Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

O bloco liderado pelo PT. Foto: Lula Marques.

Algumas observações sobre a formação dos blocos parlamentares

Por Miguel do Rosário

01 de fevereiro de 2019 : 18h48

Com os blocos formados, podemos analisar alguns pontos. Primeiro, lembremos os números. O governo Bolsonaro, reunindo a nata da direita ideológica e fisiológica, formou um bloco com 301 deputados, dos seguintes partidos: PSL, DEM, PSDB e MDB.

É um bloco grande, mas insuficiente, por exemplo, para aprovar uma PEC, ou seja, uma Proposta de Emenda Constitucional, onde se dão as mudanças mais perigosas, que mudam efetivamente as leis. Para isso, são necessários 308 votos. Não quer dizer que Bolsonaro não consiga “pescar” esses sete votos fora do bloco, mas o fato é que sozinho, o seu bloco não tem esses votos.

Essa é uma pequena, mas importante, vitória da oposição sobre o governo Bolsonaro. E só aconteceu por causa da divergência ideológica entre esses dois campos políticos da esquerda, que vem se afastando desde o primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, o petismo (ou neopetismo, para alguns) e o trabalhismo.

O campo trabalhista não conseguiria realizar seu projeto, de atrair o centro, se tivesse decidido seguir sob as asas do PT. Por outro lado, se a esquerda se “unisse”, conforme o desejo do PSOL, que lançou a hashtag #esquerdaunidajá, aí sim que ela ficaria realmente isolada, porque alguns partidos hoje atraídos para o bloco trabalhista tenderiam a entrar no blocão do governo.

Os partidos da esfera petista se reuniram num bloco com 97 parlamentares, com PSOL, PT, PSB e Rede. A presença proeminente do PSOL, legenda bastante radical de esquerda (na melhor acepção do termo “radical”), somada à linha política também muito arrojada trazida por Gleisi Hoffmann, dão ao bloco uma coloração fortemente vermelha.

O PSB entrou no bloco petista meio que por acaso. O partido tinha entrado, depois disse que não queria mais, e aí, quando se viu completamente isolado, entrou de novo, após algum tipo de desentendimento com o PDT, com quem havia firmado compromisso, meses atrás, de se aliar na Câmara.

A Rede tem uma deputada, Joenia Wapichana, uma indígena (a primeira eleita na história) combativa, respeitada no meio acadêmico que estuda e defende os índios no Brasil, e tende naturalmente a fazer parceria com o PSOL, legenda que se tornou extremamente importante para as causas indígenas.

O bloco petista, todavia, nasce com uma esquizofrenia original: não tem (pelo menos no momento em que foi inscrita) uma candidatura unificada. Uma parte votará no candidato do PSB, o alagoano JHC, figura algo misteriosa (ao menos para a esquerda), que teve um desempenho eleitoral extraordinário em seu estado, e a outra, em Marcelo Freixo. O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, defendeu hoje que a bancada deveria optar por Freixo. Isso deve ter soado deselegante ao PSB, que tem seu candidato próprio, com chances maiores de obter um resultado mais encorpado, por ser um partido bem maior que o PSOL. Se o bloco definir, até o momento de iniciar a votação, por uma candidatura unificada, terá dado um grande passo, mas é improvável. Pela sinalização de Pimenta, só restaria ao PSB retirar sua candidatura e apoiar Freixo, mas o candidato do PSB já gastou muito dinheiro promovendo sua candidatura, enchendo a Câmara de bonecos e santinhos.

O bloco trabalhista enfrentará o problema de lidar com partidos pequenos, fisiológicos, mas conseguiu o seu intento, desenhado desde o primeiro turno das eleições de 2018, de oferecer efetivamente uma via progressista alternativa ao PT, e ao mesmo tempo sinalizar ao centro político, da Câmara e da opinião pública.

Aliás, é impossível desconhecer que havia muito mais em disputa na Câmara do que a formação de blocos. Por trás das movimentações petistas e trabalhistas, via-se nitidamente uma queda de braço silenciosa, de olho em 2022.

O PT conseguiu uma grande vitória, muito comemorada quinta à noite, ao atrair para o seu bloco o PSB, implodindo o bloco que o PDT vinha costurando nos últimos meses. Numa dessas loucas ironias da história, o elemento-chave para trazer o PSB para a esfera petista foi o presidente do partido, Carlos Siqueira, pertencente ao grupo que articulou para derrubar e substituir Roberto Amaral, fazer o partido apoiar o PSDB, nas eleições de 2014, e, em seguida, defender o impeachment de Dilma Rousseff.

