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Lava Jato, caminhoneiros e mídia: fracasso do impeachment eleva histeria golpista

Por Miguel do Rosário

09 de novembro de 2015 : 15h06

[s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]Análise Diária de Conjuntura – 09/11/2015

A Lava Jato voltou a entrar em modo histericamente golpista, promovendo vazamentos seletivos com objetivo de produzir material político para a oposição.

A estratégia, porém, soa desesperada, antirrepublicana e desonesta.

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[s2If current_user_can(access_s2member_level1)]Manchetes do Globo hoje.

“Bumlai se encontrou sete vezes com Marcelo Odebrecht”

“Em mensagem, Marcelo Odebrecht disse que Dilma ‘mentiu’ sobre Cuba”

“Ex-diretor da Odebrecht discutia declarações com assessor de Lula”

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Os ataques à Marcelo Odebrecht soam como vingança pelo fato do executivo se recusar, sistematicamente, a fazer o jogo do golpe midiático-judicial, que visa derrubar o governo.

Um dos procuradores da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, antipetista fanático, já admitiu que o objetivo da operação não é combater a corrupção, mas atingir a presidência da república.

Quando o STF decidiu “fatiar” a Lava Jato, distribuindo processos para outros juízes e outros procuradores, Carlos Lima chamou a imprensa e declarou: “O que queremos mostrar é que não estamos investigando a Petrobrás. Nós nem começamos a investigação por ela. Estamos desvelando a compra de apoio político-partidário pelo governo federal, por meio de propina institucionalizada nos órgãos públicos. Se não reconhecerem isso, vai ser um problema“.

Carlos Lima revelou que a Lava Jato tem uma teoria e está disposto a tudo para prová-la, inclusive destruir as maiores empresas nacionais de engenharia. Centenas de milhares de trabalhadores já perderam o emprego por conta do fanatismo político desses procuradores. Todo o tipo de desonestidade processual, vazamentos seletivos e agressões midiáticas, são usados para intimidar executivos presos e prejudicar politicamente o governo.

A comunidade jurídica assiste a esse show de horrores intimidada com a violência midiática, mas os debates internos seguem avançando de maneira muito intensa. Assim que o clima golpista esfriar um pouco, a onda de críticas ao que poderíamos chamar de “golpismo processual”, ou mesmo de “corrupção do processo legal”, virão com tanta força que darão espaço para mudanças positivas nesse campo, talvez com a aprovação de uma lei similar à Legge Vassalli, que entrou em vigor este ano, na Itália, e que trata da responsabilidade civil de magistrados e procuradores por abusos num processo penal.

Ilícitos – qualquer ilícito serve, mesmo os inexistentes – são encontrados após a prisão, e usados para justificá-la, mas o objetivo central da prisão preventiva é “vergar” psicologicamente os réus para convencê-los a entrar no golpe.

É como se procuradores identificados com o partido republicano decidissem quebrar a Microsoft, a Google, a Nasa, a Halliburton, apenas para derrubar Obama.

O aumento da histeria – revelado pela intensificação dos aspectos mais sujos e golpistas da Lava Jato (vazamentos seletivos, ataques políticos plantados na mídia) – corresponde à decepção de setores do MP e da PF com o fracasso da estratégia do impeachment.

A entrada em cena do Ministério Público Suíço, que ao invés de usar “delatores premiados”, simplesmente mostrou documentos assinados por Eduardo Cunha, enfraqueceu a estratégia golpista de setores do MP brasileiro de usar a Lava Jato para derrubar a presidenta Dilma.

A mesma coisa vale para a “greve dos caminhoneiros”.

Greve não derruba governo, não num regime presidencialista.

A comparação com o Chile de Salvador Allende, onde caminhoneiros paralisaram a economia do país e ajudaram a enfraquecer o governo, é imprecisa. Allende foi derrubado por mísseis americanos, que inclusive o mataram.

