Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Rebelião de Renan não é parlamentarismo branco, é democracia!

Por Miguel do Rosário

25 de março de 2015 : 16h43

depla (1)


 

Um renomado cientista político me liga um pouco chateado com uma análise do Brasil 247, falando em “parlamentarismo branco”. Vou tentar reproduzir o que ele me disse:

“O 247 derrapou feio. Os confrontos entre Legislativo e Executivo, com o primeiro às vezes levando a melhor, não são sinal de parlamentarismo, mas configura justamente uma das características mais marcantes do sistema presidencialista, que é a separação de poderes. Isso é democracia!

O que o Brasil vivia era justamente o contrário, a parlamentarização do presidencialismo, com o Executivo usando o ministério para formar uma espécie de ser híbrido com o Legislativo.

No presidencialismo, contudo, o confronto é a normalidade. Vide os EUA, onde a maior parte do tempo há confronto entre Legislativo e Executivo. Só que lá, por ser um país muito rico, que não depende tanto do governo, esses embates não criam (não sempre) riscos sociais e econômicos muito fortes. Aqui, às vezes, sim. Mesmo assim, temos que nos acostumar mais com isso.

Ocorre que a Dilma ainda não aprendeu a lidar com o Legislativo. Ela tem de dialogar, sentar com os deputados, com as lideranças partidárias, negociar politicamente. É assim que se faz.

Agora, não dá para confundir confrontos pontuais com “parlamentarismo branco”, exatamente no momento em que vivemos o oposto: o Legislativo exibindo a independência que lhe é de direito num sistema presidencialista.

O perigo disso é botar minhoca na cabeça dos parlamentares, e os incentivarem a adotarmos o parlamentarismo, o que seria um retrocesso terrível para nossa democracia, porque tiraria a soberania popular de escolher o presidente, que passaria a ser escolhido por deputados. ”

O mesmo cientista acha que a temperatura política baixou um pouco.

“Parece que Dilma ouviu o Cafezinho. Está falando todo dia na TV. Seus ministros também estão falando mais. A coisa da Lava Jato foi isolada da Dilma. A denúncia contra o Agripino e o Aécio Neves, pelo Youssef, meio que empatou o jogo.

Agora, o ideal seria a Dilma ter um porta-voz, falando em horário marcado com a imprensa. Respondendo duramente a mídia, e dando a posição do governo. A coisa ainda está desorganizada, improvisada.”

Concordamos que um dos pontos fracos da mídia é que ela tem de produzir uma bomba todo o dia, sob o risco de não manter a temperatura naquele grau máximo que ela deseja.

A própria crise vai se tornando um padrão normal.

As pessoas se acostumam e, aos poucos, voltam a desejar a estabilidade, até porque pressentem, com sabedoria, que a instabilidade vai acabar estourando é no colo delas, e não dos barões da mídia.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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28 comentários

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Otalice Cavalcante

27 de março de 2015 às 01h06

O Cid tem razão!

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Francisco de Assis

26 de março de 2015 às 15h45

A propósito do tema neste post e do seu contexto mais amplo, leia-se a excelente análise de Luciano Martins Costa – “Uma nova agenda política”, em http://www.jornalggn.com.br/noticia/uma-nova-agenda-politica-por-luciano-martins-costa
.
No artigo, Renan é apropriadamente tratado como um bravateiro, usando o cargo na tentativa de se safar das acusações e investigações de corrupção a que está submetido.
.
Ou seja, nem “primeiro-ministro branco” nem tão “democrata” assim.
.
O mesmo raciocínio, claro, se aplica também ao outro re-virginado do PIG, o impoluto Eduardo Cunha.

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josé eduardo franzon

26 de março de 2015 às 14h42

Mesmo porque o pig não aguenta até 2018!!!!

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Leonardo Rangel

26 de março de 2015 às 14h24

A idéia de Parlamentarismo, não é ruim. Basta ver os Países que adotam esse sistema.

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Eduardo Xavier

26 de março de 2015 às 14h34

Partido de oportunistas, chantagistas e achacadores.