Por um momento, parecia que o PT conseguira isolar o PDT exatamente da mesma maneira que havia feito no primeiro turno das eleições presidenciais do ano passado. A deputada Jandira Feghali, um dos mais respeitados quadros da esquerda, que tem uma ligação muito orgânica com o PT, furou o que parecia ser, até então, a orientação comunista, de manter uma distância respeitosa, mas segura, do PT, e participou da reunião em que as lideranças de PT, PSB e Rede, discutiram a formação do bloco. A presidente do PCdoB, Luciana Santos, também participou da reunião, que gerou uma série de fotos de impacto, imediatamente divulgadas por lideranças petistas e pssolistas, além de notícias que davam (açodadamente, como se viu) como certa a presença do partido no bloco petista.

Entretanto, o líder do PCdoB na Câmara é Orlando Silva, que tem uma postura mais autônoma em relação ao PT. Na hora do gongo final, o PCdoB optou por manter o compromisso, firmando há meses, de se aliar aos trabalhistas. O partido acabou sendo o fiel da balança nessa disputa, porque se ele aderisse ao bloco petista, este ficaria maior que o bloco trabalhista, o qual chegou a 105 deputados. E assim os trabalhistas obtiveram sua primeira – ainda modesta – vitória na disputa com o petismo pela liderança da oposição na Câmara (e na opinião pública), conquistando o segundo maior bloco da Casa. Com isso, os trabalhistas podem reivindicar a liderança da Minoria, embora, diz a imprensa, o PT já tenha contestado isso. Há uma outra diferença: para obter apoio do PSB, os petistas prometeram lhes dar prioridade em tudo que conseguissem (espaço em secretarias, vagas em comissões, etc), ao passo que o PDT formou seu bloco com o cearense André Figueiredo na Câmara já eleito como sua liderança.

O tamanho do bloco governista, de qualquer forma, dá conta de aprovar Leis Complementares, que precisam apenas de 257 votos, e Leis Ordinárias, que pedem maioria dos deputados presentes. E ele poderá também presidir quase todas as comissões importantes. Neste ponto, a oposição não conseguiu muita coisa.

Na minha opinião, agora cabe às lideranças e militâncias, trabalhistas e petistas, se esforçarem para reduzir a toxicidade que tomou conta dos debates interpartidários. A divergência no campo progressista é salutar, e a competição pela liderança política na sociedade estimula os dirigentes partidários a trabalharem e estudarem mais, e isso é ótimo. Tudo que não precisamos é de uma esquerda preguiçosa, que não lê e não trabalha.

Mas é preciso manter a divergência em alto nível, sem golpes abaixo da cintura, centrada em projetos e ideias, porque não podemos esquecer que, parodiando Raulzito, longe da cercas embandeiradas que separam quintais, existe um povo inteiro, mais de duzentos milhões de brasileiros, precisando de uma classe política comprometida com seu bem estar.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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37 comentários

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Zé Maconha

04 de fevereiro de 2019 às 11h30

Já que o Miguel não gosta de informar seus eleitores sobre a corrupção do governo miliciano , eu informo.
Parece que o PSL usou candidaturas “laranja” e o dinheiro do fundo partidário foi parar na conta de um ministro do presidente bandido miliciano.
Outra prova de que o crime nos governa.

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Zé Maconha

04 de fevereiro de 2019 às 00h13

Enquanto isso no mundo real apareceram novas bolsomilícias.
Além do Escritório do Crime agora tem a Guarnição do mal e os Amigos do Filho 01.
Houvesse juízes no Brasil o bandido ladrão e assassino Flávio Bolsonaro e seu pai chefe de quadrilha estariam presos.
Está claro que a organização criminosa liderada pelos Bolsonaro matou muita gente além de Mariele.
Bolsonaro é responsável pelo genocídio que acontece no Rio.
Lembrando que 40% dos homicídios no estado são obra da polícia.
Temos um assassino em massa no poder.

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Roque

03 de fevereiro de 2019 às 18h51

Hora boa para a PF dar um bote…

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justiceiro

03 de fevereiro de 2019 às 13h17

Tirando a índia, se a PF tivesse passado por ai, poderia levar todos no camburão.

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Justiceiro

03 de fevereiro de 2019 às 10h53

O PT quis mais uma vez sacanear com o PDT (talvez ainda seja rancor por Ciro ter ido para a Europa após o primeiro turno das eleições), para isso atraiu o PSB, que virou joguete nas mãos de Lula) que tinha formado bloco com o PDT e o PCdoB.

