Bahia: Refinaria privatizada provoca desabastecimento de Gás de Cozinha

Nassif comenta a última peripécia verbal do conselheiro Acácio do STF

Por Miguel do Rosário

05 de fevereiro de 2017 : 09h31

(Foto: Elza Fiúza/ Agência Brasil)

E Barroso termina sua carreira como juiz do STF como colunista da Veja…

Depois de sugerir a extinção da universidade pública, para delírio da Globo e dos neoliberais, Barroso nos brinda com mais uma xaropada acaciana, dessa vez nas páginas da revista mais imunda da mídia brasileira.

É um fenômeno, esse Barroso! Deve estar treinando para ganhar o prêmio Faz Diferença do ano.

Ou então está com inveja do Sergio Moro, chamado a toda hora para desfilar sua bravura de indígena traidor em rega bofes de Miami e New York.

Eu também quero comentar esse artigo de Barroso. Mas, por enquanto, lhes deixo com a opinião do nosso colega Luis Nassif.

***

Luís Roberto Barroso, o iluminismo ao creme brule

Por Luis Nassif, no Jornal GGN
DOM, 05/02/2017 – 07:21

Encerra-se num ciclo, o país entra em uma nova etapa. Seria a pós-modernidade? Seria o pré-futuro? O país perdido anda atrás dos novos intérpretes, aquelas pessoas dotadas da acuidade maior, dos que sabem ler através dos tempos, entender os registros da contemporaneidade com a visão de futuro e ler o passado com a visão de presente e tudo embalado em sólidos conhecidos políticos, sociológicos.

A falta de rumo nacional gerou um tipo novo de compulsão: os desbravadores de futuro, intelectuais ou políticos acostumados com a superficialidade atávica da chamada mídia de massa, especialistas em manejar conceitos de senso comum.

Qual o novo campeão que se apresenta? O Ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), através das páginas ilustríssimas da revista Veja, um dos símbolos maiores da cultura nacional da pós-verdade.

No artigo que escreveu para a revista, Barroso propõe uma inovação sociológica, uma espécie de manual Marcelino de Carvalho de boas maneiras politicamente corretas, um compêndio de frases de senso comum aplicadas à análise política. Algo assim: “como participar de um sarau líbero-político sem fazer feio”.

Como um intelectual da moda, Barroso inicia seu artigo definindo os modismos sociológicos. Diz que “narrativa” é palavra da moda. E, sentencioso, diz que “considero-a melhor do que pós-verdade, oficialmente vencedora do ano de 2016”.

Há alguns anos, “narrativa” é palavra mais batida que “empoderamento”, mas deixa para lá. Novo é o que se nos parece novo. E o Ministro Barroso acabou de mergulhar nos múltiplos significados de “narrativa”.

Modesto, inova escrevendo um artigo jornalístico com bula.

No abre, explica ele que seu artigo se propõe “a definir a relação do indivíduo com o país, com os outros e com o mundo, um esforço de auto compreensão, de reconstrução da própria trajetória e da busca de um sentido para o futuro”. É pouco? “Nela está embutida a exigência de se fazerem diagnósticos certos e sem idealização, e de se buscarem as soluções que o realismo e o bom-senso impõem”.

Vamos ver como nosso brasilianista padrão Veja enfrenta o desafio que se propôs.

Parte 1 – a parte positiva do Brasil

O brasilianista tardio mergulha em Gilberto Freyre – perdão, nos estereótipos de Freire – e enaltece a democracia racial, a diversidade religiosa, as fronteiras pacíficas, as riquezas naturais, o bom humor, alegria de viver. “Gente sem medo e sem culpa de ser feliz”, conclui. Fica a impressão de que Barroso pesquisou fundo esse Brasil no filme “Sabor de Paixão”, onde a “brasileira” Penélope Cruz, dona de um restaurante na Bahia, mora em um apartamento com amigos gay, cozinha que é uma maravilha e tem um namorado que faz serenatas românticas. http://www.adorocinema.com/filmes/filme-25121/

Parte 2 – a parte negativa

O Mago de Apipucos sai de cena e entra o Iluminista do Leblon. Menciona a violência, os assassinatos, os crimes de gênero, a falta de habitação, de saneamento, a favelização, a degradação ambiental. E dá-lhe problemas de educação, segurança, poucas instituições de ensino de destaque e estatais soterradas pela corrupção. Nada de que se possa discordar. Nada que exija maior acuidade sociológica para identificar.

