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Nelson Marconi: o acordo Mercosul X UE será bom para o Brasil?

Por Redação

01 de julho de 2019 : 12h38

O ACORDO COMERCIAL MERCOSUL-UE SERÁ BOM PARA NÓS?

Por Nelson Marconi, em seu Facebook

Um acordo comercial será positivo para um país se contribuir para o seu processo de desenvolvimento econômico e aumento da renda per capita. Isso significaria, em outras palavras, exportarmos mais manufaturados para nossos parceiros comerciais, inclusive elevando a participação desse tipo de produtos em nossa pauta de exportações. Ainda não conhecemos muitos detalhes do acordo fechado na última sexta feira entre o Mercosul e a União Europeia (UE) mas, com as informações disponíveis até o momento, não parece que caminharemos na direção desse melhor cenário. Explico a seguir.

Os produtos primários corresponderam a 67% de nossa pauta de exportações para a União Europeia, em média, entre 2014 e 2017 (dados da Unctad, ainda não disponíveis para 2018). O restante é composto de manufaturados. Já estes últimos corresponderam a 86% de nossas importações, na mesma base de comparação. Assim, é muito claro que somos exportadores de primários e importadores de manufaturados para a União Europeia. Aliás, se compararmos apenas o valor das exportações de primários e importações de manufaturados para a UE desde 1995, só não há déficit nessa comparação entre 2003 e 2005, quando nossa taxa de câmbio era bastante competitiva. Esse resultado é mais que esperado, pois sabemos que exportar primários não gera valor suficiente para financiar a importação de manufaturados.
Além disso, o gráfico abaixo deixa muito clara a posição do saldo comercial de manufaturados entre o Brasil e a UE. Conseguimos elevar nossas exportações de manufaturados até 2008, antes da última grande crise mundial, e posteriormente não logramos prosseguir nesse movimento. Em compensação, as importações desse tipo de produto continuaram crescendo, ampliando o respectivo déficit na relação Brasil-UE.

Detalhando um pouco mais nossa pauta de comércio, podemos observar quais são os grupos de produtos que mais exportamos para a UE: produtos alimentícios industrializados, produtos agrícolas, metalurgia, minérios e celulose (nessa ordem, correspondendo a 66% de nossas exportações no período 2015-18, segundo dados da Funcex).

Todos produtos de baixo valor adicionado, com exceção da metalurgia (ferro, alumínio, aço dentre outros), que agrega um pouco mais de valor. E quando olhamos para as importações, são compostas principalmente de produtos químicos, máquinas e equipamentos, farmoquímicos e farmacêuticos, veículos e partes, informática e eletrônicos (65% do total, na mesma base de comparação; estes setores estão entre os que já foi anunciada redução de tarifas no âmbito do Mercosul, inclusive).

A desigualdade na composição da pauta de exportações e importações, no tocante à capacidade de gerar valor adicionado, tecnologia e encadeamentos produtivos, é gritante.

Pois bem, a não ser que nosso país opte por realmente desenhar uma estratégia de política macroeconômica e industrial que estimule a exportação de manufaturados, o acordo do Mercosul com a União Europeia poderá nos transformar em uma grande fazendona cercada por minas de ferro e alumínio e pouquíssimas indústrias, reforçando o processo de desindustrialização.

Acordos comerciais podem ser bacanas para os países, pois nos expõe à concorrência e ampliam nossos mercados, mas desde que estejamos em pé de igualdade para competir nas negociações de produtos e serviços com maior valor adicionado. Esse é o ponto. Certaremos venderemos mais como resultado do Acordo Brasil-UE, porém cada vez mais primários, se não fizermos nada. E importaremos cada vez mais manufaturados.

Você poderá ficar contente por tomar seu vinho francês mais barato, os europeus agradecerão, mas quando você perder seu emprego não adiantará culpar a “falta de competência do empresário brasileiro”.

Acreditar que a abertura forçará o empresariado a se esforçar mais, em um ambiente já totalmente adverso, é estória para boi dormir. O mais impressionante é que tem muita gente, inclusive na CNI e na FIESP, que acredita nisso.

Os acordos comerciais só serão benéficos para nós quando juntamente houver toda uma política para estimular nosso setor exportador de manufaturados. Nossa economia não é fechada para importar esse tipo de produtos; apenas para exportá-los. Assim foram todos nossos processos de abertura comercial desde 1990.

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21 comentários

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Ulisses

02 de julho de 2019 às 12h48

Parece que se confirma o acordo CARACU já previsto pelo ex Ministro Celso de Melo, melhor ministro de relações exteriores do Brasil. “O momento é o pior possível em termos da capacidade negociadora do Mercosul, porque os dois principais negociadores, Brasil e Argentina, estão fragilizados política e economicamente”, diz Amorim, que foi chanceler durante dos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Acho que por isso a União Europeia teve pressa. Porque sabe que estamos em uma situação muito frágil. E quando se está em uma situação frágil, se negocia qualquer coisa. Isso me deixa preocupado. Eu temo que tenham sido feitas concessões excessivas”, diz Amorim à BBC News Brasil.”
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48808097

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LUPE

02 de julho de 2019 às 10h17

Caros leitores,

Sinceramente,
eu estaria tranquilo. se o acordo fosse feito por Lula,
tempos em que o Brasil
alcançou um inédito e altamente expressivo
respeito
e admiração internacional

(que a grande Mídia escondeu, não comentou, não deu força,
não ajudou Lula a ajudar o Brasil e os brasileiros ,
muito pelo contrário)

(Esse é o cara, chegou a dizer Obama),

Mas, os tempos são outros.
A Ordem do Dia parece ser

“É tudo para os interesses estrangeiros “,

Pro Brasil e para os brasileiros…………………” .