Só que o coronel deu uma rasteira na trama toda e formou um bloco maior, com direito a liderar a oposição.

Responder

D3c0d3r

03 de fevereiro de 2019 às 10h53

A AM4, a agência ligada aos disparos em massa de WhatsApp na campanha de Jair Bolsonaro, era também dona de um contrato com a Câmara em 2016. Foi uma licitação ganha nos tempos em que Eduardo Cunha era o seu presidente. Beleza.

O contrato, para fazer um diagnóstico do portal da Câmara, tinha uma cláusula curiosa. Concedia à AM4 — que participou do edital por meio de uma de suas controladas, a Ingresso Total — o direito de “tomar conhecimento de informações sigilosas ou de uso restrito da Câmara”.

Um desses dados secretos era o cadastro de 2,5 milhões de pessoas que interagiam com o portal.

https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/agencia-ligada-aos-disparos-em-massa-de-bolsonaro-teve-acesso-dados-sigilosos-da-camara.html

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Raul

02 de fevereiro de 2019 às 21h09

Vou aqui repetir algo que já disse anos atras.
A luta contra o fascismo deve se dar na mobilização e o esclarecimento das massas. Tem muita gente da esqueda achando que tem alguma chance de minimizzar ou construir alguma aliança no congresso e no senado. As recentes eleições realizados no circo do câmara e a palhaçada no senado federal confirmam o que não há saída sem movimentos de massa. Denunciar o estado de excessão , o fascismo , as pautas de destruição do estado social.

Responder

    Chauke Stephan Filho

    03 de fevereiro de 2019 às 12h16

    “Excessão” ?! Deus me livre e guarde!

    Reconheço que essa palavrinha é difícil para gente como você, Raul, mas por isso mesmo você deveria consultar um dicionário antes de escrever um comentário para chamar todo o mundo de palhaço.

    Porque, com esse seu “português”, o palhaço fica parecendo ser você mesmo.

    “EXCEÇÃO”, assim se escreve.

    Outra coisa Raul: talvez seus pais não lhe tenham ensinado a urinar, não no mato, claro, mas num mictório. Saiba que você deve levantar o assento do vaso antes e urinar sem sujar de urina nem a borda do vaso nem o chão (ou as paredes).

    Você é um homem e um socialista, Raul. Você não pode escrever como um macaco e urinar como um porco.

    Pense no pessoal da faxina. São trabalhadores cujas condições de trabalho não podem ser as de uma pocilga (significa “chiqueiro”, Raul, e não tem nada de ” chic”).

    Pense nos filhos desses trabalhadores. As crianças e jovens dos pobres merecem o seu bom exemplo de boa higiene.

    E de boa ortografia.

    Outra coisa ainda, Raul: não coloque as mãos na parede e você também não deve cuspir no chão.

    Papai ensinou essas coisas para mim. Quero que também você perceba a importância disso e aprenda essas lições, Raul.

    Promete?

    Responder

    Jorge

    04 de fevereiro de 2019 às 09h08

    Quem esta precisando de muita informacao é voce. Nao há nenhum fascismo e nem destruicao de seguro social em um governo liberal. Veja os governos liberais da Suica, Suécia e Alemanha que seriam oposicao ferrenha as esquerdas brasileiras aqui.

    Responder

      Zé Maconha

      04 de fevereiro de 2019 às 11h18

      Liberais da Suécia?
      Hoje a direita governa na Suécia mas o partido socialista governou por anos.
      E a Alemanha?
      Menor jornada de trabalho do mundo e muitos direitos trabalhistas.
      Liberal mesmo só a Suiça que é um país pequeno e só é rico graças ao dinheiro de corruptos , traficantes e terroristas em seus bancos.

      Responder

Wilton Santos

02 de fevereiro de 2019 às 19h56

O tal Bloco “Trabalhista” apoiou o Rodrigo Maia que é a favor do fim da justiça do trabalho!

Isso sim que é coerência!

Responder

    CezarR

    03 de fevereiro de 2019 às 23h35

    Quem puxa o bloco, PDT e PCdoB (mais o Solidariedade) não são, embora os partidos de “Centro” possam ser.

    Responder

Romero

02 de fevereiro de 2019 às 16h22

Marcha gigante em suporte ao governo eleito em Caracas.
Maduro discusa neste momento.

