Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Reflexões duras na noite escura

Por Miguel do Rosário

22 de julho de 2016 : 22h02

(Foto: Cova da Louca).

Análise Diária de Conjuntura – 22/07/2016

Como já vínhamos prevendo há várias semanas, a Lava Jato prepara o terreno para a consolidação do golpe, oferecendo carne nova aos abutres da opinião publicada, através da delação premiada de João Santana e Monica Moura.

A “força-tarefa”, na qual deveríamos também incluir a mídia, não escondeu por nenhum minuto que se tratava de tortura prisional. A colunista Monica Bergamo, candidamente, chegou a se gabar hoje no Twitter, de que havia divulgado semanas atrás que a delação ocorreria, e que a Lava Jato somente aceitaria a delação de Mônica se esta viesse junto com a de seu marido.

Do jeito que fizeram, é uma coisa muito fácil. Pode ser feito até aleatoriamente. Prenda-se um marketeiro político qualquer e deixe-o apodrecer na cadeia até que ele dedure algum cliente para o qual tenha prestado serviço. Se quiser ser mais eficaz e mais rápido, prenda-se também seus familiares.

Naturalmente, em se tratando do sistema judicial brasileiro e, em especial, da Lava Jato, operação coordenada pelo premiado Sergio Moro (prêmio da ultradireitista Times, americana, e da Globo, que dispensa apresentações), o marketeiro tem que ser do PT.

Os números fraudados do Datafolha geraram protestos. O ganhador do Pullitzer, Glenn Greenwald, assinou reportagens cheias de perplexidade. Seus colegas correspondentes internacionais manifestaram incredulidade no Twitter: como é possível, indagavam uns aos outros, um cinismo tão grande, não pode ser, deve ser apenas um erro gigante, incompetência.

Mas a mídia brasileira há tempos parou de se importar com sua “reputação”. Ela calcula que o poder vale mais que isso. E Michel Temer é a mídia no poder.

A Folha fraudou sua própria pesquisa e tudo ficou por isso mesmo. Ponto final.

33 parlamentares norte-americanos, em conjunto com importantes organizações sindicais, protestam contra o golpe. A imprensa brasileira simplesmente ignora.

A população brasileira é vítima de uma manipulação monstruosa, só vista em romances de ficção científica.

Já é tempo inclusive de pararmos as brigas contra “coxinhas” e entendermos isso. A coisa saiu, há tempos, do campo do proselitismo ideológico.

É bandidagem midiática explícita. Os coxinhas são vítimas. Um dia, mais próximo do que imaginamos, eles serão nossos parceiros na luta contra os delinquentes da mídia.

Vejam o ódio aos blogs, por exemplo. Por que isso, se os blogs evidentemente não tem nenhum poder de fogo financeiro para fazer frente à máfia da mídia, formada por bilionários, nem alcançam as massas, do jeito que faz a televisão?

Ora, é o ódio da ditadura. Em 1964, os intelectuais perseguidos também não chegavam às massas. A troco de que perseguir intelectuais que protestavam contra o golpe através de jornalzinhos impressos em mimeógrafos? Era óbvio que não se derrubaria a ditadura com esse tipo de material, e, mesmo assim, o aparelho do Estado mobilizava uma quantidade inacreditável de recursos para monitorar e reprimir qualquer tipo de oposição.

Distribuir um zine na faculdade era uma subversão digna de tortura e morte!

Não acredito que a coisa chegará a esse ponto dessa vez. Mas o novo governo tem uma personalidade autoritária, isso é inegável. A decisão de cortar a publicidade de todos os veículos que não pertencem ao consórcio golpista, e logo na primeira semana, mostrou que a perseguição se concentrará na tentativa de asfixiar financeiramente a dissidência.

O golpe tentou se disfarçar de legal. A censura vai pelo mesmo caminho.

A ditadura militar também fez isso. Não houve apenas repressão. Houve também perseguição econômica. Além disso, as décadas 80 e 90, com a abertura política, foram muito duras para o jornalismo independente, porque o cenário econômico adverso impedia qualquer tipo de empreendimento de pequeno porte, e não havia financiamento para nada que não fosse chancelada pela grande mídia.

Por outro lado, não dá para negar que o status quo é coerente. A imprensa golpista defende… o golpe. O governo golpista só tem aprovado medidas que beneficiam a classe média que o apoiou. Reduziu o percentual do imposto do envio de dinheiro ao exterior de 25% para 6%, ampliou o crédito da Caixa para imóveis de até 3 milhões de reais, e está liberando todas as emendas de parlamentares que apoiaram o golpe.

