Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Plenário do Senado durante sessão não deliberativa. Em disurso, senador Lindbergh Farias (PT-RJ) Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Lindbergh Farias: Presidente Dilma traiu senadores petistas

Por Redação

25 de fevereiro de 2016 : 05h00

Senador do PT se diz traído por Dilma: Governo fecha acordo com Serra e concede cabeça-de-ponte a petrolíferas estrangeiras no pré-sal

por Luiz Carlos Azenha, no Viomundo

Até a metade da tarde desta histórica quarta-feira um grupo de senadores do PT estava certo de que o governo Dilma iria se opor firmemente à aprovação, no Senado, do projeto do tucano José Serra que acaba com a obrigatoriedade legal de a Petrobrás ter participação mínima de 30% em todos as áreas do pré-sal.

Eles tinham se encontrado com os ministros da Casa Civil Jacques Wagner e da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, auxiliares próximos da presidente Dilma. Deles, ouviram que o governo se opunha ao projeto de Serra. Com a mesma impressão ficou o presidente da Federação Única dos Trabalhadores (FUP), José Maria Rangel, que acompanhou os petistas.

Durante todo o dia, ativistas do PT usaram as redes sociais para denunciar o projeto entreguista de Serra.

No entanto, quando o debate acalorado chegava ao ápice no Senado, os senadores José Serra e Romero Jucá se retiraram do plenário para negociar. Jucá apresentou um substitutivo que manteve a essência do projeto de Serra e recebeu apoio do governo Dilma. Depois que Jucá anunciou o acordo no plenário, ele foi aprovado por 40 votos a 26, com oposição dos senadores do PT menos Humberto Costa, que se absteve.

Minutos antes, assessores do senador petista Lindbergh Farias calculavam um placar de 36 a 34 para derrotar o projeto de Serra. Um deles resumiu: “O Senado tem gente bem definida, de direita e de esquerda. Mas tem um miolo que navega de acordo com a conveniência. Com o acordo, mudaram de lado. Agora, estes senadores ideologicamente indefinidos vão cobrar alguma emenda do governo e fica tudo por isso mesmo”.

Para Lindbergh, a presidente Dilma traiu os senadores petistas. No Facebook, ele desabafou:

VERGONHA!

Lutamos por dias em defesa da soberania nacional e do nosso patrimônio. Fizemos o debate no plenário, dialogamos com os movimentos e com os senadores e senadoras. A mudança de orientação do governo, durante a tarde de hoje, nos deixou perplexos e desarmou nossa luta, abrindo mão do enfrentamento em prol de um péssimo acordo com o PSDB que causa um prejuízo enorme ao Brasil.

Mas essa foi apenas a primeira batalha. Vamos continuar a debater com a sociedade, fortalecendo um grande movimento em defesa do pré-sal, influenciando o processo na Câmara e dizendo claramente: a presidenta Dilma precisa voltar para a posição original do governo e VETAR o PLS 131!

PETROBRAS NÃO PEDIU PARA SER DESOBRIGADA

A Petrobras não pediu ao senador José Serra, autor do projeto, para ser desobrigada da participação legal mínima de 30%. Apesar de seu perfil de homem do mercado, o presidente da estatal, Ademir Bendine, se disse contrário ao projeto.

A quem interessa a mudança? Às petrolíferas estrangeiras, obviamente. Em recente visita ao Brasil, o presidente da Shell, Ben van Beurden, disse claramente: “Isso (a abertura) disseminaria o risco, traria mais capacidade e mais investimento”.

Porém, como lembrou o ex-ministro das Minas e Energia Edison Lobão durante o debate no Senado, praticamente não há risco no pré-sal. A Petrobras não depende da capacidade tecnológica externa para explorar em águas profundas ou super-profundas. Lobão também argumentou que os investimentos da Petrobras serão pagos pelos próprios resultados da exploração.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) informou que a Petrobras tem reservas já garantidas de 14,5 bilhões de barris. Ou seja, não há pressa para fazer novos leilões. Por que o açodamento para votar o projeto de Serra em regime de urgência, sem passar pelas comissões do Senado? Por causa da fragilidade do governo. Com o acordo, é certo que o projeto passará pela Câmara e não será vetado pela presidente Dilma — a não ser que ela traia o acordo que fez com PMDB/PSDB.