Responder

Manguaça

02 de fevereiro de 2019 às 14h12

Parece que tem senador mamado lá no senado federal.

Responder

Zé Maconha

02 de fevereiro de 2019 às 10h59

PDT e PC do B acham que se distanciando do PT serão poupados.
Só ver o ataque de bolsonaristas a Manu no texto dela publicado aqui.
E o Miguel parece nem um pouco incomodado com o ataque , tanto que deixou todos os comentários ofensivos lá.
Está claro que PDT e PC do B querem assumir o papel de “esquerda de faz de conta” para legitimar a ditadura de extrema-direita que se inicia.
Como o PSOL e o PT vão se unir ao PDT cheio de bolsonaristas?
O PDT se uniu aos milicianos do Escritório do Crime por medo e covardia.
Enquanto isso a família de milicianos segue sem ser ameaçada.
Bolsonaro é um criminoso violento , a única discussão nesse momento deveria ser como derruba-lo.

Responder

    R. Lins / PB

    02 de fevereiro de 2019 às 13h11

    Correto..

    Responder

    JOAO BATISTA

    02 de fevereiro de 2019 às 22h52

    deputados eleitos:
    pt: 56
    psol: 10
    votos no freixo: 50 votos.

    Olhe para os seus pés, pavão! Veja que coisa horrorosa.
    Antes de falar mal dos outros, façam uma autocrítica.
    Qual a razão para o pt ter diminuída sua bancada eleita?

    Responder

    degas

    03 de fevereiro de 2019 às 08h48

    É incrível como petista não pode conviver com opiniões diversas sem pedir censura. Até em comentários de blog são assim, não é por acaso que tanto apreciam ditaduras e queriam instalar a deles por aqui. Mais incrível ainda é que o sujeito reclama das “ofensas” à patricinha comunista enquanto calunia gratuitamente quem não lhe agrada.

    Responder

      Zé Maconha

      03 de fevereiro de 2019 às 12h50

      Quem te disse que sou petista Degas?
      Sou anarquista , anarco-socialista pra ser exato.
      Voto no PT e no PSOL pois apesar de minhas crenças vivo no mundo real , mas faço isso por mera rejeição a direita
      E o blog é do Miguel , impedir bolsonaristas de postar não seria censura.
      E sim , não convivo com opinião de fascista , mataria todos vocês se tivesse poder pra isso.
      Deveria esperar quieto vocês me torturarem ou matarem como o bandido miliciano prometeu?
      Você e Bolsonaro são a prova de que a democracia não funciona , permite pessoas autoritárias chegarem ao poder e depois se esconder atrás dela para legitimar suas atrocidades.
      E sim a Manu é rica e você é pobre , não sabe o quanto isso me diverte hahaha
      Ah a família do Lula também é rica hahaha
      Pense nisso amanhã quando acordar cedo pra ir trabalhar hahahaha

      Responder

        degas

        04 de fevereiro de 2019 às 08h47

        Censura em blog também é censura. Quem se apresenta ao público e corta mensagens de uma linha política está fazendo o mesmo que ditaduras como as que os petistas gostam fazem. E por “petistas” eu englobo toda a turma próxima deles, cheia de “mataria todos vocês se tivesse poder”. Eu sei, nós sabemos, obrigado por confirmar, é por isso que vocês não podem ficar no poder. Quanto ao Lula, eu segui seu conselho e pensei nele agora de manhã. Imaginei-o lá em Curitiba, acordando na hora certa para não perder o café levado pelo carcereiro. Depois tem o horário do banho de sol, o almoço … Estou rindo até agora.

        Responder

        Roque

        04 de fevereiro de 2019 às 10h05

        Tô achando que vc gosta de assentar… kkkk o babaca, o lula tá preso. Vc não passa de um pelego babador de ovos.

        Responder

Clemente Santos gimenez

02 de fevereiro de 2019 às 00h42

Bloco de esquerda não vai a lugar nenhum, precisamos ampliar as alianças. Formação de blocos para assumir postos è apenas disputa, o PCdoB defendeu muito o PT, coisa que o PT nem faz, mas somos outro partido e seguimos nosso caminho, sobreviver e sair dos limites pequenos da social democracia Petista, não somos socialistas utópicos.

Responder

    JOAO BATISTA

    02 de fevereiro de 2019 às 22h56

    pt não é socialismo utópico, é capiralismo fisiológico como os partidos da direita.
    Posam de puros, mas são é putos!

