Randolfe Rodrigues no Jornal da Gazeta

Fonte: PCdoB

Apoiar Maia é um erro do PDT

Por Miguel do Rosário

14 de janeiro de 2019 : 15h14

É o primeiro desafio e a primeira crise do bloco.

PSB sinalizou oposição à candidatura Maia.

PDT, vindo na contramão, sinalizou apoio à reeleição de Maia. O descontentamento barulhento da militância trabalhista, todavia, empoderada ao longo dos embates dos últimos meses, põe em dúvida se o partido levará adiante o que, por enquanto, é apenas um indicativo e não uma decisão fechada.

O PCdoB faz mistério. Todo mundo sabe que existe um elo de empatia entre a direção do partido e Rodrigo Maia (o PCdoB apoiou a primeira eleição de Maia). Mas ainda não se posicionou para esta eleição.

Todos os partidos de centro-esquerda (PDT, PSB, PCdoB e PT) tinham sinalizado inicialmente apoio a Rodrigo Maia, por considerá-lo uma força independente em relação a Bolsonaro.

Entretanto, quando o PSL, partido de Bolsonaro, sinalizou apoio a Maia, os cálculos mudaram.

Apesar dos sinais trocados, os três partidos também deixaram claro que só irão bater o martelo após um acordo. Se não houver acordo nenhum, o bloco sairá machucado.

O PSOL corre por fora, com a candidatura quixotesca de Marcelo Freixo.

Quem fez a jogada mais inteligente, ao que parece, foi o PSL. Todo mundo pensava que o partido fosse lançar um nome próprio. Mas não. O PSL jogou estrategicamente, impedindo a oposição de se reunir em torno de um nome forte, com condições efetivas de ganhar.

O objetivo dos partidos é garantir vaga nas comissões, ferramentas poderosas na política de gabinetes da Câmara.

Mas há uma outra guerra mais importante em curso, que é a briga por espaço na opinião pública, que por sua vez reforça a importância de uma relação de respeito e intensa comunicação entre os partidos e suas militâncias.

Com o indicativo do PDT, Maia tem sua eleição garantida no primeiro turno, com 283 votos. Ele precisa de 257 votos.

Se PSB e PCdoB o apoiarem, seriam 327 votos.

Em nossa opinião, o indicativo do PDT é um erro, inclusive de timing político. Nenhuma decisão do PDT poderia ser tomada em contrariedade ao bloco.

O principal objetivo do PDT deveria ser consolidar o bloco, porque, com 28 deputados, o partido significa pouca coisa no processo decisório da Câmara. Mesmo o bloco não é lá grande coisa, mas ele seria um núcleo inicial para agregar mais apoios ao centro.

Um apoio a Maia pelo PDT apenas se justificaria se fosse uma decisão do bloco, e que cobrasse compromissos escritos do presidente da câmara em torno de alguns temas básicos relacionados a independência do legislativo, direitos humanos e democracia.

O ideal seria que o bloco lançasse um nome pelo PSB. Não pode ser pelo PDT, porque os petistas diriam que seria um fantoche de Ciro, e é preciso, neste ponto, desintoxicar e pacificar um pouco a relação entre PT e PDT.

Não pode ser do PCdoB, que saiu muito enfraquecido na eleição, tendo que incorporar o PPL para superar a cláusula de barreira. Tem que ser do PSB e tinha que ser um nome com peso na opinião pública. O nome até agora indicado, o deputado JHC, é do baixo clero.

O ideal seria Alessandro Molon, do PSB, que circula bem por toda a esquerda, centro e centro-direita.

A Câmara tem 513 deputados. Nenhum partido faz verão sozinho. As lideranças terão que aprender a costurar acordos e alianças.

Abaixo a nota do PSB, divulgada quinta-feira passada.

***

No site do PSB

PSB indica formar bloco de oposição à candidatura de Rodrigo Maia para a Câmara
11/01/2019

Carlos Siqueira: “Não queremos que a Câmara seja apenas um carimbador de projetos do Poder Executivo”. Foto: Humberto Pradera

Os deputados federais do PSB reunidos na sede nacional do partido nesta quinta-feira (10) decidiram, por ampla maioria, indicar a formação de um bloco de oposição à candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara.

O encontro, presidido pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, e pelo líder da bancada socialista, Tadeu Alencar (PE), teve caráter consultivo e reuniu 22 dos 32 deputados da atual legislatura.

Segundo Siqueira, a adesão do PSL à candidatura de Maia foi determinante para a decisão. Para o presidente do PSB, é necessário que haja “equilíbrio” entre governo e oposição no funcionamento da Câmara.

“Não queremos que a Câmara seja apenas um carimbador de projetos do Poder Executivo e que a oposição fique a ver navios cada vez que os assuntos essenciais para o país estiverem em jogo”, afirmou.