AS CONSEQUÊNCIAS

O tuiteiro Claudio Calente foi preciso: “Quando um PSDB da vida assumir, já sabemos que a Petrobras não vai querer explorar mais nada do pré-sal”.

Ele resumiu as consequências do acordo Dilma-Jucá-Serra: o papel da Petrobras no pré-sal deixa de ser institucionalizado e passa a depender do governo de turno.

Também fica muito mais sujeito às pressões do lobby das petrolíferas, que é imenso.

 

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20 comentários

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Carlos Henrique R Alves

02 de maio de 2016 às 18h34

O Brasil previsa de investimentos urgentes e a Petrobras não tem condições e nem recursos para tocar todos os projetos do Pré-Sal… Acho sadio a entrada de um sócio que irá inibir as forças corruptivas e o jeitinho brasileiro para sangrar o Patrimônio brasileiro…. O Brasil, através da Petrobrás, continuará sendo o majoritário e terá recursos novos chegando com a entrada destes novos sócios… Atuei durante 35 anos no setor de informática e tecnologia e vivi época da reserva de mercado que colocou o Brasil na época na idade da pedra… O sentimento na época era o Brasil conseguir a autosuficiência tecnológica proprietária made Brazil.. Ledo engano…. Os computadores brasileiros que passaram a ser fabricados, não passavam de máquinas importadas que foram maquiadas e etiquetas como Nacional… O Brasil amargou um atraso tecnológico de mais de 3 anos quando o lançamento de um novo hardware ou software no mercado internacional… Todos os países que tiveram o comunismo implantado, ficaram tecnologicamente atrasados , tanto, na esfera educacional como no setor fabril.. A reação dos PTralhas nada é mais do que o reflexo do sentimento que perdurou anos durante a reserva de mercado de informática, automotivo, telecomunicações, farmaceutico e outros setores que necessitam de investimento em pesquisa e de infraestrutura.. … Um País só consegue sr forte e se desenvolver praticando o livre comércio e buscando parcerias fortes para investir no País….

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Messias Franca de Macedo

25 de fevereiro de 2016 às 12h49

Ainda “nunca será desta vez”, [mequetrefe] “juiz” DEMoTucano Sérgio ‘mor(T)o’!

Entenda

***

Mulher de João Santana admite ter recebido da Odebrecht – por serviços prestados às campanhas políticas realizadas… Na África, na Venezuela e no Panamá

25/02/2016 02h00

(…)

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/02/1743107-mulher-de-joao-santana-admite-ter-recebido-da-odebrecht.shtml

***

Ô golpistas da ‘PORCA-tarefa’, é preciso desenhar?!…

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Mario Bazan

25 de fevereiro de 2016 às 12h17

Vamos dizer a verdade. Quem traiu Dilma foi o PMDB que se aliou ao PSDB contra os interesses da Petrobras e do Brasil.

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Hell Back

25 de fevereiro de 2016 às 12h12

Será que a presidenta negociou a retirada do impitim dando o Pré-Sal para o pessoal do PSDB; DEM e outros?

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Messias Franca de Macedo

25 de fevereiro de 2016 às 11h53

[Da Série ‘Os ineditismos do Brasil’!]

AINDA SOBRE O ACORDÃO ENTREGUISTA DA NOVA PETROBRAX!

… É o primeiro projeto de Lei “aprovado por um governo que ainda não tomou posse”!
Ah esta TUcanalha golpista!
Ah esta Casa Grande infame e imunda!
Ah este ‘Império do Norte’ predador!
(…)

E ‘nois’ enterrados nas sombras profundas do pré-sal!

A sina [Kármica?!] de ser brasileiro!…

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Messias Franca de Macedo

25 de fevereiro de 2016 às 11h30

UMA DAS MUITAS PERGUNTAS QUE O BRASIL DO BEM TEM QUE FAZER AOS (IR)RESPONSÁVEIS PELO NEFASTO ACORDÃO

Como ficará a indústria naval brasileira?

