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Lava Jato agora ameaça destruir sistema ferroviário?

Por Miguel do Rosário

26 de fevereiro de 2016 : 14h20

Demoramos 25 anos para completar a construção da Ferrovia Norte-Sul.

Os tucanos não fizeram nada: nunca fizeram uma obrinha de infra-estrutura, de nada, nem de energia, nem eólica, nem hidrelétrica, nem ferrovia, nem portos, nada.

O governo Lula reiniciou obras da ferrovia norte-sul paralisada lá no governo Sarney.

Apenas Dilma completou a obra, em 2014, mas as operações começaram a ser feitas apenas ao final do ano passado.

Dilma também deu início à construção da Leste – Oeste.

A Lava Jato, como se sabe, só vai atrás do que pode paralisar a economia brasileira e produzir crise política.

Investigar corrupção, tudo bem. Mas o que a Lava Jato tem feito é paralisar os setores onde entra, porque não tem nenhum compromisso com a segurança nacional.

Já paralisou a indústria naval, a indústria de construção civil, a indústria de petróleo, ameaçou o projeto do submarino nuclear; prendeu o nosso principal nome da indústria nuclear, um idoso com mais de 80 anos.

E agora enveredou pelas ferrovias. Vamos ver o que ela vai fazer.

Em plena recessão, causada pela mesma Lava Jato, é loucura total ver o Estado gastar milhões de reais para, em nome de uma falsa luta contra a corrupção (na verdade, uma operação política) destruir grandes empresas estratégicas.

O Brasil tem uma malha ferroviária medíocre. Se formos destruir o pouco que temos, vai ficar mais difícil.

***

26/02/2016 06h52 – Atualizado em 26/02/2016 12h40
PF faz operação para investigar fraudes em obras de ferrovias

Ação desta sexta é um desmembramento da Lava Jato.

Alvo é fraude em licitações nas ferrovias Norte-Sul e Integração Oeste-Leste.

Camila Bomfim
Da TV Globo, em Brasília
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (26) uma operação baseada em dados obtidos no acordo de leniência e colaboração premiada da empreiteira Camargo Correa, uma das investigadas da Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras. A operação desta sexta se chama “O Recebedor”. Segundo a polícia, há suspeita de pagamento de propina nas obras das ferrovias Norte-Sul e Integração Oeste-Leste.

Também são investigados crimes de cartel e lavagem de dinheiro fruto de superfaturamento das obras das ferrovias. As autoridades apuram suspeita de pagamento de propina a ex-diretores da Valec por construtoras que foram contratadas para as obras.

Agentes foram às ruas em seis estados (Paraná, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás) e no Distrito Federal para cumprir 7 mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir à delegacia prestar depoimento) e 44 de busca e apreensão.

Um dos mandados de condução coercitiva é para José Francisco das Neves, o Juquinha, ex-presidente da Valec (empresa estatal ferroviária ligada ao MInistério dos Transportes). Em 2012, ele foi preso na Operação Trem Pagador. Segundo a polícia, o nome “O Recebedor” é uma referência à Trem Pagador.

Segundo o Ministério Público Federal de Goiás, que também atua na operação, a propina era disfarçada por pagamentos regulares feitos por contratos simulados a um escritório de advocacia e duas empresas sediadas em Goiás.

Ainda de acordo com o MPF/GO, a Camargo Correa admitiu ter pago R$ 800 mil a Juquinha. Só no estado, as autoridades calculam que o esquema desviou R$ 630 milhões dos cofres públicos.

A defesa de José Francisco das Neves que a operação de hoje se refere aos mesmos fatos em apuração na ação penal da Trem Pagador. O advogado Luís Rassi disse que ainda analisa os dados novos das investigações.

A operação desta sexta é o segundo desmembramento da Lava Jato. O primeiro foi a Operação Cratons, realizada em dezembro de 2015. Na ocasião, a PF investigou crimes ambientais e comércio ilegal de diamantes extraídos de terras indígenas da etnia dos cinta-larga, em Rondônia.

Na capital paulista, a PF foi à sede da construtora Constran, ligada à UTC, empreiteira de Ricardo Pessoa, um dos principais delatores da Lava Jato.

No Rio de Janeiro, houve busca e apreensão na construtora Odebrecht, também investigada na Lava Jato.

Histórico da Ferrovia Norte-Sul

A Ferrovia Norte-Sul foi inaugurada no dia 22 de maio de 2014, depois de cerca de 25 anos do início das obras. Entretanto, a primeira viagem só foi feita em dezembro de 2015. Devido à demora da obra, a Valec não sabe precisar quanto de dinheiro já foi gasto. Estima-se que foram cerca de US$ 8 milhões. Denúncias de irregularidades marcaram a construção.

Em novembro, o Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) ofereceu denúncia contra oito pessoas suspeitas de superfaturar obras da Ferrovia Norte-Sul em Goiás. Todos eles devem responder por peculato e, se condenados, podem pegar até 12 anos de prisão.

O prejuízo com cargas que deixam de ser transportadas, perdas e impostos não arrecadados pode chegar a US$ 12 bilhões por ano, segundo a Valec.

Oeste-Leste

A Ferrovia de Integração Oeste Leste-FIOL, com 1.527 km de extensão, estabelecerá à comunicação entre o porto em Ilhéus e as cidades baianas de Caetité e Barreiras a Figueirópolis, no Tocantins, ponto de interligação dessa ferrovia com a Norte Sul.

* Colaborou Vitor Santana, do G1 GO

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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