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A direita ganhou no Chile, mas a verdadeira esquerda não estava lá

Por Tulio Ribeiro

18 de dezembro de 2017 : 03h04

(Crédito Imagem: La tercera – mapuches)

É verdade que Sebastián Piñera representa um liberalismo selvagem, ao qual os trabalhadores só perdem e o capital somente ganha. Mas a esquerda não perdeu no segundo turno presidencial no Chile. A razão simples é que o governo de Michelle Bachelet está longe de ser socialista. Logo, não se perde o que não tem!

Os anos de governo do Partido “Socialista” são algo de envergonhar qualquer teórico ou militante de políticas de inclusão. Na seara da educação aprofundou o mercantilismo , o que somente engrossou as marchas dos estudantes. Na questão da aposentadoria, processo que já foi feita uma reforma neo-liberal, os chilenos não possuem condição de viver com a renda básica ofertada. O campo da terceira idade está entregue a empresas privadas, que não visam a qualidade de vida do indivíduo. Falando em qualidade de vida, pode-se recorrer ao recorrente IDH do país andino, realmente com 0,847 ele tem uma das 3 melhores na América do Sul, mas contraditoriamente é um dos países com mais desigualdade no nossa parte sul do continente. O índice Gini de 47,7 empatado com Paraguay e longe do Uruguai(41) e Peru (44).

Foge de qualquer explicação para um socialista as tratativas de massacrar seu povo originário no sul, os mapuches, e segregar os migrantes peruanos e bolivianos ao norte ou no centro de Santiago. Aliás ,para dirimir qualquer dúvida, pergunte como bate “los Carabineros” ou a polícia chilena para um estudante, um mapuche ou um trabalhador. Onde fica o “S” no socialismo de Bachelet?

Em termos de política externa, se existe acordos de livre-comércio que compactue contra a integração latino-americana, tenha certeza que o Chile participa. Não se pode esquecer que o chanceler do governos socialista Heraldo Muñoz é um dos algozes dos Bolivarianos venezuelanos, junto com colegas neo-liberais do Peru e Colômbia. Chegou a receber Lilian Tintori, aquela das malas de dinheiro que alimentavam as “guarimbas” no país de Bolívar gerando 134 mortes. Mas não foi bastante para este governo, ele deu guarida ao gerente do terrorismo urbano, Freddy Guevara, deputado que coordenou mercenários mensalistas que queimaram 29 pessoas sendo que 9 morreram. Agora a embaixada o hospeda como asilado político. A gente poderia cobrar sobre o silêncio no caso do golpe parlamentar-judiciário brasileiro, mas seria exigir em demasiado. Uma negociação propositiva com a Bolívia em seu direito de uma saída para o pacífico? Impossível.

A verdadeira esquerda por pouco(2,5%) não foi ao segundo turno, mas fez uma grande base parlamentar(20 deputados) e pela primeira vez estará no senado. A líder Beatriz Sanchéz é um grande nome para construir o socialismo que o povo chileno merece. Diante da responsabilidade de 20,27% dos votos, não se esquivou de declarar apoio ao senador Alejandro Guillier contra um mal maior. Mas antes do segundo turno já registrava ser oposição a qualquer dos ganhadores, com clara visão que as diferenças seriam tênues.

Infelizmente o governo chileno que sai, perdeu a oportunidade de fazer justiça ao legado de Salvador Allende. Quem procurar socialismo em Michelle Bachelet, seja na direita, na esquerda, acima ou abaixo, encontrará a essência da ambiguidade. Diante vários problemas, a resposta era que os especialistas “regalavam” muitas opções, então teria de estuda-las. O tempo para analisar era o mesmo para identificar pra onde ia opinião pública. Neste paradigma, se absteve de decidir pelo caminho que realmente interessa: distribuição de renda, educação gratuita de qualidade e devolver uma aposentadoria digna.

Exigir socialismo de Bachelet é buscar um prática dissociada da teoria. Socialismo não leva Bachelet, ela foi para onde mandaram ir, esquecendo os necessitados.

PS: IDH quanto mais próximo de um, mais desenvolvido. Índice Gini, quanto mais próximo de zero ,menos desigual. IDH de 2016, Gini de 2015.

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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