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Era uma vez… o cineasta Juan José Campanella – Parte 1

Por Victor Lages

26 de abril de 2019 : 11h46

Victor Lages, pela Fênix Filmes

Era uma vez um domingo invernal de Buenos Aires, 19 de julho de 1959. Nascia ali, filho caçula de uma das gerações de descendentes ibero-imigrantes que se estabeleceram na Argentina há séculos, Juan José Campanella, um nome a ser lembrado, um homem que viraria um dos maiores diretores da América Latina. Em algumas décadas, ele iria vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, trabalhar com o ator Ricardo Darín, dirigir animação em 3D, ser homenageado no Festival de Gramado, ganhar dois Emmy (o Oscar das séries de tevê), sair vitorioso 5 vezes no Festival de Cinema de Havana e ser aclamado por ser um dos principais cineastas a impulsionar o audiovisual argentino ao ponto de ser considerado o mais importante da América do Sul.

Mas, em 1959, ainda era apenas o filho de Luísa, dona de casa que morava ao lado dos Estúdios San Miguel e fugia do lar todo dia para ver as filmagens no mundo do cinema. Também era filho de Delfor, um bem-sucedido engenheiro que valorizava a razão e o intelecto. Na infância, seu lazer era dividido entre idas semanais às matines dos cinemas locais, brincar com os vizinhos e ler histórias em quadrinhos. E, numa dessas idas ao cinema, aos quatro anos de idade, assistiu TULIPA NEGRA, de Christian-Jaque. Por não entender as legendas, ia criando a própria história na cabeça baseado no que via. E foi aí que os olhos de Campanella ganharam um novo horizonte, que ainda demoraria a ser explorado.

Com 18 anos, seguiu a carreira do pai e iniciou a faculdade de Engenharia Eletrônica na Universidade de Buenos Aires, mas não durou. Ao tentar relembrar o ano de 1977, não consegue definir se foi o musical de Bob Fosse O SHOW DEVE CONTINUAR ou o drama natalino A FELICIDADE NÃO SE COMPRA, de Frank Capra, que o fez largar o curso, comprar uma câmera Super 8, um livro de instruções para operar a máquina e fazer seu primeiro filme. Ambas as obras deram um tremendo choque em sua vida, já que, segundo ele, “os longas têm a ver com sacrificar coisas aparentemente importante em função de uma escolha de vida”. Com isso, criava PRIORIDAD NACIONAL, um curta sobre um rapaz (interpretado pelo próprio Juan José) que desertava de seu local de origem. Meio autobiográfico, o próprio diretor admitiu, certa vez, que não entendia nada de cinema, filmou tudo ao contrário, perdeu o filme e decidiu começar a ter aulas de direção audiovisual à noite.

O show deve continuar & A felicidade não se compra

Animado com tudo o que estava aprendendo, fez amizade com Fernando Castets e, juntos, se aventuraram a escrever e dirigir VICTORIA 392, também em Super 8. O filme era uma sátira da época, sobre uns jovens de 20 anos que se metiam em enrascadas. Os anos 80 chegaram e começou a pegar aulas no Instituto de Arte Cinematográfica de Avellaneda, lugar de trocas, experiências e discussões acaloradas sobre cinema hollywoodiano, artistas, cinema de arte, Nouvelle Vague e… como essas novas mentes poderiam mudar a Argentina.

Cena de THE BOY WHO CRIED BITCH

Mudou-se para Nova York para seguir seus estudos em cinema e confessou que foi amor à primeira vista pela cidade. A estadia americana deu-lhe pés firmes nesse universo diferente do latino. Foi conhecendo técnicas e equipamentos de ponta e, após cinco anos de curso, apresentou como trabalho final o curta O CONTORCIONISTA, em 1988, baseado em histórias em quadrinhos de autores argentinos. Ainda tentou voltar para Buenos Aires, mas foi rejeitado por cada contato que ainda tinha e, depois de seis meses de frustrações, regressou sem vontade para os Estados Unidos. Começou os anos 90 e se encontrou com seu colega Alan Taylor, que lhe apresentou o mundo dos séries de tevê; convidou-o para dirigir os filmes THE BOY WHO CRIED BITCH e LOVE WALKED IN e o seriado LIFESTORIES, experiências que serviram para galgar um caminho que ainda iria trazer as flores que ele almejava. Foi então que conheceu Ricardo Darín e…

O resto da história? Fica para a próxima semana, na parte 2 de 3 da jornada de Juan José Campanella pelos encantos do mundo, desde sua primeira câmera Super 8 até o lançamento de seu novo filme A GRANDE DAMA DO CINEMA, passando pelo segundo Oscar que Argentina ganhava na sua história oficial.

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