Sabatina de Manuela na Carta Capital

Nem segurança nem corrupção. Prioridade do governo deve ser saúde e emprego, diz pesquisa

Por Miguel do Rosário

20 de Fevereiro de 2018 : 12h16

O Ibope fez um levantamento, entre os dias 7 e 10 de dezembro último, a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que passou despercebido pela imprensa. Eu gostaria de fazer aqui alguns comentários sobre alguns pontos da pesquisa que me chamaram a atenção.

A pesquisa tem, basicamente, duas partes. Na primeira, pergunta-se ao entrevistado quais são os principais problemas do país.

Esta parte não me interessa muito, porque as respostas me pareceram demasiadamente convencionais. O principal problema apontado é o desemprego. 56% das pessoas nomearam esse problema em 1º, 2º ou 3º lugar. Em seguida, vem a corrupção.

A segunda parte da pesquisa, sobre as prioridades que, segundo o entrevistado, o governo deveria ter para 2018, me pareceu muito mais original.

Em primeiro lugar, como vendo sendo desde 2014, a população elegeu como prioridade do governo “melhorar os serviços de saúde”.

O combate à corrupção, que em 2016 ocupava a terceira posição, caiu para o sétimo lugar.

O combate à violência e à criminalidade, por sua vez, que ficou em segundo lugar nos anos de 2014 e 2015, agora vem em nono lugar!

O combate às drogas, que ficou em quarto lugar em 2014, agora ocupa a 11ª posição.

Em segundo lugar, como prioridade do governo, está o aumento do salário mínimo

O controle da inflação, que figurava em novo lugar em 2014, agora está em terceiro, o que mostra que a população não está engolindo muito as notícias de inflação baixa que os institutos de pesquisa e mídia tem oferecido. Os aumentos brutais nos preços de itens dos quais ninguém consegue fugir, como gás de cozinha, energia elétrica, transporte, fizeram a inflação voltar ao centro das atenções.

O item “Promover a geração de emprego”, como prioridade do governo, que ocupava o sétimo e o nono lugar, em 2014 e 2015, respectivamente, agora está em quarto lugar.

Os números do Ibope explicam o crescimento da candidatura de Lula, apesar das (forjadas e falsas) acusações de corrupção que a justiça lavajateira lança contra o ex-presidente: o povo quer um governo comprometido com a melhora do serviço público e com o aumento dos salários, ao invés de um falso moralista qualquer posando de paladino contra a corrupção.

 

Nas tabelas estratificadas, encontramos também dados muito interessantes – apesar de óbvios.

Para os mais pobres, as duas prioridades do governo para 2018, devem ser: 1) melhorar os serviços de saúde; 2) aumentar o salário mínimo; 3) promover a geração do emprego.  Ou seja, as prioridades são exatamente opostas às ações do governo federal.

Em municípios com condição de capital, que são os que registram os principais problemas de segurança pública,  o problema da saúde público é ainda mais premente: 41% disseram que a saúde deve ser prioridade do governo em 2018, contra uma média nacional de 37%. Para efeito de comparação, ainda nas capitais, um total de 20% elegeu o combate à violência e à criminalidade como prioridade do governo federal.

Nota-se ainda diferenças de classe bastante comuns. Entre quem ganha mais de 5 salários, por exemplo, a principal prioridade é “reduzir os impostos”, o que reflete igualmente as campanhas alienantes da mídia, que omitem o fato da elite econômica do país quase não pagar impostos, fazendo com o peso destes sobrecarregue setores assalariados da classe média.

Um dado curioso – e preocupante – é que para 37% do jovens até 24 anos, provavelmente os mesmos que votam em Bolsonaro, e para alegria da CNI (o dado virou naturalmente destaque no texto sobre a pesquisa), a prioridade deve ser a redução de impostos, contra 30% que optaram pelo item “promover a geração de empregos. Esses números, de qualquer forma, não são muito consistentes, pois eles se chocam com dois outros: os 35%, também entre jovens até 24 anos, que afirmaram ser a saúde pública a prioridade do governo para 2018; e a posição relativamente baixa, com apenas 20%, na mesma faixa etária, do item “reduzir os gastos públicos”.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Reginaldo Gomes

20 de Fevereiro de 2018 às 15h39

O exército sempre foi , é , e sempre vai ser o que foi definido no livro de maior sabedoria militar já escrito no mundo ocidental.
Quando a carne do Cristo condenado sem culpa,era dilacerada pelo chicote do exército ele disse:” Deus , perdoe esses homens , eles não sabem o que fazem!!!!” Esse livro é a milhares de anos best seller, ele se chama Bíblia.
Para esse conluio intervencionista entre exército, globo e drácula, as palavras do Cristo se encaixam perfeitamente:
” Deus , perdoe esses homens , eles não sabem o que fazem!!!!”

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    ari

    20 de Fevereiro de 2018 às 17h30

    Judia sobrevivente de campo de concentração dizia a sua filha, “nunca esqueça, nunca perdoe”
    Meu amigo, infelizmente há coisa que não se perdoa

    Responder

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