Jornal da Forum: Lula quer reindustrializar o Brasil!

Quase 60% dos brasileiros acreditam que Lula foi condenado injustamente

Por Miguel do Rosário

29 de janeiro de 2018 : 21h54

(A ironia da ilustração é importante neste post. E vale para o futuro, sobretudo).

Claro que temos de esperar os institutos da classe dominante, Datafolha e Ibope, darem suas cartadas.

Vão falar a verdade?

Sim, porque a veracidade dos institutos, nós conseguimos farejar nas entrelinhas, nos detalhes da pesquisa, na forma das perguntas, na estratificação, na comparação com o que nós mesmos estamos vendo na realidade. Enfim, a população política brasileira, depois de quinze anos de crise política ininnterrupta aprendeu a ler pesquisas com muita acuidade.

Aliás, me parece evidente que a fronteira final do golpismo será fraudar pesquisas. Se ficarmos dependendo de Datafolha e Ibope, estamos lascados. Temos que produzir institutos confiáveis e independentes através das universidades públicas.

***

Na Forum

Pesquisa aponta que para 54,7% dos brasileiros Lula foi condenado injustamente

29 de janeiro de 2018

O primeiro levantamento realizado após a condenação do ex-presidente, pelo instituto Quaest, indica, ainda, que para 56,6% o juiz Sergio Moro não conseguiu provar que o triplex da OAS pertence ao petista

Da Redação*

De acordo com a coluna de Carlos Lindenberg, no Brasil 247, a condenação do ex-presidente Lula pelo TRF-4 no dia 24 não surpreendeu, não custa repetir. Seguiu-se o modelito recortado em Curitiba com um adendo ou dois a mais, quais sejam o aumento da pena, por unanimidade dos três julgadores, mais a possibilidade de prisão imediata do ex-presidente, tão logo julgados os embargos declaratórios – a menos que a defesa de Lula consiga o efeito suspensivo da pena, o que não parece tão fácil dado o cerco a que estão submetendo o ex-presidente.

Não deixou de surpreender também a predominância da Teoria do Domínio do Fato, usado pelo relator para justificar o aumento da pena de nove anos e seis meses para 12 anos e um mês, numa estratégia, ao que consta, para evitar a prescrição do julgado. O que também é discutível, como de resto todo esse processo é discutível e polêmico, menos para a Globonews que o tem como o mais santificado de todos os que têm passado pela justiça brasileira. A propósito, como é indisfarçável a crença dos comentaristas da Globonews na lisura de todo esse processo, tido agora como se fosse um prolongamento do mensalão de triste memória. Ora, não há a menor visão crítica do que se passou em Curitiba e Porto Alegre, sequer a equidistância se exige do comentarista ao abordar o assunto em pauta. Não se discutiu e nem se discute o que pode ter sido, por exemplo, um excesso de zelo de algum dos desembargadores – cujos nomes não vão entrar nesse texto, por desnecessário – nem a deselegância de não terem sequer levado em conta a sustentação oral do advogado Cristiano Zanin, ao menos para contestar um ponto ou outro da defesa. Não, não era necessário. Os votos estavam prontos, a decisão do relator foi obedecida por todos, portanto, por que perder tempo em ser elegante com a defesa?

Na verdade, deu-se o contrário: partes da sentença condenatória do juiz de primeiro grau, Sérgio Moro, foram lidas e relidas várias vezes ao longo do julgamento, o que também não chegou a ser uma novidade, desde que o presidente do TRF de Porto Alegre, Thompson Flores, antes mesmo de ler a sentença de Moro, ao ser tornado pública, a considerou um primor, irretocável. Era a senha para a condenação que viria a seguir, com o agravamento do aumento da pena e a possibilidade da prisão do ex-presidente, esgotados os recursos, lá mesmo no âmbito do TRF-4. Tudo isso significa dizer que a rigor o julgamento não trouxe novidades de maior monta, apenas dificulta a caminhada de Lula e do PT para que o ex-presidente volte a governar o país. Quando eu disse, no último texto aqui publicado, que o juiz era o réu, deu-se o que se previa: o juiz foi absolvido e o réu de fato foi condenado. Como estava escrito.

A propósito, como as pessoas que acompanharam não apenas o julgamento como a saga do ex-presidente viram tudo isso? Nesse sentido, é oportuna a primeira e inédita consulta que o Instituto Quaest, de Belo Horizonte, fez aos brasileiros que têm conta no Facebook, atingindo nada menos de 310 mil pessoas entre os dias 24 e 25 de janeiro agora, com perguntas formuladas pelo Vox Populi em survey face-a-face. Das 310 mil pessoas, 2.980 foram sorteadas aleatoriamente, aponta o relatório, para compor uma amostra representativa do eleitorado brasileiro. Usando dados oficiais do IBGE e do Facebook, o Quaest ponderou a amostra para garantir representatividade de atributos como sexo, idade e região. De forma que o resultado final estima as opiniões e atitudes do eleitorado brasileiro proporcional ao encontrado fora do Facebook.

