Entrevista de Haddad ao SBT

Estamentos do golpe tentam limpar trilha para governo fantoche do PSDB

Por Miguel do Rosário

14 de abril de 2018 : 16h15

As denúncias contra os Bolsonaros não são baseadas em convicções ou power points. São fundamentadas em provas fornecidas pelos próprios réus. Jair Bolsonaro é racista. Eduardo Bolsonaro ameaçou uma jornalista. Que sejam punidos. Nem vou dizer que sejam punidos “severamente” porque essa é justamente a armadilha que nos levou ao golpe. As punições tem de ser justas, brandas e rápidas, conforme preconizava Cesare Beccaria.

Entretanto, é impossível fugir da seguinte especulação.

Os estamentos que deram o golpe (TCU, PGR, Lava Jato, STF), e que dão sustentação ao governo, em poucos dias fizeram os seguintes movimentos: prenderam Lula, limparam a barra de Alckmin e agora começam a mirar seus canhões na direção de Bolsonaro.

Não é preciso ser grande analista político para ver onde eles querem chegar.

A ditadura midiático-judicial sempre foi tucana. Nada mais natural que ela queira empurrar, goela abaixo dos brasileiros, um fantoche qualquer do PSDB, que vai governar conforme os ditames da Globo, como já faz o partido em São Paulo.

***

No site da PGR

PGR denuncia Jair Bolsonaro por racismo, e Eduardo Bolsonaro por ameaças a jornalista

Os dois parlamentares utilizaram expressões discriminatórias e ofensivas

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (13), o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) por racismo praticado contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs. Filho de Jair e igualmente deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também foi denunciado por ameaçar uma jornalista. Se condenado, Jair Bolsonaro poderá cumprir pena de reclusão de um a três anos; a PGR também pede o pagamento mínimo de R$ 400 mil por danos morais coletivos. Já no caso de Eduardo, a pena prevista – de um a seis meses de detenção – pode ser convertida em medidas alternativas, desde que sejam preenchidos os requisitos legais.

Jair Bolsonaro – Durante palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril do ano passado, em pouco mais de uma hora de discurso, Jair Bolsonaro usou expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo diretamente vários grupos sociais. Na denúncia, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, avalia a conduta de Jair Bolsonaro como ilícita, inaceitável e severamente reprovável. Para a PGR, o discurso transcende o desrespeito aos direitos constitucionais dos grupos diretamente atingidos e viola os direitos de toda a sociedade. Ela ressalta que a Constituição garante a dignidade da pessoa, a igualdade de todos e veda expressamente qualquer forma de discriminação.

Logo no início do discurso, amplamente divulgado na internet e na imprensa, o deputado faz um paralelo da formação de sua família para destilar preconceito contra as mulheres: “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”. Em seguida, Bolsonaro apontou seu discurso de ódio para os índios, impondo-lhes a culpa pela não construção de três hidrelétricas em Roraima e criticando as demarcações de terras indígenas. O ataque a variados grupos sociais continuou mirando os quilombolas. Segundo o parlamentar, essas comunidades tradicionais “não fazem nada” e “nem para procriador eles servem mais”.

Para Raquel Dodge está evidenciado que Jair Bolsonaro praticou, induziu e incitou discriminação e preconceito contra comunidades quilombolas, inclusive comparando-os com animais. Durante o evento, o deputado também incitou a discriminação com relação aos estrangeiros, estimulou comportamentos xenofóbicos e discriminação contra imigrantes – o que é vedado pela Constituição e pela lei penal. A denúncia reúne ainda outros discursos de Jair Bolsonaro contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros.

Eduardo Bolsonaro – Por meio do aplicativo Telegram, Eduardo Bolsonaro enviou várias mensagens à jornalista Patrícia de Oliveira Souza Lélis dizendo que iria acabar com a vida dela e que ela iria se arrepender de ter nascido. Questionado se o diálogo se trataria de uma ameaça, respondeu: “Entenda como quiser”. O parlamentar escreveu ainda diversas palavras de baixo calão com o intuito de macular a imagem da companheira de partido: “otária”, “abusada”, “vai para o inferno”, “puta” e “vagabunda”. A discussão ocorreu depois que Eduardo Bolsonaro postou no Facebook que estaria namorando Patrícia Lélis, que nega a relação. Além de prints das conversas que comprovam a ameaça, a vítima prestou depoimento relatando o crime.