O partido irá conversar com líderes e presidentes do PDT e do PCdoB – que formam com o PSB um bloco de centro-esquerda na Casa – para discutir a preferência dos socialistas pela formação de um bloco mais amplo que fará oposição a Maia.

“É importante que a oposição ocupe espaços significativos para criar um certo equilíbrio, para que possamos combater eventuais retrocessos nas conquistas sociais históricas do nosso país”, defendeu Siqueira.
A ideia é que o blocão a ser formado tenha várias candidaturas, algumas delas já lançadas, como a do deputado federal JHC (PSB-AL), para disputar a presidência, os demais cargos da mesa diretora e as comissões temáticas.

“Estamos convencidos de que vamos chegar a um ponto comum a partir da reunião que teremos com esses partidos de esquerda. Nós valorizamos muito esse bloco, queremos atuar juntos nessa e em outras questões mais essenciais que a conjuntura já nos mostra que apresentará”, declarou o presidente do PSB.

O líder da bancada socialista, Tadeu Alencar ressaltou que o PSL levou à candidatura de Rodrigo Maia uma “identidade muito grande” com o governo de Jair Bolsonaro.

“Isso era algo que, desde o início, o nosso bloco e o PSB dissemos que era importante não ter para garantirmos a independência do poder e o nosso papel de oposição”, afirmou.

Assessoria de Comunicação/PSB Nacional

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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23 comentários

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Rafael, BHte

23 de fevereiro de 2019 às 18h09

como bem disse o haddad, o pdt é de esquerda pero no mucho… parece q podemos incluir aí tb o PC do B e o PSB nem falar

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CezarR

15 de janeiro de 2019 às 14h07

Confesso que não tenho opinião formada. De fato, apoiar o Maia me causa um revertério estomacal, mas a correlação de forças pode ser um justificador (ou não). O interessante é a hipocrisia dos petistas, falando em direitismo do PDT quanto ao próprio PT apoiou o Maia e o Eunício!

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claudio

15 de janeiro de 2019 às 13h28

Esquerda brasileira prefere ver o Brasil pegar fogo, a se unir em torno de um projeto de salvação do país.

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Nilson Messias

15 de janeiro de 2019 às 11h56

Qual é a surpresa? Um partido de direita, PDT, apoiar a direita.

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LEONARDO

15 de janeiro de 2019 às 11h42

QUERIA VER O ARTIGO DO SENHOR MIGUEL DO ROSARIO CASO O PT APOIA-SE A CANDIDATURA DO RODRIGO MAIA…ACHO QUE AS TINTAS IRIAM SE BEM MAIS ESCURAS..ABRAÇOS

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    Mané Petê

    15 de janeiro de 2019 às 12h57

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu aval para o PT apoiar a candidatura do deputado Rodrigo Maia (DEM) à presidência da Câmara…
    Antes teve o Renan, o Eunicio e até o Temer na chapa do Petê
    https://www.brasil247.com/pt/247/poder/243005/Lula-libera-apoio-do-PT-ao-nome-de-Rodrigo-Maia.htm

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      Zuleica Nascimento

      15 de janeiro de 2019 às 14h52

      Essa matéria é de 2016. Sua divulgação, hoje, parece ser uma pegadinha, para dizer o menos.
      A situação mudou, e com o apoio de Maia a Bolsonaro, a possibilidade de o PT dar seu apoio à presidência da câmara, neste momento, é quase nula.
      Já o PDT…

      Responder

Miguel Graziottin

15 de janeiro de 2019 às 10h15

O PDT sempre foi direita. Ciro Gomes coronel do Ceará. Que bateu em Bolsonaro no 1’ turno para diluir votos da Esquerda – sua missão- e calou no 2’ turno, porque apoiava o Bolsonaro. Vide as declarações de seu irmão Agora sua missão é comandar uma oposição de “ faz-de-conta”, estilo MDB da diradura. E tem quem acredite neste cara-de-pau

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Fábio

15 de janeiro de 2019 às 09h57

Alguém lembra de Marta Suplicy, Heloísa Helena, Cristovam Buarque e por último Marina Silva.
Pois é, todos aqueles que ficaram com ruivinha do Lula pela não indicação para presidente tiveram sérios problemas políticos e se afundaram, não gostar do Lula não significa partir para direita, quem não tem identidade é um indigente.
Ciro Gomes passou a ser um indigente político.

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Paulo Cesar

15 de janeiro de 2019 às 09h51

Será que é por isso que o Miguel agiu como advogado do Queiroz e da família Bolsonaro?
Além de passar pro lado da direita Miguel quer encobrir os possíveis crimes do PDT?

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Paulo Cesar

15 de janeiro de 2019 às 09h48

Nathalia Queiroz , filha do policial bandido que faz depósitos para a família Bolsonaro ganhou cargo em prefeitura do PDT.
As ligações do PDT com os ladrões fascistas estão cada dia mais claras.
PDT abraçou a extrema direita.

