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A outra história da Lava-Jato

Por Redação

27 de novembro de 2015 : 16h42

Dois anos depois de escrever “A outra história do Mensalão”, o jornalista Paulo Moreira Leite publica “A outra história da Lava-Jato”, novamente pela Geração Editorial.

Em 416 páginas, o olhar atento para as conexões nem sempre evidentes entre Justiça e Política, e o mesmo espírito crítico que marca mais de 40 anos de jornalismo, Paulo Moreira Leite define a investigação sobre corrupção na Petrobrás como uma apuração necessária sobre uma empresa que é orgulho dos brasileiros – mas aponta para seu caráter seletivo, que permite que seja usada para fins políticos.

A obra conta com uma esclarecedora introdução de 60 páginas e ainda 45 artigos escritos no calor dos acontecimentos. “A outra história Lava-Jato” tem prefácio do professor Wanderley Guilherme dos Santos, um dos mais respeitados cientistas políticos do país. Na contracapa, o livro apresenta uma curta recomendação do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal: “É ler para crer.”

A outra história da Lava-Jato

por Willian Novaes, na página oficial da Geração Editorial

Numa narrativa que concilia espírito crítico e elegância, Paulo Moreira Leite desnuda as contradições da Operação Lava-Jato. A Outra História da Lava-Jato: uma investigação necessária que se transformou numa operação contra a democracia (R$ 39,90, impresso e R$ 19,90, e-book) é um livro que explicita tanto as fragilidades jurídicas quanto a estratégia de, via campanha midiática, a obtenção de apoio popular.

A obra é o 13º volume da coleção História Agora, a mais polêmica do mercado literário brasileiro, conta com 416 páginas, sendo uma abertura de 60 páginas e mais 45 artigos analisando os principais fatos da operação, conduzida pelo juiz federal Sergio Moro, no período de maio de 2014 a setembro de 2015. O prefácio é assinado pelo professor e cientista social Wanderley Guilherme dos Santos, além de textos na contracapa do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello e do advogado Marcelo Lavanère, e orelha assinada pelo jurista Luiz Moreira.

Desde março de 2014, a Operação Lava-Jato ganhou destaque no cenário nacional. Com prisões, amplamente divulgadas, de pessoas identificadas como alvo de operações capitaneadas pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal no Paraná, tais “operações” se procedem a acordos de delação premiada, em circunstâncias não muito claras, envolvendo alguns desses presos. Já os outros personagens, como o maior empresário brasileiro, Marcelo Odebrecht; e políticos, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto continuam presos no Paraná.

O professor Wanderley Guilherme afirma no prefácio que é inédita a frequência com que magistrados de todas as instâncias e amparo institucional deitam falação a repórteres de jornais, revistas e canais de televisão. O autor Paulo Moreira Leite, tanto na abertura como nos artigos, faz uma análise crítica das posições dos magistrados, procuradores e policiais envolvidos nas investigações.

Para o jurista Luiz Moreira, com as prisões houve também o já conhecido processo midiático de sua legitimação, reforçado tanto por entrevistas coletivas concedidas pelas autoridades envolvidas no caso, quanto por uma estratégia de dividir a instrução processual em diversas fases, todas “batizadas” com nomes excêntricos, cujo propósito é o de fixar no imaginário popular a permanência dessa “operação”, montada para “limpar” a República.

Parte do STF tem criticado duramente esse estilo de investigação, como os Ministros Teori Zavascki, que classificou como “mediavalesco” e “cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada”; e Marco Aurélio, “a criatividade humana é incrível! Com 25 anos de Supremo, eu nunca tinha visto nada parecido. E as normas continuam as mesmas”.

O que se depreende da leitura do livro de Paulo Moreira Leite é que Sergio Moro age como se lhe coubesse a implementação de política criminal. Ele se porta como militante de uma causa, submetendo as regras processuais penais e os direitos fundamentais à obtenção desse resultado. Para obtenção dos fins que justificam sua causa, Sergio Moro se utiliza do cargo que ocupa e de apoio midiático.

Segundo o autor, no fim de 2014, Sergio Moro recebeu a blindagem ritual dos principais veículos de comunicação: foi escolhido Homem do Ano em 2014, pela revista IstoÉ; um dos 100 mais influentes do país, segundo a Época e A Personalidade do Ano, segundo o jornal O Globo.