É também um governo incrivelmente vingativo, como se esperaria de um governo ilegítimo. Os governadores que tentaram impedir o golpe, como o do Maranhão, estão sendo discriminados sem dó. Que diferença de Dilma Rousseff, republicana até a raiz dos cabelos!

O judiciário, setor essencial ao golpe, recebeu reajuste de 41%, sancionado agora por Michel Temer. Enquanto isso, funcionários públicos de outras categorias permanecem à míngua.

Há uma justiça poética nessa coerência golpista. Uma beleza brutal e sangrenta. A militância antigolpe até conseguiu mobilizar uma quantidade impressionante de gente, que saiu às ruas para protestar. Mas é sabido que o Estado, quando se junta ao núcleo da elite, não liga para nada. E o setor golpista conseguiu, enfim, construir uma massa de apoio substancial na sociedade.

É justiça poética porque a esquerda brasileira cometeu erros, que se aprofundaram até o limite no segundo governo Dilma. Erros que perduram até hoje. Em meio à maior crise de sua história, o PT não consegue produzir quase nada em termos de mobilização intelectual ou social. Setores esparsos da militância de esquerda lançam livros, promovem alguns debates e encontros, mas o PT mesmo não faz nada. Contam-se nos dedos de uma só mão os parlamentares que fazem a batalha diária de ideias. Onde estão os outros?

Em cada operação midiática, como esta delação de João Santana, tínhamos que ver as lideranças do partido vindo à público, às redes, para conversar por horas com a militância e a sociedade, para defender o partido, o projeto, e denunciar as violências judiciais. Não há nada porque não há lideranças. Nem esforço para formá-las.

Nos últimos anos, o PT realizou festas de 35 anos, de 36 anos, realizou eleições internas, e não conseguiu mostrar nenhuma energia criativa.

Com a luta contra o golpe, pudemos ver que a esquerda conta com um patrimônio intelectual poderoso. São milhares e milhares de cérebros querendo ajudar o Brasil, querendo vencer a reação conservadora. Por que essas pessoas não foram mobilizadas antes? Por que não há um esforço concentrado, institucional, para manter essa mobilização no cenário pós-golpe?

O PT tornou-se um partido incrivelmente fechado. O conceito de comunicação mostra isso. Por exemplo, ao invés de investir num portal aberto a todas as forças de esquerda, canalizando as energias intelectuais dispersas pelo país, ele criou a “Agência PT”.

Você entra no site do PT, no oficial e no não-oficial, e são sempre os mesmos nomes a dar opinião sobre todas coisas. É uma panelinha medíocre, totalmente incompatível com a magnitude das forças progressistas do país. E não há uma saudável e necessária auto-crítica.

Tudo isso explica o golpe, porque onde não há crítica, não há inteligência, nem criatividade, nem mudança.

Os petistas, porém, não querem “lavar a roupa suja em público”, e fazem suas críticas em grupinhos fechados, e aí nada muda, porque os mesmos capas pretas se beneficiam da pasmaceira. O pretexto de que “não é o momento” é usado ad infinitum, desde que o partido chegou ao poder e passou a sofrer ataques pesados da mídia e das castas burocráticas.

A crise representa, como no ideograma chinês, um perigo e uma oportunidade. A esquerda brasileira não vai morrer, porque ela renasce necessariamente das contradições do nosso sistema econômico e político. Mas os partidos podem morrer, ou perder o seu sentido histórico, sendo substituídos por outros, o que não é de todo mal, desde que isso seja um processo relativamente rápido – mas não é. À direita interessa que o PT sangre lentamente, impedindo tanto que o partido se renove quanto que acabe de uma vez e surja um novo.

As eleições deste ano testemunharão, possivelmente, um forte declínio da esquerda. Mas a consequência disso é que as forças que sobreviverem brilharão com uma luz mais forte, justamente por causa da escuridão ao redor.

Em política, todavia, nada morre. Tudo se transforma. O golpe, por exemplo, é uma grande oportunidade oferecida ao PT. Talvez a última, porque o golpe é uma derrota histórica muito grande para a direita. O partido deveria usar essa conjuntura para rever todas as suas estratégias. Oxigenar sua direção. Aperfeiçoar suas diretrizes. Atualizar slogans, cores, linguagem, semiótica. Sobretudo, abrir-se ao país e ao mundo!

Por que o PT nunca abrigou seminários políticos internacionais abertos, com presença de intelectuais de toda a América Latina, do mundo inteiro, para discutir o futuro das lutas da classe trabalhadora? E isso é coisa para ser feito regularmente, com a criação de fóruns permanentes.

