Entrevista de Lula à Revista Forum

Temer e Maia, farinha do mesmo saco

Por Denise Assis

18 de julho de 2017 : 14h01

(Foto: Beto Barata/Fotos Públicas)

“Farinhas do mesmo saco”

Quando o ex-atual-reabilitado senador, Aécio Neves foi desmascarado pelas gravações da Polícia Federal, onde apareceu muito mal na fita, depois de ter feito a “molecagem” de submeter Dilma Rousseff ao impeachment, sem que houvesse crime que o justificasse, petistas olhavam para os adeptos do “mineirinho”, com cara de: “bem que avisamos”.

A esta altura, os que tiraram dos armários as caçarolas “Tramontina” e nelas bateram em suas sacadas de vidro fumê, forte o bastante para fazerem barulho, mas com o cuidado suficiente de não marcar o teflon do fundo, quedaram-se taciturnos e silenciosos. Trancaram as caçarolas, e tiraram da caixinha um velho chavão: “são todos farinha do mesmo saco”. Era o máximo que conseguiam repetir como argumento para tal derrocada.

A frase, do tempo da “zagaia de gancho” – só para reproduzir outro chavão da época -, tinha um subtexto. Um dar de ombros, infantil: “pouco importa, não acreditamos mesmo em política…” Não tinham nem vontade, nem sequer argumento para defendê-lo. Preferiram escapar pelo “popular” e genérico.

No que acreditavam e acreditam, é nos seus dogmas de classe média, defensora de suas parcas conquistas, incluso aí o poder aquisitivo de ter um conjunto Tramontina nos armários da cozinha (desculpem o merchandising). No que acreditam, é que precisam defender os interesses de um mercado que regula os juros das suas prestações, mas os coloca rumo a Miami nas férias, mesmo que seja em financiamento feito em dez vezes. E quando dizem que os políticos “são iguais”, têm respaldo na preguiça de pensar, no desinteresse pelos rumos, de fato, do país. Enrolados em bandeias, foram às ruas gritar pelo Brasil, mas o que defendiam, mesmo, era não ter que sentar ao lado de um pobre, no avião. O que os moveu foi o ódio e a identidade de classe, e não a “ideologia” do candidato. Por isto, pouco importava para eles o destino que deveria ter (mas não teve), o tal senador.

Diferentemente dos “paneleiros”, hoje a oposição têm motivos de sobra para, ela sim, sacar o tal chavão. O que se avizinha em nosso horizonte é a saída de Michel (mesmo depois de desembolsar os nossos bilhões para emendas “redentoras”), e a substituição pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Defensores das mesmas teses e reformas contra os trabalhadores, amigos do mercado financeiro, e entrosados com a Fiesp, esses, sim, são “farinha do mesmo saco”.

* jornalista e colunista do Cafezinho.

Denise Assis

Denise Assis é jornalista e autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

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14 comentários

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Sebastiao Marcirio De Araujo Magalhaes

20 de julho de 2017 às 19h09

EU Quero O MEU BRASIL SEM CORRUPÇÃO

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Santos

19 de julho de 2017 às 15h47

Queremos plebiscito reduzir dep. federais e senado, dividir por regiões, cinco deputados por região, e dois senadores. Congresso rico em corrupções.

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Paulo César Alves

18 de julho de 2017 às 20h40

SÓ CEGO NÃO VÊ….

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Gus

18 de julho de 2017 às 16h59

Lula , o maior ladrão de todos!

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Charles Ramos Telles

18 de julho de 2017 às 19h54

Falem direito Temer, Maia, molusco, poste…..tudo ladrao

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Replicante Seletivo

18 de julho de 2017 às 19h47

O momento de embate entre os principais atores do golpe parlamentar-jurídico-midiático (agora que seus interesses divergem das necessidades em acobertar suas diferentes falcatruas) está visivelmente tenso e vai demandar acordos bastante complexos. Conseguirá a Globo continuar escondendo sua bilionária sonegação da Copa de 2002, ocultando sua relação promíscua com Ricardo Teixeira e adjacências na CBF e na FIFA? Será que Temer e seu grupo governista vão se livrar das acusações do MPF na Lava-Jato? Será que PGR Janot vai sair ileso de seus “acordos” no âmbito internacional? E o juiz-herói Moro, paladino da “Caça ao Lula”, com seus procuradores de justiça seletiva, que liberaram grande parte da bandalha reinante, vão seguir prestigiados? E o Aécio? E o Gilmar Mendes? O Cunha? Vendo esta trama toda, só nos resta aguardar por um grande acordo nas quadrilhas golpistas, para costurar tanta fratura exposta.

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Paul Cesar

18 de julho de 2017 às 19h08

Coitado do saco da farinha…te conter coisas ruins…

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REGINALDO

18 de julho de 2017 às 15h59

MAIA PRESIDENTE… 2017/2
BOLSONARO PRESIDENTE 2018

CHORA BANDO DE SAPATONAS E PERÔBOS…

RIO DE JANEIRO MERECE ESTA ONDE ESTA SÓ POR TER UM EX BBBAIANO QUE QUERIA SER A GRAZI.

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José Flávio de Assis

18 de julho de 2017 às 15h36

Faltou acrescentar : Eu não tenho bandido de estimação.

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Rosane Graça

18 de julho de 2017 às 17h36

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Mariangela Monteiro

18 de julho de 2017 às 17h16

2 LADRÕES

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Smith Barbosa

18 de julho de 2017 às 17h06

Uma dupla de ladrões canalhas

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Binha Marques

18 de julho de 2017 às 17h04

Porém o Maia consegue ser pior.

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Lucimar Maria Ricardo

18 de julho de 2017 às 17h04

2 ratos de esgoto!

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