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Catalão: um pouco de poesia para lidar com a quarta-feira dos golpistas

Por Miguel do Rosário

11 de maio de 2016 : 11h00

Por Vanderlei dos Santos Catalão

olha para suas
mãos carrasco:
não há sangue?
está limpa? então
por que o asco?

entende, agora,
o dia seguinte
depois do seu ato?

essa hesitação
é o requinte cruel
da piegas comiseração?
ou vacilo por
cometer cínico
estelionato?

enquanto cumpria a trama,
seguro, manipulado,
ruiam as pontes
cresciam muros;
forjavam fatos…

porque tremes,
agora, carrasco?

sente algum peso
na mão que desfechará
o golpe?
se está limpa
porque se mostra torpe?

percebe o quanto
uma vitória infame
carrega a marca
do fiasco?

qual é a emoção,
carrasco, de
se sentir ator
na consumação
do inglório ato?

vai, é a sua hora
vai, executa,
elimina, impede,
exila, enxota…

não escuta o
clamor indignado
último suspiro…

vai, alguém precisa
dar o último tiro…
e será esse eco,
ressoado em milhões
de gritos,
que nunca abandonará
seus próximos giros…

será esse eco,
repartido em milhões
de gritos, que manchará
o futuro do seu retiro…

amanhã, olha de novo:
não tens as mãos
limpas, carrasco –
apenas, asco!

TT Catalao-brasilia 11 de maio 2016 s/foto Maxwell Snow

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Vanderlei Dos Santos Catalão

11 de maio de 2016 às 19h11

Caro frederico As maos mutiladas sao obra do carrasco, q mesmo assim reaje

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Frederico Melo

11 de maio de 2016 às 15h23

Gostei muito do poema, gostei muito da foto. Mas a foto não está de acordo com o poema. O carrasco tem as mãos aparentemente limpas. As mãos da foto pertencem a um trabalhador que foi lesionado, provavelmente no trabalho. Não são mãos de carrasco.

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