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DAVOS/SWITZERLAND, 20JAN16 - The Logo is seen in the congress centre during the Annual Meeting 2016 of the World Economic Forum in Davos, Switzerland, January 20, 2016. WORLD ECONOMIC FORUM/swiss-image.ch/Photo Michael Buholzer

FMI diz que neoliberalismo aumentou a desigualdade social no mundo

Por Redação

01 de junho de 2016 : 13h36

O FMI e sua crítica à política neoliberal

Na última semana, em artigo publicado em sua principal revista, o Fundo Monetário Internacional, através de seus principais economistas, criticou veladamente a agenda neoliberal. No Brasil, no entanto, ao contrário do que prega o chamado mercado e parte da mídia, o governo golpista representa retrocesso nas ideias e no pensamento econômico

Por Paulo Daniel*, na Revista Fórum

Na última semana, em artigo publicado em sua principal revista, o FMI (Fundo Monetário Internacional) através de seus principais economistas criticou veladamente a agenda neoliberal.

Intitulado, “Neoliberalism: Oversold?” (em uma tradução livre; “Neoliberalismo: Superestimado?”) o artigo demostra um debate bastante interessante em curso no próprio FMI, refletindo sobre os limites e insucesso de políticas neoliberais tão propaladas e executadas, principalmente, a partir dos anos 80, nos chamados países em desenvolvimento.

Este trabalho avalia, centralmente, dois pontos importantes da agenda neoliberal: a liberalização da conta de capital, ou seja, a liberdade que os capitais, especulativos ou não, possuem em entrar e sair de um país, como por exemplo, o Brasil; e, também, a dita cuja austeridade fiscal, algo que estamos vivendo e sobrevivendo mais pronunciadamente desde 2015 e, ao que tudo indica, aprofundado com o fiscalismo golpista.

Os autores reconhecem que as políticas implementadas com viés neoliberal resultaram em aumento da desigualdade social e sérios comprometimentos ao crescimento econômico dos países.

Pois bem, no Brasil, desde a implementação do Plano Collor e, em seguida, a partir de 1994, com o Plano Real, a agenda neoliberal segue com maior ou menor intensidade, com forte redução dos gastos públicos, privatizações (lembremos: Usiminas, Vale, setor de telefonia, setor elétrico etc.)

A partir de 1999, implementa-se a chamada políticas de metas de inflação (câmbio valorizado, superavit fiscal primário, taxas de juros elevadas), cujo principal objetivo é manter a inflação dentro da meta, nem que para isso tenha que aumentar o nível de desemprego ou reduzir a renda ou o crescimento econômico. Esta agenda brasileira baseada no famoso consenso de Washington, como o artigo dos economistas do FMI nos mostra, aumentou veloz e violentamente o desemprego, com crescimento econômico negativo e, por consequência, a desigualdade social. Essa foi a nossa década mais do que perdida brasileira.

Mundo afora, economistas ortodoxos relativamente sérios estão reavaliando suas teses e pensamentos e rediscutindo o papel do Estado na economia capitalista contemporânea, como elemento indutor e regulador do processo econômico.

Já em terra brasilis, essa discussão é ainda muito modesta na academia ortodoxa, o capital tem sincopes sobre isso e os que decidem ou executam a política ou estão desatualizados ou não desejam, de fato, elaborar políticas econômicas para o conjunto da sociedade.

Para tanto, observemos nosso passado recente. Joaquim Levy foi escalado para reestabelecer a confiança do capital. Elogiado por parte da mídia, o que se viu após um período: a confiança desmanchou-se no ar, e a busca do tão desejado superavit primário resultou na ampliação do deficit. Já, outro salvador do capital, com a chancela de golpista, Henrique Meirelles, anunciou um pacote na última semana ainda mais recessivo. Observa-se que ambos não estão sintonizados, ou não querem, com o debate/discussão de seus pares ortodoxos, como por exemplo, o FMI. Ou seja, além de aplicarem medidas recessivas, estão atrasados e tardios em suas propostas e políticas. Ao contrário do que prega o chamado mercado e parte da mídia, o governo golpista também representa retrocesso nas ideias e no pensamento econômico.

Clique aqui e veja o artigo do FMI

*Paulo Daniel – Editor do blog Além de Economia, é economista, mestre em economia política pela PUC-SP, Doutorando em Economia pela Unicamp (Universidade de Campinas-SP), corinthiano, professor, consultor com mais de 10 anos de experiência tanto na iniciativa privada como em instituições públicas. 

