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Globo adere ao malthusianismo pró-desemprego

Por Miguel do Rosário

08 de maio de 2015 : 12h40

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Thomas Malthus foi um cara um pouco injustiçado. Ficou conhecido como alguém que desejava guerras, epidemias, fome, para que muita gente morresse e a população mundial se estabilizasse.

Ele não era tão cafajeste; apenas alertava, genuinamente preocupado, para os riscos da superpopulação, e tinha uma visão apocalíptica sobre o problema.

Felizmente, a revolução nas técnicas agrícolas e o avanço da medicina derrubaram as suas teorias. O mundo sobreviveu muito bem, e com muito mais gente.

Mas o termo “malthusianismo” se popularizou com uma conotação negativa, de uma ideologia que defende o extermínio em massa como algo necessário e saudável para o bem da humanidade.

Passados alguns séculos, o malthusianismo voltou a ser popular, na boca daqueles que dizem que o “desemprego é necessário”, conforme esta colunista da Globo, na imagem acima.

E não podemos nem dizer que é apenas a opinião dela, e não da Globo, porque nos dias de hoje, após o pogrom ideológico promovido pela Vênus, só ficou na empresa quem veste a camisa.

Se alguém achar que ela se confundiu apenas no título, entre no post e veja o que ela escreveu:

“A piora no mercado de trabalho não só era esperada como é necessária para correção da economia brasileira.”

Não quero promover nenhum linchamento populista. Entendo o que ela, e os economistas que usam linguagem similar, querem dizer: se o Brasil tem problema de excesso de demanda, o desemprego é positivo porque reduz a demanda, logo reduz a inflação.

Mas esse tipo de pensamento tão friamente economicista cheira a nazismo econômico. É possível, nessa linha de raciocínio, ver pontos positivos em qualquer desgraça.

Tipo assim: a tsunami no Japão, mesmo matando 3 mil pessoas, foi “necessária” para ajudar a reativar a indústria de construção civil.

Ou: foi “necessário” eu ter perdido as duas pernas para me tornar um campeão nas Paraolimpíadas.

Ou: “a inflação poderia ser reduzida se exterminássemos alguns milhões de brasileiros que andam comprando geladeiras demais.”

Ou qualquer coisa idiota do gênero.

Deve existir algum termo filosófico para isso.

É preciso denunciar essa moral desumana, a de que uma política econômica não deveria pensar antes de tudo no bem estar do cidadão, ou que se pode sacrificar algumas vidas agora com vistas a um bem maior no futuro.

Será que os técnicos do Banco Central, ao promoverem aumentos sequenciais das taxas básicas de juro, andam lendo blogs da Globo?

Até quando esse tipo de medievalismo existirá entre nós?

É evidente que existem maneiras mais inteligentes e mais humanas de se resolver o problema de excesso de demanda e da inflação do que promovendo um desemprego “necessário”…

(Sem contar que é muito doido considerar a demanda um problema, se o objetivo do desenvolvimento no capitalismo é justamente elevar o poder de consumo da população).

Sabe o que é o pior?

O blog da tal Thaís vem cheio de anúncios do governo federal. Ou seja, a sua babaquice malthusiana em prol do desemprego vem patrocinada com verba pública.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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30 comentários

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Nelson

09 de maio de 2015 às 23h24

O nome dela é Thais Herédia ou Thais Herodes?

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claudio coimbra

09 de maio de 2015 às 10h45

Tomara que essa senhora Thais fique desempregada e dê sua contribuição ao Brasil. Não basta falar merda, tem que participar.

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Correia

08 de maio de 2015 às 20h29

Admiro muito a jornalista.

Desde o tempo em que era assessora de imprensa no Banco Central.

Ah, quase ia esquecendo: o marido dela era diretor da instituição naquele tempo….

Talvez por isso ela fique à vontade pra falar em desemprego.

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Max

08 de maio de 2015 às 20h21

Temos que usar a internet as redes sociais , twiter,whatsaap, é combater as mentiras contra o governo, contra o PT, contra Lula e Dilma.
Temos que entrar nas paginas do facebook rebater os mentirosos e essa direita coxinha tucana golpista que todo dia lança mentiras. Não podemos deixar que essa direita conservadora volte ao poder porque o que querem é destruir nossos direitos, diretos sociais e dos trabalhadores.

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Joaquim Corrêa

08 de maio de 2015 às 20h12

Não foi sequer disfarçado.
Logo, a Globo vai adicionar uma suástica à marca.

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René Amaral

08 de maio de 2015 às 19h29

Malthusismo ou Eugenia????

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Gui Oliveira

08 de maio de 2015 às 16h03

Prezado Miguel,
Admiro seus escritos e vira e mexe passo por aqui. De modo que é com espírito construtivo que eu ressalvo que a aplicação atual do termo “malthusianismo” está mais para representar o pessimismo quanto aos limites ambientais do crescimento da humanidade do que a idéia do controle da expansão da demanda através de alguma estratégia intencional (ou tolerada) de “sofrimento” dos indivíduos. Esta última remeteria mais ao caráter “impiedoso” da competição inter e intra espécies, propulsor da evolução através da seleção natural segundo o pensamento darwiniano.
Malthus via a escassez que seria decorrente (supunha ele) da “explosão populacional” como algo indesejável e trágico, um sofrimento a ser evitado. Já Darwin, embora falasse do caráter “impiedoso” da sobrevivência dos indivíduos mais aptos, reconhecia o fenômeno como essencial para a evolução, portanto de alguma forma positivo. A favor de Darwin, vale ressaltar que o odioso “darwinismo social” foi uma transposição posterior, equivocada e cruel das idéias do grande naturalista para a sociedade humana, com a qual ele nada teve a ver.
Forte abraço.