A questão da corrupção deve ser enfrentada sem medo, através de um debate ético de alto nível. O golpe permite levar adiante o que o partido talvez não conseguisse se continuasse à frente do governo.

Sobre o impeachment no Senado, está claro que não é uma questão apenas dos senadores. O golpe não vem deles. O golpe é uma ação concertada entre todos os setores dominantes: capital, burocracia, mídia. Os senadores são o elo mais fraco e mais instável do golpe, porque são políticos, e como tais, vulneráveis às mudanças da opinião pública. Mas também são vulneráveis em outros sentidos. As castas burocráticas, aliadas à mídia, cercam os senadores de todos os lados, com todo o tipo de ameaça, enquanto o grande capital lhes oferece dinheiro sem limite. Como lutar contra forças tão poderosas?

As famigeradas “ruas” estão desmobilizadas por causa dos erros da esquerda e do próprio governo. Desde o início da segunda gestão, as lideranças dos movimentos sociais alertavam Dilma e sua equipe de que todas a mensagens políticas emitidas pelo governo, num momento em que já era possível antever o golpe, eram desmobilizantes. Não havia a mínima inteligência política. Logo no início de 2015, Mercadante liderou uma coletiva de imprensa em que anunciava medidas conservadoras. Ora, algumas até eram justas, mas a forma como tudo foi comunicado ao público, era tão estúpido! O governo só usava a TV para alardear o ajuste fiscal, ao invés de usá-la para anunciar coisas positivas, que melhorassem o astral econômico do país e contribuíssem para a retomadas das atividades e dos investimentos.

O governo queria fazer papel de malvado, porque entendia que era a melhor maneira de seduzir o mercado.

Esse vinha sendo o modus operandi do PT há tempos, na verdade. Conquistar o setor progressista com resultados concretos na economia, e o “mercado” com mensagens políticas claramente submissas ao mercado. A tática de despolitizar o debate era uma estratégia aparentemente astuta, que visava não criar antagonismo com as forças do capital.

Hoje o PT se vê numa armadilha. Com os ataques midiáticos-judiciais pesadíssimos que vem sofrendo há tempos, que afetaram terrivelmente sua imagem, a legenda, sofrendo uma debandada de apoiadores, tenta segurar o núcleo duro de sua militância mais aguerrida com uma linguagem radicalizada que, no entanto, não combina com sua história, nem com o seu comportamento real até hoje, nas prefeituras, nos governos estaduais e nos parlamentos.

A direita, cujo núcleo orgânico está na mídia, conseguiu encurralar o PT num cantinho radicalizado, fazendo o partido perder as relações amigáveis que ele havia construído, por todos esses anos, com setores estratégicos do capital nacional. Aliás, a violência das conspirações midiático-judiciais contra Marcelo Odebrecht, por exemplo, não é pela a corrupção, e sim pela relação de empatia que havia sido construída entre o grupo e o PT. Esse parece ter sido o principal crime dos empreiteiros: financiar o PT! Daí a vingança do sistema, com ares de sadismo.

Entretanto, o papel de esquerda radicalizada, voltada para a linguagem incendiária de luta de classes, já foi ocupado pelo PSOL, que cresceu de maneira significativa não apenas nos legislativos, mas sobretudo no que é a antessala das vitórias eleitorais para candidatos de opinião: a classe média progressista.

Daí que PSOL e PT se encontraram na esquina de suas respectivas aflições. O PSOL sofre também com a direitização do debate político, porque até então ainda conseguia obter o voto moralista da classe média antipetista. Hoje não mais. Hoje essa classe média vota em Bolsonaro, não mais no PSOL. Para sobreviver e crescer, o PSOL precisa conquistar também o voto popular, sobretudo se tem ambições maiores do que eleger vereadores.

Os vereadores do PSOL, contudo, e toda a sua arraia-miúda, ainda transita nesse universo radicalizado, onde a maneira mais fácil de obter apoio é bater na direita, de um lado, e no PT, de outro.

É assim que um nome forte do PSOL, como Marcelo Freixo, por exemplo, pré-candidato à prefeitura do Rio, faz sinais de distensão política para o PT, mas é travado por sua própria militância partidária.

Mas o PT tem tanta culpa quanto o PSOL por essa divisão na esquerda. Há sectarismo de ambos os lados, e talvez o caso do PT seja ainda mais lamentável, porque a sua direção e seus parlamentares tem um papel muito mais determinante nos acontecimentos políticos do aqui e agora, e demonstram uma inacreditável apatia política.