Para o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, “o instigante título ‘A Outra História da Lava-Jato’, de Paulo Moreira Leite, vem proporcionar visão conjunta da vida nacional. Toda e qualquer leitura contribui para o infindável aperfeiçoamento. É ler para crer.” Como frisa Luiz Moreira: “… nas democracias constitucionais a liberdade é a regra. Nessas, cidadãos só são presos quando constatadas suas culpas em processos em que a ampla defesa e o devido processo legal são observados”. Para ele, este livro retrata este estado de exceção, obtido “a partir da relativização das garantias fundamentais”.

O advogado Marcelo Lavanère, responsável pela ação que levou ao impeachment de Fernando Collor de Mello, escreve: “Convém lembrar que o modelo que se afirma ser inspirador da Lava-Jato, a operação Mãos Limpas, na Itália, teve o mérito de devassar a corrupção política do país, mas a política de terra arrasada que ela implantou só beneficiou Silvio Berlusconi, que era proprietário de monopólio de emissoras de TV e que encontrou, no episódio, o caminho para se transformar no mais longevo e nocivo primeiro-ministro da Itália depois da Segunda Guerra”.

É isso e muito mais que o leitor encontrará nas páginas de A Outra História da Lava-Jato. Como afirmou o ministro Marco Aurélio Mello, é ler para crer. Boa leitura!

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16 comentários

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Clovis Costa

28 de novembro de 2015 às 10h42

E o filho do Lula que recebeu 2.5 milhões de reais para copiar e colar da Wikipedia uma consultoria. Empresa dele não emprega ngm.

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Fabio Dantas

28 de novembro de 2015 às 00h37

Lula eterno

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Maria Regina Novaes

27 de novembro de 2015 às 23h40

Detesto placa de mão única!

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Bruno Santos

27 de novembro de 2015 às 23h14

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    Yule Cristina

    28 de novembro de 2015 às 18h49

    Imaginem então se como Aécio Neves, ele além de não trabalhar, não produzir nada, nem com trabalho nem com capital, vivesse na riqueza, construísse aeroportos para uso familiar com dinheiro público, e ainda, desde o dezessete anos ganhasse dinheiro público sem trabalhar? Qual seria a palavra para classifica-lo?

    Responder

Bruno Santos

27 de novembro de 2015 às 23h14

Vai ser difícil por que ele milionário ,mas tem que tentar

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Bruno Santos

27 de novembro de 2015 às 23h10

Pronto agora Lula e Dilma e a quadrilha PT são todos inocentes e bonzinhos ..é o fim do mundo

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João Carlos Alves

27 de novembro de 2015 às 22h47

A Lava-Jato hoje tem um unico objetivo,barrar Lula para 2018.

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    Bruno Santos

    27 de novembro de 2015 às 23h13

    Unica coisa que barra o Lula nas eleições é acaba com a urna eletrônica assim não terá fraude nas urnas ,manipulada pelo PT

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    Leal Jose Newton

    28 de novembro de 2015 às 10h47

    Barrar Lula porquê com ele no governo a Petrobras não será privatizada.

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Almir Santana Santos

27 de novembro de 2015 às 21h11

Logo teremos a outra história do BNDES, a outra história da operação zelotes etc.

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Arthur Siqueira

27 de novembro de 2015 às 20h42

Debora Débora de Paula

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Mauricio Gomes

27 de novembro de 2015 às 17h24

E a história do japonês bonzinho? Vai ficar por isso mesmo?

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Roger Gilmour

27 de novembro de 2015 às 19h14

Será que o Jô Soares vai convidar o Paulo Moreira Leite para divulgar o livro? :D :D :D :D

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Valdir Dantas

27 de novembro de 2015 às 19h13

A Vedadeira “Operação mãos limpas” de que fala o dr MORO, teria que varrer e faxinar o STF, MP, PGR, e principalmente PF

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    Ridalva Brito Egidio Erhardt

    27 de novembro de 2015 às 20h11

    Falou tudo e com o auxílio da imprensa golpista fica tudo pior a plebe fica sempre do lado dos poderosos para nosso desespero. É uma vergonha. Aos pensantes o poder da indignação.

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