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Vídeo: Antonio Veronese ao Cafezinho, sobre o golpe: “Vergonha!”

Por Miguel do Rosário

02 de setembro de 2016 : 14h00

Arpeggio – Coluna Política Diária – 02/09/2016

Entrevista exclusiva para o blog O Cafezinho

Antonio Veronese, o grande artista que o Brasil ignora, lamenta o golpe: “nunca senti tanta vergonha”

Por Miguel do Rosário

“Na pintura de Antonio Veronese existem moças bonitas que eu, fosse um rapaz solteiro, gostaria de namorar”, Tom Jobim.

Na estação de metrô Cardeal Arcoverde, em Copacabana, num dos pilares entre os trilhos, vê-se uma plaquinha com uma frase de Antônio Carlos Jobim, com um poético elogio à pintura de Antonio Veronese. O tamanho da placa e das fontes é grande o suficiente para se ler da plataforma de embarque, enquanto se aguarda o trem. Curiosamente, não vi nenhuma pintura do Veronese no local. Mas a plaquinha está lá, solitária e misteriosa, quase como um recado pessoal para mim, que uso aquela estação regularmente.

Então resolvo pesquisar mais sobre Antonio Veronese, pintor brasileiro radicado na França há muitos anos. Descubro um magnífico artista plástico, reconhecido lá fora, com exposições regulares na França, Estados Unidos, Itália, Dubai.

Suas pinturas podem ser vistas neste Flickr.

Além de artista plástico, Veronese é um cidadão politizado, de esquerda, mais um dos milhares de brasileiros que, seja onde estiverem, lutam diariamente contra as mentiras da nossa mídia, que é a mídia mais mentirosa e mais golpista do planeta.

O golpe deixou-o profundamente consternado. “Nunca senti tanta vergonha do meu país”, diz Veronese ao Cafezinho, explicando que os franceses consideravam os avanços contra a miséria e contra a fome, promovidos por Lula e Dilma, como uma grande recuperação moral e ética do Brasil.

“Vocês voltarão a ser uma república de bananas”, é o que seus amigos franceses lhe dizem, conta o artista plástico, lembrando que Lula recebeu título honoris causa da Science Po, um do principais centros de estudo de ciências políticas no mundo.

O Brasil de Lula e Dilma, que associava crescimento econômico, baixo desemprego, democracia e grandes programas sociais, vinha sendo uma luz para o mundo, observa Veronese.

Dilma encerrou seu primeiro mandato com a menor taxa de desemprego da história brasileira. Os problemas que vieram depois podem ser colocados na conta do golpe, cujas conspirações e operações de desestabilização política e econômica se iniciaram já no dia seguinte à segunda vitória eleitoral da presidenta.

Infelizmente, no próprio Brasil, nossas elites econômicas e golpistas parecem não ver nenhuma associação entre ética e políticas que combatem a fome e a miséria. Ética, para elas, é um conceito puramente midiático, associado às marchas de verde amarelo com selfies junto a policiais fortemente armados, salpicada de faixas pedindo intervenção militar ou lamentando que a ditadura não tenha matado a todos os esquerdistas.

Veronese explica ao Cafezinho que procura ver a sua arte como Kafka considerava a sua literatura, como um fura-gelo no estômago de burgueses e reacionários, e que, talvez por isso, consiga vender seus trabalhos em toda parte menos no Brasil, onde as elites “tem dinheiro, mas não tem nenhuma sofisticação”.

Eu queria levar algumas palavras de consolo a Veronese, pois entendo que os brasileiros no exterior sofrem duplamente com o golpe. É como se vissem seu próprio filho doente, à beira da morte, e não pudessem estar perto, para ajudá-lo.

Mas não tenho essas palavras de consolo. Ou talvez eu pudesse dizer que há uma certa beleza poética no golpe, porque ele servirá a algumas causas filosóficas importantes, sendo a principal a de recolocar a questão democrática no centro da luta política.

A partir de agora teremos obrigação de lutar por democracia não apenas na política, mas na economia, na mídia, nos impostos, no futebol, nas artes.

Na próxima volta do parafuso, queremos inteiro, não pela metade.

***

Assista abaixo à entrevista concedida ao blog O Cafezinho, via Whatsapp.

Abaixo, algumas pinturas da mais recente exposição do artista.

P1030822

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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nadja

02 de setembro de 2016 às 16h07

Obrigada, nesse dia triste essa reportagem foi um afagar, um carinho…um bálsamo

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