Enfim, é o velho clichê: a noite deve ficar ainda bem mais escura antes de chegar a aurora.

Mas ela, a aurora, chegará!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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17 comentários

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Sérgio Silveira

24 de julho de 2016 às 00h10

E eles acham, Felipe, que no meio deste apocalipse, deste Armagedom contra o PT, metendo o pau, vão ajudar a democracia e que ainda vão sair ganhando alguma coisa…
Ou se juntam ao PT contra a corja que domina o Brasil, ou serão “mortos” pela direita logo após liquidarem o PT!

Responder

Isso Mesmo

24 de julho de 2016 às 01h02

Já não mais é hora de refletir
sobre o que aconteceu, acontece ou vai acontecer. A hora é de pensar no que
deve ser feito. Agir de forma democrática e aguerrida.

“À direita interessa que o PT sangre lentamente, impedindo tanto que o
partido se renove quanto que acabe de uma vez e surja um novo.”

Muito boa a frase. Ela mostra bem
a situação. A divisão que existe na esquerda. Tanto entre PT e Psol. Tanto
entre ideias e partidos.

Como Assim?

O que poucos perceberam é que o
maior entrave na reação contra o golpe tem sido o ato de colar os ideias progressistas
em determinados partidos políticos. Não estou dizendo que os partidos não
defendem a causa progressista. O que estou dizendo é que o pensamento
progressista existe, independentemente da existência dos partidos. O PT, o
Psol, PCdoB e outros podem morrer, mas o conjunto de ideias que eles
representam vai continuar existindo na cabeça das pessoas.

Pensando dessa forma, os
golpistas logo trataram de fundir as duas coisas. O PIG teve o papel chave em
tudo.

TICO: atacaram em uma frente na
qual o governo do PT era associado a todo tipo de desgraça. Um governo corrupto
ineficiente, bolivarianista, amigo de terrorista, e por ai vai. O PT ajudou
muito ao cometer os erros estratégicos e fazer vista grossa para a situação.

TECO: em outra frente, eles promoveram o processo de
idiotização social, semeando todo tipo de ideia retrógrada e transformando até os
mais esclarecidos em potenciais midíotas.
Eles desqualificaram a forma progressista de pensar de um modo tão poderoso,
que tem gente achando que os trabalhadores devem cobrar menos salário para não
prejudicar o lucro do patrão e ele não fechar a fábrica.

–x–

O processo corria bem dentro da
classe média e nos mais conservadores, porém não estava entrando nos mais
humildes. Aqueles que são a maioria e eram a base de apoio do PT. Nem mesmo as
jornadas de junho conseguiram barrar a reeleição da Dilma.

A queda do PT começou no momento
em que o golpismo conseguiu chegar no campo econômico. Sob forte inflação,
retração do PIB, desaceleração e aumento do desemprego. Como de costume, foram
justamente os mais humildes, a base social dos movimentos progressistas que foi
afetada.

Ai o PIG tinha a faca e o queijo
na mão. Bastou pegar toda a associação PT-desgraça do TICO e grudar no processo
de idiotização acontecido no TECO. Como a maioria dos coxinhas só tem 2 neurônios.
Colocando os dois pra trabalharem juntos cria-se essa fauna política:

Que vê o PT, Psol, comunistas,
bolivarianistas como grades inimigos sanguinários, que para derrotá-los é
preciso estar ao lado de todo tipo de pensamento atrasado.

Que contraria qualquer pensamento
progressista por achar que eles estão ligados como os grades inimigos
sanguinários PT, Psol, comunistas, bolivarianistas, ou qualquer pessoa que
tenha um pensamento crítico.

Graças ao PIG, esse processo pode
ser alimentado sem a necessidade de um líder ou partido político que o conduza.
Bolsonaro não tem mais que 6% de intensão nas pesquisas e os mesmos “bolsonetes”
que atacam os comunistas são os mesmos cercam as ideias liberais defendidas
pelo Kim Paystation. Os coxinhas expulsaram o Aécio e o Chuchu da manifestação
e não estão a favor do Temmer. Tem muito reacionário acreditando fielmente que
a Globo e a Folha são petistas. Mas apesar de tudo, o processo continua vivo. É
o resultado dessa associação TICO/TECO.

MAS AONDE NÓS ENTRAMOS NISSO?

Exatamente no momento em que
fazemos o jogo dos golpistas.

Como o próprio Miguel disse. O PT
e as principais lideranças de esquerda se fecharam para si.

E mais!

