Sabatina de Manuela na Carta Capital

A íntegra do Datafolha

Por Miguel do Rosário

11 de junho de 2018 : 17h05

Saíram os relatórios completos da pesquisa Datafolha, que nos permitirá aprimorar nossas análises.

No Datafolha

Sem Lula, Bolsonaro só é superado por brancos e nulos
ELEIÇÕES – 11/06/2018 13H17

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DE SÃO PAULO

Preso há dois meses, o ex-presidente Lula (PT) mantém o índice mais alto de intenção de voto para a disputa da Presidência da República entre os pré-candidatos com nomes colocados para a disputa. Sem o petista, Jair Bolsonaro (PSL) lidera, tendo Marina Silva (Rede) como principal adversária. O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), fica atrás da candidata da Rede e empata com Geraldo Alckmin (PSDB) nos cenários em que há petistas na disputa, embora leve vantagem numérica sobre o tucano quando também tem como adversários Fernando Haddad e Jaques Wagner. O ex-prefeito de São Paulo e o ex-governador da Bahia estão distantes do patamar de intenção de votos de Lula e não ultrapassam 1% de preferência do eleitorado.

Com 30% no único cenário em que seu nome é testado, Lula fica à frente de Jair Bolsonaro, que tem 17%, e de Marina Silva, que tem 10%. Tanto Geraldo Alckmin quanto Ciro Gomes são indicados por 6%, e na sequência aparecem Alvaro Dias (Podemos), com 4%, e Manuela D’Ávila (PCdoB), Fernando Collor (PTC), Henrique Meirelles (PMDB), Rodrigo Maia (DEM), João Goulart Filhos PPL) e Flávio Rocha (PRB), cada um deles com 1% das intenções de voto. Também incluídos na consulta, Guilherme Boulos (PSol), João Amoêdo (Novo), Guilherme Afif Domingos (PSD), Aldo Rebelo (SDD), Levy Fidelix (PRTB) e Paulo Rabello de Castro (PSC) foram citados mas não atingiram 1%. Uma fatia de 17% votaria em branco ou nulo, e 4% não opinaram.

Com o petista fora da corrida presidencial e Haddad como candidato do PT, Bolsonaro (19%) lidera, e Marina (15%) surge em patamar próximo. Na sequência surgem Ciro (10%), Alckmin (7%), Dias (4%), Manuela (2%), Maia (2%) e Haddad, Meirelles, Collor, Rocha, Alencar, Fidelix, Amôedo e Boulos, cada um deles com 1%. Os demais foram citados mas não atingiram 1%, uma fatia de 28% declarou voto em branco ou nulo, e 5% preferiram não opinar sobre oesse cenário.

Nesse cenário, Bolsonaro lidera com folga entre os homens (26%, ante 12% de Marina, 12% de Ciro, 7% de Alckmin e 5% de Dias), na faixa dos mais jovens, de 16 a 24 anos (26%, ante 16% de Marina, 5% de Ciro e 5% de Alckmin) e também na posterior, de 24 a 35 anos (28%, ante 17% de Marina, 8% de Ciro e 7% de Alckmin).

O presidenciável do PSL também se destaca entre os eleitores com curso superior (25%, contra 12% da ex-senadora da Rede, 12% de Ciro, 6% do ex-governador de São Paulo, 4% de Alvaro Dias, 3% de Haddad e 3% de Boulos), mas é nas camadas mais ricas do eleitorado que a preferência por seu nome dispara: tem 13% entre os mais pobres, na faixa de renda familiar de até 2 salários por mês, ante 17% de Marina, 9% de Ciro e 6% de Alckmin. Na faixa de renda de 2 a 5 salários, Bolsonaro sobe para 23%, já à frente de Marina (13%), Ciro (9%) e Alckmin (8%). Entre quem tem renda entre 5 e 10 salários, a distância de Bolsonaro (29%) para Marina (11%), Ciro (17%) e Alckmin (5%) e Dias (7%) é ampliada. Por fim, entre os mais ricos, com renda superior a 10 salários, ele alcança (34%), percentual próximo da soma dos índices de Marina (3%), Ciro (14%), Alckmin (10%) e Dias (9%), seus adversários mais próximos. Ainda na faixa dos mais ricos, 7% votariam em Haddad, melhor índice do petista por segmento de renda, ao contrário de Lula, que pontua melhor entre os mais pobres quando seu nome aparece entre os postulantes à Presidência.