À luz da reflexão, estive há poucos dias em Maragogipe.
Por muito tempo nesta cidade do recôncavo baiano a economia foi movida pela indústria de charutos [Fábrica Suerdieck] – e um pouco menos pela pesca.
Com a decadência da Fábrica a cidade vivenciou décadas de dificuldades econômico-sociais…
A alvorada dos tempos renasceria com a retomada da indústria naval.
Um estaleiro começara a funcionar, e um ‘boom’ de progressou iluminou a cidade:
geração de empregos e renda, reativação do comércio local, o sorriso da esperança nos lábios dos munícipes…
Pois bem, nesta mais recente viagem à Maragogipe [terra natal da minha mãe], encontramos a desolação, a tristeza campeando pelas águas, bosques e residências…

Portanto, presidente Dilma Rousseff, neste mísero acordão o que foi definido em relação a esse quadro de iníquo descalabro?
Ou a senhora pensa que “o controle remoto da Chevron, da Shell et caterva irá se apiedar e olhar para o povo maragogipano”?

Responder
Messias Franca de Macedo 25/02/2016 às 10:05
… E a respeito da política de conteúdo nacional?!

E a preservação do conhecimento científico e tecnológico desenvolvido pela Petrobras?!
Será também entregue de bandeja aos estrangeiros predadores?!

(…)

Responder

    Messias Franca de Macedo

    25 de fevereiro de 2016 às 11h42

    … E a respeito da política de conteúdo nacional?!

    E a preservação do conhecimento científico e tecnológico desenvolvido pela Petrobras?!

    Será também entregue de bandeja aos estrangeiros predadores?!

    (…)

    Responder

Messias Franca de Macedo

25 de fevereiro de 2016 às 11h28

… O pragmatismo irresponsável do governo Dilma Rousseff e seus asseclas não permitiu a seguinte leitura:
ainda que perdesse no voto, a vitória política estaria assegurada!
Ademais, como seria doce o gostinho de ver a presidente Dilma Rousseff vetando o projeto infame do entreguista/antinacionalista safado DEMoTucano José (S)erra!
Como disse uma senadora:
“é preferível perder do lado certo, a ganhar do lado errado!”
Ao que parece o governo Dilma Rousseff está do lado dos seus impiedosos algozes!

Responder

    Messias Franca de Macedo

    25 de fevereiro de 2016 às 11h29

    … O pragmatismo irresponsável do governo Dilma Rousseff e seus asseclas não permitiu a seguinte leitura:
    ainda que perdesse no voto, a vitória política estaria assegurada!
    Ademais, como seria doce o gostinho de ver a presidente Dilma Rousseff vetando o projeto infame do entreguista/antinacionalista safado DEMoTucano José (S)erra!
    Como disse uma senadora:
    “é preferível perder do lado certo, a ganhar do lado errado!”
    Ao que parece o governo Dilma Rousseff está do lado dos seus impiedosos algozes!

    Responder

Messias Franca de Macedo

25 de fevereiro de 2016 às 11h28

“Eu nunca imaginaria que este governo exporia a bancada do PT a tamanho vexame!”
Dileto(a) (e)leitor(a), pasme, a declaração foi proferida por uma senadora do…
Errou quem pensou [senadora] do PT ou do PC do B!
No plenário do Senado Federal, a frase dilacerante foi da autoria de uma senadora do… PMDB!
Juro!
Coitado do Lindberg Farias!
Idem para o Humberto Costa!
Idem para o Roberto Requião!
(…)
E a traição do governo ocorrendo justamente na hora em que até o Cristovam Buarque já reconhecia necessitar de muito mais tempo para analisar o projeto [do entreguista safado José (S)erra – adendo nosso]
E a militância de esquerda?
Infartada numa UTI do SUS

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Griego

25 de fevereiro de 2016 às 11h22

Novamente esta onde de atacar a Dilma e o PT.
Ótimo para os entreguistas e golpistas.
Tenho certeza que a Dilma vai vetar se isso andar para frente.
Uma dica: o povão nem sabe o que é pré-sal.
Tem petista ou pessoas contrárias a oposição muito moles, já querendo jogar a toalha: Ah não aguento mais, ! ah assim fica difícil! ah culpa da Dilma….
Coxinhas! Corneteiros da internet.

