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Brasília- DF 10-03-2016 Senador Aécio Neves durante entrevista no salão Azul do senado.Foto Lula Marques/Agência PT

Justiça poética na trama golpista: a morte política de Aécio Neves

Por Miguel do Rosário

26 de maio de 2016 : 10h28

Foto: Lula Marques

Se há alguma justiça poética numa trama imunda, é que Aécio morreu

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Se há uma justiça poética nesta trama sórdida do golpe é a seguinte: quem mais saiu desmoralizado dele é Aécio.

Ele foi comido, para usar uma expressão dos áudios gravados que viralizou.

Não vou escrever, vou gritar: bem feito, Playboy!

Aécio é agora nacionalmente conhecido como covarde. Renan falou de seu medo diante da delação de Delcídio, de sua paúra em saber se havia mais coisas que o incriminassem – como se as que houvesse não fossem bastantes.

Depois Renan tentou remediar e transformou a medo em “indignação”, e aqui peço uma pausa para gargalhadas.

O mesmo Renan que carimbou na testa botocada de Aécio a palavra covarde definiu Dilma como dona de uma “incrível bravura pessoal”.

Aécio merece o final patético de sua carreira. Com a proteção da mídia, notadamente da Globo, ele era um corrupto que conseguia passar por moralista, a exemplo de seu tutor FHC.

O grau de proteção de Aécio na mídia pode ser avaliado nisto: o editor de política do Globo em Brasília, Paulo César Pereira, é seu primo. Um jornalista de Brasília familiarizado com Paulo César disse ao DCM: “Ele passa imediatamente ao Aécio tudo que os repórteres lhe contam.”

E, evidentemente, suprime coisas negativas para o primo.

Não é tudo. Paulo César é casado com uma das principais repórteres da GloboNews, Andrea Saadi. Aécio é padrinho de casamento dos dois.

Isto é o jornalismo à Globo, aos Marinhos – isentão.

O conforto majestoso em que Aécio vivia diante de uma imprensa que massacrava seus adversários acabou por culpa dele mesmo.

Aécio foi a peça inicial a partir da qual as demais peças do golpe se movimentaram. Ao se comportar como o pior perdedor da história do Brasil, ele começou um processo que acabaria por engoli-lo.

Repito: fez-se aí justiça poética.

O esquema de propinas de Furnas, que ele comandou por muitos anos sem que ninguém o incomodasse nem na imprensa e muito menos na Polícia Federal, surgiu com inédito destaque na delação de Delcídio.

Até então, ele, com sua hipocrisia descarada, dizia que era invenção dos adversários. (O DCM produziu, há pouco, um documentário com evidências esmagadoras.)

Apenas para lembrar, lembremos que Delcídio, sobre Furnas, colocou Aécio e Dilma em situações opostas, como fez agora Renan. Disse que a raiz do boicote de Eduardo Cunha a Dilma residiu no fato de ela varrer a corrupção ancestral de Furnas, e enxotar um homem de Cunha.

Aécio fez sua campanha toda presidencial com a fantasia demagógica de homem puro. Cada frase sua continha a palavra corrupção, atirada contra uma mulher que é, ao contrário dele, íntegra e honesta.

Não tivesse ele feito o que fez, em 2018 seria certamente o candidato do PSDB à presidência. E poderia contar com um eventual desgaste do PT para chegar – pelos votos – ao Planalto.

Mas ele desencadeou um processo que simplesmente liquidou uma carreira que sempre dependeu da supressão, por seus comparsas entre os barões da imprensa, de uma vasta coleção de delinquências.

Os sonhos presidenciais de Aécio estão tão mortos quanto seu tio Tancredo. Ele já foi comido, digerido e vomitado.

Grito mais uma vez: bem feito, Playboy.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Jose Pereira Brito Flho

27 de maio de 2016 às 13h53

GLORIA ! NÃO APARECEU NINGUÉM NA PÁGINA PARA DEFENDE-LO ? ESTÃO ESCONDIDOS COM CERTEZA !

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José Joaquim da Silva

27 de maio de 2016 às 12h59

Vocês se venderam foi por miséria.Votaram por bolsa roubo seus vendidos.

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    Pisquila Lima

    27 de maio de 2016 às 18h48

    Que comentário mais odioso e xenófobo. Vá se tratar meu filho. Use o CAPS que tem bons psicólogos, antes que o Temer acabe com eles.

    Responder

Marivane

26 de maio de 2016 às 22h14

Cheira pó !

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Gisela

26 de maio de 2016 às 19h37

Só um reparo. Tancredo não era seu tio e sim avô.

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Rita Lama

26 de maio de 2016 às 12h57

Exatamente: BEM FEITO, playboy e assassino, pois o pobre homem que sabia muito em Minas nao morreu de morte morrida…

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    Alexandre Moreira

    26 de maio de 2016 às 16h14

    Dizem que a justiça mineira está no bolso dele. Julgamento do comparsa do mensalão tucano, Eduardo Azeredo é um engodo, nunca será sentenciado. Seu fornecedor de drogas se esconde sobre o manto do foro privilegiado, arquivaram um helicóptero inteiro com 500kg de coca. Anastásia, o enrustido, rei dos pedais, lhe deu proteção e cobertura ao sucede-lo no governo de Minas. Mais lama que a lama de Mariana.

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maria nadiê rodrigues

26 de maio de 2016 às 11h27

Outro que vai cada dia pior das pernas é Henrique Alves. Foi derrotado no RN por Róbison Farias. Este foi salvo por Lula. O filho, hoje deputado federal, casado com a filha de Sílvio Santos, também votou a favor do impeachment.
O fato é que H. Alves, sem mandato, se pregou no governo de Dilma, e está agora no de Temer, mas pelo andar da carruagem, a qualquer momento terá seu nome envolvido em mais roubalheira. Se perder a pasta, vai direto pro Moro.

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maria nadiê rodrigues

26 de maio de 2016 às 11h21

Pouco se tem falado que Aécio não foi merecedor daqueles votos, tal como o foi Dilma e o PT.
Na verdade, o mineiro era bastante conhecido no Sudeste, e talvez no Sul. Com certeza nunca foi pelo Nordeste, que, se duvidar, mal conhece, pois seu tempo sempre foi o de ficar entre Minas e RJ.
Portanto, embora ele pose de ganhador daqueles votos, a verdade mesmo é que muitos votaram nele, primeiro movidos pelos dinheiro que se espraiou pelos estados e municípios por parte de seus aliados políticos, depois, porque nordestinos e nortistas, por exemplo, muitos deles não aceitaram Dilma, embora muitos dissessem que votariam em Lula de novo.
A vitória de Dilma foi apertada, mas foi exclusivamente dela. Quanto a Aécio, duvido que ele teria votação parecida se hoje se candidatasse.

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    Maria Alveni Barros Vieira

    26 de maio de 2016 às 16h45

    Nadie, nos nortistas e nordestinos, sabemos muito bem quem é o canalha do Aecio Neves. Negamos a ele o nosso voto de forma consciente, assim como votamos em Dilma. Certamente celebramos vigorosamente o suicídio político de tal sujeito.

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