Ainda sob o mesmo cenário, a disputa regional mostra o pré-candidato do PSL em vantagem no Centro-Oeste (26%, ante 17% de Marina, 7% de Ciro e 5% de Alckmin) e na região Sul (22%, ante 14% de Alvaro Dias, 9% de Marina, 8% de Ciro e 5% de Alckmin). No Nordeste, a ex-senadora da Rede tem 17%, contra 13% de Ciro, 12% do deputado do PSL e 2% de Alckmin. O tucano tem 11% no Sudeste, maior eleitorado do país, empatado com Ciro (9%) e Marina (14%), e atrás de Bolsonaro (20%). Na região Norte, a ex-senadora pelo Acre lidera (19%) ao lado de Bolsonaro (22%), ambos à frente de Ciro (10%) e do ex-governador de São Paulo (5%).

Entre eleitores de Lula no cenário em que seu nome é testado, 17% preferem Marina e 13% optam por Ciro quando o petista é substituído por Haddad. O ex-prefeito de São Paulo é apontado, neste momento, por somente 2% do eleitorado de seu correligionário, percentual menor do que os que, sem Lula, migram seu voto para Jair Bolsonaro (6%). Parte substancial (40%) das intenções de voto no ex-presidente opta pelo voto em branco ou nulo na sua ausência da eleição.

A substituição de Haddad por Jaques Wagner como nome do PT para disputa presidencial não altera significativamente a disputa: Bolsonaro (19%) lidera, e em segundo lugar surge Marina Silva (14%). Eles são seguidos por Ciro (10%), Alckmin (7%), Dias (4%). Manuela (2%) e Maia (2%), com os demais aparecendo com 1% ou menos. Brancos e nulos, neste cenário, somam 28%, e há 5% que preferiram não opinar.

Em outro cenário testado, sem candidaturas do PT, Bolsonaro tem 19%, e Marina aparece com 15%. A seguir aparecem Ciro (11%), Alckmin (7%), Dias (4%) e Manuela (2%), entre outros com 1% o menos. A parcela de brancos ou nulos, nesta simulação, é de 28%, e é de 6% a taxa de eleitores que preferiram não opinar sobre a disputa.

Na intenção de voto espontânea, quando os nomes dos potenciais candidatos não são apresentados aos eleitores, 12% citam Bolsonaro como nome já escolhido para a eleição presidencial, no mesmo patamar dos que mencionam Lula (10%). Também foram citados Ciro (2%), Alckmin (1%), Marina (1%) e Alvaro Dias (1%), entre outros que não atingiram 1%. Uma fatia de 23% declarou que irá votar em branco ou nulo, e 46% não souberam apontar sua opção de voto para disputa presidencial.

A comparação com levantamentos anteriores mostra que a intenção de voto espontânea em Lula vem caindo: ele tinha 18% em setembro do ano passado, oscilou para 17% em consultas feitas em novembro e janeiro, caiu para 13% em abril, após sua prisão, e agora tem 10%. No mesmo período, Bolsonaro passou de 9% para 12%, sendo que no último levantamento, de abril, ele tinha 11%. Entre os homens, Bolsonaro tem 18% da preferência espontânea. O índice do pré-candidato do PSL também fica acima da média entre os mais jovens (17% na faixa de 16 a 24 anos e 17% entre quem tem de 24 a 35 anos), na parcela mais escolarizada (19%), no eleitorado com renda mais alta (21% entre quem tem renda familiar de 5 a 10 salários e 25% na faixa acima de 10 salários) e no Centro Oeste (18%).

A rejeição aos presidenciáveis também foi alvo de consulta, e dois ex-presidentes lideram a lista: 39% declaram que não votariam de jeito nenhum em Fernando Collor, que é seguido por Lula, rejeitado por 36%. Na sequência aparece Bolsonaro, em quem 32% não votariam, e depois Alckmin (27%), Marina (24%), Ciro (23%), Maia (20%), Meirelles (17%), Haddad (16%), Fidelix (16%), Alencar (13%), Wagner (12%), Dias (12%), Rebelo (11%), Manuela (11%), Boulos (11%), Rocha (11%), Rabello de Castro (11%), Goulart Filho (10%), Amoêdo (10%) e Afif (10%). Há ainda 6% que rejeitam todos, 3% que votariam em qualquer um, e 4% que não opinaram sobre o tema.

