Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Eleições no Rio: samba do criolo doido ou loucura planejada?

Por Miguel do Rosário

22 de junho de 2014 : 21h56

Se a disputa no Rio de Janeiro já estava doida, com um cruzamento de apoios de fundir a cabeça de qualquer analista, agora ela entrou no terreno do psicodélico.

Doideira número 1: Aécio apoia Pezão e incentiva a formação de um bloco político nomeado “Aezão”. Os setores mais fisiológicos e mais reacionários do estado, liderados por Jorge Picciani, presidente local do PMDB, que não estão contentes com o governo federal, e não se identificam com suas políticas sociais, refluíram naturalmente para a direita, representada por Aécio Neves. Entretanto, há um detalhe: Pezão apoia oficialmente Dilma e aparecerá na campanha em fotos ao lado da presidenta.

Doideira número 2: o PSB fluminense resolveu apoiar Lindberg Farias, candidato do PT ao governo do estado. O próprio Campos já deu declarações de que aprova a coligação. Só que Lindberg apoia, obviamente, a presidenta Dilma e aparecerá ao lado da presidenta em sua propaganda eleitoral. O candidato a senador da chapa de Lindberg será o deputado Romário, do PSB, que ultimamente tem dito cobras e lagartos de Dilma, mas que agora está, oficialmente, numa chapa do PT.

Doideira número 3: César Maia, vereador e ex-prefeito do Rio, deverá ser o candidato a senador na chapa de Pezão. Ora, César Maia sempre foi oposição radical a Sergio Cabral e a Eduardo Paes. E agora será o candidato do partido de Sérgio Cabral, Eduardo Paes, e Pezão.

Entretanto, como se dizia de Hamlet, alguma lógica há nessa loucura, e pode ser resumida na seguinte. O Rio está oferecendo um laboratório para uma polarização ideológica talvez mais racional do que se vê no plano nacional. Desse ponto-de-vista, a loucura estaria antes na política nacional do que na local. Lindberg teria conseguido, de fato, criar um pólo progressista, atraindo a esquerda do PSB, na figura sobretudo de Roberto Amaral, vice-presidente do partido, ex-ministro de Lula, e um dos raros quadros do partido que ainda podemos chamar de “socialista”.

Amaral foi o principal avalizador da parceria entre PT e PSB no Rio. Romário, por sua vez, apesar de sua implicância com Dilma, talvez seja melhor senador para o Rio do que Dornelles e Sérgio Cabral. E os setores menos reacionários do PMDB fluminense também estarão com Dilma no Rio.

Então ficamos assim: Lindberg juntou a centro-esquerda, representada pelo próprio PT; a esquerda propriamente dita, representada pelo PCdoB; a centro-direita ambientalista (e por isso também progressista), representada pelo PV; e o centro, representado pelos setores do PMDB que não se uniram ao Aezão.

E Lindberg é um dos raros (raríssimos) nomes do PT que tem uma boa relação com Marcelo Freixo, principal nome do PSOL no estado, sobretudo em virtude de seu apoio firme ao deputado por ocasião dos embates recentes de Freixo contra a Globo e contra a direita raivosa fluminense.

Já há um acordo informal de apoio de Freixo à Lindberg num eventual segundo turno.

Pezão, por sua vez, apesar de ser um boa praça que goza de amizades importantes junto ao PT nacional, e estar conseguindo se descolar da forte rejeição de Sérgio Cabral, só reuniu, em torno de si, a direita fluminense mais empedernida. A entrada de César Maia em sua chapa apenas agrava esse quadro.  E será difícil para Pezão se manter, por muito tempo, distante das críticas que se faz a Cabral.

Mas não se subestime jamais um candidato que contará com uma máquina partidária monstruosa, bom tempo de TV, e um longo histórico de parcerias com Lula e Dilma.

*

Na última pesquisa Ibope, vimos Garotinho e Crivella empatados em primeiro lugar. Garotinho é um candidato sempre muito forte, mas que tem uma rejeição fortíssima que dificulta seu crescimento. Crivella tem o mesmo problema.

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Eu venho apostando num segundo turno entre Pezão e Lindberg. É só uma aposta de botequim, ou como dizem os advogados, “por amor ao debate”, que não pretende desprezar ou subestimar, de jeito nenhum, Garotinho ou Crivella.

Mas se for o caso, teremos uma disputa, até o momento, apertadíssima, como se pode ver nos gráficos abaixo. Crivella, um quadro fiel ao governo Dilma, deve apoiar Lindberg.

A postura de Garotinho, num eventual segundo turno, é um mistério. Aliás, esse é um dos defeitos de Garotinho, que o torna um político um pouco provinciano. Ele é bom de voto. Mas ruim de acordo – o que é reflexo de sua independência radical (longe de mim julgá-lo por isso).

Outro defeito grave de Garotinho (e aí, sim, eu o julgo), que o faz ter alta rejeição, é seu radicalismo conservador no campo comportamental e religioso, num estado com uma classe média fortemente liberal e com uma capital tão cosmopolita. Mas talvez seja justamente por isso que ele tenha tantos votos…

 

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Seja como for, as eleições no Rio prometem fortes emoções.

