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A impressionante mediocridade do Plano Levy, por André Araújo

Por Redação

14 de dezembro de 2015 : 14h49

por André Araújo, no GGN

Como é possível um Ministro da Fazenda, que no Brasil tem as funções de Ministro de toda a Economia e não apenas do Tesouro, ter como único foco a questão fiscal, isso em plena recessão brava e crescente, sem horizonte para terminar?

Não se vê em momento algum uma palavra do Ministro Levy sobre qualquer outro aspecto da economia como um todo, produção, vendas, emprego, crescimento, safra, exportação, importação, investimentos, fabricas, usinas, estradas, portos, nada, é só deficit fiscal, superavit primario, uma alma de contador de feijões, mas será que um País pode sobreviver sem alguém dar atenção à economia real, do chão de fábrica e da terra arada?

Alan Greenspan, que ficou 14 anos no comando do Banco Central americano, passava toda noite horas na banheira examinando estatísticas de produção, uma de suas preferidas era o gasto com telhas, via em cada estatística da ECONOMIA REAL um sinalizador de botão para apertar, número de aspiradores de pó, de bicicletas, de ingressos de cinema, tudo para ele era indicativo da atividade econômica, soltava liquidez na economia de acordo com os números da economia real, até hoje o Banco Central americano segue essa mecanica de manejo da liquidez, toda ela manejada em função do emprego. Aqui nosso BC copiou tanta bobagem como os 45 dias do COPOM, igualzinho ao Fed, porque não 60 ou 35? Ah não, o Fed faz seu COPOM a cada 45 dias vamos fazer igualzinho, mas porque não copiam o essencial e não a perfumaria, a LIQUIDEZ REGIDA PELA PRODUÇÃO E EMPREGO?

Imagine-se em plena Depressão de 1933 se Roosevelt só falasse em orçamento e receita, nem tocava nisso, sua única conversa era emprego e como sair da depressão. Tampouco Keynes na sua famosa carta aberta a Roosevelt publicada no New York Times de 31 de maio de 1933 tinha alguma preocupação com o orçamento, sua mensagem era como reavivar o emprego, quais os mecanismos para injetar liquidez na economia, como levantar a demanda e, daí, reanimar a produção.

Ando muito a pé pelas manhãs, é chocante o número de pequenos comércios fechados, há quarteirões inteiros na Augusta em direção aos Jardins, em fila de placas de “Aluga-se”, quando uma loja dessas vai alugar? Nem em uma década. E cada porta fechada representa o desfazimento de sonhos, de economias arduamente formadas. Esses pequenos comércios dão o primeiro emprego aos jovens, dão o primeiro treino e traquejo, são indutores fundamentais.

A desgraça da recessão é infinitamente maior que a da inflação e no entanto o Plano Levy em conluio com o Banco Central luta exclusivamente e sem sucesso contra a inflação, a recessão nem entra no radar e no entanto é este o perigo maior e não a inflação. O Brasil tem capacidade de produção para aguentar uma injeção de liquidez de um ou um e meio trilhão de Reais, a inflação pode subir alguma coisa, mas se criarão rapidamente dois ou três milhões de empregos e mais importante, para-se o aumento do desemprego que está em um furor mês a mês, caminhando celeremente para os 12 ou 15%, daí para 20% é um espirro.

Com um emprego é possível suportar mais alguma inflação, mas com o repontar da atividade aumenta de imediato a arrecadação, a inflação agua a dívida pública e privada, beneficiando os devedores e ajuda a reposicionar o gasto público.

Dentre o errado é preciso optar pelo menos errado mas para isso é preciso ter alma e sensibilidade e não uma calculadora como instrumento único de gestão da política econômica, esta é engenho e arte mais que ciência.

No Banco Central precisamos de diretores afinados com o País e com sua economia como um todo, e não somente com Wall Street. Quem teve a ideia de trazer um Tony Volpon que passou 30 anos no Canadá e nos EUA para ser diretor do Banco Central em abril de 2015? O que esse senhor, cujos méritos profissionais  não discuto, sabe da realidade da economia brasileira?  Faz lembrar o famoso episódio Paulo Leme, quando o brilhante Armínio Fraga, sem ironia, mas comete erros, teve a ideia de importar um “estrangeiro” brazuca que mora muito tempo no exterior para ser diretor do Banco Central. Luis Nassif abateu-o em pleno voo para tomar posse, mostrando os discursos anti-brasileiros que ele fazia em Nova York quando diretor do Goldman Sachs (ainda é hoje). Esses “wall streeters” não servem para cargos que exigem homens com visão de Estado e de política econômica no seu sentido mais amplo, são simples operadores de taxas e derivativos, homens de mesa e não de formulações estratégicas de largo alcance.

Sem jogar liquidez imediatamente para puxar a demanda não de bens de consumo mas de investimentos em saneamento, estradas, ferrovias, portos, moradia popular, sistema de saúde, escolas, sem esse processo não se levanta a economia. Haverá nenhuma ou pouca inflação porque os fatores de produção para investimentos estão em casa e são abundantes, tem cimento, ferro, tijoço, tinta, azulejo, tubos, brita sobrando, não há porque subir preço por demanda quando a capacidade ociosa é altíssima. Mas para isso precisa ter o gosto do risco e da aventura, aquilo que Roosevelt tinha em 1933 e JK tinha em 1955, grandes desbravadores da economia com o instinto do futuro, pagando apostas com o pescoço.

Pobre Brasil se o que resta é o simpático Levy, muito bom mas para “nóis num serve”.

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1 comentário

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Hell Back

14 de dezembro de 2015 às 20h07

O que não entendo, apesar disso, é porque a presidenta insiste em manter o Levy!

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