O primeiro dado da pesquisa refere-se ao nível de conhecimento do que o TRF-4 estava julgando e mostra que 93,5 dos pesquisados sabiam do que se tratava e apenas 6,5 por cento não sabiam. Ao perguntar se na opinião do entrevistado o TRF-4 agiu certo ou errado ao condenar Lula, 3,1 por cento não souberam responder, 42 por cento disseram que agiu certo e 54,7 por cento sentenciaram que agiu erradamente. Perguntado se o juiz Sérgio Moro, autor da primeira condenação, provou ou não que o tríplex era mesmo de Lula, 4,3 por cento não souberam opinar, 39,0 responderam que Moro conseguiu provar e 56,6 por cento disseram que ele não conseguiu provar que o apartamento é de Lula.

O Quaest quis saber se Lula recebe o mesmo tratamento da justiça que outros políticos, como Michel Temer e Aécio Neves. 3,3 por cento não souberam opinar, 37,2 por cento acham que a justiça não trata Lula de forma mais dura e 59,5 responderam que a justiça trata sim Lula de forma mais dura. Se Lula cometeu mais erros ou acertos quando governou o país, os entrevistados do Quaest disseram: 3,3 por cento não opinaram, 37,4 responderam que ele errou mais do que acertou e 59,3 por cento disseram que ele cometeu erros, mas fez muito mais coisas certas do que erradas em benefício do povo e do país. Nada menos de 42,9 por cento dos consultados, diante da condenação e da inelegibilidade momentânea do ex-presidente, disseram que Lula não deveria se candidatar à presidência da República, ao passo que 55,7 por cento responderam que deveria poder ser candidato em 2018. Cerca de 1,4 por cento não soube opinar. A consulta inédita de certa forma reflete o que as pesquisas eleitorais vêm mostrando ao longo de todo o ano passado, quando os mais diversos institutos de pesquisas, como o Ibope, o Datafolha ou o Paraná, vêm apontando a liderança e o crescimento do ex-presidente na preferência do eleitorado – uma das razões, certamente, do resultado emanado tanto de Curitiba como de Porto Alegre, que coloca Lula hoje na condição de inelegível e sujeito à prisão, a despeito da decisão do PT de manter a sua candidatura como forma de legitimá-la na consciência popular e de enfrentar resultados judiciais que parecem feitos para tirar o ex-presidente do páreo.

*Com informações de Carlos Lindenberg, do Brasil 247

Foto: Sylvio Sirangelo/TRF-4

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Thiago

30 de janeiro de 2018 às 12h53

A cara de pau não acaba nunca, a esquerda falar em fraude de pesquisas chega a ser engraçado, vocês são experts nisso e não é de hoje. Em quais pesquisas confiar, naquelas que vocês organizam com as instituições públicas, ou com a CUT??? Faz-me rir!!

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Sander

30 de janeiro de 2018 às 09h51

Dos brasileiros participes de uma suposta pesquisa…
Isso sim o brasil aprendeu a entender..

Porem acredito q so funcionarios do pt podem estao preocupado…
O Brasil é grande o Pt Nao fara falta

Ja era
Fim
Viva Moro Ministro do Stf no governo Bolsonaro.
Armamento p produtores rural salgar o mst

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Mané

30 de janeiro de 2018 às 08h54

Estamos discutindo o sexo dos anjos. O Pais foi tomado por uma quadrilha ,e ela armou uma arapuca ,onde o LULA era a presa . Toda a oposição ,e nós eleitores mordemos a isca , e caímos na armadilha . Ficamos ,discutindo a propriedade de tal apartamento ,e com isso legalizamos a ¨fraude¨. A fraude ,consistia em criar tal discussão ,e foi criada ,e nós a discutimos. Dado o veredicto , não há o que fazer ,a não ser continuar a tal discussão ,ou reagirmos com veemência ,ou até violência. Como aqui ,o que vejo , é que o nosso povo , continua a ir às ruas só atrás de TRIO ELÈTRICO ,só nos resta o veredicto de Deus .

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Leo Salvador

30 de janeiro de 2018 às 00h12

Como se defender de uma acusação de propriedade atribuída? Lula não teve julgamento e sim justiçamento. Não conferiu vantagem, não recebeu, não ocupou, não registrou, mas é “criminoso” porque a propriedade foi atribuída a ele. Não tem estratégia de defesa que reverta esse teatro do absurdo.

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