Ainda se colocaram como sumo
sacerdotes do universo progressista, reforçando a associação TICO/TECO e fazendo
o pior. Sufocando movimentos progressistas de linhas independentes e menos
partidarizadas.

O PT, Psol, MST, e outros,
mataram a bola no peito, tomaram para si e disseram. Nós somos o universo
progressista e tudo que tiver envolvimento tem que passar pela gente.

De fato esses partidos e
movimentos merecem grande reconhecimento pelos avanços sociais, mas não tem
como pensar que tudo está ligado com eles, principalmente o PT, porque é dessa
forma que os golpistas gostariam.

“À direita interessa que o PT sangre lentamente, impedindo tanto que o
partido se renove quanto que acabe de uma vez e surja um novo.”

A ala progressista não dialoga com
o povão, não toma ações mais contundentes porque fica na espera de seus “porta
vozes” Lula, Dilma, MST, etc. Por acreditarem que somente eles podem convocar.
Que tudo só fará sentido se tiver o aval deles.

Os “porta vozes” Lula, Dilma,
MST, etc, por sua vez, se fecham pra si, não criam motivação por acreditarem
que ala progressista está desanimada e por medo de perderem o protagonismo.

E no meio desse FlaFlu político
(coxinha vs petralha) qualquer tipo de pensamento contrário ao ideário dos
golpistas cai diretamente na associação TICO/TECO. E a ala dos progressistas independentes
fica com medo dar um passo à frente e ser cooptada ou levar fogo pelos dois
lados.

São milhares e milhares de cérebros querendo ajudar o Brasil, querendo vencer
a reação conservadora. Por que essas pessoas não foram mobilizadas antes? Por
que não há um esforço concentrado, institucional, para manter essa mobilização
no cenário pós-golpe?

A verdade é que para combater o
golpe, o PT e esquerda de um modo geral, vai ter segurar suas ambições de roer o
osso. Terão que aceitar a participação de linhas independentes e menos
partidarizadas. Isso vai ser importante sair da bolha em que estão imersos e
trazer novas mentes para a luta pelo progresso. A militância deve entender que
as iniciativas espontâneas devem acontecer. É preciso correr com a caravana e
não ficar esperando o PT. Se eles estiverem dispostos. Que venham e serão bem
recebidos, mas o golpe provavelmente irá se consumar e talvez o PT será página
virada.

Responder

Sueli De Carvalho Silva

23 de julho de 2016 às 13h27

Acho injusto colocar toda a culpa do GOLPE nas costas do PT e da DILMA.
Todos os partidos de ESQUERDA sem exceção, tem sua parcela de culpa.
Suas posições radicais, colocaram em 2º plano os IDEAIS SOCIALISTAS, em picuinhas entre si.
Estratégias puristas ingenuas da maioria dos DISSIDENTES do PT, onde alguns cospem no prato que comeram.
Com interesses contrariados e revanchismos burros, combatendo a própria esquerda, não viram que seríamos tragados como fomos, pela direita corrupta, não por ser maioria, mas por ter todas as armas de sedução e sedição nas mãos.
Infelizmente não tivemos nenhum CAVALO DE TROIA e ninguém com boa mira para acertar de estilingue o calcanhar de AQUILES.
Desde o despertar do gigante pelo PSOL e PSTU, o estopim que há muito a direita esperava. Não vi nenhum mea culpa, e nada que tentasse reverter esse processo. Só acusações e chororô de quem se acha fora do barco.
A continuar essa visão e por esse caminho, morreremos todos e pior, nem sequer abraçados, furando o olho um do outro ad infinitum.

Responder

    Sérgio Silveira

    24 de julho de 2016 às 00h04

    PARABËNS, Suely!! Voce sintetizou exatamente a situação e como eu penso também!!
    Eu vejo muita ciumeira das esquerdas, inclusive deste blog e do Tijolaço, por serem brizolistas ou por se sentirem preteridos por um dos maiores partidos social-democrata do mundo!
    É um tal de chororô prá lá e pra cá sempre criminalizando tudo o que o PT fez e depreciando os enormes avanços possiveis dentro de uma conjuntura extremamente adversa e que se acirrou completamente nos últimos 3 anos…
    O PT é mais combatido por seus enormes acertos do que por seus possiveis erros
    Sem ele as esquerdas jamais sentiriam a possibilidade de ascender ao poder
    O PT é um CAVALO de TRÖIA dentro de um sistema politico extremamente corrupto e plutocrata
    Daí a virulência extrema com que tem sido atacado! A direita acusou o golpe
    As esquerdas, ao fazerem o jogo que a direta quer só contribuem para seus próprios fins…

    Responder

felipe vicente

23 de julho de 2016 às 13h31

SO FALTA ESSA BLOGUEIROS DITOS PROGRESSISTAS ATACANDO O PT !
QUE VENHA A GLOBO, A VEJA E A FSP ! SAO MENOS CRUEIS E PRODUZEM MENOS DESTROÇOS!