Além disso, o Chile, por suas características geográficas, tem uma estrada só. O Brasil tem uma economia infinitamente mais diversificada. O Brasil tem melhores condições de se adaptar.

O lock-out de estradas – que é crime – apenas servirá para dar prejuízo a algumas empresas, aos próprios caminhoneiros, elevar a inflação e a tensão política. Mas está longe de derrubar um governo.

O golpômetro, no entanto, sobe uns pontos nesta segunda-feira, por conta justamente da greve de caminhoneiros, e deve continuar avançando um pouco nos próximos dias, para baixar em seguida, quando as coisas se ajustarem.

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É sempre preocupante identificar, em setores políticos, essa disposição quase terrorista para o tudo ou nada. De repente nos chegam ecos do sectarismo político que destruiu a Ucrânia e a Síria.

Agora veremos qual o grau de responsabilidade da imprensa brasileira, que teria obrigação moral de condenar uma greve puramente política, que visa desrespeitar o sufrágio universal, num processo que não conta sequer com o apoio da categoria organizada. Apoiar tal insanidade é muito perigoso para empresários, porque abriria caminho para o caos.

Mas a imprensa, sabemos, é culpada pela disseminação do ódio. A mentira confessa do Globo sobre o filho de Lula é um exemplo de um golpismo que tenta abrir caminho através de campanhas calculadas de desinformação. Outros jornais não deram notícia sobre a mentira do Globo, apesar de terem-na repetido quando ela foi publicada.

Todos os movimentos deste final de ano, de qualquer forma, refletem o nervosismo crescente de setores golpistas com o fracasso do impeachment.

Há o sentimento de que se o ano virar, não haverá mais espaço para um golpe.

O próprio Aécio Neves, que andava quieto, voltou a dar declarações em prol do impeachment nos últimos dias.

Aécio sabe que sua última chance para ser presidente seria através de um golpe agora. Em 2018, o candidato natural do PSDB será Geraldo Alckmin.

Tendo perdido Minas Gerais, o grupo de Aécio está sem base política, e isso corresponde a uma fraqueza fundamental.

Fracassada a greve dos caminhoneiros, contudo, a estratégia de usar a violência como forma de sabotar a democracia deverá ser objeto de reflexão profunda por parte de setores mais esclarecidos da oposição.

Ao governo, caberia usar a greve dos caminhoneiros para acelerar projetos de implementação de transporte ferroviário no país, um passo necessário para a recuperação da indústria, aumento de produtividade e reativação da economia.
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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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Elisabeth

11 de novembro de 2015 às 16h25

E ainda tem gente querendo comparar as manifestações dos Sem-Terra com a manifestação dos Com-Caminhão. É brincadeira!

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Hildermes José Medeiros

09 de novembro de 2015 às 20h51

Desde o chamado Mensalão, está ficando mais do que claro que os legalmente detentores do poder a nível federal, eleitos em pleitos livres e diretos, não detêm as rédeas do Estado no Brasil, onde áreas importantes (STF, Ministério Público, Judiciário em todas as instâncias, Banco Central, Ministro da Fazenda e até o Ministro da Justiça de forma dissimulada com o falso discurso de republicanismo) atuam junto em apoio à aposição, não bastasse a forte oposição congressual. Estamos há mais de ano sem que o Governo possa cumprir plenamente suas obrigações de governar, porque a oposição, apoiando-se nos estratos do Estado que em parte controla, não deixa, E ainda, mesmo sem votos, ameça afastar a Presidente eleita, que queda sem poder governar..

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Mauricio Gomes

09 de novembro de 2015 às 18h19

Esse “Jean Pierre Borraine” é o maior piadista desse blog. Se o assunto é a farra dos voos do Aébrio, ele cita alguma mentira imunda da Veja para tentar dar credibilidade aos seus delírios. Quanto será que ganha para fazer papel de palhaço? Ou será que é de graça, já que nasceu patético assim mesmo?

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