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Celso Amorim e a perplexidade com a violência judicial

Por Miguel do Rosário

15 de maio de 2017 : 08h42

Celso Amorim, sobre a interdição do Instituto Lula: temos todas as razões para ficarmos alarmados

Embaixador, ex-chanceler e ex-ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim faz uma grave advertência: quando atos autoritários como a proibição de funcionamento do Instituto Lula são recebidos como algo normal e corriqueiro, é sinal de que caminhamos a passos largos para o fim da democracia.

Por Nocaute em 11 de maio às 17h47

Por Celso Amorim, no Nocaute

A decisão de um juiz de Brasília de suspender as atividades do Instituto Lula, talvez de todas as coisas que aconteceram recentemente e aconteceram muitas é uma das que mais me assustou. E aliás umas das características de quando você tem uma marcha para um sistema cada vez mais autoritário ou mesmo totalitário, é que tudo começa a parecer normal.

Se nós olharmos o que aconteceu em outras situações ditatoriais, se olharmos o que aconteceu na Alemanha nazista, aquelas pequenas ações que eram tomadas, muitas delas eram até dentro da lei. Dentro da lei que havia no momento ou da interpretação que se dava à lei.

Agora você interromper o funcionamento de um Instituto cujo o objetivo é o debate de ideias e por isso é, indiscutivelmente, cultural, eu já participei de muitas atividades no Instituto, discuti África, discuti América Latina. Discuti também os rumos da realidade brasileira, até da estrutura partidária brasileira, porque isso interessa a todos. Deve interessa também a outros Institutos, Fernando Henrique Cardoso, nos Estados Unidos isso interessa o Instituto Carter.

E é normal que os ex-presidentes tenham essas instituições ou fundações e que elas sejam utilizadas para o debate de ideias. Então quando você suspeita de um funcionamento de um Instituto cujo o objetivo indiscutível é esse, você está começando a fechar as portas da liberdade de expressão, da liberdade de associação, da liberdade de reunião entre as pessoas.

Eu acabo de vir de um Seminário em Cabo Verde, um pequeno país africano, e lá se discutia a democracia e a liberdade de expressão. Como aumentar, a liberdade de imprensa, mas a liberdade de imprensa dentro do contexto mais amplo da liberdade de expressão.

É triste, chocante que no Brasil a gente veja uma ação dessas, que obviamente visa a limitar a capacidade de discutir ideias, de encontrar soluções pros problemas. Porque se a questão fosse outra o Lula é hoje o homem mais vigiado do Brasil, não é preciso fechar o Instituto para vigia-lo. Ele já está sendo super vigiado, de todas as maneiras possíveis e imagináveis.

Então, de fato, é algo, sem entrar nos detalhes jurídicos para os quais eu não tenho competência, é indiscutivelmente chocante ver o Instituto Lula, como seria chocante ver o Instituto Fernando Henrique Cardoso, ou como seria chocante ver qualquer outro Instituto que se dedica ao debate e a discussão de ideias políticas ser fechado por uma ordem judicial.

Quando isso começa a parecer normal, porque a reação foi relativamente pequena nos meios de comunicação, quando isso começa parecer normal é que nós estamos entrando em algo muito sério, muito grave e temos todas as razões para ficarmos alarmados.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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euclides de oliveira pinto neto

15 de fevereiro de 2018 às 10h58

Quais as razões apresentadas para tomar tal decisão ? Qual o embasamento legal que concede tal prerrogativa ao mesmo ? Logicamente, o corpo jurídico do Instituto irá apelar às instâncias superiores, a fim de reparar essa excrecência jurídica.

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LUIZ HORTENCIO FERREIRA

17 de maio de 2017 às 09h12

Só queria saber o que estes nobres senhores, ex-embaixadores, diplomatas, juristas renomados, intelectuais e cultos de nosso país, que estão todos alarmados com o quem vem ocorrendo com a democracia e a justiça neste momento obscuro de nossa história, vão fazer na pratica! Porque falar que a situação está alarmante todos nós já sabemos e estamos vendo e sentindo no bolso, pois a crise está batendo nas portas dos trabalhados deste Brasil.
Se existe irregularidades e ilegalidades jurídicas sendo adotadas e aplicadas, estes nobre senhores, que são respeitados e instruídos e com certeza sabem o que está acontecendo, deveriam por a cara a tapa e tomar alguma atitude real e objetiva em favor da ordem em nosso país, como por exemplo exigir da nobre instituição OAB que saia de cima do muro, onde ela se encontra no momento e faça a sua parte, ou exigir do STF que também saia de cima do muro e atue e cumpra seu papel .

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Beba Monteiro

16 de maio de 2017 às 13h55

Com a farsa do impeachment desmontada e confessada, um governo caindo de podre, os golpistas desmascarados e com a popularidade no chão, 2018 na porta e Lula disparado na frente nas pesquisas de intenção de voto, o juiz tucano Moro virou a tábua de salvação para preservar o golpe e manter os golpistas sem voto no poder, e o ex-presidente e maior líder popular do país, Lula, a esperança do povo de derrotar o golpe contra democracia e os direitos dos trabalhadores. Portanto, essa é a leitura mais óbvia, que se pode fazer do duelo Moro versus Lula.

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Cicerapereira Decarvalho

15 de maio de 2017 às 12h12

O fechamento do Instituto lula foi estratégia pra desestabilizar o lula no depoimento a moro, mais não deu certo

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Waldir José Franco

15 de maio de 2017 às 11h56

Existe corrupção só petista?Azeredo do PSDB onde vc está? .A delação na direção dos demais partidos parece que uma forma de iludir . Ilusão no sentido de que existe justiça no país e atinge todos.A direita transferiu para o campo jurídico políticos a disputa pelo poder .No campo jurídico a direita tem maioria.Um judiciário verdadeiro estaria atuando de fato contra todos os pólos de corrupção .O que está em jogo é a retomada do neoliberalismo que favorece a elite.No neoliberalismo existe a ilusão que todos serão beneficiados. Privatizar é pagar para poucos aquilo que deveria ser de graça (pagamos taxas ,impostos e outros).Privatizar é excluir aumentando a desigualdade. O combate a corrupção esconde da política o debate sobre a desigualdade social. Desigualdade que é a principal causa dos problemas socias do país.

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