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9 comentários

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Fernando Gondim

19 de dezembro de 2017 às 12h50

A lógica neoliberal, à luz da fé judaica cristã da Bíblia, é a negação do Deus de Jesus, pois teologicamente este é Amor (1Jo 4, 8) e o lógica neoliberal já dita por Adam Smith em 1776, é a do egoísmo. “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele têm pelos próprios interesses. APELAMOS NÃO À SUA HUMANIDADE, MAS AO SEU EGOÍSMO, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter.” (Adam Smith, em 1776, em “A riqueza das nações”, a bíblia do capitalismo).

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Mauro Costa Assis

02 de junho de 2016 às 20h24

Os benefícios da agenda neoliberal foram muito exagerados pelos seus defensores. Duas das suas principais receitas – a liberalização dos movimentos de capitais e a consolidação orçamental – em vez de promoverem crescimento, aumentaram a probabilidade de crises financeiras, fizeram disparar a desigualdade e prejudicaram significativamente o nível e a duração do crescimento econômico. Quem o diz são três altos quadros do Departamento de Investigação do Fundo Monetário Internacional (FMI) num artigo publicado na edição de junho da “Finance & Development” (volume 53, nº 2, 2016). Jonathan D. Ostry, Davide Furceri e Prakash Loungani intitularam sugestivamente o artigo divulgado esta sexta-feira: “Neoliberalism: Oversold?” e basearam as suas conclusões num estudo empírico abrangendo 53 economias emergentes quanto ao aumento da probabilidade de crises financeiras e em 149 países quanto ao aumento da desigualdade. (http://choldraboldra.blogspot.com.br/2016/06/neoliberalismo-superestimado.html)

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Brasil novo

01 de junho de 2016 às 21h46

Após o golpe, a mídia internacional, que não dava mínima para a situação real do Brasil, fez sua mea culpa e passou a ter olhos e ouvidos próprios, deixando de apenas reproduzir artigos da folha, Globo e as demais mídias manipuladas pela direita. Hoje vemos artigos com opiniões de profissionais verdadeiramente jornalistas dando conta das nossas mazelas. Ficou ruim e até querem deportar um que escreve em jornais importantes fora do país, mas tem o olho aberto. A manipulação já é motivo de destaque em artigos independentes. Citados até como de grande expressão, a mídia alternativa. Evoluímos, mas a parcela da população que foge do antigo “coca cola, macarrão e rede globo” é mínima ainda. Não acho interessante arroubos de esquerda, para não nivelar com os golpistas, mas temos que dar um jeito de que mais brasileiros, leiam outras opiniões, que só Globo. Cada um pense o que quiser, mas com opção para escolher e não manipulação unilateral. Ou melhor, qualquer manipulação. Informação de todo lado. Verdadeira e com fonte e comprovação.

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17Abril2016

01 de junho de 2016 às 18h23

SO FALTA OS COXINHA FALAREM QUE TEM PETRALHA NO FMI.

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Antonio Paulo Costa Carvalho

01 de junho de 2016 às 16h15

A verdadeira QUADRILHA DE SAQUEADORES DA “res” (COISA) QUE VAI DEIXANDO DE SER PÚBLICA ataca os cofres como fazem as quadrilhas que explodem caixas de bancos. Tem que ser rápida e violenta o assalto. No caso do Brasil, dá de o Moro fechar o congresso, dando ordem ao STF, serão presos em flagrante delito.

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Rita Lama

01 de junho de 2016 às 15h47

O FMI está nos dando argumentos para derrubarmos os golpistas! Senhores senadores, ACORDEM!!!

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João Bosco

01 de junho de 2016 às 15h14

Esses golpistas são retrógrados em tudo.

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Michele Cruz

01 de junho de 2016 às 13h55

Poderia até haver uma diminuição dos direitos trabalhistas, mas apenas se houvesse aumento dos salários. Agora querer retirar os direitos num país que o salário mínimo é de 800 reais é mau caratismo. Faz como os EUA que paga salários decentes e atrai até gente de outros países, mesmo sem direitos. Mas aqui o empresário não quer nem pagar os direitos nem um salário decente. Ele quer um escravo.

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    Euripedes Batista

    01 de junho de 2016 às 15h45

    Mas a política é essa mesmo. As grandes empresas estão aqui pra isso, explorar mão de obra barata. O que eu não entendo é que as pessoas não entendem isso.

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