    Responder

NeoTupi

01 de fevereiro de 2019 às 22h44

Tirando o bloco de esquerda, os demais são tão inconsistentes como sorvete no sol do verão.
O MDB sempre foi dividido. Parte vota com o governo, parte com a oposição. Até questões regionais influem. Bancadas de estados governados pelo MDB tendem a ser governistas. Onde o MDB disputa poder estadual com governistas de outros partidos, tende a votar contra o governo quando as medidas são impopulares. O PSDB também tem seus dissidentes.
PP, PR e PTB em cada votação fazem o toma-lá-dá-cá. Ou recebem cargos e emendas parlamentares ou não entregam os votos ao governo.
O bloco “trabalhista” parece o Samba do Criolo Doido do Stanislaw Ponte Preta. São um mero ajuntamento de partidos fisiológicos sem identidade programática nenhuma, cuja grande parte quer apenas valorizar o passe para conquistar cargos e verbas no governo Bozo, quando o governo precisar de votos. Deplorável o PCdoB fazer parte desse vexame, retornando ao tempo em que apoiou Moreira Franco a governador do Rio em vez de apoiar Darcy Ribeiro. Do PDT nem digo, pois esse partido está tão descaracterizado que tem de tudo, até bolsonaristas.
Só para confirmar a inconsistência: o PRTB do Mourão/Fidelix não elegeu nenhum deputado e tem 6 deputados se filiando nele segundo o noticiário. Virão de qual bloco?

Responder

    Oblivion

    02 de fevereiro de 2019 às 01h11

    Posso estar falando besteira (pois eu não acompanhei aquele momento) mas não foi o próprio pt que também apoiou o Moreira Franco contra o Darcy Ribeiro? Penso aqui com “meus botões”, o mesmo mf que poucos anos atrás foi ministro da…. Dilma….. Que tristeza sincera!
    Enquanto isso o “governo patriota” parece que tem ministro estrangeiro (nada contra se fosse competente) chamando brasileiro de ladrão e canibal (isso é verdade mesmo? Desculpem se for Fake News…. Deve ser Fake News), teve ministro e presidente oferecendo base estrangeira pra potencia militar e prometendo trocar embaixada baseado em questão ideológica e “viralatistica”; e, em mais uma necessidade a absurda de mostrar subordinação incondicional, se meter para desequilibrar ainda mais países vizinhos (e antigos parceiros comerciais importantes….), tanto que agora tem exportação de soja pra um país que parece ser um importante comprador em perigo…. Poisé brasileirada, o voto tem consequências. O engraçado é que essa gente chegou ao poder com discurssinhos fáceis, todo problema era resolvido com uma frase tosca que fascinava os seguidores, um desses discurssinhos é que os governos eleitos anteriormente tinham relações internacionais movidos por ideologia (qual é a ideologia comum de USA de Obama e bush, Uruguai de Mujica, países europeus, china, Rússia, Mercosul, libia de kadaffi…..)? Este último confesso que penso que se o governo sabia o que se passava lá jamais deveria ter relações diplomáticas, porém, ao que me parece, o que importava era relações comerciais boas pro país, e deve ser inviável financeiramente investigar cada país com que se tem ou se pretende ter relações comerciais… Enfim brasileirada, vamos acordar, primeiro passo a admitir é que foi feito uma m%+&@ monumental nessa última eleição, começando no primeiro turno e a segunda, que é a mais difícil, é que vocês foram feitos de trouxas, e agora quem paga somos todos nós.

    Responder

      NeoTupi

      02 de fevereiro de 2019 às 16h37

      Em 1986 o PT do Rio apoiou o Pv com Gabeira (bem diferente do atual)

      Responder

        Oblivion

        02 de fevereiro de 2019 às 22h25

        Então neotupi, teoricamente todos partidos tem o direito de apoiar a quem quiser ou lançar candidatura própria, que foi o caso de 86 com o gabeira (sei lá se no pt ou pv). O fato é que isso deve ter contribuido para fragmentar o voto progressista e assim um moreira franco venceu o criador dos CIEPs, Darcy Ribeiro. Desde lá, pelo que li, os CIEPs foram sucateados, afinal como já dizia ninguém menos que roberto marinho: pra que aquelas estruturas? basta umas escolinhas. E aqui estamos nós…. o voto tem consequências pessoal, ou melhor, tudo tem consequências.