Vamos à síntese, que Barroso batizou de “a nova narrativa para o país”.

Parte 3 – a nova narrativa e o oficialismo

Diz Barroso modestamente que precisamos de uma nova narrativa, um exercício de pensamento original, “que ajude a definir o nosso lugar no mundo”, uma nova narrativa capaz de olhar para frente e para trás, de apresentar diagnósticos e propostas. E abre o Olimpo mencionando modestamente seus colegas brasilianistas, Euclides da Cunha, Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda etc, incluindo artistas como Villa-Lobos, Chico e Caetano.

Identifica três “disfunções atávicas” do Estado brasileiro: o patrimonialismo, o oficialismo e a cultura da desigualdade.

O “oficialismo” é o ato de depender do Estado, “isto é, da sua bênção, apoio e financiamento(…) para todos os projetos pessoais, sociais ou empresariais”.

Diz ele que todo mundo anda atrás de emprego público, crédito barato, desonerações e subsídios. Inclui no oficialismo desde o patrimonialismo mais anacrônico até instrumentos de política econômica que são padrão em qualquer nação civilizada.

Trata o “crédito barato”, isto é, a parcela mínima do crédito que guarda alguma isonomia com as taxas internacionais, como se fosse um anacronismo dos dependentes de Estado. “Cria-se uma cultura do compadrio”, diz ele, referindo-se a um Estado que com todos seus defeitos, foi personagem central para a maior política de inclusão social da história e, em alguns momentos, promotor de desenvolvimento, um Estado que gerou um BNDES, uma Finep.

Enfim, não demonstra o menor discernimento para entender adequadamente o Estado, de maneira a separar os vícios das obrigações.

Parte 4 – a cultura da desigualdade

Diz ele que como não existe no Brasil uma cultura de que todos somos iguais, cria-se um universo paralelo de privilégios, imunidades tributárias, foro privilegiado, juros subsidiados, auxílio-moradia, carro oficial. Enfim, uma mixórdia em que mistura instrumentos de política econômica com mordomias generalizadas.

Para seguir o padrão – de sempre mencionar o iluminismo, como se ele fosse seu profeta – define outros profetas nacionais, todos juristas como ele, como Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, San Thiago Dantas, “nenhum deles foi a voz que prevaleceu em seu tempo”.

Poderia estudar um pouco mais o papel de Ruy no “encilhamento” e na Constituição, ou se aprofundar nas propostas de San Thiago. Com seus vícios e qualidade, todos ostentavam um grau de compreensão de país do qual Barroso está a léguas de distância.

Finalmente propõe o “projeto progressista“, com os eixos econômico, serviços públicos de qualidade e sistema fiscal menos regressivo. E “uma onda de patriotismo e idealismo”.

Não cometeria a injustiça de dizer que Barroso é raso como Cristovam Buarque. Mas passa perto.

Antes dele, no fim do século 19, um autor brasileiro, Manuel Bonfim, se encantou com a cultura política norte-americana, como Barroso se encanta, se encantou com as formas de participação social dos EUA, que fazem o encantamento do nosso Iluminista do Leblon. Mas conseguiu tirar um conjunto de definições objetivas sobre o papel do Estado, propondo um desenho de país com muito mais solidez do que os chavões brandidos por Barroso.

As discussões sobre o papel do Estado são muito mais complexas do que essas simplificações made in GLobonews. Exigem o claro entendimento sobre o papel do Estado como agente moderador das desigualdades, como instrumento de desenvolvimento. Implica em entender o papel da inovação – que, pelo artigo de Barroso, nasce do boto -, do financiamento, da criação de ambientes econômicos isonômicos com o mercado global e, ao mesmo tempo, discutir as formas de controle do Estado, para impedir o exercício arbitrário da vontade.