São negócios e negociatas escabrosas,
que o povo não toma conhecimento,
a Grande Mídia diz que está tudo bem, tudo está certo, tudo está OK………….

Nesta atmosfera de confiança,
como podemos ficar tranquilos com esse acordo?

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Roger

02 de julho de 2019 às 05h39

O que houve nos comentários, que foi infestado por essa praga de vagabundos bolsominions passadores de pano?! E esse acordo é cortina de fumaça, engana bobo. Não adianta o Bozo vir com essa depois de detonar nossas exportações de soja, frango, leite, hortifrutis rejeitados por países como Suécia graças ao “liberou geral” do desgoverno aos agrotóxicos. A mais nova do maluco é livrar as importações dos impostos, pra enfraquecer ainda mais a indústria nacional. Só esses pândegos de direita que vêm perturbar nos comentários é que não enxergam.

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    Edibar

    02 de julho de 2019 às 09h01

    Por que a divergência te incomoda???

    Responder

    Alan C

    02 de julho de 2019 às 10h12

    Eu particularmente adoro essa invasão dos vagabundos bolsominions kkkk…. O blog tem milhares de leitores que acompanham sem comentar, e a discussão torna tudo muito mais claro pra que lê, portanto quero mais que eles fiquem aqui, tá ótimo assim rsrs

    Responder

Lucas

02 de julho de 2019 às 02h35

Esse blog virou pro protencionismo a la Trump agora?

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    Edibar

    02 de julho de 2019 às 09h00

    No fundo eu acho q o Cafezinho sempre foi trumpista….

    Responder

Edibar

01 de julho de 2019 às 22h29

Se sites de esquerda disserem q não será bom, é porque será mto bom.

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    Ultra Mario

    01 de julho de 2019 às 22h41

    Exato! Igual a reforma trabalhista e o teto dos gastos, ambos foram muito bons para o Brasil, trouxemos investimentos e geramos 6 milhões de empregos que pagam salários competitivos internacionalmente.

    Responder

      Edibar

      01 de julho de 2019 às 22h47

      Ainda nao gerou 6milhões de empregos, mas ambos foram mesmo mto importantes.

      Responder

      Roger

      02 de julho de 2019 às 05h43

      Doido varrido, gerou 6 milhões de empregos só na sua cabeça vazia. Desemprego bateu recorde de 13% e você nos vem com essa patacoada! Ah, vai dormir!

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        Edibar

        02 de julho de 2019 às 08h47

        Se vcs aqui estão reclamando desse acordo é porque ele só pode ser muito bom.

        Responder

      Gilmar Tranquilão

      02 de julho de 2019 às 06h57

      O MARAVILHOSO MUNDO DO AEROBOZO KKKKKKKKKKK

      Responder

Netho

01 de julho de 2019 às 18h42

Uma fria sem tamanho.
O que restou da indústria vai para o brejo.
Aliás, vai faltar vaca para tanto brejo.
A indústria automobilística será a primeira a sentir o baque e acelerar as demissões em massa.

Responder

Onofre Junqueira

01 de julho de 2019 às 16h57

Boas foram as parcerias que Lula e Dilma fizeram com Venzuela, Cuba, Bolívia e países africanos, onde o Brasil entrou com o ânus e nossos parceiros entraram com a trolha!

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Carol Craft

01 de julho de 2019 às 14h33

Pensa em como é difícil de agradar os esquerdistas. Se Bolsonaro voltasse de mãos abanando, é pq é incompetente. Volta com o maior acordo já firmado pelo Brasil, é pq não sabe costurar acordos. O Brasil tem excelência em comodites e carnes, então vamos concentrar esforços nessa linha e vamos tirar o máximo aproveito, pq antes de consumir carros, eletrônicos, a pessoa precisa se alimentar.

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    Roger

    02 de julho de 2019 às 05h46

    Vem elogiar o pateta que prejudicou as exportações de soja, frango e leite, além dos hortifruti, já rejeitados por países como Suécia graças ao liberou geral de agrotóxicos pelo Bozzo?! Você, pobre de direita, nem sabe do que fala, nem se inteira dos fatos.

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Marcio

01 de julho de 2019 às 13h59

Mimimi aberto oficialmente !!

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GNagano

01 de julho de 2019 às 12h56

Primeiro ficam com a conversa q o Brasil esta isolado no cenário internacional, quando conseguem o maior tratado comercial da UE, o tratado é uma porcaria….complicado, parece criança….

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    NeoTupi

    01 de julho de 2019 às 13h20

    Isolamento não depende de tratado. Tem a ver com falta de habilidade diplomática, conhecimento e saber negociar. Macron assegurou a venda de 300 Airbus para China no encontro com Ji Xiping sem assinar nenhum tratado de livre comercio com a China.
    E acordo caracu, onde a Europa entra com a cara, qualquer um assina com o Brasil, pois foi o Mercosul quem cedeu muito mais nas negociações para a Europa aceitar.
    O pior é que o Brasil queria compensar abrir importações de industrializados com exportações do agronegócio. Mas com Bolsonaro liberando agrotóxicos proibido em países europeus e descumprindo acordos ambientais, essas exportações podem ser barradas com barreiras sanitárias, enquanto o Brasil não poderá barrar industrializados.
    A burrice e o entreguismo são os maiores problemas desse governo.

    Responder

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