Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Os protestos e a intervenção militar

Por Miguel do Rosário

12 de abril de 2015 : 16h08

CCZwrxYXIAA79No


 

Quase toda a mídia, e mesmo alguns analistas mais progressistas, acham que é exagero dar tanto destaque aos manifestantes que pedem intervenção militar.

Insistem que eles representam uma minoria do movimento contra Dilma.

Sim, são minoria, mas estão lá, marchando lado a lado com as famílias “pacíficas e democráticas”.

Estão em toda a parte, em todas as manifestações, em todas as cidades, com seus carros de som, suas faixas gigantescas, seus discursos cada vez mais violentos e fascistas.

Eu me permito pensar que se houvesse, de fato, um novo golpe de Estado no país, todas aquelas pessoas “pacíficas e democráticas” que dizem não concordar com intervenção militar (mas que marcham ao lado daqueles que a pedem) aceitariam de bom grado um golpe, se este fosse eficientemente vendido como “democrático”.

Um golpe provisório, uma intervenção cirúrgica, “apenas” para livrar o país das garras do PT.

A disposição psicológica daqueles que marcham contra Dilma não é de gente que quer pressionar o governo a agir assim ou assado, a fazer isso ao invés daquilo.

Eles querem derrubar o governo e mudar a direção do país, à base do grito, sem respeitar o sufrágio universal.

São pessoas com espírito violento, mesmo que marchem pacificamente, e nada mais emblemático disso do que a moda coxinha de tirar selfies com policiais militares.

Eu mesmo testemunhei uma cena assim, neste domingo, em Belo Horizonte.

Por que essa admiração pela força bruta, pelas armas, numa manifestação política?

Porque entendem que a mudança deveria ser feita à força, sem respeitar o jogo democrático.

E também porque entendem a força bruta como algo que lhe pertence historicamente, como elites.

Por isso querem o impeachment ou intervenção militar.

Manifestar-se contra o governo (ou a favor) é perfeitamente democrático.

Mas esses protestos deste domingo, assim como outros similares, não são, de maneira alguma, manifestações tocadas com espírito democrático.

Foi exatamente assim que aconteceu em 1964.

Os jornais, como hoje, não vendiam que haveria golpe.

Não diziam que haveria ditadura.

As manchetes e os editoriais sempre manipularam a opinião pública.

Venderam o golpe como “retorno à democracia”.

Venderam a ditadura como o fim da “república sindical”.

Hoje, a grande mídia, em especial a Globo, esconde as faixas e os carros de som que pedem intervenção militar.

Por que?

Porque, mais uma vez, querem vender o seu golpe como “democrático”.

A grande mídia não faz editoriais, nem nos jornais impressos, nem na TV, contra a intervenção militar.

Quem cala, consente.

Abaixo, um videozinho rápido com algumas imagens sobre os defensores da intervenção militar, neste domingo, dia 12 de abril, em São Paulo.

Há uma cena antológica.

O senhor pede intervenção militar, e aí quando aparece um militar pedindo para ele tirar o seu ônibus de um lugar proibido, ele diz que “não há liberdade”.

A “intervenção militar”– Se os militares não ocuparem o poder, os bandidos acabam com o país em poucos meses…- Senhor, por gentileza, esse ônibus é do senhor? Peço para o senhor retirá-lo aqui da Paulista. Ou por bem, ou a gente vai guincharhttp://glo.bo/1ErRu2b

Posted by Época on Domingo, 12 de abril de 2015

Se não conseguir assistir, clique aqui.

Outro vídeo bem louco, da manifestação no Rio, mostra coxinhas furibundos perseguindo, xingando, por pouco não agredindo fisicamente uma senhorinha que usava uma roupa avermelhada. Assista abaixo.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

20 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Black Squad Montage

09 de julho de 2016 às 16h45

Sitezinho Comunista.