Implica em muito mais, no papel do orçamento público – que Barroso trata com a mesma profundidade com que analisa o orçamento de uma dona de casa. Exige um entendimento adequado sobre a função anticíclica dos gastos públicos.

Enfim, um desafio extraordinário, que exigirá pensadores sólidos, sem se prender a chavões ideológicos, à compulsão estatista da esquerda e ao mercadismo sem limites de nossos liberais de boutique. Equivale a pensar projeto de nação, algo que vai muito além dos modismos narrativos da mass-midia.

O novo país exige novos intérpretes. Mas seguramente, não será a superficialidade de Barroso que conseguirá desbravar os novos caminhos.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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21 comentários

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Viviane

07 de fevereiro de 2017 às 04h08

Nassif, quase irretocável, peita o cara que ao ingressar no STF como ministro que deveria honrar o cargo votando (no Mensalão) com sua própria convicção – o que é prerrogativa da função – avisa seus pares com cara de pastel que iria acompanhar a maioria pelo simples fato de estar chegando lá há pouco, sendo que os demais já haviam se debruçado sobre os processos, portanto, deveriam saber o que estavam dizendo. Eu assisti, perplexa, a esta cena veiculada pela TV Justiça.
Pois então, voltando ao texto do Nassif, acho que ele é injusto ou equivocado quando fala em “compulsão estatista da esquerda”. Onde Nassif? Quando Nassif? Por que esquerda Nassif? Aí vc forçou a mão, talvez receoso de que alguém te xingue em algum aeroporto ou restaurante da vida de bolivariano ou coisa do gênero. De resto Nassif, vc é sensacional.

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LUIZ TAVE

06 de fevereiro de 2017 às 19h26

Temer indica o boca de sabao para o STF , consequentemente , indicara` outro bandido para o lugar do afascista alexandre de moraes ! o lula nao pode ser min da Dilma ! o o judiciario tornou-se uma MAFIA ! vergonha do brasil !!!!!! CANALHAS , BANDIDOS, USURPADORES , SABOTADORES !

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AMÉM

06 de fevereiro de 2017 às 10h37

REINALDO AZEVEDO JÁ ESTÁ SAUDANDO A IDA DE ALEXANDRE MORAES PARA O STF.

Como dizem na globonews “vamos lembrar aqui”:

O próximo indicado para o STF será o revisor, no Plenário, do caso Eduardo Cunha, de quem Alexandre foi advogado ( sem lembrar do PCC) Logo…

Temer já está “encurralado” por seus comparsas como Gedel e cia, para deixar de lado, como sempre, qualquer máscara e colocar logo o Alexandre para segurar os processos dos golpistas.

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GusVSZ

06 de fevereiro de 2017 às 06h53

Barrso, o Mago, o Alquimista.
Entrega para ele um processo com pedido A, contestação B, parecer C, que o Mago surge com uma resposta D, não pedida, não encampada, não cogitada, não discutida.
Entrega para ele uma prescrição simples como “não haverá prisão antes do trânsito” e, com uma única palavra, “coletividade”, transforma o ouro em chumbo – há que se arder no lombo.
Pergunta para ele qual a resposta para uma questão jurídica e receba não apenas uma solução extravagante, como toda uma nova normatização, como coelhos da cartola.
Como Copperfield, é capaz de fazer desaparecer uma regra jurídica inteira, como um elefante, bem diante dos seus olhos e dos seus ouvidos.

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Maria José

06 de fevereiro de 2017 às 00h45

Tive esperança nessa cara! Que decepção!

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Rachel

06 de fevereiro de 2017 às 00h38

Deve estar querendo ser candidato em 2018 e, com estas profundas e inovadoras palavras será louvado como o mais novo detentor da fórmula para um país de sonho ( ou pesadelo) depende do gosto do freguês.