Publico abaixo, matéria do Globo que traz declarações relevantes das personalidades citadas na análise acima.

*

Maia será candidato ao Senado na chapa de Pezão

Sérgio Cabral abre mão da candidatura. Em nota, Eduardo Paes diz que ‘depois da suruba’, eleições no Rio são ‘bacanal eleitoral’

POR PAULO CELSO PEREIRA, CÁSSIO BRUNO E LETÍCIA FERNANDES, NO GLOBO

22/06/2014 15:02 / ATUALIZADO 22/06/2014 20:45

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BRASÍLIA e RIO – O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) vai anunciar nesta segunda-feira que abrirá mão da candidatura ao Senado na chapa do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) para o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) ocupá-la, dando caráter formal ao movimento “Aezão“. A informação, antecipada pelo colunista do GLOBO Merval Pereira em seu blog, repercutiu entre os políticos do estado. Em nota oficial, o prefeito do Rio Eduardo Paes chegou a afirmar que, depois da ‘suruba’ eleitoral – termo utilizado pelo deputado Alfredo Sirkis para definir as alianças no Rio na última semana -, as eleições fluminenses são um “bacanal eleitoral”.

A articulação foi selada, na manhã deste domingo, no apartamento de Aécio Neves, em Ipanema, junto com Pezão, Cabral e Cesar Maia, além do presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani. Assim, a tendência é que Cabral não dispute qualquer cargo público este ano e assuma formalmente a coordenação da campanha de Pezão.

Formalmente, o ex-prefeito Cesar Maia será o candidato majoritário do tucano no estado, mas a expectativa é que a formalização da aliança, que dará quase três minutos de TV a mais para Pezão, faça o “Aezão” se alastrar pelos palanques de deputados no estado. Pelas contas peemedebistas, a chapa de Pezão tem cerca de 1.400 candidatos a deputado federal e estadual que poderiam abraçar a candidatura nacional tucana.

O movimento é uma reação formal à aliança do PT com o PSB no Rio. Cabral e Pezão guardam mágoas do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, outro pré-candidato à Presidência, que durante anos aprovou a presença de seu PSB no governo estadual, mas passou a atacar a dupla no ano passado.

PAES: ‘O QUE SE VÊ AGORA É BACANAL ELEITORAL’

Candidato ao governo do Rio pelo PT, o senador Lindbergh Farias, adversário de Pezão, reagiu:

– A eleição caminha para uma polarização entre dois blocos: a chapa Lindbergh e Romário (deputado federal e candidato ao Senado pelo PSB), que simboliza um novo rumo, de mudanças, e a chapa Pezão e Cesar Maia, que simboliza a velha política, o continuismo e o mais do mesmo no Rio.

Romário seguiu o mesmo discurso do petista:

– A chapa Romário e Lindbergh é o novo da política. Quando a gente fala de Cabral, Pezão e Cesar Maia trata-se da política antiga. O povo carioca e fluminense têm a tendência de querer mudanças no estado.

O presidente regional do PPS, deputado estadual Comte Bittencourt, afirmou que fará uma reunião ainda neste domingo com integrantes do partido para avaliar o caso. Mas, segundo ele, a tendência é apoiar Pezão e Cesar Maia.

– É uma informação nova. Vamos avaliar este cenário. O PPS quer derrotar a presidente Dilma Rousseff. No Rio, o movimento do PSB (de apoiar Lindbergh) e a desistência do deputado Miro Teixeira de concorrer ao governo (pelo PROS) nos deixa com pouca alternativas. Eu e o deputado Luiz Paulo Correa da Rocha (presidente regional do PSDB) sempre fomos oposição ao Cabral na Assembleia Legislativa. Estamos numa encruzilhada. Agora, o “Aezão” está fortalecido e abre palanque para o campo de oposição a Dilma e ao PT. Há chances (de apoiar o PMDB). Na verdade, vamos é seguir o PSDB – declarou Comte.

O presidente do PSDB fluminense, deputado Luiz Paulo, afirmou que as conversas dos tucanos com Cesar Maia já aconteciam há muito tempo, e se disse feliz com a notícia:

– A posição do PSDB do Rio sempre sólida nessa questão: aqui faremos o que for melhor para eleger o Aécio presidente da República. Essa conversa com o Cesar Maia já se tinha há muito tempo, fico feliz com a notícia.

No início da noite deste domingo, o prefeito Eduardo Paes divulgou nota à imprensa comentando a nova aliança. Leia a íntegra do texto:

“Desde 2009, as brigas políticas que nada tinham a ver com o interesse do Rio de Janeiro e dos cariocas foram substituídas por uma aliança capaz de trazer muitas conquistas para a cidade. A parceria entre nós, da prefeitura, o presidente Lula e o governador Cabral – e agora a presidenta Dilma e o governador Pezão – tem permitido tirar do papel projetos há décadas prometidos e inviabilizados justamente pelos constantes desentendimentos entre governantes anteriores. O conjunto de avanços que o Rio e a população vêm colhendo nos últimos anos é resultado de uma soma de forças políticas que têm trabalhado de maneira coerente na busca por uma cidade melhor, mais justa e mais integrada. Em função dessa mesma coerência, e para que o Rio de Janeiro não corra o risco de voltar a ser um campo de batalha onde o maior prejudicado é o cidadão, eu continuo defendendo a chapa Dilma, Pezão e Dornelles (referindo-se a Francisco Dorneles, atual senador pelo PP). Depois da suruba, o que se vê agora é o bacanal eleitoral, e o Rio não pode ser vítima dele”.