Bolsonaro é mais rejeitado em alguns segmentos em que consegue intenção de voto mais alta, como entre os mais jovens (44% dos que têm de 16 a 24 anos não votariam de jeito nenhum no nome do PSL), na fatia dos mais escolarizados (40%) e na faixa de renda de 5 a 10 salários de renda familiar (37%). Ou seja, nesses segmentos há uma polarização mais acentuada em torno do nome do deputado do PSL.

No 2º turno, Lula e Marina são nomes mais fortes

Nas simulações de segundo turno realizadas pelo Datafolha, o ex-presidente Lula se manteve à frente nas situações nas quais seu nome foi apresentado aos eleitores. Diante de Alckmin, o ex-presidente tem 49% das intenções de voto, e o ex-governador de São Paulo, 27%. Votariam em branco ou nulo 22%, e 1% não opinou. O mesmo cenário em abril trazia Lula com 48%, ante 27% de Alckmin. Votos em branco ou nulo somavam 23%.

A disputa contra Marina também mostra estabilidade: petista é o preferido de 46%, e 31% optariam pela ex-senadora da Rede. Há ainda 21% que votariam em branco ou nulo, e 1% que não opinou. Na última pesquisa, o ex-presidente tinha 46%, Marina aparecia com 32%, e 21% votariam em branco ou nulo.

No embate entre Lula e Bolsonaro, 49% preferem o ex-presidente, e 32%, o deputado federal. Os votos em branco ou nulo neste cenário somam 17%, e 1% não respondeu. Em abril, o petista tinha 48%, ante 31% do adversário, além de 19% optariam por branco ou nulo.

Candidata nas duas últimas eleições presidenciais, Marina venceria Alckmin, Ciro e Bolsonaro, tendo este último como o adversário mais competitivo neste momento. Se o 2º turno fosse disputado entre Marina e o deputado do PSL, a ex-senadora do Acre teria 42% das intenções de voto, ante 32% de Bolsonaro. Votariam em branco ou nulo 24%, e 2% não opinaram. Na comparação com abril, Marina oscilou negativamente (tinha 44%), e Bolsonaro, positivamente.

A simulação de 2º turno entre Marina e Alckmin mostra vantagem da ex-senadora (42%) sobre o presidenciável do PSDB (27%). Há ainda 29% que optariam por votar em branco ou nulo, e há 2% que não opinaram. No levantamento anterior, ela tinha 44%, e o tucano, 27%.

Contra Ciro, Marina teria 41%, ante 29% do ex-governador do Ceará. Uma fatia de 28% votaria em branco ou nulo, e 2% não opinaram. Em relação a abril, a vantagem da presidenciável da Rede sobre Ciro caiu de 26 para 12 pontos. À época, Marina aparecia com 50%, e o pedetista, com 24%.

Em uma disputa entre Ciro e Alckmin, há empate (32% a 31%, respectivamente), e 34% votariam em branco ou nulo, além de 3% que preferiram não opinar. No levantamento anterior, ambos tinham 32%.

Na disputa entre Alckmin e Bolsonaro, há empate, com 33% para cada um deles. Uma parcela de 32% preferiria anular ou votar em branco, e 3% não opinaram. Na pesquisa de abril, o tucano tinha 33%, ante 32% do adversário.

O confronto direto entre Ciro e Bolsonaro mostra um empate, com vantagem numérica para o ex-governador (36% a 34%). Há ainda 28% que votariam em branco ou nulo, e 3% sem opinião. No levantamento anterior, ambos tinham 35% das intenções de voto.

Alternativa a Lula como candidato do PT, Fernando Haddad foi testado em três cenários, e fica atrás em todos eles.

Contra Bolsonaro, o ex-prefeito de São Paulo tem 27%, ante 36% do adversário. Nesta disputa, 34% votariam em branco ou anulariam, e 3% preferiram não opinar. Em abril, o petista aparecia com 26%, ante 37% do adversário.

Quando o adversário de Haddad é Alckmin, o tucano lidera com 36%, e o petista fica com 20% das intenções de voto. Uma fatia de 40% votaria em branco ou nulo, e 4% não opinaram. Em abril, o ex-governador de São Paulo tinha 37%, e o ex-prefeito da capital paulista, 21%.
A disputa direta entre Haddad e Ciro mostra o pedetista com o dobro das intenções de voto do petista (38% a 19%), com 38% optando pelo voto branco ou nulo, e 4% se abstendo de opinar.

