e é “imparcial” nas suas coberturas. Para estes ingênuos, o editorial intitulado “Racionamento afastado” é um tapa na cara: acorda panaca! A Folha assume que está em campanha pela reeleição do tucano, mesmo que isto signifique omitir ou ofuscar a grave crise da abastecimento em São Paulo.

Segundo o editorial, “após a abertura da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) deixou de lado a hesitação das últimas semanas e afirmou de modo categórico que não haverá racionamento de água na capital paulista ao longo de 2014. Não deixa de ser uma declaração tranquilizadora, sobretudo no momento em que o volume armazenado do sistema Cantareira, cadente há meses, atinge meros 10% de sua capacidade útil”. O jornal ainda elogia as medidas tomadas pelo governo tucano para jogar o colapso do sistema para o futuro – de preferência, para depois das eleições de outubro. Elas seriam suficientes, afirma, “para garantir o abastecimento até fevereiro de 2015”.

De forma indireta, a Folha culpa a “estiagem inusitada” pela crise no setor – só faltou amaldiçoar Deus e esbravejar contra a natureza – e os próprios usuários paulistas, que desperdiçam muita água. E conclui com um apelo dramático: “Baixar a guarda e descuidar da vigilância, de ora em diante, implica aceitar o risco de que a crise se repita”. Nenhuma palavra sobre a falta de investimentos na ampliação da infraestrutura ou na manutenção do setor, que vaza água por todos os lados. Nenhuma palavra sobre a incompetência e a falta de planejamento dos tucanos, que governam o mais rico estado da federação há quase 20 anos. Nada sobre o “choque de gestão” (ou indigestão) do PSDB!

No momento em que a Folha publica este editorial risível, o Estadão – que também é tucano – notícia sem maior alarde que “terceira maior cidade do Estado (com população menor só que São Paulo e Guarulhos), Campinas pode iniciar racionamento de água ainda nesta semana. A vazão do Rio Atibaia, que abastece 95% da população, de 1,09 milhão de pessoas, caiu para 6,6 metros cúbicos por segundo no fim de semana e voltou ao nível crítico, segundo a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa)”. O jornal ainda informa que “quatro cidades da região de Campinas – Valinhos, Vinhedo, Cosmópolis e São Pedro – adotaram oficialmente o rodízio”, o nome fantasia do racionamento.

Como ironiza José Simão, uma das poucas vozes críticas da Folha, “tucanaram” o racionamento. Nesta mesma terça-feira, ele volta a esculhambar o “rodízio”, citando uma notícia curiosa: “’Aquário de Santos registra falta d’água em feriado prolongado’. Acabou a água até do Aquário! Chamem o Nemo! O ALCKNEMO! Rarará!”. No caso, o governador “Alcknemo” poderia chamar a Folha para lhe dar água na crise!

PS Cafezinho: Essa é a imprensa “isenta” e “apartidária”. Está vendendo o bem estar de milhões de paulistas, para proteger um governo que há quase 30 anos não investiu na modernização do sistema hídrico do estado. A falta de água em São Paulo afetará a economia brasileira como um todo, e só isso já seria razão para que uma imprensa realmente comprometida com o leitor fizesse uma cobertura realista do problema, ao invés de agir como uma assessoria mal ajambrada de imprensa do governador.

Cadê o debate sobre o que tem de ser feito? Nada. O governador inventou um montão de factóides para ganhar tempo e a imprensa engoliu tudo e nem procura lembrá-los.

chargeAlckmin

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

7 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Guilherme

08 de maio de 2014 às 13h49

Prezado Miguel, acho que damos muita importância aos editoriais dos jornalões. Alguém ainda lê isto? rsrs
Abraços.

Responder

Cosme Henrique

08 de maio de 2014 às 09h28

Tem gente tão, matão tapada que vá vi dizerem que a Folha é petista!

Responder

Roberto Locatelli

08 de maio de 2014 às 07h43

É cada vez mais acintosa e descarada a torcida da Folha a favor do governador Geraldo Alstom.

Responder

C.Paoliello

07 de maio de 2014 às 23h17

Não sei como alguém ainda tem estômago para ler jornais do PiG ou assistir seus canais de tv.
Já me libertei disso há mais de dez anos e vivo muito melhor sem estes mentirosos da velha mídia.

Responder

Celso Almeida

08 de maio de 2014 às 00h39

Racionamento é quando existe água… se está secando, é carro-pipa mesmo. Nem pra isso o incompetente presta.

Responder

Joelson Mendonça

07 de maio de 2014 às 22h42

“tentar dar” ou “tenTA dar”?

Responder

    Miguel do Rosário

    07 de maio de 2014 às 22h41

    Corrigido, obrigado.

    Responder

Deixe um comentário