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Miguel F Gouveia

08 de maio de 2015 às 18h26

é uma imbecil

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Carola Rodrigues

08 de maio de 2015 às 17h43

Quero ver essa colunista lidar com o desemprego necessário dela.

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João de Paiva

08 de maio de 2015 às 14h43

A um colega, filho de milico da era da redentora, e com aquela visão conservadora que caracteriza essa categoria, eu respondi, quando me provocou com afirmação semelhante: NENHUM MAL É NECESSÁRIO. Essa economista escreve isso porque o desemprego não está lhe afetando ou a algum parente próximo dela. antes de escrever esses absurdos, essas idiotices, ela deveria sair a campo e fazer entrevista com os que perderem o emprego, para ver onde o calo aperta.

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Claudio Paulon de Carvalho

08 de maio de 2015 às 17h21

E vcs virão a Globo vibrando pela vitória dos “conservadores” na Reino Unido???

Responder

Claudio Paulon de Carvalho

08 de maio de 2015 às 17h21

E vcs virão a Globo vibrando pela vitória dos “conservadores” na Reino Unido???

Responder

Tom

08 de maio de 2015 às 13h55

Ela poderia ajudar a controlar a inflacao pedindo demissao.

Responder

Maria Do Carmo Carnaúba

08 de maio de 2015 às 16h53

Notei!Desde 1900 e tarara’ isto nao acontecia…..

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Pedro Gbr

08 de maio de 2015 às 16h23

A ascensão do absolutismo na Europa fez com que novos pensadores viessem a refletir sobre essa nova experiência política. Em geral, eles buscaram justificar o poder absoluto do rei com a constituição de teorias filosóficas favoráveis ao interesse que a nobreza e a burguesia tinham em legitimar o grande poder de intervenção concedido à autoridade monárquica. Esse processo de elaboração de teorias acabou estabelecendo novas perspectivas sobre o Estado, a política, o poder e a Nação.

Um dos primeiros a formular idéias a esse respeito foi o pensador italiano Nicolau Maquiavel (1469 – 1527). Durante o período em que viveu, Maquiavel observou atentamente as diversas disputas políticas deflagradas entre os diversos reinos espalhados na Península Itálica. Ao observar a instabilidade gerada pelos recorrentes conflitos entre esses reinos, o teórico florentino começou a pensar sobre como seria possível o rei se manter no poder em meio às mais variadas adversidades. (GLOBO=REI)

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Pedro Gbr

08 de maio de 2015 às 16h21

Como dizia Maquiavel… os fins justificam os meios… Todos que terminaram o segundo grau sabem o que ocorreu depois, usando essa teoria.

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Francisco Ebeling Barros

08 de maio de 2015 às 16h05

Muito mais grave é a transferencia de renda para os mais ricos via juros. Não há garantia alguma de que esta seja revertida para atividades produtivas…

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    Maria

    08 de maio de 2015 às 14h20

    No lucro dos ricos ninguém meche um centavo, ele é sagrado. Qualquer ajuste na economia vai pra cima do emprego, salário, aposentadoria, etc. E isso tudo com a desculpa de combater a inflação, pois essa áfeta mais o trabalhador. Só que o trabalhador, perde o seu emprego, ou vê seu salário ser arrochado e o rico sempre mais rico. Quando a classe dominante perdeu dinheiro na história do capitalismo? Nunca. Se o trabalhador não se unir e lutar pelos seus direitos, vamos viver duros tempos.

    Responder

Gilberto Puig Maldonado

08 de maio de 2015 às 16h02

É melhor. Assim, se tivéssemos de 70%x30% a 50%x50% seria fantástico.

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Marcelo Luiz

08 de maio de 2015 às 16h01

Quem diria que o Governo e a Globo entrariam em sintonia em um tema tão cruel.

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Francisco Ebeling Barros

08 de maio de 2015 às 16h00

A transferência de renda é muito efetiva, mas alguns negócios dos ricos podem gerar renda tb. É muito relativo….

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Gilberto Puig Maldonado

08 de maio de 2015 às 15h59

Por isso é melhor dar dinheiro para os pobres com qualquer programa de transferência de renda do que dar dinheiro para os ricos aumentarem seus negócios.

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Alcides Ribeiro

08 de maio de 2015 às 15h49

As Organizações Globo são a favor de quanto pior para o governo melhor para eles. Tem-se que faz a lei da mídia já, já e cumpri-se a CF.

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Francisco Ebeling Barros

08 de maio de 2015 às 15h45

Para a abordagem econômica a qual eu defendo ela é a chave.

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Miguel Do Rosario

08 de maio de 2015 às 15h45

bem lembrado, nem sequer é um problema. na verdade é uma solução

Responder

Miguel Do Rosario

08 de maio de 2015 às 15h45

bem lembrando, chico

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Francisco Ebeling Barros

08 de maio de 2015 às 15h43

“resolver o problema da demanda” => apenas uma nota, ela nunca será um problema

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