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    Renato

    15 de janeiro de 2019 às 11h44

    Não lembro de você ter reclamado quando o PDT tinha ligações com os bandidos esquerdistas, inclusive tendo Carlos Lupi integrado o ministério do trabalho na gestão dos bandidos esquerdistas !

    Responder

      Paulo Cesar

      15 de janeiro de 2019 às 11h54

      Você quer dizer a gestão do homem que todas as pesquisas indicam ser o melhor presidente da história , que liderou o maior ciclo de crescimento econômico que o Brasil já teve , que tirou milhões da pobreza e colocou milhões de pobres nas universidade e que teria ganho a eleição no primeiro turno se não tivesse sido condenado as pressas por um juíz que agora é ministro do seu adversário?
      Não vejo problema nisso.
      Mas obrigado por admitir que Bolsonaro é fascista e ladrão.

      Responder

      Paulo Cesar

      15 de janeiro de 2019 às 12h06

      Não falo com Bolsonarista Renat.
      Só se for pra xingar.
      E nossa!
      O Lupi foi ministro do Lula?
      Não brinca?
      Como você é bem informado.
      Faz assim devolve os aumentos salariais que você teve graças ao Lupi e os bandidos esquerdistas com sua política de elevar o salário mínimo acima da inflação para o seu amado patrão?
      Que tal?

      Responder

Orlando M.

15 de janeiro de 2019 às 08h46

CNN – também conhecida com Cia News Network esta vindo ao “Brazil”.
Mais manipulção e lavangem cerebral a caminho.

Responder

Paulo Cesar

15 de janeiro de 2019 às 00h46

Nada mais absurdo do que falar em oposição “racional” contra um homem que defende a TORTURA e ameaçou uma colega de congresso de ESTUPRO.
O PDT vai pedir tortura moderada?
Vai dizer que as feias também merecem ser estupradas?
Cada respiração de Bolsonaro é uma ofensa a raça humana , qualquer um que negue isso não tem caráter.

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Hércules Gomes

14 de janeiro de 2019 às 23h49

Tomar uma bola nas costas todo mundo ja tomou na vida. Mas se tornar recordista de bola nas costas só o Ciro Gomes consegue.
Se passou a detestar o Lula, pelo menos seja coerente com suas convicçoes politicas.
O DEM é tao trapaceiro qto o MDB. Lá atras em 2018 o Ciro foi traído pelo DEM e nao só pelo Lula.
Parece que o Ciro gosta de falso amigo. Seria melhor pular para o PT e se candidatar pelo PT.
Ah, vai abraçar o Caiado. Depois vai viajar para Paris.

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Rodrigo

14 de janeiro de 2019 às 23h20

O que estou vendo é um levantar da base pedetista e que sustentou a candidatura de Ciro para não aceitar esse arranjo nefasto que não nos dará nada de bom e de adequado. O PDT tem que buscar seu rumo, reforçar a construção do bloco progressista com PC do B e PSB e mostrar uma oposição comprometida em resolver os problemas do povo ao invés de compromissos inócuos pra levar comissão que não serve pra nada.

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Alan Cepile

14 de janeiro de 2019 às 20h52

“PDT, vindo na contramão, sinalizou apoio à reeleição de Maia”

Miguel, por favor mostre de onde vc tirou essa informação, pois nas fontes oficiais do partido e dos principais nomes, sites oficiais e redes sociais, não consta nada nesse sentido.

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Luis Campinas

14 de janeiro de 2019 às 20h43

Demorou mas veio um texto que dá pra assinar embaixo. O problema é que tem gente viajando na maionese. Não tem um partido expressivo numericamente, pior que isso, sequer homogêneo para fz enfrentamento ao que virá e aponta caminhos mais voltados a marcar diferenças com o PT do que outra coisa pela sua principal liderança. Quando vierem as votações vai ser um pega pra capa neste PDT que..

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Justiceiro

14 de janeiro de 2019 às 20h39

Na hora H, o PCdoB irá para o lado do Rodrigo Maia. A troca é botafogo segurar a CPI da UNE, que assombra os comunas, ‘ninguém sabe por quê’

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    Miguel Graziottin

    15 de janeiro de 2019 às 10h17

    Nada como um direitoso, ignorante, que nem tem coragem de exibir um money, para repetir bobagens como bom pau mandado

    Responder

Apolônio

14 de janeiro de 2019 às 17h31

No fundo, a decisão é entre jogar para a base social dos partidos e recusar qualquer tipo de composição, ou tentar se viabilizar dentro da nova realidade do congresso e da política brasileira. Não acho nenhuma das opções particularmente vantajosa para o PDT, mas o partido tinha de adotar uma posição.

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