Lindbergh rebateu a nota de Paes:

– A campanha nem começou. É preciso ter bons modos. Não pode haver baixarias.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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Roberto Luiz Souza de Melo

25 de junho de 2014 às 05h58

Eu até apoio muito o PT, mas não votaria em Dilma porque me lembro de um debate em 2010 que ela se defendeu de ataques afirmando que não tinha uma única cidade sem hospital no Brasil, e a minha não tinha!

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Vitor

24 de junho de 2014 às 10h40

Muitas verdades, muitas contas de botequim e alguns exageros…

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Sonia Del Rio

23 de junho de 2014 às 19h55

Contra este nojento do César Maia e um dos piores ex-governador do meu belo Rio, eu não tenho dúvida: vou de Lindenbergh e Romário. Romário não é lá muito do meu agrado, mas, agora não tenho mais dúvidas: voto nele. Se o inominável Cesar Mala for eleito, ele atuará colocando o Rio em confronto com o governo federal, que, não tenho dúvidas, estará nas mãos de Dilma.

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Izabel Miquelotti

23 de junho de 2014 às 21h18

Isso é que não me conformo, eleitor ter que aceitar esta mistura, de´pois reclaman dos votos anulados, mas eles são os que primeiro anulam o eleitor com este tipo de alianças sem nenhuma coerência.

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Dias

23 de junho de 2014 às 16h35

Meu caro a briga é para ver quem vai para o segundo turno com garotinho, isso é se ele n?o levar logo no primeiro.

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Pedro

23 de junho de 2014 às 11h01

Romário tem voto de gente que pensa com os pés!

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Maria Regina Arruda

23 de junho de 2014 às 04h06

se estivesse vivo, sergio porto, o estanislau pontepreta , saberia explicar direitinho !

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Hugo Lapa

23 de junho de 2014 às 02h26

O QUE O PT FEZ NA PRESIDÊNCIA

O PT diminuiu a pobreza no Brasil em 50%, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas.

O PT criou o PROUNI, que levou 1 milhão e 500 mil estudantes pobres a universidade.

O PT criou o PRONATEC, que até o final de 2014 terá 8 milhões de alunos pobres cursando gratuitamente o ensino técnico e aprendendo uma profissão.

O PT construiu 18 novas universidades, mais de 200 extensões universitárias..

O PT criou o Bolsa Família, o maior programa de Transferência de renda do mundo, que diminuiu a desnutrição infantil, colocou as crianças na escola e melhorou a qualidade de vida do povo mais pobre.

O PT fez o Luz para Todos, que levou eletricidade para 12 milhões de novos lares.

O PT criou o Minha Casa, Minha Vida, que já construiu o contratou mais de 3 milhões de casa para pessoas de baixa renda.

O PT aprovou o PNE que destinará 10% do PIB para a educação, além de ter aprovado 75% dos royalties do pré-sal para a educação.

O PT trouxe 14.000 médicos estrangeiros, no Programa Mais Médicos, para atender uma população de baixa renda de quase 50 milhões de pessoas que antes não tinha acesso ao profissional médico.

O PT fez o Programa Água para Todos, que já construiu 500 mil cisternas no nordeste e também está concluindo a transposição do Rio São Francisco, que levará água para 12 milhões de nordestinos.

O PT diminuiu o desemprego de 12% em 2002 para 5% em 2014, atingindo a menor marca histórica do desemprego.

O PT diminuiu a inflação média de 9% com FHC para 6% nos governos Lula e Dilma.

O PT triplicou o orçamento da saúde e da educação. O orçamento federal da saúde era de 25 bilhões, e da educação 33 bilhões em 2002. Agora o orçamento federal está em 104 bilhões a educação e 106 bilhões a saúde.

O PT criou o PAC, que já investiu 665 bilhões em obras de infraestrutura no Brasil.

O PT criou 340 escolas técnicas em todo o Brasil, mais que o dobro do que foi construído em toda a sua história, que foram 140 escolas técnicas até 2002.

O PT criou o Programa Farmácia Popular, que leva remédios a população a preço de custo e o SAMU, que faz um atendimento personalizado e rápido a vítima de acidentes e doenças.

O PT pagou a dívida com o FMI e se tornou credor internacional, podendo emprestar dinheiro a outros países e impedindo que organismos internacionais possam decidir a política nacional por força de dívidas do país, como ocorria até 2002.

O PT fez a desoneração total dos impostos federais da cesta básica.

O PT aumentou a renda do trabalhador e o poder de compra do salário mínimo. O salário mínimo que em 2002 valia 70 dólares, hoje vale aproximadamente 320 dólares.

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