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Notas internacionais (por Ana Prestes) 14/11/18

Por Ana Prestes

14 de novembro de 2018 : 09h49

*Foto: Caravana migrante chega à fronteira do México com os EUA, por Guillermo Arias / AFP

– A equipe de Bolsonaro se envolveu em mais uma polêmica internacional, desta vez com o governo da Noruega. Em uma entrevista desastrada na segunda-feira (12), o futuro chefe da Casa Civil, Onyz Lorenzoni, disse que a Noruega que deveria aprender com o Brasil sobre preservação ambiental. O embaixador da Noruega no Brasil respondeu no dia seguinte (13) via twitter dizendo que Noruega e Brasil tem aprendido mutuamente sobre preservação ambiental e que o político era bem-vindo para uma visita na Embaixada. A Noruega é a maior doadora do Fundo Amazônia gestado pelo BNDES.

– O Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, escreveu ontem artigo em O Globo sobre o Itamaraty e a política comercial brasileira. Segundo ele, o Itamaraty tem capacidade e conhecimento sobre a política comercial externa “que não podem ser desaproveitados sob pena de graves prejuízos ao país”. Cita várias vitórias do Brasil na OMC, no suposto “resgate do Mercosul por Temer” e na abertura de novas negociações como com a Aliança do Pacífico. Termina dizendo que o Itamaraty é uma máquina negociadora que o “pior que pode nos acontecer é culpar a máquina pela imperícia do condutor”.

– Representantes do Brasil e do México discutiram ontem, na Cidade do México, possíveis avanços nas negociações comerciais bilaterais. O comércio entre Brasil e México alcançou US$ 8,8 bilhões em 2017, sendo a maior parte por conta do setor automotivo. O México neste momento se prepara para a posse de seu novo presidente, Lopez Obrador, em 1º. de dezembro.

– Apesar da polêmica da entrada de tropas militares norte-americanas em território uruguaio no contexto da reunião do G20 na Argentina no final do mês, o Senado uruguaio aprovou por unanimidade o ingresso.

– 500 páginas é o volume do acordo a que Reino Unido e União Europeia conseguiram chegar sobre o Brexit. Tudo indica que ainda hoje, 14 de novembro, haverá uma reunião do Conselho de Ministros para aprovar o pacto com Bruxelas. Os representantes dos 27 países que ficam na União Europeia também foram convocados para uma reunião hoje (14) em que avaliarão o acordo alcançado. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, opositor a Theresa May, opinou: “Olharemos os detalhes do que ficou definido, quando estiverem disponíveis. Mas pelo que sabemos, pela gestão caótica das negociações, é improvável que seja um bom acordo para o país.” Boris Johnson, do partido conservador e ex-ministro de Relações Exteriores até julho passado disse que considera o acordo “totalmente inaceitável para alguém que acredita na democracia”.

– Em pronunciamento no Parlamento Europeu, no dia de ontem (13), Angela Merkel defendeu o fim da exigência do voto unanime no parlamento, a criação de um exército europeu, atacou o nacionalismo crescente em alguns países do bloco, assim como o retrocesso na política de refugiados e do Estado de Direito nesses mesmo países. Disse a chanceler: “nós, como europeus, precisamos assumir mais fortemente nosso destino, se quisermos sobreviver como comunidade”. Durante o fim de semana, Trump havia criticado Macron pela ideia de um exército europeu.

– Completou ontem, 13 de novembro, um mês que uma grande caravana migrante deixou Honduras rumo aos EUA. São mais de 5 mil pessoas que já percorreram mais de 2 mil quilômetros a pé. Ao passar pelo México, a caravana chegou a aumentar seu contingente para cerca de 7 mil pessoas, segundo a ONU, mas muitos foram dispersando, por conta principalmente das condições precárias de sobrevivência ao longo do caminho. Uma parte da caravana já chegou em Tijuana, na fronteira com o Canadá. Há mais três caravanas neste momento em marcha, que saíram também da América Central. Segundo a ONU com 2 mil pessoas cada. Trump chama as caravanas de “invasão” e há pelo menos 5 mil soldados nas fronteiras dos estados da Califórnia, Arizona e Texas.

– Com o apoio do Egito, tudo indica que se chegou a um cessar-fogo na Faixa de Gaza. O confronto que estourou no domingo, quando uma operação secreta israelense de “coleta de informações” dentro do território palestino ficou exposta e os palestinos reagiram, foi o maior desde a guerra de 2014. Palestinos lançaram centenas de foguetes em direção a Israel, após a evidência da operação, que respondeu atacando o território palestino.

– O governo de Israel ainda não se pronunciou oficialmente, mas pelo silêncio em Gaza já aceitou o cessar fogo que também lhe interessa. Diante do aceite do cessar fogo, o ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, se demitiu por discordar de Benjamin Netanyahu. Segundo analistas, a calma em Gaza interessa ao premier pois diminui a pressão sobre Israel para fazer concessões e aderir a uma negociação de paz. Interessa também instigar as diferenças entre Hamas e Fatah. Quanto à operação realizada no domingo no território palestino nada se sabe e provavelmente nada se saberá no futuro próximo.

– Uma estatística que vale de alerta para o Brasil. Segundo dados do FBI, os EUA tiveram 17% a mais de crimes racistas e homofóbicos no primeiro ano de governo Trump. Em 2017 foram denunciados à policia americana 7175 ataques por razões de etnia, origem, religião, sexualidade, gênero ou necessidades especiais, contra 6121 em 2016. Maior número desde 2008.

– Presidente da Colombia, Iván Duque, solicitou à Corte Penal Internacional (CPI) uma investigação sobre a situação da Venezuela, em um claro afronta ao Governo de Maduro e possivelmente em articulação com o governo Trump.

– O julgamento do assassinato de Bertha Carceres em Honduras segue sem ouvir familiares e testemunhas por elas indicadas. A família de Bertha tem denunciado cotidianamente a farsa do julgamento.

– Se chama “Camp Fire” e já é o mais mortífero incêndio florestal da história da Califórnia. Ainda não foi controlado e já deixou 50 pessoas mortas, além de destruir cidades inteiras.

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3 comentários

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Sitiante europeu

14 de novembro de 2018 às 12h35

Faltou explicar por que esses coitados estão tentando migrar para os EUA , para serem explorados pelo capitalismo rentista dos imperialistas ianques , quanto poderiam ir para os paraísos socialistas da Nicarágua ou Venezuela . E aproveite para explicar por que Tijuana faz fronteira com o Canadá…

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brasileiro

14 de novembro de 2018 às 09h56

“O governo da Noruega, responsável por duras críticas a políticas ambientais do Brasil na última semana, é o principal acionista da mineradora Hydro, alvo de denúncias do Ministério Público Federal (MPF) do Pará e de quase 2 mil processos judiciais por contaminação de rios e comunidades de Barcarena (PA), município localizado em uma das regiões mais poluídas da floresta amazônica. ”

fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-40423002

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    Paulo

    14 de novembro de 2018 às 18h28

    Pois é!

    Responder

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