Responder

Adriana Vieira

25 de fevereiro de 2016 às 09h32

O fato já está consumado ou tem alguma coisa ainda que pode ser feito para barrar este absurdo?

Responder

    Hell Back

    25 de fevereiro de 2016 às 13h11

    A presidenta pode vetar, mas não acredito que isso vá acontecer.

    Responder

Celso Junqueira

25 de fevereiro de 2016 às 09h18

Se isso acontece em um governo tucano, não é de se espantar. Mas em um governo petista?
Não tenho mais dúvidas: Dilma faz parte do esquema contra o Brasil. Acho que ela está querendo ser impedida para os tucanos voltarem ao governo. Incrível mesmo!!

Responder

    Fabio

    25 de fevereiro de 2016 às 09h21

    Concordo.

    Responder

Diego

25 de fevereiro de 2016 às 09h17

Alguém não entendeu a pressa para votar a lei do Serra?
Não há necessidade de explorar rapidamente o Pré-sal com o barril de petróleo com valor tão baixo no mercado. Foi mais uma jogada política para tentar fragilizar mais ainda a posição da presidente no governo, visando manifestações e a encenação no TSE. Os interesses gananciosos dos “aliados” em tomar as rédeas e controlar o destino da nação já vem sendo preparada há muito tempo e penso que executivo assumiu toda a responsabilidade pelo fato, podendo vetar a lei, e pode vetar. Depende da reação de nosso povo, se queremos soberania ou não. A ação foi no “timer” perfeito para os covardes entreguistas que habitam o senado. Habitam porque nosso povo vota mal, porque o voto é obrigatório, e sendo obrigatório muitos que não percebem que são enganados por mídias, falsos políticos e são induzidos ao erro. Seria interessante o fim da obrigatoriedade do voto para dificultar o comércio eleitoral. Os políticos eleitos, dizem que representam a imagem sintetizada do povo, e muitos políticos trabalham contra a nação, uma coisa cíclica que só piora, seria então o povo tão ruim assim? Colocando oportunistas para conduzi-los? Não é verdade que o nosso povo seja ruim, é a obrigatoriedade dos votos que induz a gigantescos erros. A grande maioria dos políticos eleitos não se importam com quem os elegeram, pois a maioria dos eleitores muitas vezes nem lembram mais em quem votaram. O voto é importante para quem está mais informado, acompanha a história e tem interesse no destino do país, mas deveríamos ter o direito de escolher votar ou não quando acharmos melhor sem as penas de obrigatoriedade imposta pelos próprios políticos.
Imposições:
http://www.ebc.com.br/noticias/eleicoes-2012/2012/09/o-que-acontece-se-eu-nao-votar-e-nao-justificar-a-minha-ausencia

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Irion

25 de fevereiro de 2016 às 08h44

Que tragédia essa Dilma! Parece que nasceu para trair.

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Fabio

25 de fevereiro de 2016 às 08h29

Mas alguém ainda acredita que a sra Dilma defenda o Brasil e seus eleitores.
Tem a dó em, a Dilma não está nem ai com o país, para ela o importante é afunda a esquerda, destruir a herança do presidente Lula e por o Brasil de joelhos perante o mundo novamente.
Dilma é mais tucana do que muitos tucanos conhecidos.

Responder

Vitor

25 de fevereiro de 2016 às 08h25

Santa inocência, Batman. Se Dilma traiu o voto de 54 milhões de pessoas sem a menor cerimônia, pq não trairia um punhado de senadores?

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Ninguém

25 de fevereiro de 2016 às 08h21

O governo Dilma, para mim, acabou. O pior: acabou num ato covarde. Continuo defendendo a democracia, a luta contra o golpe e a instituição da PR. Agora, o governo Dilma perdeu o meu apoio. Uma pena.

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