Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Exclusivo: cenários para a votação do impeachment

Por Miguel do Rosário

12 de dezembro de 2015 : 08h30

A matemática (imperfeita) do impeachment

Por Theófilo Rodrigues, colunista do Cafezinho

A votação realizada na Câmara dos Deputados na última terça-feira em torno da conformação da Comissão Especial foi seguramente o primeiro round da batalha do impeachment. A tensa votação terminou com os defensores da presidenta Dilma Rousseff tendo 199 votos e os opositores 272.

Um olhar superficial para esse resultado poderia indicar que a oposição foi vitoriosa e que o governo foi derrotado. E é verdade em parte. Mas não é toda a verdade…

A Câmara dos Deputados é formada por 513 deputados distribuídos em 27 partidos. Desses 27 partidos 10 já anunciaram como votarão no processo do impeachment: 5 favoráveis e 5 contrários.

O governo federal conta hoje com um piso mínimo de 97 votos. Esse piso mínimo consiste na soma das bancadas do PT (59), PDT (17), PCdoB (12) e PSOL (5). Esses são os partidos que fecharam questão de forma unânime contra o impeachment. Há ainda a Rede (5) que anunciou sua posição contrária ao impedimento da presidenta, mas que teve uma quebra: a deputada maranhense Eliziane Gama, crítica feroz do governo federal.

Já o piso mínimo da oposição é um pouco mais alto. As bancadas de PSDB (53), DEM (21), SDD (15), PSC (13) e PPS (10) somam 112 votos a favor do impeachment.

Contudo, se de um lado o piso mínimo que o governo possui é um pouco mais baixo que o da oposição, é importante ressaltar que por outro lado o governo precisa de menos votos que a oposição para sair vitorioso.

De acordo com a Constituição de 1988 para que o impeachment seja aprovado na Câmara dos Deputados são necessários 2/3 dos votos totais. Para aprovar o impeachment, portanto, a oposição precisa reunir 342 votos. Ou, dito de outra forma, para o sucesso do governo bastam 172 votos.

Isso significa que nos próximos dias oposição e governo disputarão os 304 votos das bancadas dos 17 partidos que ainda estão indecisos ou divididos.

A bancada do maior partido da Câmara, o PMDB (67), está dividida ao meio. PP (41) e PTB (22) possuem aproximadamente 2/3 favoráveis ao impedimento da presidenta. Essa proporção se inverte entre os deputados do PR (34), do PSD (32), do PMB (21), do PRB (20) e do PROS (9) onde a maioria defende a continuidade do governo de Dilma Rousseff.

O posicionamento do PSB (34) ainda é uma incógnita. Embora governadores e senadores do partido defendam Dilma, o presidente nacional Carlos Siqueira já avisou que a maioria da bancada votará pela saída da presidenta.

A matemática joga a favor de Dilma. Caso a votação fosse hoje a presidenta teria votos suficientes na Câmara para impedir seu afastamento; aproximadamente 220 ou quase 50 a mais que os 172 necessários. No entanto, em Brasília vale a máxima de Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.

Aos desafetos do governo interessa a procrastinação do processo. Conseguir adiar a votação para depois do Carnaval de 2016 seria o ideal para a oposição, pois conseguiria angariar maior apoio na sociedade pelo impeachment. As pressões da opinião publicada e da opinião pública poderiam alterar a correlação de forças estabelecida hoje e muitos deputados que estão com o governo poderiam mudar de lado.

Ao contrário dos laboratórios a política e a história não são assépticas. Não existe a possibilidade de serem mantidas as famosas “condições normais de temperatura e pressão”. Em outras palavras, tanto o ator político quanto o analista precisam considerar que aqui a matemática é imperfeita. O possível cenário positivo de hoje pode facilmente tornar-se negativo amanhã.

OBS: Para uma análise mais aprofundada sobre o impeachment recomendo a leitura do Boletim do NECON/IESP produzido por Leonardo Martins Barbosa.

Theófilo Rodrigues é cientista político.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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18 comentários

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Lucho Mauro Filho

13 de dezembro de 2015 às 22h44

.Os trouxas (o povo), mais uma vez sendo usado pelos golpistas. Cadê Aécio, Paulinho da força, FHC, Serra e outros ratos mais, que não deram a cara.

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Aparecida Jesus Oliveira

13 de dezembro de 2015 às 12h45

Não vai ter golpe DILMA fica

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igor

12 de dezembro de 2015 às 23h12

foi um erro o líder do governo ter participado daquela votação fraudada do Cunha. Queimou o Piccianni e ainda fortaleceu os golpistas comandados por Michel Temer. Polítia é time e governo esta fazendo muita cagada. A sorte é que a oposição mesmo com a Globo e o sitema financeiro é mais burra ainda.