Peso do apoio de lula segue estável

O peso do apoio de Lula a um candidato na disputa pela Presidência ficou estável desde abril: 30% votariam com certeza em um nome apoiado pelo petista, e 17% talvez votariam. A fatia dos que não votariam é de 51%, e 2% não opinaram. Há dois meses, 30% certamente seguiriam a indicação do petista, e 16% talvez seguissem. Na região Nordeste, 48% certamente escolheriam o candidato de Lula para a Presidência, e na região Norte, 39%. Entre os mais pobres, com renda familiar de até 2 salários, o índice de preferência por um nome apoiado pelo ex-presidente também é de 38%. Na fatia dos que escolhem Lula no único cenário eleitoral em que seu nome é apresentado, 62% apontam que seguiriam sua indicação para outra candidatura à Presidência. Nesse mesmo cenário, 23% dos eleitores de Marina também declaram votar em alguém apoiado pelo petista; entre eleitores de Ciro, o índice chega a 33%.

Também foram testados o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e do atual presidente, Michel Temer (MDB), a candidatos a presidente na próxima eleição. O grau de prestígio do tucano também ficou estável na comparação com abril – 65% não votariam em um nome que tivessem seu apoio, e os demais votariam com certeza (10%), talvez votariam (22%) ou não opinaram.

No caso de Temer, a rejeição a seu apoio, que já era o mais alto entre os consultados, aumentou: em abril, 86% rejeitavam votar em um candidato apoiado pelo atual presidente, índice que agora é de 92%. No mesmo período, caiu de 9% para 5% a taxa dos que talvez optassem por um nome que tivesse o apoio do emedebista, e oscilou de 3% para 2% a dos que com certeza escolheriam esse candidato. Há ainda 2% que não opinaram sobre o apoio de Temer.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Felipe Pansano

12 de junho de 2018 às 19h28

Eu já disse eu vou votar em Geraldo Alckmin, pois é o único com comprometimento com a população e que sabe trabalhar por todos.

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Ana

12 de junho de 2018 às 18h20

Eu acredito que com achegada da campanha a população brasileira vai ter conhecimento do grande trabalho do Geraldo Alckmin feito em SP e esse cenário com certeza mudará.

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Pedro Caldas

12 de junho de 2018 às 18h16

O Brasil precisa do Geraldo Alckmin!!

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BRUNO SARAIVA SANTANA

12 de junho de 2018 às 17h51

O Brasil precisa de um homem como Geraldo Alckmin com a visão do povo e de suas necessidades que sempre tem em mente a gestão eficiente, para o Brasil voltar a crescer. Não tenho dúvida que logo ele desponta na corrida à presidência e será o nosso próximo representante.

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    Alan Cepile

    12 de junho de 2018 às 18h06

    Pra falar do lalau de merenda desse jeito só pode ser um perfil eletrônico.

    Responder

Gabriel Soares

11 de junho de 2018 às 22h22

O psb vai apoia maluquice do pt para tenta salva um governo horrível em Pernambuco que não tem salvação vai peder sozinha ou com o pt e de quebrar vai acabar com a carreira da Mariana Arraes a mesma política pequena que ta destruindo o Brasil

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Alan Cepile

11 de junho de 2018 às 19h49

1) Lula não será candidato, tem direito mas não será, isso está absolutamente claro.
2) Lula preso está perdendo votos e perdendo a influência de indicar alguém.
3) Blogs como o Brasil 247 está jogando seus leitores contra Ciro e a direita está adorando isso.
4) Enquanto a esquerda briga, a direita está bem tranquila, ninguém ataca Bolsonaro e Alckimin.
5) Se essa briguinha idiota continuar, corremos o risco de ver um 2º turno entre a direita e a extrema direita.

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Carlos Pereira

11 de junho de 2018 às 18h40

O Brasil tem uma dívida histórica com o Lula. Ele é o melhor Presidente para os menos necessitados que este país já teve. Deveríamos é estar todos na rua exigindo sua soltura. Lula LIvre! Lula Candidato líder nas pesquisas de intenções de votos sempre! Lula Presidente 2018!

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    Gustavo

    12 de junho de 2018 às 07h29

    54% consideram a prisão do Lula justa, boa sorte………

    Responder

Alberto Lima

11 de junho de 2018 às 18h30

Em resumo,
O candidato do campo progressista é Ciro Gomes.
Falta só o PT parar com essa criancice e apoiá-lo!

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