Responder

JOHN J.

23 de julho de 2016 às 13h13

A PF, A JUSTIÇA, O JUDICIÁRIO, O LEGISLATIVO, O EXECUTIVO ESTÃO INFILTRADOS DE CORRUPTOS E APOIADORES DA ELITES SONEGADORAS QUE PAGAM MUITO MAIS QUE OS EMPREGOS PÚBLICOS E NÃO PRECISAM COMPROVAR NO IMPOSTO DE RENDA, É TUDO POR FORA, SONEGAÇÃO E LAVAGEM DE GRANA ROUBADA DO ERÁRIO.
VEJAM UM CASO EM QUE SE A POLICIA NÃO FOSSE CORRUPTA, JÁ ESTARIA AGINDO E PRENDENDO UM MONTE DE CORRUPTOS DO LEGISLATIVO E DO EMPRESARIADO.
MAS A PF SÓ ESTÁ INTERESSADA EM PRENDER O LULA E A DILMA E ESTÁ HÁ MAIS DE 8 ANOS TENTANDO ISSO E NÃO CONSEGUE UMA SÓ PROVA, ENQUANTO OS VERDADEIROS BANDIDOS ESTÃO AÍ, AGINDO LIVREMENTE SOB OS OLHARES COMPLACENTES E LENIENTES DO DOUTOR MORO E SEUS CUPINCHAS,
**** RODRIGO MAIA (DEM RJ), PRESIDENTE DA CÂMARA, ADMITE ACORDO PARA ENTERRAR CPI QUE INVESTIGA EMPRESAS (CPI DO CARF). Ele é filho de César Mai e já mostra no inicia de seu mandato tampão, seu DNA de político corrupto.
Decisão de Maia sobre CPI do Carf livra todos empresários suspeitos de fraude fiscal.http://www.redebrasilatual.com
Para deputado do Psol Ivan Valente, novo presidente da Câmara foi eleito já tendo feito acordo com PSDB para barrar investigações. é tomada no momento em que a CPI e a operação Zelotes estão em pleno funcionamento, e uma semana após o representante da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) no conselho do Carf, João Carlos de Figueiredo Neto, ter sido preso, flagrado chantageando o banco Itaú.
“Rodrigo Maia já deixa sua marca de blindador das grandes empresas ao cancelar a prorrogação da CPI do Carf. Certamente tem acordo com o PSDB e outros partidos. O Psol denunciará manobra que visa proteger fraudadores da Receita Federal, que deveriam ser multados em bilhões de reais, muitos dos quais já estão indiciados e até denunciados”, afirmou o deputado Ivan Valente (Psol-SP).
O partido já havia apresentado na CPI do Carf diversos requerimentos convocando empresários envolvidos em escândalos da Operação Zelotes, inclusive André Gerdau (do grupo que leva seu sobrenome), e Luiz Carlos Trabuco (Bradesco). “Outras empresas que estão sendo blindadas com a medida de Maia são Safra, Santander, RBS e algumas montadoras de veículos”, diz a nota.
A Zelotes começou investigando fraude fiscal de uma série de empresas grandes, incluindo filiadas da Rede Globo, mas acabou direcionando parte dos seus trabalhos para apurar caso de corrupção envolvendo as empresas do filho do ex-presidente Lula.

Responder

Ricardo Cebalho

23 de julho de 2016 às 12h47

Miguel, Você tem toda razão mas acredito que um partido do povo e de esquerda precisa de um presidente com liderança, carisma, imaginação estratégica para organizar movimentos e muita disposição. Não de uma pessoa apagada sem dinamismo para a luta como o atual do PT.
Só podia dar nisso.

Responder

Maria Eunice

23 de julho de 2016 às 10h50

Tudo certo. E Miguel do Rosário é bom.

Mas…….

Coloco está questão: no governo da direita, o que mais acompanhei, e foi eleito, FHC ninguém relacionava o governo a um partido, o PSDB com a força que se relaciona o PT ao governo.

Nem Lula nem Dilma foi muito PT não é mesmo? E os erros foram a parte de individualismo e não petismo.

E os acertos foram também pessoais e não petistas.