        Responder

          NeoTupi

          02 de fevereiro de 2019 às 23h42

          Concordo com você. Em 86 eu discuti com muita gente que embarcou no Gabeira dizendo que poderia dividir a esquerda e dar a vitória ao Moreira (não havia 2o. turno ainda).
          Mas no final das contas, o Plano Cruzado elegeu Moreira com mais de 800 mil votos de diferença e Gabeira teve 530 mil votos. Então a candidatura própria do PT não foi decisiva.
          Por um lado o PT era um partido nanico no Rio até esta eleição e não ameaçava muito a eleição de Darcy. O PDT era hegemônico na esquerda do Rio. A candidatura própria com Gabeira projetou mais o PT (me enganei, Gabeira estava filiado ao PT nesta eleição e o PV estava coligado).
          O erro histórico grave foi o PCdoB apoiar Moreira. Também não acho que tenha sido o fator decisivo (o Plano Cruzado foi). Se fosse candidatura própria tudo bem, tem direito. O PSB que era muito mais esquerda do que é hoje também lançou candidatura própria (Sinval Palmeira) e teve menos de 1% dos votos.

          marco

          03 de fevereiro de 2019 às 09h45

          Interessante sua analise sobre as responsabilidades dos partido políticos.
          Coloca a eleição de Moreira Franco na conta do “Plano Cruzado”! porém se esquece de dizer que o Pt, naõ apoiou o Plano Cruzado, assim como não apoiou a Constituição de 1988..

          NeoTupi

          03 de fevereiro de 2019 às 11h50

          Que mal faz “estudar” história por memes compartilhados na internet!
          O PMDB elegeu 22 governadores em 1986 e o PFL (governista) elegeu 1. Detalhe: o Brasil tinha 23 estados antes da Constituinte. Ou seja, o Cruzado elegeu todos os governistas e a oposição nenhum governador.
          O PT (que ainda era um partido pequeno em fevereiro de 1986, data do cruzado, com apenas 8 deputados, menos do que o Psol tem hoje) elogiou o plano Cruzado no início, com críticas pontuais sobre congelamento dos salários em patameres que considerava baixos. Depois passou a criticar mais quando passou a ocorrer desabastecimento, ágio, maquiagem de produtos e manipulação eleitoral do plano.
          Quanto à Constituinte, o texto final foi colocado em votação, como ocorre em qualquer Assembléia Constituinte. Vamos desenhar: colocar em votação é a regra democrática da própria Constituinte, não é obrigatório votar sim. O PT votou não a esse texto final porque era contra vários artigos contrários ao que defendia o partido. Agiu coerente com a representação e expectativas de seu eleitorado. Foi voto vencido, acatou o resultado e assinou a Constituição, tudo conforme as regras democrativas vigentes. O que há de errado em votar coerente com o aquilo que promete ao eleitor na campanha eleitoral e acatar o resultado dentro das regras?

    CezarR

    02 de fevereiro de 2019 às 08h41

    A coesão do bloco identitário (ops, de esquerda) foi bem demonstrada ontem na votação do Freixo. O PT está se liquefazendo e se não fosse a persseguição ao Lula, já estaria sendo odiado na esquerda também.

    Responder

      NeoTupi

      02 de fevereiro de 2019 às 11h36

      Sim, infelizmente no PT também teve uns 15 a 17 “Cristovans e Martas” que, pelo visto, podem até trocar de legenda. Mas pelas contas da votação sobraram pelo menos uns 39 consistentes (50 votos = 10 do PSOL + 1 da Rede + 39 do PT).

      Responder

Renato

01 de fevereiro de 2019 às 22h08

PT, PSD e PSOL tomaram no rabo; simples assim !

Responder

Bernardo Costa

01 de fevereiro de 2019 às 21h37

Só lembrando que 10 deputados de dois partidos (Novo e PTC) ficaram fora dos três blocos. Se somar estes ao bloco do governo, eles terão os 308 votos para alterar a constituição.

Responder

Zorra

01 de fevereiro de 2019 às 20h16

Senado começa sessão com palhaçada total.
Cabaré de quinta é mais organizado.

Responder

Batista

01 de fevereiro de 2019 às 19h21

O tal Bloco Trabalhista, no qual os 38 deputados do PDT e PC do B, se amarraram, compreende ainda: PPS de Roberto Freire, Podemos de Alvaro Dias, Solidariedade do Paulinho da Força, Patriotas de Cabo Daciolo, Democracia Cristã de Eymael, PV do Penna, Pros e Avante.

Está mais pra Bloco B, de Bolsonaro, valorizando o passe, né, não?

Responder

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