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Brasília - DF, 27/07/2016. Presidenta Dilma Rousseff acompanhada do Ricardo Leyser durante Face to Face no Palácio da Alvorada.Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Depois do impeachment. Por Jeferson Miola

Por Redação

28 de julho de 2016 : 11h31

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

por Jeferson Miola

O mês de agosto deste 2016 reserva uma decisão de importância capital para o futuro do Brasil: o impeachment fraudulento da Presidente Dilma ou será derrotado ou será aprovado no Senado da República.

A evocação de outros agostos dramáticos da história do país é inevitável. Na madrugada de 24 daquele agosto de 1954, os fascistas ancestrais dos golpistas de hoje, portadores de idênticos propósitos anti-nação e anti-povo que os atuais, levaram Getúlio Vargas ao suicídio.

No 25 de agosto de 1961, a mesma oligarquia golpista que perpetra o golpe atual tentou impedir que o vice-presidente João Goulart substituísse o ex-presidente Jânio Quadros, que havia renunciado ao mandato. Foi, porém, derrotada pela Campanha da Legalidade dirigida pelo então governador gaúcho Leonel Brizola, que garantiu a posse de Jango na Presidência.

Em agosto próximo, a votação da farsa do impeachment no Senado terá obrigatoriamente um desfecho: ou vence a democracia e a Constituição, ou vencem os golpistas conspiradores.

O resultado deste processo definirá o ambiente e o padrão da luta política no país para o próximo período. Na eventualidade de se consumar o golpe de Estado, o papel reservado às forças de esquerda, progressistas e democráticas deverá ser do combate permanente e sem concessões ao governo usurpador.

O golpe de Estado cria uma circunstância excepcional, de ruptura da ordem democrática e constitucional vigente – que só é disfarçada como “normalidade institucional” pela cobertura do Poder Judiciário aos conspiradores. Um governo usurpador, que assalta o Poder com um golpe de Estado, não merece sofrer a oposição institucional e parlamentar convencional, porque deve ser denunciado e combatido com vigor, durante todo o tempo que durar a ilegitimidade, até que a democracia e a Constituição sejam restauradas.

O objetivo dos golpistas é executar rapidamente o plano nefasto que jamais seria sufragado nas urnas: acabar com os direitos trabalhistas e previdenciários; destruir o SUS, as políticas sociais e o sistema de educação; entregar as riquezas, o petróleo e as terras do país a estrangeiros; subordinar o Brasil aos interesses das potências e transferir a renda pública nacional para a especulação financeira internacional.

Michel Temer, ironicamente, tem manifestado o desejo de conversar com Lula uma vez consumado o golpe. Uma frase resume a mensagem que o presidente usurpador deveria ouvir: não há diálogo com conspiradores; há muita resistência, luta popular e combate sem trégua aos golpistas!

Na eventualidade de derrota do impeachment, Dilma reassume o mandato que começou a ser ilegalmente interrompido na decisão da “assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha”, como define a imprensa internacional a deplorável sessão de 17 de abril da Câmara dos Deputados.

Nos círculos da resistência democrática, discute-se se Dilma, uma vez reassumindo o mandato, deveria propor a realização de plebiscito no qual o povo decidiria a respeito da antecipação da eleição presidencial. Na prática, esta proposta tem o mesmo efeito do golpe, ou seja, a subtração de tempo do mandato conferido a ela por 54.501.318 brasileiros/as.

Seria impensável o Brasil assumir a punição implacável que o governo da Turquia aplicou aos golpistas derrotados daquele país. A ausência de castigo severo aos golpistas, por outro lado, deixa a democracia brasileira em permanente suspense; deixa a ordem democrática à mercê do animus golpista que de tempos em tempos – ou, de agostos em agostos – brota do DNA da oligarquia golpista. A impunidade é nefastas para a democracia.

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3 comentários

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AllianzParqueTop

29 de julho de 2016 às 05h15

Sou 100% a favor da GUERRA CIVIL. Não existe mais diálogo entre a direita e a esquerda. Eles espalharam o ódio e as consequências serão inevitáveis. Não pensem que eles dão o GOLPE e fica por isso mesmo. O País NUNCA MAIS TERÁ PAZ, E AS MANIFESTAÇÕES SERÃO DIÁRIAS. O PAÍS NÃO VAI ANDAR, PQ O POVO NÃO VAI DEIXAR. No mais, a conta de mais de 300 anos de humilhação sofrida nas mãos desses FDP conservadores terá que ser paga, e com sangue. Não demorará pra shoppings serem explodidos, carros serem destruídos nas ruas, assim como acontece na França. A violência explodirá naturalmente, cotidianamente..já que milhões irão cair no crime pra sobreviver, pois, não haverá empregos (O Moro desempregou mais de 11 milhões de pessoas até aqui com essa FARSA DA LAJA-JATO ANTI PT, ANTI-BRASIL). Quem dera se nosso povo fosse um povo corajoso, NACIONALISTA como os turcos. O certo seria prender esses golpistas todos, fechar esses canais de tv e rádios que apoiaram essa FARSA TODA. O País precisa dessa higienização, o País precisa recomeçar do zero.

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Biana

28 de julho de 2016 às 13h29

Não se trata de convocar plebiscito para eleição presidencial, isso não teria sentido algum, talvez favorecesse apenas os grupos derrotados em 2014, mas sem nenhum sentido democrático, seria um aval ao golpe.
O plebiscito faz sentido quando se refere a reforma política, uma mudança nesse formato atual, que dê representatividade ao legislativo e acabe com essa matemágica eleitoral e que também inclua o judiciário, isso mesmo. O judiciário deve ter algum representante escolhido pelo voto do povo na sua composição.

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Sérgio Silveira

28 de julho de 2016 às 13h04

Só há dois caminhos:
a) Dilma retoma a Presidência e imediatamente faz igual à Turquia, PRENDE golpistas e suas quadrilhas: de moro á temer, de janot à gilmar, dos marinhoa aos civitas.
B) consolida-se o golpe e partimos para a guerra civil, executando os mesmos acima citados.
Particularmente prefiro a primeira alternativa, mas…

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