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Espiando o poder – Contra os tiros, o financiamento privado

Por Luis Edmundo

01 de outubro de 2016 : 11h52

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Espiando o poder: análise diária da grande imprensa

Por Luis Edmundo Araujo, colunista do Cafezinho

Na véspera da primeira eleição em meio a um golpe de Estado no Brasil, a disputa pelas prefeituras domina as manchetes do Estado de São Paulo e do Globo, também da Folha, que anteontem abriu na capa a morte ao vivo, em plena campanha eleitoral, e hoje dá seu recado no editorial. O jornal pede a volta do financiamento privado das eleições, via pela qual transitam 99,9%, senão todos os casos de corrupção investigados, por exemplo, pela operação Lava Jato. Argumenta, o editorial, que a escassez de recursos aos candidatos abriu espaço ao crime organizado, o que casa bem com a manchete também de dois dias atrás do Globo, sobre as milícias entrando firme, forte, na campanha eleitoral.

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Sob o título Tiros na democracia, a Folha afirma, em suma, que não é possível se fazer eleição no País sem o financiamento privado, porque sem as verbas das empresas os candidatos cairão nas garras dos criminosos e alguns deles, inclusive, serão mortos. Seria um verdadeiro caos a continuidade do que o jornal chama de “grave desdobramento” da lei eleitoral, a “presença do crime organizado no sistema político”, como resumiu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) mais assíduo das páginas da grande mídia, concluindo o texto. E tamanha tragédia, tiros nas ruas com gente passando por causa das eleições, casa bem com as chamadas a anunciar desemprego e falência na economia, após cinco meses de desastre governamental., todas, nos três jornais, citando a afirmação de Michel Temer de que ele não tem culpa, não.

Em duas chamadas de uma coluna, no canto, a Folha em cima diz que “sobe o número de trabalhadores que desistem de buscar emprego”, e embaixo “Temer se exime de culpa por crise…”. O Estadão resume tudo num título só: “Desemprego atinge 12 milhões. Temer afirma que não é culpa dele”. É o início da velha, batida prática de se jogar todas as mazelas na chamada herança maldita, incentivada, pelo visto, pela grande mídia corporativa familiar, ainda que no Globo não num título. A tirada de corpo do presidente não votado e nem eleito, apenas empossado, saiu na primeira página do jornal carioca, sim, ao contrário do último recurso ao STF da presidenta afastada, votada, Dilma Rousseff. Apareceu na segunda frase de uma chamada menor, auxiliar da maior em cima dela, onde Temer surge em corpo maior anunciando que “sem reformas, país vai à falência” , em tabela perfeita com o editorial principal do jornal a afirmar, no título, que o “atraso na reforma da Previdência é contra o trabalhador”.

De um lado a hecatombe financeira, desemprego e falência, do outro o tiroteio eleitoral, que só o financiamento privado pode resolver, e vai-se formando o clima necessário, propício a medidas de emergência, de excessão, e a Lava Jato mantém seu lugar quase cativo nas primeiras páginas dos três jornais com a extensão da prisão do ex-ministro Antonio Palocci a tempo indeterminado, sem provas. Mas o destaque mesmo nas três capas, como não poderia deixar de ser, vai para o pleito de amanhã.

Depois de dois dias seguidos de WhatsApp, a Folha enfim exibe a foto de um profissional da casa como a principal da capa, assim como o Estadão, que mostra a mesma imagem de outro ângulo. Trata-se do Monumento às bandeiras, um dos símbolos de São Paulo, pichado pelo que os dois jornais concorrentes chamam na legenda de “tinta colorida”, que no entanto possui três cores apenas, e bem definidas. Embaixo, no rés do chão, o verde; um pouco acima, ali pelas canelas dos bandeirantes, o amarelo; e no alto, sobressaindo em cheio sobre as figuras da estátua, o vermelho que a Folha mostra de frente, no alto e em toda a largura das seis colunas de sua primeira página, e que o Estadão exibe pelas costas, prestes a ser lavado.

E como hoje é sábado, e já estão nas bancas as revistas semanais com suas capas às vezes plagiadas, geralmente em off, baseadas no que foi dito de fulano ou sicrana por alguém que o leitor não fica sabendo quem é, a Época também revela seus desejos eleitorais. Vem na capa com um perfil ideal do candidato dos sonhos dos donos da revista, enquanto a Istoé exibe a cabeça de Palocci e a Veja, pra fingir imparcialidade, passa Renan Calheiros ao primeiro lugar da fila no rodízio de denúncias e delações contra o outro lado, contra aqueles que nunca são presos.

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Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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2 comentários

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Marivane

01 de outubro de 2016 às 19h24

NUNCA MAIS FINANCIAMENTO EMPRESARIAL

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Tulio Stephanini

01 de outubro de 2016 às 15h59

No Brasil até os mortos doam, a nova classe brasileira, os políticos, deveriam ir para o paredon.
http://epoca.globo.com/tempo/expresso/noticia/2016/09/desempregados-doam-r-52-milhoes-campanhas-politicas.html

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