Vila Militar do Chaves (Adnet satiriza Bolsonaro)

Tentações autoritárias

Por Pedro Breier

30 de outubro de 2018 : 17h33

Não quero que ela [a imprensa] acabe, mas no que depender de mim, na propaganda oficial do governo, imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não terá apoio do governo federal.

A frase acima é de Jair Bolsonaro e foi dita ontem (29), durante entrevista ao Jornal Nacional. Logo antes, Bolsonaro havia criticado a Folha pela reportagem sobre a funcionária fantasma do seu gabinete.

A fina ironia da História novamente dá as caras.

A imprensa passou todo o período dos governos do PT acusando o partido de ter inclinações autoritárias. Bolsonaro nem bem foi eleito e já serve um indigesto aperitivo do que é autoritarismo de verdade.

A Veja insiste em igualar o que é incomparável. Na capa da edição que está nas bancas consta o seguinte: “Com a provável eleição de Bolsonaro, as instituições – que resistiram às tentações autoritárias da esquerda petista – terão agora de vencer as tentações autoritárias da direita radical”.

Que “tentações autoritárias” do PT seriam essas? A proposta de regulação da mídia, quem sabe?

Bom, o oligopólio que controla a mídia no Brasil o faz contra a Constituição. É absolutamente nocivo à democracia que um punhado de famílias milionárias e politicamente de direita pautem o debate público nacional. É necessário, para que haja oxigênio em nossa democracia, que exista diversidade política na TV, no rádio e na internet, aos moldes de nações desenvolvidas como EUA e países europeus.

Entretanto, o PT não chegou nem perto de colocar isso em prática. Nem mesmo teve habilidade para fazer do tema uma discussão pública. Ou tratou de forma burocrática ou simplesmente deixou de lado a proposta, acuado com as reações furibundas da grande mídia a qualquer menção ao tema.

Bolsonaro, por sua vez, promete que veículos que “mentem” não terão “apoio” do governo federal.

Ou seja, esqueçam critérios minimamente técnicos para distribuição da verba de publicidade federal: se o presidente concluir que o veículo é “mentiroso”, certamente aconselhado por uma junta de milicos com larga experiência em definir o que é a verdade e o que não é, bye bye.

O PT é um partido extremamente moderado – perdoem o aparente paradoxo.

Bolsonaro é um projeto de ditador. Como bem escreveu o professor Wilson Gomes, “Quem sempre foi estilingue, não tem a menor ideia do que é ser vidraça”.

A mídia familiar insiste, há tempos, na esdrúxula atribuição de características ditatoriais ao Partido dos Trabalhadores. Na eleição, tentou caracterizar ambos, Bolsonaro e PT, como extremistas. Deu no que deu.

Agora, terão motivos reais para falar em tentações autoritárias do governo. Substituindo, se quiserem ser precisos, tentações por práticas.

Pedro Breier

Pedro Breier, colunista d'O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo. Nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo.

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6 comentários

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Roque

01 de novembro de 2018 às 09h24

O PT é um partido moderado, kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Pedrinho, menino traquina, sua vovó já preparou o todynho de hoje??? Cara, larga de ser pelego, vc devia ter vergonha nesta sua cara de pau. O PT é o partido mais radical do Brasil, e por conta disto vai se apequenar cada vez mais, é só uma questão de tempo.

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maria do carmo

31 de outubro de 2018 às 12h04

O Brasil e estado Laico, discurso depois da posse foi uma vergonha, antecedido por discurso-oracao do troglodita Magno Malta ( minimo ) Bolsonaro nao sabe se expressar, deixou que usacem o nome de Deus em vao, politica nao deve se misturada com o nome de Deus, todos politicos falsos esperando uma boquinha, parecia as repubiquetas da America Latina do seculo passado, os politicos capachos do presidente fascista e ignorante que sera governado pelos politicos oportunistas, Kolscho ( vide no Balaio de Kolscho )esta certo Bolsonaro nao quiz debater porque seria demolido por Haddad com historico irrepreecivel, muito mais preparado ao ser confrontado com Bolsonaro com passado terrorista e vinte e oito anos na Camara e apenas dois projetos irrelevante sendo que um nao fpi regulantad que so fala em armas, agressoe e violencia, e defende torturador que cristao e esse?… estao usando o nome de Deus em vao!

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ari

30 de outubro de 2018 às 20h02

“Nem mesmo teve habilidade para fazer do tema uma discussão pública”
Pedro, talvez vc não se lembre, mas houve as Conferências de Comunicação, inicialmente regionais e depois nacionais. Os participantes eram divididos em governo, povo e mídia. Lembro-me que, no início da fase nacional, uma associação qualquer de imprensa soltou nota, lida com pompa pelo Bonner, dizendo que não participaria por se tratar de censura. Não sei as razões por que não progrediu.

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CAR-POA

30 de outubro de 2018 às 19h15

——-O PT é um partido extremamente moderado – perdoem o aparente paradoxo.—–
Enquanto continuarmos a considerar os pts partido de esquerda,continuaremos a exigir deles o que eles não podem dar.Numa situação como a históricamente apresentada no Brasil,um partido de esquerda seria um partido de CONFRONTO com os donos eternos do poder no Brasil.
Nos 13 anos que os pts estiveram no governo ,quando confrontaram com eles?????nunca ,por que????simples,são um partido de CENTRO,de conciliação,de acordos,de negociação.
Quer um exemplo de presidente de esquerda ,???Nestor Kirchner
Diz aos creedores externos que quem quissese receber teria que aceitar deságio ,diz aos militares reunidos em ato num quartel “não tenho medo,nem os temo” ISSO É CONFRONTO,ISSO É ESQUERDA

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Paulo

30 de outubro de 2018 às 17h56

Não acredito que leve isso adiante. É só jogo de pressão política. E é inconstitucional. Ou não dá a grana pra ninguém – o que seria lícito – ou distribui de forma minimamente equitativa. A situação dos Órgãos de Comunicação, no Brasil, é terrível. A transição da mídia impressa para a eletrônica não se está fazendo sem custos enormes, em perda de assinantes/audiência e de publicidade…

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Mathias

30 de outubro de 2018 às 17h42

Tudo jogo de cena.
A foia prestou relevantes serviços ao golpe e a demonização da política.
Que como consequencia nos gerou temer e agora o bolsonaro.

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