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Messias Franca de Macedo

26 de março de 2015 às 07h24

[… “Se enforquem com a corda da liberdade!” Antonio Abumjara]

EX-TESOUREIRO DE SERRA E FHC CAI NO SWISSLEAKS

Entre os nomes de políticos citados nas contas secretas do HSBC na Suíça consta o do empresário Márcio Fortes, primeiro vice-presidente do PSDB-RJ; ex-tesoureiro de FHC e José Serra, ele nunca declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) a existência de suas três contas internacionais; em 2000, ele foi a pessoa física que mais doou ao partido; durante a campanha de Serra à Presidência, em 2002, Fortes usou notas frias e o PSDB chegou a ser multado em R$ 7 milhões; o político tucano também foi capa da revista Exame, como o presidente do BNDES que incentivava as privatizações; além dele, também foram citados no caso o ex-prefeito de Niterói Jorge Roberto Silveira (PDT-RJ), o bilionário Lirio Parisotto, suplente de senador pelo PMDB-AM, duas irmãs do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e os filhos do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB-MG)

26 DE MARÇO DE 2015 ÀS 05:37

(…)

FONTE [LÍMPIDA!]:

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/174655/Ex-tesoureiro-de-Serra-e-FHC-cai-no-Swissleaks.htm

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    Messias Franca de Macedo

    26 de março de 2015 às 07h26

    FALA, MATUTO!

    Muito bem!
    Coragem, essa palavra!
    Ou esses procuradores do ‘miniSTÉRIO’ Público e juízes mequetrefes de primeiras instâncias imaginam que são inimputáveis, que não devem satisfação a quem os paga, ou seja, o nosso dinheiro público?!…

    … Mesmo porque enquanto o primeiro Tucano…

    O primeiro Tucano de uma série interminável (sic)…

    Enquanto o primeiro Tucano não for devidamente engaiolado (idem sic), a [eterna] oPÓsição ao Brasil “cada vez mais criará asas” para voos cada vez mais altos nas intentonas fascigolpistas – e atrocidades/ilegalidades contra os inimigos!…

    Responder

Luciano Mendonça

25 de março de 2015 às 22h49

Concordo contigo. Pra mim tem um pouco de “jogo de cena” pra parecer que está jogando duro, mas na hora H passa no Congresso o que importa.
Vão aprovar o que for realmente de interesse do Governo. O que a presidenta não concordar vai ser vetado. Se o Congresso não concordar com o veto, será derrubado.
Assim é o nosso processo legislativo.
E ser for considerado inconstitucional, vai pro STF.
Caramba. Que crise é essa. Tudo normal. Cada um quer marcar o território próprio.
Agora que o PMDB sente mesmo é a manobra de Kassab em formar um neo-PL e desidratar o PMDB – especialmente na Câmara. Isso está doendo neles.
Dilma acha Kassab mais confiável. E pra ela e pro PT é melhor enfraquecer um pouco PMDB. É do jogo.

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Luciano Prado

25 de março de 2015 às 22h23

O problema é que os dois presidentes – da Câmara e do Senado – não estão agindo com essa inspiração. O tempo dirá se o que estamos assistindo é mesmo democracia. Só os tolos acreditam que o PMDB está preocupado com a democracia. No tal Plano Sarney ouvi a mesma ladainha sobre o PMDB.

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Messias Franca de Macedo

25 de março de 2015 às 22h18

… Falando em [Eduardo] CUnha, Renan, Lista do ‘Janó’, vem a mente ‘O MENSALÃO’ da quadrilha de Furnas…

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“Se Janot não denunciar o Aécio nem abrir investigação, vou encaminhar denúncia ao Senado por crime de responsabilidade”

Por jornalista Conceição Lemes

publicado em 25 de março de 2015 às 21:18

Na quinta-feira passada 19, os deputados Rogério Correia (estadual), Padre João e Adelmo Leão (federais), todos do PT de Minas Gerais, entregaram à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, provas para abertura de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) nas investigações da Operação Lava Jato.
Aécio foi citado explicitamente na delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Entre outras coisas, o doleiro disse “ter conhecimento” de que Aécio, na época em que era deputado federal, estaria recebendo recursos desviados de Furnas “através de sua irmã” (aqui e aqui). Também que Aécio operava a diretoria de Furnas “em comum acordo” com o PP, do ex-deputado federal José Janene, já falecido.
(…)

FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.viomundo.com.br/denuncias/carone-se-o-pgr-nao-oferecer-denuncia-contra-aecio-nem-abrir-investigacao-vou-encaminhar-denuncia-ao-senado-por-crime-de-responsabilidade.html#comment-888797

FALA, MATUTO!