Falar mal de petistas ajuda a direita nas eleições, mas não cutuca o erro e nem sabemos de fato quais foram o erros petistas. E quais foram os dos governos.

Acho que foi um erro mercadante, então. E um erro vacarezza.

Responder

Maria Thereza G. de Freitas

23 de julho de 2016 às 10h08

faço minhas as palavras do Omar Luz.

Responder

Omar Luz

23 de julho de 2016 às 08h31

Venho sempre por aqui buscar o que encontro, a lucidez no meio do caos, o sentido no meio do confuso. Sua análise é primorosa. Mas como leitor quase silencioso, escrevo pelo que respeitosamente discordo. A crítica aos Partido dos Trabalhadores, no caso, me parece excessiva e deveria ser ampliada a outros segmentos. O meio acadêmico, por exemplo, tão prestigiado na última década o que produziu para transformação da sociedade, outros partidos ditos de esquerda como se comportaram, como se comportou a classe média. E uma autocrítica: como cada um de nós se comportou politicamente na última década. Assentamos tijolos ou arremessamos tijolos.É um peso absoluto sobre um partido formado pessoas e não uma entidade terminada, coesa e completa. Não devemos esquecer que o PT esteve e está sob pesada artilharia de difamação e perseguição. Outro dia encontrei uma amigo que me disse: “agora sou Psol”. “O PT foi longe de mais”. O que aconteceu com esse amigo é que ele absorveu as calúnias diuturnas feitas pelo monopólio midiático contra o PT e busca a remissão e refúgio. Busca apagar qualquer envolvimento com esses “criminosos” que tanto contribuíram para o país. Bom é isso, o risco é culparmos o doente por sua doença. Abraços e obrigado por sua luta.

Responder

maria nadiê Rodrigues

23 de julho de 2016 às 08h19

Também entendo assim as posições petistas. Acontece que depois de Moro, que tem como princípio prender Lula, e, se puder, Dilma, também já se encarregou de prender três tesoureiros petistas. A perseguição contra Gleisi e marido não é, senão, tirar a mulher da sua posição. A operação que envolve Bernardo é a mesma que envolve uma porção de outros, mas pergunte se alguém se lembra desses outros nomes?

Responder

Antonio Passos

23 de julho de 2016 às 01h12

É claro que concordo em muita coisa, mas porque o PT se tornou o “grande culpado” desta VERGONHA que a esquerda brasileira está fazendo ? Vamos engrossar essas fileiras ! Onde você viu esta inteligência aguerrida pronta para o combate ? Eu não vejo nada disso, mas sim uma elite COVARDE. Um exemplo, temos inúmeros grandes juristas que se opõem claramente ao núcleo golpista do judiciário. E o que fazem estes juristas ? NADA além de dar entrevistinhas repletas de datas venias. É claro que ações muito mais forte poderiam ter sido realizadas. E a classe artística ? Cadê ? Foi só aquilo que se viu ? Confrontar é o que fez Marilena Chauí e Leonardo Boff. SÓ eles, e poucas vezes. Precisaríamos de mais dezenas falando neste tom o tempo todo, aqui e no exterior. Não sei, posso estar completamente errado, mas é o que me parece, ou seja, que temos uma esquerda bunda mole. Faltou luta, com certeza faltou, infelizmente, começando pela presidente como você disse.

Responder

    Carlos Dias

    23 de julho de 2016 às 02h17

    Acho que as vezes os blogueiros exageram com sua exasperação… O jango , quando caiu, tinha uma popularidade grande.. E estava fazendo exatamente o oposto que o governo Dilma fez. Jango anunciou as reformas de base e radicalizou o discurso, chamou o povo pra rua e……. caiu… Concordo com voce. é um tal de culparem o PT até pela apatia que se estabeleceu em toda sociedade. Ora, concordo com essa tese.. Realmente, há muita apatia por todo lado. Vejamos o PIG.. fora o golpe,o que o PIG fez de grande novidade? Nada! Como você disse.. cadê os juristas? Cadê os professores, etc? Estão todos com um certo desânimo? Um pouco, alguns um pouco mais… O tempo não é nosso amigo.. Mas muitos setores estão em constante mobilização.. Ocorre, no entanto, que as castas do Estado se mostram blindadas e temos o pior Congresso de todos os tempos… Diante desse quadro, há questionamentos naturais. o que se mostrará mais efetivo? Na minha modesta opinião, acho que a Dilma deve mesmo esgotar os meios “legais” para reaver seu mandato…. Antes disso, não creio que seja possível, ou mesmo efetivo, um enfrentamento mais contundente nas ruas… A situação é interessante… Achoq ue fica essa espectativa… será que a direita já usou todas as aras? Terão algumas balas-de-prata? É hora do blefe.. na minha opinião, posso estar redondaente enganado, a direita não tem mais nada. Estão com um baralho que não dá pra baixar e por isso retardam cada vez mais o último lance…