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Fabio Costa

12 de dezembro de 2015 às 22h59

Bastante elucidativo.

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Gugu Mello

12 de dezembro de 2015 às 18h30

Impressionante a infantilidade dos posts e de seu público nas ¨Páginas da Direita ¨ ( Antagonistas, Revoltados, Implicante, Olavos). Chamadas totalmente desprovidas de fundamentos, você abre o link, e depara com os textos enquadrados sempre numa mesma diagramação, com uma narrativa curta e de baixíssimo conteúdo. Afora os comentários do grande público, com visíveis erros de português (não os culpo por isso) e pior, uma carga extremada de ódio contra as mais diversas autoridades. Da minha parte os eximo de culpa, pois como reagirão, sendo que há décadas ininterruptamente são reféns de baixos níveis de cultura e entretenimentos nos meios televisivos, reféns de aberrações do tipo ¨Video -Cassetada , Dança dos Famosos e afins.¨ Uma das regras mercadológicas para arregimentação de audiência hoje, é tratar seu público como se ele tivesse 12 anos, ou seja, infantilize-o. – Pasmem, precisa dizer mais. Esse nicho de público é tudo que a Direita quer, ou seja, ¨as pessoas não sabem que nada sabem ¨, e o resultado disso no tocante aos períodos eleitorais, é esse Congresso(sic) podre que hoje (hoje?) assistimos, gerando milhões de eleitores que votam contra eles mesmos. – Ou Governamentalmente MUDAMOS e MANDAMOS os meios de comunicação se aculturarem, ou vamos permanentemente ficarmos enxugando gelo. Chega de tomar tapa na cara, FORA REDE GLOBO !!

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Luciana Castro

12 de dezembro de 2015 às 12h41

#foracunha #NãoVaiTerGolpe

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Luciana Castro

12 de dezembro de 2015 às 12h41

#foracunha #NãoVaiTerGolpe

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Gugu Mello

12 de dezembro de 2015 às 12h17

Posso aqui estar errado, mas me parece que existe uma prerrogativa do President(a) da República para convocar sessão extraordinária. Acho que aos Governistas ( e a mim) interessa o quanto antes o epílogo do presente, menos por receio das ruas, mais porque esse País precisa caminhar apesar desses Golpistas canalhas que detestam o Povo Brasileiro !!

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Gugu Mello

12 de dezembro de 2015 às 12h17

Posso aqui estar errado, mas me parece que existe uma prerrogativa do President(a) da República para convocar sessão extraordinária. Acho que aos Governistas ( e a mim) interessa o quanto antes o epílogo do presente, menos por receio das ruas, mais porque esse País precisa caminhar apesar desses Golpistas canalhas que detestam o Povo Brasileiro !!

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Gugu Mello

12 de dezembro de 2015 às 12h11

Globo tira o pé do impeachment via Câmara, mas sorrateiramente vai apostar em outra Câmara, a Judiciária. Ao meu ver muito mais melindrosa, o TSE !! – O (g)lobo perde o pêlo mas não o vício .

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LUIZ FERRO

12 de dezembro de 2015 às 09h56

Uma dúvida entre tantas outras. Para aprovar o golpe são necessários 2/3 de todos os deputados ou apenas dos presentes votantes?

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Silvio Sabá

12 de dezembro de 2015 às 11h50

2016 não aceitará conviver com esses CRIMINOSOS!
https://compasnet.wordpress.com/2015/12/12/crime-de-lesa-patria/

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Lon Martin Wagner

12 de dezembro de 2015 às 11h30

E a dinheirama gigantesca da tucanalhada correndo solta.

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Néya Pedroso

12 de dezembro de 2015 às 11h01

E ainda tem que passar pelo povo. Esse é o passo mais difícil, porque se o povo disser não. Não terá impeachment

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    Roberto Luiz

    12 de dezembro de 2015 às 11h57

    O problema é que existe chances do povo querer que ela saia agora!

    Responder

Fred Brasil

12 de dezembro de 2015 às 10h47

O psb votar a favor disso é jogar no lixo toda a sua história.

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Andrea Doria

12 de dezembro de 2015 às 10h45

A população está se posicionando contra o impeachment e Eduardo Cunha, esse movimento pode também crescer mais até lá.

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Rosa Nunes

12 de dezembro de 2015 às 10h41

E se Cunha cair? Os vampiros não gostam de viver sem dinheiro

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