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Ford Motor cancela operação bilionária no México. Economia mundial começa a sentir o “efeito Trump”

Por Redação

03 de janeiro de 2017 : 18h24

De acordo com o texto: “decisão foi anunciada horas depois de o presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar a rival General Motors por vender no mercado norte-americano modelos fabricados no México”.

No El País

Ford Motor cancela expansão no México após as ameaças de Trump

Empresa dá marcha a ré em um investimento de 1,6 bilhão de dólares para reforçar a produção em Michigan

Por Sandro Possi e David Marcial

A Ford Motor está revendo seu plano de expansão estratégica. Sob uma intensa pressão, a segunda maior fabricante de veículos de Detroit anunciou o cancelamento de um investimento de 1,6 bilhão de dólares no México. Em vez disso, destinará 700 milhões de dólares à ampliação da produção de carros elétricos em Michigan. A decisão foi anunciada horas depois de o presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar a rival General Motors por vender no mercado norte-americano modelos fabricados no México.

Trata-se do primeiro golpe para um dos setores estratégicos da economia mexicana. Junto com o setor manufatureiro, a indústria automobilística vive literalmente da demanda de seu vizinho do norte. Os Estados Unidos representam quase 80% das exportações mexicanas e mais da metade do investimento estrangeiro direto, uma hiperdependência que é um dos motores do crescimento no México. Antes de chegar à Casa Branca, o efeito Trump já está abalando as estruturas.

“A decisão da Ford confirma o risco de uma queda do investimento estrangeiro direto no México a partir de 2017 e torna provável que as taxas de câmbio alcancem novas máximas a curto prazo”, afirma Gabriela Siller, diretora de análise do Banco Base, mexicano. Poucos minutos depois do anúncio da montadora, o câmbio alcançou um máximo na jornada e no que já decorre no novo ano, de 20,90 pesos por dólar. A vitória do magnata revolucionou o peso, atingido durante mais de um ano pelas turbulências financeiras. Em 11 de novembro, a moeda mexicana atingiu seu recorde histórico de 21,30 pesos por dólar.

O investimento da Ford Motor foi anunciado em abril passado, em pleno fervor da campanha eleitoral dos Estados Unidos. O plano de seu CEO, Mark Fields, soou até como um desafio ao discurso protecionista do candidato republicano e de outros políticos que criticaram as grandes corporações recolocar empregos em regiões mais produtivas e com custos de mão-de-obra mais baixos.

Neste caso, o investimento seria destinado à construção de um novo complexo em San Luis Potosí, que daria emprego a 2.800 pessoas em 2020, quando a linha de montagem estivesse operando plenamente. A ideia original era concentrar ali a produção dos pequenos utilitários Ford Fiesta, C-Max e Focus. Esse tipo de modelo tem uma margem de lucro menor do que dos carros grandes.

Trump fez ataques à montadora a poucas semanas das eleições, ao dizer que era uma “vergonha” que uma empresa fundamental na malha industrial norte-americana decidisse criar empregos fora do país. Ele chegou até a dizer que a estratégia era “como roubar doces de uma criança”. O então candidato ameaçou aplicar uma tarifa de 35% aos carros importados do México, como sanção.

Depois disso, Fields tratou de manter um canal de diálogo com a equipe de transição do presidente-eleito, para tentar reduzir as tensões. Após as eleições, o CEO afirmou que sua intenção era de seguir adiante com o plano de expansão da produção no México e em outras regiões de baixo custo. Paralelamente, disse que os funcionários nos Estados Unidos se concentrariam em modelos mais rentáveis.

A direção da Ford Motor, no entanto, dá um passo atrás sem esperar que Trump assuma oficialmente a Presidência. A montadora deve destinar metade desse investimento ao reforço da fábrica de Flat Rock (Michigan), onde aumentará a produção de novos veículos elétricos e dotados da tecnologia de condução sem motorista. Além disso, expandirá as linhas de montagem do Mustang e do Lincoln Continental.

Fields justifica esse passo atrás explicando que cada vez mais consumidores em todo o mundo estão se interessando por veículos elétricos e que a companhia está empenhada em liderar esse processo. Ele também indicou que a demanda por utilitários pequenos está caindo. Nesse sentido, os planos da Ford Motor contemplam destinar um investimento de 4,5 bilhões de dólares à eletrificação dos carros de hoje até 2020. “São soluções que vão melhorar a vida das pessoas”, conclui.

Mark Fields informou diretamente a Donald Trump sobre a decisão. O México já abriga dois centros de montagem e um de engenharia da Ford Motor, empregando 8.800 pessoas. O país representa 6% da produção mundial. A Ford Motor afirma que continuará a produção do Ford Focus na fábrica que já opera em Hermosillo, para assim melhorar a rentabilidade do modelo.

Donald Trump elogiou a mudança de estratégia afirmando que “em vez de levar os empregos e a riqueza para fora, os Estados Unidos se tornarão o maior ímã do mundo para a inovação e a criação de empregos”. O CEO da Ford Motor também mostrou sua confiança nas propostas do presidente-eleito no âmbito dos investimentos em infraestrutura e na reforma fiscal, porque, segundo ele, permitirão o desenvolvimento econômico no país.

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4 comentários

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Jorge Pereira

04 de janeiro de 2017 às 11h02

Partindo dos princípios que: 1) Os democratas americanos falam muito em Direitos Humanos mas quase nada fazem.. 2) Muitas da bobagens do Trump sobre mulheres e negros devem ser super-ampliado pela mídia ou é mentira se não o mesmo estaria preso… 2.1) Mesmo que tenha falado tanta bobagem lá atrás…quem nunca falou alguma asneira na vida e depois se arrependeu, amadureceu.. 3) As propostas do Trump para industria americana – fabricar carros nos EUA – afeta muito, mas muito, os negros americanos por serem os mais prejudicados pela “internacionalização” da produção de carros. Por fim, dito tudo isso…4) EU, SE AMERICANO, VOTARIA NO TRUMP…

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Roberto

03 de janeiro de 2017 às 19h06

Saiu no Nassif um artigo intitulado O Império não quer mais sócios, quer servos. Faz todo o sentido. O capitalismo não pode dar vida digna a todos, somente a uma pequena minoria. Do México, Brasil etc eles só querem comprar matérias primas e nos deixar na miséria. Falta combinar com a China e a Rússia.

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    Moisés da Silva Oliveira

    03 de janeiro de 2017 às 19h26

    Esse protecionismo todo pra aquecer a economia interna pode ser um tiro no pé, eles precisão do mercado externo, e se a China, paises da europa, índia e outros começarem a fechar seus acordos com os EUA fazendo boicote, eles também precisam vender, nenhum país vive consumindo apenas produtos feitos em seu território e o excedente precisa escoar pra ter equilíbrio.

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    Charles

    11 de janeiro de 2017 às 11h16

    O que q esse protecionismo tem haver com o capitalismo?

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