Responder

Majori

14 de abril de 2015 às 14h07

hahahah,,,,

Viu só….. eles querem outro tipo de intervenção militar,, aquela do tipo que lhes
permitiriam fazer de tudo….até….m..

Parabéns ao policial que agiu com respeito e boa conversa.

Responder

Sidnei Brito

13 de abril de 2015 às 18h55

Acho que vale a frase extraída do Hamlet, de Shakespeare: “há método na loucura”!
Sim. Os caras parecem loucos, mas há método na loucura deles.
E essa loucura, não tenho dúvidas, é puro diversionismo – daí haver uma lógica.
Um ou outro realmente não tem noção histórica, sem dúvida. Mas parte para lá de considerável – provavelmente maioria – sabe que o tempo dos militares passou: não há clima para aventuras militares, e a relativa quietude nos quartéis indicam que nem eles mesmos estão lá muito interessados.
Os militares de hoje em dia são Judiciário, MP e PF. O golpe passa por eles. Miremo-nos em Honduras e Paraguai.
E admitamos: não tivessem Chávez e os Kirchners dado uma boa mudada nas cortes supremas de seus países, e mesmo Venezuela e Argentina já teriam sofrido seus golpes legais.
Mas para dar uma disfarçada, melhor sair com uma faixa clamando por “militar intervention”!

Responder

josé eduardo franzon

13 de abril de 2015 às 15h24

Terceiro tempo com o mineirinho Milton Neves!!!! nota 10!!!!!! Terceiro tempo com o Mineirinho Aécio Porto!!!! fracasso!!! total!!!

Responder

Eronilce Machado

13 de abril de 2015 às 15h40

Mistura de ignorantes com burrice

Responder

Alexandre Freitas

13 de abril de 2015 às 12h40

Eu estou com vergonha de explicar isto para um estrangeiro.

Responder

Vinicio Schumacher Santa Maria

13 de abril de 2015 às 12h32

Excelente! Levei!

Responder

Karla Viana

13 de abril de 2015 às 12h10

Ao passar perto da área fechada e restrita para a manifestação na Praça da Liberdade em BH, um truculento flanelinha disse, aqui só passa quem quer tirar a Dilma, se não for vai embora….

Responder

Edson Junior

13 de abril de 2015 às 10h45

Com certeza, intervenção prende muita gente, quem tem c tem medo!

Responder

Eduardo Moreira

13 de abril de 2015 às 09h08

Pronto atendimento exemplar. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Responder

Ge Munhoz

13 de abril de 2015 às 03h36

Eu nao vi isso. Eu nao ouvi o que este Sr. disse. nem da pra comentar, tamanha ignorancia.

Responder

Arlene Fatima Vicente

13 de abril de 2015 às 03h26

Na boa, acho que os militares devem sentir vergonha de terem uns fãs desse naipe. Nem eles merecem.

Responder

Pedro Henrique Passos

13 de abril de 2015 às 03h23

pediu? chegou!

Responder

    Alayr Ferreira

    13 de abril de 2015 às 11h46

    KKKKKKKKKKKKKKKKK . O militar interviu!!!! KKKKKKKKKKKKKKK

    Responder

    Marcelo Lemos

    13 de abril de 2015 às 14h38

    Maravilha. Intervenção militar mas não contra eles mesmos. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. muito bom!!!

    Responder

Sandra Francesca de Almeida

13 de abril de 2015 às 03h17

#AceitaDilmaVez

Responder

Cícero Alves

13 de abril de 2015 às 03h00

Responder

Marúzia Coelho Ferreira

13 de abril de 2015 às 02h48

Essas famílias “pacíficas e democráticas”sao de uma naïveté touchante!

Responder

Beto Mafra

13 de abril de 2015 às 02h43

E quando os intervencionistas ficam sob intervenção militar, o que acontece?

https://www.facebook.com/Beto.Mafra.o.querido/posts/955819627795755?pnref=story

Responder

Deixe um comentário