Analisando os fatos, Raquel Dodge concluiu ser clara a intenção do acusado de impedir a livre manifestação da vítima, e para isso a ameaçou. Como a pena mínima estabelecida a Eduardo Bolsonaro é de um ano de detenção, ele pode ser beneficiado pela Lei de Transação Penal, desde que não tenha condenações anteriores, nem processos criminais em andamento. Caso seja interesse do denunciado, ele deve apresentar certidões de antecedentes criminais do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e das Justiças Federal e Estadual de São Paulo e do Distrito Federal. Se cumprir as exigências legais, a proposta de transação penal é para que Eduardo Bolsonaro indenize a vítima, pague 25% do subsídio parlamentar mensal à uma instituição de atendimento a famílias e autores de violência doméstica por um ano, além de prestação de 120 horas de serviço à comunidade. O relator do caso no STF é o ministro Roberto Barroso.

Denúncia contra Jair Bolsonaro

Denúncia contra Eduardo Bolsonaro

Proposta de transação penal Eduardo Bolsonaro

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

7 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Guilherme

15 de abril de 2018 às 23h15

Com os bancos, a mídia e o judiciário limpando a barra, tem-se uma ditadura tucana perfeita, travestida de democracia (viu como é que se faz, Kim Jong Un)?

Quanto ao parlamento, compra-se os que sempre estão à venda (PMDB, PP) para compor uma base, e c’est fini!

Responder

PEDRO AUGUSTO B MACHADO

15 de abril de 2018 às 20h33

O imoral e decrépito sistema jurídico brasileiro, protegendo abertamente sem nenhum escrúpulo os personagens mais corruptos do partido da justiça,a a máxima quadrilha do PSDB. Certamente que os trabalhadores deste país não confiam mais nessa falsa justiça que tem sempre protegido os parceiros da corrupção. Membro do STF, chegar a pronunciar que hoje existe a constituição de um juiz fora da lei, acusado de diversos crimes em desrespeito a carta magna. A CORJA DO JUDICIÁRIO RESPONSÁVEL A SITUAÇÃO QUE O PAÍS CHEGOU POR OMISSÃO CONIVENTE E PARTICIPATIVA A TODA LAMA DE CORRUPÇÃO.

Responder

ari

15 de abril de 2018 às 17h07

Perfeito.

Responder

Carlos Augusto De Bonis Cruz

15 de abril de 2018 às 09h27

Bolsonaro vai ser o alvo. Vai sentir o que é ser o alvo. Vai sofrer por ser o alvo. Ele é si a família. Filhos. O jogo é retirar sua candidatura, NÃO confiam nele, e deixar apenas as confiáveis, Alkmin, Álvaro Dias, e a fadinha da floresta. Ciro, se quiser resistir e tornar sua candidatura possível, vai ter que virar-se aos partidos de “esquerda”. NÃO há leis, códigos, tribunais. É a lei da selva. A Globo & Cia apostam numa destruição geral. Sabem que sem dinheiro do ESTADO não sobrevivem. Sabem que estão nus. Matar ou morrer.

Responder

Eva

14 de abril de 2018 às 23h24

Já era.

Responder

Ricardo

14 de abril de 2018 às 21h35

A LJ tinha duas finalidades: derrubar a Dilma e inviabilizar Lula. Missão cumprida. Bolsonaro é um efeito colateral. Está recebendo o tratamento devido. O problema é que a criatura, no caso os procuradores e juízes da LJ, gostaram do papel e estão saindo do controle, estão tentando criar asas. Tá na hora de podar. Aí que entra Gilmar Mendes e as denúncias de corrupção. Pra delimitar, como disse o Juca.

Responder

Adalberto

14 de abril de 2018 às 20h28

Bolsonaro se diz contra a Globo, o que pode ser sua unica virtude e justifca os ataques da PGR, divulgados pela mídia comercial.
Então tem que ser do PSDB? Esse viès ideológico seria a ruina dos golpistas.Prefake, Chuchu ou Aecinho são ruins de engolir. Tem que ser muito alucinado para votar numas tranqueiras destas.
Não acredito muito nesta tese. Acho que bata ser alinhado com a Globo, tenha sede de poder, e seja neoliberal. Nesta categoria, temos o sr. Álvaro Dias e o Rodrigo Botafogo Maia.

O problema é que eles não tem voto. E o eleitorado só esta esperando a indicação do presidente Lula.
Se os golpistas perceberem que não ganharão a eleição de forma legítima, o pleito será cancelado. Simples assim.

Não acredito que haverá tentativa de fraude, pois tentativas de burlar uma eleição democrática podem ser intuidas com a utilização de algoritmos matemáticos específicos. Na literatura, há inúmeros métodos com graus variados de exatidão. Portanto, dá para intuir se há fraude numa votação.

Responder

Deixe uma resposta

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com