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John Carney. Fonte: Advertiseir

A vida é feita dos musicais de John Carney

Por Victor Lages

04 de abril de 2019 : 16h41

Por Victor Lages, pela Fênix Filmes

 

A Irlanda já nos deu muita coisa boa para ver e ouvir. Damien Rice canta a melancolia do amor; U2 protesta em suas letras; P.S EU TE AMO trouxe o romance para nossas pupilas brilhantes; e EM NOME DO PAI nos fez chorar com Daniel Day-Lewis. Mas juntar música e cinema de uma forma emocionante é algo que fica por conta do diretor, roteirista, produtor e instrumentista John Carney, um pouco desconhecido, mas que merece seus olhos e ouvidos.

John Carney. Fonte: Independent UK

Ele nasceu em Dublin, capital irlandesa, em 72 e, ainda jovem, entrou como baixista para a banda de rock The Frames, no começo dos anos 90. Juntando imagem e som, começou a gravar alguns clipes musicais e foi percebendo que tinha um jeito peculiar de ritmo audiovisual. Foi gravando alguns curtas-metragens e aguçando a curiosidade do mercado e das premiações. Escreveu e dirigiu seu primeiro longa em 1996, de curto orçamento, que foi colocado como Filme do Ano pela Irish Times; foi premiado no Dublin Film Festival em 99; migrou para a televisão para produzir uma série com seu irmão; e chegou em 2006, o ano decisivo.

“Com que frequência você encontra a pessoa certa?”. A resposta à pergunta instigada por Carney no pôster de seu primeiro sucesso vinha no título do filme: APENAS UMA VEZ, uma beleza de obra independente que tocou os corações do mundo inteiro. Uma espécie de musical moderno, o diretor juntou os músicos Glen Hansard e Markéta Irglová para protagonizar como um cantor de rua e uma imigrante tcheca que se conhecem na calçada dublinense e passam uma semana compondo e gravando canções que contam suas próprias histórias de amor.

Cena do filme APENAS UMA VEZ (ONCE)

Diferente de musicais tradicionais, com dançarinos subindo em carros no meio da ponte ou espetáculos visuais clássicos, em APENAS UMA VEZ a força está nas letras, compostas pelos atores, que só tocam seu violão e seu piano para cantar aquilo que está em suas almas. E suas vozes combinam tão bem exatamente porque ambos são cantores e instrumentistas e essa foi e continuará sendo a única vez que eles enfrentaram o mundo do cinema.

O resultado foi o investimento de 160 mil dólares para a gravação do filme e o reconhecimento mundial. Só nos 3 primeiros meses de lançamento, faturou 7 milhões e conquistou o Oscar de Melhor Canção Original em 2008, pela belíssima Falling Slowly. Até Steven Spielberg aprovou o filme, dizendo em uma entrevista que a obra “dera a ele inspiração para produzir até o final daquele ano”. Em 2012, a Broadway adaptou o filme para um legítimo musical, que faturou ainda 8 Tony Awards, o Oscar do teatro.

No calcanhar de APENAS UMA VEZ, John Carney ganhou fama e força para escrever e dirigir um longa com bem mais orçamento e utilizando atores renomados para sua nova história. MESMO SE NADA DER CERTO tinha a atriz Keira Knightley como uma jovem cantora que se mudou para Manhattan e vê seu relacionamento com um ilustre músico (interpretado por Adam Levine, vocalista do Maroon Five) ruir. É aí que ela encontra um falido executivo da indústria sonora e ambos decidem se unir para gravar suas composições utilizando sons urbanos como pano de fundo para dar mais naturalidade às canções.

Cena do filme MESMO SE NADA DER CERTO (BEGIN AGAIN)

Apesar da história parecer ligeiramente familiar ao filme anterior, aqui a proposta é completamente diferente. MESMO SE NADA DER CERTO não é um filme de talentos e encontros, mas sim de recomeços melodramáticos e de força de vontade em dar a volta por cima. O bonito aqui é a realidade que está nas mudanças que temos que encarar em nossas vidas, quando caímos e precisamos nos levantar para crescer, e é ótimo fazer isso embalado por canções lindíssimas de amor, inclusive Lost Stars, indicado ao Oscar de Melhor Música Original em 2014.

Com o novo sucesso, John Carney foi galgando passos cada vez maiores e decidiu voltar para os anos 80 e se deslocar do folk de APENAS UMA VEZ e do pop de MESMO SE NADA DER CERTO. Em 2016, o diretor e roteirista trouxe o rock’n roll para SING STREET, sua terceira empreitada musical que conta a história de um jovem estudante em uma repressiva escola católica que usa sua guitarra para fugir de sua realidade e se aproximar da garota por quem se apaixonou.

Cena do filme SING STREET

A Dublin oitentista é linda de ver pelos olhos de Carney e de seu protagonista e o roteiro traz temas espinhosos e reais da época e da idade. Drogas, adolescência, separação dos pais, abuso de poder religioso e insegurança quanto ao futuro estão presentes ao som de músicas dançantes que acompanham o amadurecimento do menino junto às suas influências, como David Bowie, Boy George, Duran Duran e outros ícones.

A impressão que fica, depois de ver cada um desses três filmes de John Carney, é o quanto a música pode ser poderosa. Há força nas melodias e nas letras para libertar-nos das intempéries da vida e nos fazer encontrar um estranho na rua que vai mudar nosso mundo ou impulsionarmos a recomeçar em um outro lugar com uma outra pessoa ou ainda de nos ajudar a fugir do que nos oprime e crescermos junto com a música. Se o cineasta falou em SING STREET que “o rock’n roll é um risco”, tocar corações com imagens e sons faz valer a pena se arriscar assim.

John Carney. Fonte: Advertiseir

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