Muito bem!
Coragem, essa palavra!
Ou esses procuradores do ‘miniSTÉRIO’ Público e juízes mequetrefes de primeiras instâncias imaginam que são inimputáveis, que não devem satisfação a quem os paga, ou seja, o nosso dinheiro público?!…

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marco

25 de março de 2015 às 21h21

Pois eu acho que o governo,particularmente o Executivo e o Legislativo,já que o judiciário é um Partido Político da Burguesia,com a sua vassalágem desavergonhada aos seus senhores,deveria manter diariamente,contato com o PIG.Mas ao Vivo e de forma Coletiva,para tentar evitar ser EDITADA.Editorialismo é a arma maior que a imprensa possui,pois como são INIMPUTÁVEIS,podem mentir desbragadamente e na hora do pega-pra-capar,alegam serem suas fontes,SECRETAS,mesmo que transitem em mentiras diuturnas.Ao vivo e coletivamente.Obs.Sempre que falo em imprensa,me lembro do Wlado,endedurado pelos colegas e que confiava em IMPRENSA LIVRE.Morreu por isso!Os seus dedo-duros,gozavam já,da DELAÇÃO PREMIADA!E vivem felizes para sempre!

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Luciano Henzel

26 de março de 2015 às 00h05

Este “renomado cientista político”ao meu ver tem razão. Não é parlamentarismo Branco. Ele só esqueceu de dizer que na verdade isto é o golpe do PMDB que se organiza com o PSDB para o golpe definitivo que eles estão desejando.

Responder

O JUIZ

25 de março de 2015 às 20h59

Estou particularmente preocupado com a ascendência de Cunha e Renan.
Creio ser melhor a DILMA não sair do Brasil por uns bons tempos.
Ela tem os inimigos ao lado, e sabe disso.
Ir justamente para os EUA, que querem nos transformar novamente no seu quintal como fizeram nos tempos do FHC, depois de ter sido espionada de forma descarada, é muito perigoso para nossa Democracia.
O PMDB anda com muita fome pelo poder.
Obama está ansioso por levar DILMA aos EUA.
Ora, ele que venha para cá, afinal, que deve desculpas é ele e não a DILMA.
É a velha interferência americana nos países cujos Governos que lhe oferecem resistência.

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Grippi Sidney

25 de março de 2015 às 23h27

Suspeitos guerreando contra uma presidente insuspeita. Líder da pseudo esquerda, suspeito, conspirando contra uma presidente insuspeita. Gado de manobra nas ruas, manipulado por suspeitos contra uma presidente insuspeita…… Afinal, quem vai defender a insuspeita?

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renato

25 de março de 2015 às 20h20

Eu já desliguei o 247..

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Livia

25 de março de 2015 às 19h36

A verdade é que todos os poderes são dirigidos por senhores do crime. A balança está aí. Dois pesos e duas medidas. Acontece o récuo de um lado para o outro andar e no futuro o outro cobra por este favor.

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Douglas Miguel da Silva

25 de março de 2015 às 21h49

Eu gosto do Brasil 247, mas a Terezinha Cruvinel é muito alarmista em tudo que escreve.

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Mauro

25 de março de 2015 às 18h29

Miguel,

é fora do tema mas acho importante (espero que não seja extremismo meu).
Acabei de ver no noticiário da televisão que Washington fez novo convite para Dilma ir para lá.
Fiquei com a pulga atrás da orelha pela insistência e tive um pensamento negativo de que podem tentar assassiná-la.

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Vanuzia Brito Lima

25 de março de 2015 às 20h40

Eduardo Cunha – tá na lista dos corruptos; Renan Calheiros, tá na lista dos corruptos; E A DILMA ROUSSEFF É QUE DEVE SAIR DE UMA ELEICAO GANHA DEMOCRATICAMENTE? Me desculpe, é uma alienação isso.

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sergio m pinto

25 de março de 2015 às 17h40

Que parlamentarismo branco polla nenhuma. O desconforto dos nossos nobres parlamentares é que a presidenta não está dando colinho. Simples assim. E aí, tome “malcriação” como essa proposta ridícula de redução de ministérios. Precisa ser muito “tchongo” para não perceber que isso é um factóide, dirigido para gáudio dos paneleiros.

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    Miguel do Rosário

    25 de março de 2015 às 17h46

    dilma é presidenta de um sistema democrática, e então precisa dialogar sim com o legislativo.

    Responder

Francisco de Assis

25 de março de 2015 às 17h14

A matéria citada não é assinada.
Por que ela foi associada a Paulo Moreira Leite?

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    Miguel do Rosário

    25 de março de 2015 às 17h44

    tem razão. confusão da minha fonte. já corrigi.

    Responder

Rogerio García Fernández

25 de março de 2015 às 20h05

Nem 8 nem 80, há um claro desejo de confronto do legislativo com o executivo, mas não chega ao ponto de ser intervencionismo parlamentarista por enquanto.

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