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MURILO SIQUARA

06 de fevereiro de 2017 às 00h10

CONTINUA O MISTÉRIO: QUEM VEIO PRIMEIRO O OVO OU A GALINHA? TORNA-SE MINISTRO DO SUPREMO PORQUE SE É CANALHA OU SE ACANALHA QUANDO MINISTRO DO SUPREMO. SER CANALHA É CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE?

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Robin

05 de fevereiro de 2017 às 22h23

Meu Deus, me Deus… estamos perdidos…

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Maria Thereza Gonçalves de Freitas

05 de fevereiro de 2017 às 21h59

Com certeza é o faz a diferença versão 2017. Poderia ter sido escrito por qualquer analista de prateleira da nave-mãe de nossa imbecilização

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marco

05 de fevereiro de 2017 às 21h07

Vou dizer desse ENTE,o mesmo que disse do Dallagnol.Acho que ambos,comeram sabão quando eram guris.Pra não dizer que comeram outra coisa.

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Quintela

05 de fevereiro de 2017 às 14h34

O terrorista tem um e-mail da Google????
Não se fazem mais terroristas como antigamente…

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    Benedito Cujo

    05 de fevereiro de 2017 às 15h04

    Tem Gmail e é fã de James Bond.

    Responder

L'Amie

05 de fevereiro de 2017 às 10h41

O cafezinho tá doido ? Pelo exposto fica impossível de se opinar. Nenhuma narrativa, nenhuma alça de acesso e os comentários não parecem ajustados ao título. A não ser que tenham lido fora deste. MR esclareça-nos.

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    L'Amie

    05 de fevereiro de 2017 às 10h51

    Cara, quando penso que vai, não fumos. Até o vídeo: Erro – de code ! Há algo a ser feito.

    Responder

      Miguel do Rosário

      05 de fevereiro de 2017 às 16h00

      amie, não entendi. esse post foi hackeado por algumas horas. está falando disso?

      Responder

Dilma Coelho

05 de fevereiro de 2017 às 10h31

A criatura em questão tem outras preocupações…
Mulher do ministro Barroso abre offshore com nome de solteira by Tribuna da Internet
http://vetorm.com/?p=558
DUAS LICENÇAS
…De acordo com a Vila de Key Biscayne Building, Departamento de Zoneamento e Planejamento, existem duas licenças de construção arquivadas durante o ano (2014) passado. Uma deles tem valuation, que é de US $ 52,179.00.
Tal reforma ocorreu em outubro de 2014, enquanto Luis Roberto Barroso já era ministro do STF e sua esposa já era dona da offshore. O que tudo leva a crer que a offshore seja dona do imóvel da ilha paradisíaca.
Além dessa offshore nos Estados Unidos, Tereza (Teresa Barroso como chamam alguns jornais) também é sócia administradora de outros negócios em sociedade com o Ministro do STF.

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Das Geraes

05 de fevereiro de 2017 às 10h07

Entendi! O STF tem seu Rolando Lero.

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    Henri di Maria

    06 de fevereiro de 2017 às 16h41

    Das Geraes, ele não é o único no mundo jurídico do bananal.

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      Juana Inês

      06 de fevereiro de 2017 às 16h48

      Lula tem razão, o Supremo esta acovardado !

      Responder

Luiz Carlos P. Oliveira

05 de fevereiro de 2017 às 10h05

PQP. Ver um advogado (que é o que todos do STF são) falar em Economia e Sociologia é dose prá mamute. E o pior: achar que o Estado é só “compadrio”. Esses dementes pensam assim quando financiam a produção de suas fazendas com os juros baixos cobrados pelo Banco do Brasil, com direito à renegociação em caso de seca ou de inundações? Gente sem noção, só falam bobagens. O Estado de compadrio só serve para eles? Ao apoiar a politica do Temer, ele deveria apoiar também que o BB não financiasse mais a nossa agricultura, pois isso também configura o tal “compadrio”. Pois é, neste país de merda, Francisco e Chico não são a mesma pessoa. Definitivamente. Compadrio? Só para as elites!

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