    Responder

      Antonio Passos

      23 de julho de 2016 às 11h22

      Exato Carlos e sabe o que eu acho mais doloroso ? Posso estar maluco, mas eu acho que quando foi grampeada, Dilma teve a faca, o queijo, a goiabada, tudo na mão pra dar o contra golpe. Eu tenho 99% de certeza (posso estar errado) de que as forças armadas ficariam do lado dela. Seria pauleira da mídia mas ela ganhava essa batalha. Decretava um estado de exceção, fazia uma intervenção em “várias” frentes golpistas, obtinha provas e expunha à nação e ao mundo. E deixava o pau comer com a imprensa e a coxinharada. Seria muita turbulência mas ela venceria, porque grampo em presidente é passar atestado de golpe. Mas Dilma preferiu o bunker, isso a história não vai desculpar.

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Antonio Passos

23 de julho de 2016 às 01h01

É claro que concordo em muita coisa, mas porque o PT se tornou o “grande culpado” desta VERGONHA que a esquerda brasileira está fazendo ? Vamos engrossar essas fileiras ! Onde você viu esta inteligência aguerrida pronta

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Carlos Dias

23 de julho de 2016 às 00h52

Miguel, eu concordo em gênero, número e grau com você. Se eu puder falar algo em defesa do meu partido é que nada disso ocorreu por inação, mas por ingenuidade e incompetência. Os expoentes não entenderam onde se trava o jogo político moderno. Nunca entenderam que o campo de batalhas ideológicos se faz na grande mídia e nos desfiladeiros sombrios da internet. Os petistas clássicos pensavam que simplesmente com patrocínio teriam propagandas na mídia e teriam espaço.. Isso até funcionou por algum tempo.. Mas eles ignoraram o caráter classista da mídia, ignoraram que a mídia é um destacamento avançado, uma tropa de elite, da direita conservadora… e esse foi o grande erro.. Nessa situação, fica difícil ate mostrar que está se mobilizando porque simplesmente a grande não divulga nada. A mídia simplesmente não dá nenhum espaço aospetistas.

A militância está cansada por longos anos de sofrimento e luta continuados.. Luta essa, você disse muito bem, sem o amparo do partido. Faltou mesmo essa reciprocidade Dilma e o PT deixaram a militãncia quase órfã. Como eu disse aqui uma vez ( e tive o prazer de ver o que eu disse comentado por você – lhe agradeço muitíssimo), precisamos agora da ação de vocês blogueiros. Ação essa que, espero, possa ser para além da crítica. Ação que deve orientar, posicionar e acionar a militância. Devemos continuar com a lavação de roupa suja, sim, mas devemos também chamar o bloco pra rua. Não estou desanimado e a resistência ao golpe teve apenas um abatimento moral momentâneo. Os movimentos e atos contra o golpe me dão essa certeza.. Há um número muito grande de gente a espera do comando, da articulação. Tenho absoluta certeza que o governo usurpador não tem sustentação… eles não podem sair à rua, eles não podem comparecer a nenhum encontro aqui ou lá fora…. Como sempre digo, cabe aos blogueiros (esses que estão com o protagonismo histórico do momento atual) assumir , de direito e de fato, essa liderança. Go!!!

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Carlos

23 de julho de 2016 às 00h30

“É bandidagem midiática explícita. Os coxinhas são vítimas. Um dia, mais próximo do que imaginamos, eles serão nossos parceiros na luta contra os delinquentes da mídia.” Só se for por você e os outros Naruto’s da vida. Enquanto não culparem as vivandeira pelo que fizeram, eles vão continuar fazendo. Coxinha não é vitima, nem aqui nem lá em Marte! Vocês tem que parar com essas “síndrome de Ursinhos Carinhosos” e querer ficar amigucho dos que lhe batem. Tenha dó! Isso é burrismo! No artigo você critica o fato do PSOL querer ” o voto moralista da classe média antipetista. “, mas falar que “Já é tempo inclusive de pararmos as brigas contra “coxinhas” e entendermos isso. A coisa saiu, há tempos, do campo do proselitismo ideológico.”, tipo, você está querendo fazer a mesma coisa que está criticando!?

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